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Cinco passos para alcançar intimidade com Deus

By Universal

 

Muitas pessoas até participam dos encontros na Igreja, porém ainda não compreenderam a natureza de Deus.

Isso acontece porque é preciso estar conectado com Ele não somente durante as reuniões, mas também em outros momentos do dia a dia. Dessa maneira é possível construir uma relação próxima com Ele.

 

oracao Minha Comunhão com Deus JUBASU PIBSU Consciencia Cristã 2012

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Veja abaixo cinco passos que vão lhe ajudar nesse processo:

1) Coloque Deus em primeiro lugar em sua vida

Há pessoas que até desejam conhecer a Deus, porém não estão dispostas a segui-Lo. Isso não é uma tarefa fácil, pois para se aproximar do Criador é necessário primeiro compreender que Ele é a coisa mais importante da nossa vida.

2) Não confie no seu coração

A Bíblia diz: “Enganoso é o coração, mais do que todas as coisas, e desesperadamente corrupto…” Jeremias 17.9

A sociedade ensina que devemos seguir o nosso coração, mas é possível observar na prática que ele não sabe fazer escolhas sábias. Ele vai atrás do que deseja, mas não leva em consideração as consequências – que são muito perigosas. Por isso, confie somente no Espírito Santo.

3)   Aprenda a clamar a Deus

Por aprendermos com a sociedade que devemos seguir o nosso próprio coração, estamos acostumados a não consultar o Senhor sobre as coisas da vida. Portanto, converse com Ele diariamente e ouça o que Ele tem a dizer. Você perceberá que será uma experiência única e inestimável.

4)   Não caia em tentação

Os espíritos malignos a todo o momento colocam coisas que são agradáveis aos olhos em nosso caminho para nos desviar da condução do Senhor Jesus. Eles sabem que se seguirmos ao Altíssimo, nós teremos uma vida plena, e isso não é o que eles desejam. Por isso, afaste-se do que não convém.

5)   Alimente-se do que vem de Deus

Isso está relacionado com o quarto passo, pois se nós nos alimentarmos daquilo que vem do Espírito D’Ele, consequentemente não ficaremos acessíveis para os conteúdos sugeridos pelo mal.

Você está disposto a praticar esses passos?

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Jesus Apologista: Muitas Lições

Gostaria de publicar este excelente artigo do blog cristão Ler pra Crer .

 

Jesus foi um apologista?

Nos Evangelhos vemos Jesus utilizar uma variedade de métodos para comunicar as verdades espirituais. Sua vida exemplificou o próprio princípio que lemos na primeira carta de Pedro 3:15-16: “…estai sempre preparados para responder com mansidão e temor a todo aquele que vos pedir a razão da esperança que há em vós.”
Embora Jesus não tenha dito textualmente “Eu fui chamado para ser um apologista e preciso realizar minha tarefa de maneira fiel”, Ele ofereceu razões, em várias ocasiões, a respeito de por que Ele é o Messias e Deus encarnado.
Vamos ver alguns de seus métodos e tentar aprender com eles:
1. Jesus fazia perguntas
Para começar, se você ler os Evangelhos, vai ver que Jesus fez 153 perguntas. Isso é algo que precisa ser praticado por todos os cristãos. Como cristãos, tendemos a ser grandes oradores, mas ouvintes pobres. Se  lermos a literatura rabínica, veremos que fazer perguntas é uma ocorrência comum. Em todas as minhas discussões com meus amigos que são céticos, tendo a fazer esta e outras perguntas: “Se o cristianismo for verdadeiro, você se tornaria um cristão?”

Em alguns casos, fazer perguntas ajuda a focar no problema real. Depois de algumas perguntas, fica evidente que muitas pessoas realmente não têm nenhuma intenção de se entregar a Deus. No final, nenhuma evidência realmente irá convencê-las. Em um caso pelo menos, eu mesmo ouvi um cético dizer que não queria que o cristianismo fosse verdade. É verdade que a fé bíblica envolve a pessoa inteira – o intelecto, as emoções e a vontade. Então, siga os métodos de Jesus e sempre tente chegar ao “coração” da questão.

2. Jesus recorria às evidências

Jesus sabia que não poderia aparecer em cena e não oferecer qualquer evidência de Seu caráter messiânico. Em seu livro sobre Jesus, Douglas Groothuis observa que Jesus recorreu a provas para confirmar as suas afirmações. João Batista, que foi morto na prisão depois de desafiar Herodes, enviou mensageiros a Jesus com a pergunta: “És tu aquele que estava para vir, ou devemos esperar outro?” (Mt 11:3). Isto pode parecer uma pergunta estranha de um homem que os evangelhos apresentam como o precursor profético de Jesus e como aquele que havia proclamado que Jesus era o Messias. Jesus, porém, não fez questão de repreender a João. Ele não disse “Você deve ter fé; suprimir suas dúvidas”. Em vez disso, Jesus apresentou as características distintivas do seu ministério:

“Respondeu-lhes Jesus: Ide contar a João as coisas que ouvis e vedes: os cegos vêem, e os coxos andam; os leprosos são purificados, e os surdos ouvem; os mortos são ressuscitados, e aos pobres é anunciado o evangelho. E bem-aventurado é aquele que não se escandalizar de mim.” (Mateus 11:4-6; ver também Lucas 7:22)

Os ensinos e os atos de cura de Jesus se destinavam a servir como evidência positiva da sua identidade messiânica, porque cumpriam as predições messiânicas das Escrituras Hebraicas. O que Jesus disse é o seguinte:

1. Se alguém faz certos tipos de ações (os atos citados acima), então é o Messias.
2. Eu estou fazendo esses tipos de ações.
3. Portanto, eu sou o Messias.

3. Jesus apelou para Testemunho e Testemunhas

Porque Jesus era judeu, ele estava bem ciente dos princípios da Torá. O Dicionário Evangélico de Teologia de Baker (The Baker’s Evangelical Dictionary of Theology) observa  que o conceito bíblico de testemunho ou testemunha está intimamente ligado com o sentido legal convencional do Antigo Testamento de testemunho dado em um tribunal de justiça. Em ambos os Testamentos, ele aparece como o padrão primário para estabelecer e testar as alegações de verdade. Reivindicações subjetivas não certificáveis, opiniões e crenças, ao contrário, aparecem nas Escrituras como testemunho inadmissível.

Mesmo o depoimento de uma testemunha não é suficiente, já que para o testemunho ser aceitável, deve ser estabelecido por duas ou três testemunhas (Deut. 19:15). Em João 5:31-39 Jesus diz: “Se eu der testemunho de mim mesmo, o meu testemunho não é verdadeiro. Outro é quem dá testemunho de mim; e sei que o testemunho que ele dá de mim é verdadeiro.”

Jesus declara que um auto-atestado pessoal, longe de prover verificação,  não confirma,  mas, ao contrário, gera falsificação. Vemos nesta passagem que Jesus diz que o testemunho de João Batista, o testemunho do Pai, o testemunho da Palavra (a Bíblia Hebraica) e o testemunho de suas obras testemunham da Sua messianidade. (1)

4. Ontologia: Ser e Fazer – As ações de Jesus

A ontologia é definida como o ramo da filosofia que analisa o estudo do ser ou da existência. Por exemplo, quando Jesus diz: “Quem me vê a mim, vê o Pai” (João 14:9), a ontologia faz perguntas como: “Está Jesus dizendo que Ele tem a mesma substância ou essência do Pai?” A ontologia é especialmente relevante em relação à Trindade, uma vez que cristãos ortodoxos são demandados a articular como o Pai, o Filho e o Espírito Santo são todos da mesma substância ou essência. Em relação à ontologia, o falecido estudioso judeu Abraham Heschel J. disse: “a ontologia bíblica não separa o ser do fazer.” Heshel continuou: “Aquele que é, age. O Deus de Israel é um Deus que age, um Deus de feitos poderosos.”(2) Jesus sempre recorre às Suas “obras”, que atestam a sua messianidade. Vemos isso nas seguintes Escrituras:

“Mas o testemunho que eu tenho é maior do que o de João; porque as obras que o Pai me deu para realizar, as mesmas obras que faço dão testemunho de mim que o Pai me enviou.” João 5:36

“Se não faço as obras de meu Pai, não me acrediteis. Mas se as faço, embora não me creiais a mim, crede nas obras; para que entendais e saibais que o Pai está em mim e eu no Pai.” João 10:37-38

“Não crês que Eu estou no Pai e o Pai está em mim? As palavras que eu digo a você, eu não falo por minha própria iniciativa, mas o Pai, que reside em mim, realiza as suas obras miraculosas.” João 14:10

Os autores do Novo Testamento mostram que Jesus realiza as mesmas “obras” ou “atos”, como o Deus de Israel. Por exemplo, Jesus dá a vida eterna (Atos 4:12; Rom. 10:12-14), ressuscita os mortos (Lucas 7:11-17, João 5:21; 6:40), mostra a capacidade de julgar (Mateus 25:31-46, João 5:19-29, Atos 10:42, 1 Coríntios 4:4-5). Jesus também tem autoridade para perdoar pecados (Marcos 2:1-12, Lucas 24:47, Atos 5:31; Col. 3:13). Assim como o Deus de Israel, Jesus é identificado como eternamente existente (João 1:1; 8:58; 12:41; 17:5; 1 Coríntios 10:4;.. Fil. 2:6; Heb. 11:26.; 13:8; Judas 5), o objeto da fé salvadora (João 14:1, Atos 10:43; 16:31, Rom. 10:8-13) e o objeto de culto (Mt 14:33; 28.: 9,17; João 5:23; 20:28; Fil. 2:10-11, Heb. 1:6;. Apoc. 5:8-12).

5. Os Milagres de Jesus

Na Bíblia, os milagres têm um propósito diferente. Eles são usados por três razões:

1. Para glorificar a natureza de Deus (João 2:11; 11:40)
2. Para credenciar pessoas certas como os porta-vozes de Deus (Atos 2:22;. Heb. 2:3-4)
3. Para fornecer evidência para a crença em Deus (João 6:2, 14; 20:30-31). (3)

Nicodemos, membro do conselho de sentença judaica, o Sinédrio, disse a Jesus: “Rabi, sabemos que és Mestre, vindo de Deus; pois ninguém pode fazer estes sinais que tu fazes, se Deus não estiver com ele.” (João 3:1-2). Em Atos, Pedro disse à multidão que Jesus tinha sido “aprovado por Deus entre vós com milagres, prodígios e sinais, que Deus por ele fez no meio de vós, como vós mesmos bem sabeis.” (Atos 2:22).

Em Mateus 12:38-39, Jesus diz:  “Uma geração má e adúltera pede um sinal; e nenhum sinal se lhe dará, senão o do profeta Jonas; pois, como Jonas esteve três dias e três noites no ventre do grande peixe, assim estará o Filho do homem três dias e três noites no seio da terra.”

Nesta Escritura, Deus confirmou a alegação messiânica, quando Jesus disse que o sinal que iria confirmar sua messianidade seria a ressurreição.

É importante notar que nem todas as testemunhas de um milagre creem. Jesus não fez Seus milagres para entretenimento. Eles foram realizados para evocar uma resposta. Talvez Paul Moser tenha acertado naquilo que ele chama de “cardioteologia”- uma teologia que visa o coração motivacional de alguém (incluindo a própria vontade) ao invés de apenas sua mente ou suas emoções. Em outras palavras, Deus está muito interessado na transformação moral.

Vemos a frustração de Jesus quando Seus milagres não trouxeram a resposta correta de sua audiência. “E embora tivesse operado tantos sinais diante deles, não criam nele” (João 12:37). O próprio Jesus disse de alguns, “tampouco acreditarão, ainda que ressuscite alguém dentre os mortos” (Lucas 16:31). Um resultado, embora não o efeito, de milagres é a condenação do incrédulo (cf. João 12:31, 37). (4)

6. Jesus apelava à imaginação

Não é preciso ser cientista para ver que em muitas ocasiões Jesus também apelou para a imaginação. Basta ler as parábolas. Jesus sempre soube que poderia comunicar verdades espirituais dessa maneira.

7. Jesus recorreu à sua própria autoridade

Outra maneira usada por Jesus para apelar àqueles a sua volta era a sua própria autoridade. Os rabinos poderia falar em tomar sobre si o jugo da Torá ou o jugo do reino; Jesus disse: “Tomai o meu jugo, e aprendei de mim.” (Mt 11:29). Além disso, os rabinos poderiam dizer que se dois ou três homens se sentassem juntos, com as palavras da Torá entre eles, o Shekhiná (a própria presença de Deus) iria se debruçar sobre eles. Mas Jesus disse: “Onde dois ou três estiverem reunidos em meu nome, Eu estarei no meio deles” (Mt 18:20). Os rabinos poderiam falar sobre serem perseguidos por amor de Deus, ou por amor do seu nome, ou por causa da Torá; Jesus falou sobre ser perseguido e até mesmo perder a vida por causa dEle. Lembre-se: os profetas poderiam pedir às pessoas para se voltarem para Deus, para virem a Deus a fim de descansar e receber ajuda. Jesus falou com uma nova autoridade profética, afirmando: “Vinde a mim todos vós que estais cansados e sobrecarregados, e eu vos aliviarei” (Mt 11:28). (5)

8. Jesus apelou para a autoridade da Bíblia hebraica

Jesus foi educado na Bíblia hebraica. Não pode ser mais evidente que Ele tinha uma visão muito elevada das Escrituras. Vemos o seguinte:

1. Jesus via-se como sendo revelado na Torá, nos Profetas e nos Salmos (Lc 24:44) (João 5:39).
2. Jesus ensinou que as Escrituras eram autoritárias: Jesus cita passagens da Torá na tentação no deserto (Mat. 4:1-11).
3. Jesus falou sobre como a Escritura (a Bíblia hebraica) é imperecível no Sermão da Montanha (Mateus 5:2-48).
4. Jesus também discutiu como a Escritura é infalível: (João 10:35)

Assim, podemos perguntar: Qual é a sua visão da Bíblia? Você a lê?

A conclusão, portanto, é a de que ao vermos alguns dos métodos apologéticos de Jesus, talvez possamos concordar com Douglas Groothuis quando afirma:

Nossa amostragem do raciocínio de Jesus, no entanto, questiona seriamente a acusação de que Jesus elogiava a fé acrítica em detrimento de argumentos racionais e de que não se importava com consistência lógica. Pelo contrário, Jesus nunca desconsiderou o funcionamento próprio e rigoroso de nossas mentes dadas por Deus. O seu ensino recorreu à pessoa inteira: à imaginação (parábolas), à vontade e à capacidade de raciocínio. Com toda sua honestidade em informar as excentricidades dos discípulos, os escritores dos Evangelhos nunca narraram uma situação em que Jesus foi intelectualmente contido ou superado em um argumento, nem Jesus jamais encorajou uma fé irracional ou mal informada por parte dos seus discípulos.

Referências:

1. Sproul, R.C, Gerstner, J. and A. Lindsey. Classical Apologetics: A Rational Defense of the Christian Faith and a Critique of Presuppositional Apologetics. Grand Rapids, MI: Zondervan Publishing. 1984, 19.
2. Heschel., A.J. The Prophets. New York, N.Y: 1962 Reprint. Peabody MA: Hendrickson Publishers. 2003, 44.
3. Geisler, N. L., BECA, Grand Rapids, MI: Baker Book. 1999, 481.
4. Ibid.
5. Skarsaune, O., In The Shadow Of The Temple: Jewish Influences On Early Christianity. Downers Grove, ILL: Intervarsity Press. 2002, 331.

Fonte: Traduzido e adaptado de Ratio Christi – Eric Chabot (chab123.wordpress.com)

Os Frutos da Queda (Gn. 4:1-26)

Study By: Bob Deffinbaugh

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Introdução

Quando pecamos, muitas vezes o fazemos com a fútil esperança de que conseguiremos o máximo de prazer com o mínimo de castigo. No entanto, raramente acontece desse jeito.

Certa vez ouvi a história de um homem e sua esposa que resolveram ir a um drive-in movie. Eles acharam que o preço estava muito alto e então combinaram de enganar a administração do cinema. Quando estavam a pequena distância do drive-in, o marido enfiou-se no porta-malas do carro. O acordo era que sua esposa o deixaria sair depois que estivessem dentro do cinema.

Tudo corria como planejado, pelo menos até ao que dizia respeito ao vendedor de entradas. Mas, quando a esposa foi à traseira do carro para deixar seu marido sair, descobriu que ele estava com a chave do porta-malas em seu bolso. Em desespero, ela teve que chamar o gerente, a polícia, e o esquadrão de resgate. Não viram o filme e o porta-malas teve que ser arrombado. Tal é o caminho do pecado. O trajeto é curto, mas o preço é alto.

À primeira vista, pegar o fruto proibido e comê-lo parecia um assunto banal, um simples delito. Mas Gênesis capítulo três deixa claro que foi um assunto da maior gravidade. O homem preferiu acreditar em Satanás a crer em Deus. Adão e Eva concluíram que Deus era demasiadamente duro e severo. Decidiram buscar o caminho da auto-satisfação ao invés da subserviência.

A serpente sugeriu, na verdade afirmou audaciosamente, que nenhum efeito maléfico seria experimentado em desobediência a Deus, apenas um nível superior de vida. Mas, neste capítulo quatro de Gênesis rapidamente vemos que as promessas de Satanás foram mentiras grosseiras. Aqui o verdadeiro salário do pecado começa a aparecer.

O Fruto da Queda na Vida de Caim
(4:1-15)

A união sexual de Adão e Eva produziu uma primeira criança, um filho a quem Eva chamou Caim. Esse nome provavelmente deva ser entendido como um jogo de palavras. Soa semelhante à palavra hebraica Qanah, que significa “conseguir” ou “adquirir”. Em palavras atuais, este filho provavelmente teria sido chamado “consegui”.60

A importância do nome é que ele reflete a fé de Eva, pois ela disse: “Adquiri (qaniti, de qanah) um varão com o auxílio do Senhor.” (Gn. 4:1)

Apesar de haver alguma discussão entre os estudiosos da Bíblia quanto ao exato significado desta afirmação,61 Eva reconheceu a ação de Deus na dádiva de seu filho. Creio que Eva entendeu que da profecia de Gênesis 3:15 alguém de sua descendência traria sua redenção. Talvez ela visse Caim como seu redentor. Se foi assim ela estava fadada ao desapontamento.

Ainda que ela pudesse estar enganada em suas esperanças por uma rápida vitória sobre a serpente pelo nascimento de seu primogênito, ela estava certa em esperar a libertação de Deus através de sua descendência. Ela estava, então, correta no geral, mas errada no particular.

O otimismo de Eva parece ter-se desvanecido na época do nascimento de seu segundo filho, Abel. Seu nome significava “vaidade”, “sopro” ou “vapor”. Talvez, nessa época, ela já tivesse aprendido que as conseqüências do pecado não iam ser rapidamente afastadas. A vida envolveria luta e uma boa dose de esforço aparentemente inútil. Caim foi o símbolo da esperança de Eva; Abel, de seu desespero.

Abel foi pastor de ovelhas, enquanto que Caim foi lavrador da terra. Em parte alguma Moisés dá a entender que uma dessas ocupações seja inferior à outra. Nem este relato é alguma espécie de precursor dos shows de televisão que esgotam o assunto da luta entre pecuaristas e agricultores enlameados.

O problema de Caim não é encontrado nos seus meios de subsistência, mas no homem em si mesmo:

“Aconteceu que no fim de uns tempos trouxe Caim do fruto da terra uma oferta ao Senhor. Abel, por sua vez, trouxe das primícias do seu rebanho, e da gordura deste. Agradou-se o Senhor de Abel e de sua oferta; ao passo que de Caim e de sua oferta não se agradou.” (Gn. 4:3-5a)

Os Israelitas que primeiramente leram estas palavras de Moisés tiveram pouca dificuldade em compreender o problema com o sacrifício de Caim. Eles receberam isto como uma parte do Pentateuco, os cinco primeiros livros da Bíblia. Como tal eles entendiam que o homem não podia se aproximar de Deus sem o derramamento do sangue sacrificial. Ainda que houvesse sacrifícios sem sangue62 o homem só poderia ter acesso a Deus através do sangue derramado. A oferta de Caim foi insuficiente para os requisitos da lei de Deus.

Alguém pode objetar: “mas Caim não tinha tal revelação!” Absolutamente certo. Mas, então, todos devemos admitir que nenhum de nós sabe qual revelação ele possuía. Qualquer especulação sobre esse assunto é apenas isso – mera conjectura.

Tendo dito isto, devo ressaltar que não era necessário a Moisés tê-lo nos contado. Seus contemporâneos tinham base mais que suficiente para compreender a importância do sangue derramado, por causa das prescrições meticulosas da Lei a respeito de sacrifícios e adoração. Os cristãos de nossa época têm a vantagem de ver o assunto mais claramente à luz da cruz, e da percepção de que Jesus foi “o Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo.” (Jo. 1:29)

Ainda que não saibamos o que Deus revelou a Adão ou a seus filhos, temos certeza que eles sabiam o que era preciso fazer. Isto fica claro nas palavras de Deus a Caim:

“Então lhe disse o Senhor: Por que andas tão irado? e por que descaiu o teu semblante? Se procederes bem, não é certo que serás aceito? Se, todavia, procederes mal, eis que o pecado jaz à porta; o seu desejo será contra ti, mas a ti cumpre dominá-lo.” (Gn.4:6-7)

A pergunta de Deus claramente dá a entender que a raiva de Caim era infundada. Ainda que não saibamos os pormenores do que o “proceder bem” envolvia, Caim sabia. O problema de Caim não era falta de instrução, mas insurreição e rebelião contra Deus.

Caim, como muitas pessoas hoje, queria vir a Deus, mas queria fazê-lo do seu jeito. Isto pode funcionar numa lanchonete. Eles podem deixá-lo fazer do “seu jeito”, como diz o comercial, mas Deus não. Como um amigo meu diz “você pode ir para o céu do jeito de Deus, ou poder ir para o inferno de qualquer jeito que lhe agrade”.

Repare que Caim não era uma pessoa não religiosa. Ele cria em Deus, e queria a aprovação de Deus. Mas ele queria vir a Deus nos seus termos, não nos termos de Deus. O inferno, como já disse antes, estará repleto de pessoas religiosas.

Caim não queria se aproximar de Deus através do sangue derramado. Caim preferiu oferecer a Deus o fruto do seu trabalho. Ele tinha um “polegar verde” e mãos manchadas de sangue não o atraíam. Os homens atuais pouco diferem dele. Muitos são aqueles que, como os demônios (Tg. 2:19), crêem em Deus, e reconhecem Jesus como o Filho de Deus. Mas se recusam a se submeter a Ele como Senhor. Recusam Sua morte sacrificial e substitutiva na cruz como pagamento por seus pecados. Desejam chegar a Deus nos seus próprios termos. A mensagem do Evangelho é muito clara: não há aproximação de Deus exceto por meio daquilo que Jesus conquistou através da morte na cruz.

Jesus lhe disse: “Eu sou o caminho, a verdade e a vida, ninguém vem ao Pai senão por mim.” (Jo. 14:6)

“… E não há salvação em nenhum outro; porque abaixo do céu não existe nenhum outro nome, dado entre os homens, pelo qual importa que sejamos salvos.” (At. 4:12)

“… Com efeito, quase todas as cousas, segundo a lei, se purificam com sangue, e sem derramamento de sangue, não há remissão.” (Hb. 9:22)

“… mas pelo precioso sangue, como de cordeiro sem defeito e sem mácula, o sangue de Cristo.” (I Pe. 1:19). (cf. também Lc. 22:30; At. 20:28; Rm. 3:25; 5:9; Ef. 1:7).

Como Deus foi gracioso ao buscar Caim e gentilmente confrontá-lo com sua raiva pecaminosa! Como foi clara a mensagem de restauração e o aviso sobre o perigo que ele enfrentava! Mas o conselho de Deus foi rejeitado.

Esta semana um amigo meu me chamou a atenção para a sabedoria da repreensão de Deus. Como teria sido fácil para Deus corrigir Caim comparando-o com Abel. Essa é a maneira que nós pais muitas vezes usamos na disciplina de nossos filhos. Mas Deus não disse: “Por que você não me adora como seu irmão Abel?” Deus chamou a atenção de Caim para o padrão que Ele tinha estabelecido, não para o exemplo de seu irmão. Mesmo assim, Caim fez a ligação. A oferta de Caim não foi aceita, a de Abel foi. Deus gentilmente admoestou Caim e o instruiu que o jeito de receber a aprovação de Deus era se submeter ao padrão divino de aproximação de Deus. Caim concluiu que a solução era eliminar a competição – assassinar seu irmão.

Uma coisa deve ficar clara. Não foi só o sacrifício que foi o problema. Muito mais, foi a pessoa que procurou apresentar a oferta. Moisés nos diz:

“Agradou-se o Senhor de Abel e de sua oferta; ao passo que de Caim e de sua oferta não se agradou.” (Gn. 4:4b-5a)

A fonte do problema era Caim, e o sintoma foi o sacrifício.

O verso 7 está impregnado de implicações:

“Se procederes bem, não é certo que serás aceito? Se, todavia, procederes mal, eis que o pecado jaz à porta; o seu desejo será contra ti, mas a ti cumpre dominá-lo.” (Gn. 4:7)

O jeito de se restabelecer de sua depressão era mudar sua atitude. Ele se sentiria melhor à medida em que fizesse melhor. Em certo sentido Caim estava certo ao ficar zangado consigo mesmo. Ele estava errado em sua animosidade diante de seu irmão e diante de Deus.

Se Caim preferia ignorar a suave cutucada de Deus, que fique então completamente ciente dos perigos à sua frente. O pecado jazia esperando por ele como um animal à espreita. Queria controlá-lo, mas ele devia dominá-lo.63 Caim tinha que tomar uma decisão e ficaria responsável por sua escolha. Ele não precisava sucumbir ao pecado, da mesma forma que não precisamos, porque Deus sempre nos dá graça suficiente para resistir à tentação (I Co. 10:13).

Quando os dois homens foram para campo aberto (aparentemente onde não haveria testemunhas, cf. Dt. 22:25-27), Caim matou seu irmão. Agora Deus veio a Caim para julgá-lo:

“Disse o Senhor a Caim: Onde está Abel, teu irmão? Ele respondeu: Não sei; acaso sou eu tutor de meu irmão?” (Gn. 4:9)

A insolência de Caim é incrível. Não só ele mente ao negar qualquer conhecimento sobre o paradeiro de seu irmão, mas parece censurar a Deus pela pergunta. Pode até mesmo haver um jogo sarcástico nas palavras para dar a impressão de: “Não sei. Deverei eu pastorear o pastor?”64

O solo foi amaldiçoado por causa de Adão e Eva (Gn. 3:17). Agora a terra é manchada com o sangue de um homem, e que foi espalhado por seu irmão. Esse sangue agora clama a Deus por justiça (4:10). Deus, então, confronta Caim com seu pecado. O tempo para arrependimento já passou e agora a sentença é dada a Caim pelo Juiz da terra.

Não é o solo que é amaldiçoado novamente, mas Caim:

“És agora, pois, maldito por sobre a terra, cuja boca se abriu para receber de tuas mãos o sangue de teu irmão. Quando lavrares o solo, não te dará ele a sua força; serás fugitivo e errante pela terra.” (Gn. 4:11-12)

Caim tinha sido abençoado com um “polegar verde”. Ele tentou se aproximar de Deus através do fruto de seu trabalho. Agora Deus o amaldiçoou bem onde residia sua força e seu pecado. Nunca mais Caim seria capaz de se sustentar pelo cultivo do solo. Enquanto que Adão teve que obter seu sustento pelo suor de seu rosto (3:19), Caim não poderia nem sobreviver pela agricultura. Para ele a maldição do capítulo três foi intensificada. Para Adão a agricultura foi difícil; para Caim foi desastrosa.

A resposta de Caim à primeira repreensão de Deus tinha sido sombria e silenciosa, seguida pelo pecado. Caim não está mais silencioso uma vez que sua sentença foi pronunciada, mas não há indicação de arrependimento, só pesar.

“Então, disse Caim ao Senhor: É tamanho o meu castigo, que já não posso suportá-lo. Eis que hoje me lanças da face da terra, e da tua presença hei de esconder-me; serei fugitivo e errante pela terra; quem comigo se encontrar me matará.” (Gn. 4:13-14)

As palavras de Caim soam familiares a qualquer pai. Às vezes uma criança está sinceramente triste por sua desobediência. Em outras está apenas triste por ter sido pega, e lamenta amargamente a severidade do castigo que vai receber. Tudo o que Caim faz é repetir amargamente sua sentença, e expressar seu medo de que os homens o tratem da mesma maneira que ele tratou seu irmão.

Deus afirmou a Caim que, ainda que a vida humana significasse pouco para ele, Ele a valorizava muito. Ele sequer permitiria que o sangue de Caim fosse então derramado.65 Não podemos ter certeza da exata natureza do sinal que foi colocado em Caim. Pode ter sido uma marca visível, mas o mais provável é que tenha sido algum tipo de acontecimento que confirmasse a Caim que Deus não permitiria que ele fosse morto.66

O verso 15 tem duplo propósito. O primeiro é assegurar a Caim que ele não morreria de uma morte violenta pelas mãos de um homem. O segundo é uma clara advertência a qualquer um que considerasse tirar sua vida. Note que as palavras: “Assim, qualquer que matar a Caim será vingado sete vezes.” (Gn. 4:15), não são ditas para Caim, mas de Caim. Deus não disse: “qualquer que te matar”, mas “qualquer que matar a Caim”.

Uma genealogia parcial é dada da linhagem de Caim. Creio que Moisés a empregou para evidenciar a maldade de Caim (e a pecaminosidade do homem iniciada na Queda) em seus descendentes, e para servir como contraste à genealogia de Adão através de Sete no capítulo cinco.

Caim habitou na terra de Node. Depois do nascimento de seu filho, Enoque, Caim edificou uma cidade que chamou pelo nome de seu filho. Parece que a fundação desta cidade foi um ato de rebelião contra Deus, que tinha dito que ele seria fugitivo e errante (4:12).

Lameque manifesta a raça humana em seu nível mais baixo:

“Lameque tomou para si duas esposas: o nome de uma era Ada, a outra se chamava Zilá. Ada deu à luz a Jabal; este foi o pai dos que habitam em tendas e possuem gado. O nome de seu irmão era Jubal; este foi o pai de todos os que tocam harpa e flauta. Zilá, por sua vez, deu à luz a Tubalcaim, artífice de todo instrumento cortante, de bronze e de ferro; a irmã de Tubalcaim foi Naamá. E disse Lameque às suas esposas: Ada e Zilá, ouvi-me; vós, mulheres de Lameque, escutai o que passo a dizer-vos: Matei um homem porque ele me feriu; e um rapaz porque me pisou. Sete vezes se tomará vingança de Caim, de Lameque, porém, setenta vezes sete.” (Gn. 4:19-24).

Lameque aparece para ser o primeiro a se afastar do ideal divino para o casamento como descrito no capítulo dois. Uma esposa não era suficiente para ele, assim ele teve duas, Ada e Zilá.

Esperamos que Moisés só tenha palavras de condenação para Lameque. Certamente nada de bom poderia vir de tal homem. E mesmo assim, é da sua descendência que vêm as grandes contribuições culturais e científicas. Um filho tornou-se o pai dos pastores nômades, outro foi o primeiro de uma linhagem de músicos, e outro foi o primeiro dos grandes trabalhadores em metal.

Precisamos fazer uma pausa para observar que mesmo o homem em seu pior estado não está desabilitado a produzir aquilo que é considerado benéfico à raça humana. Também devemos nos apressar a dizer que as contribuições do homem podem rápida e facilmente ser adaptadas para a ruína dos homens. A música pode atrair e seduzir os homens ao pecado. A habilidade do trabalhador em metal pode ser usada para produzir utensílios de pecado (por exemplo ídolos, cf. Ex. 32:1 e ss).

Para um ímpio, a linhagem de Caim foi a origem de muitas coisas elogiáveis. Mas os verdadeiros frutos do pecado são revelados nas palavras de Lameque às suas esposas. Adão e Eva haviam pecado, mas arrependimento e fé estão implícitos depois que sua sentença foi pronunciada. Caim assassinou seu irmão Abel, e, apesar de não ter se arrependido totalmente, não podia defender seus atos.

Lameque nos leva ao ponto da história do homem onde o pecado não é apenas cometido descaradamente, mas com prepotência. Ele se vangloriou de seu assassinato para as suas mulheres. Mais que isso, ele se gabou de que seu pecado foi cometido contra um rapaz que simplesmente o ferira. Este assassinato foi brutal, ousado e vão. Pior de tudo, Lameque mostra desdém e desrespeito para com a Palavra de Deus: “Se Sete vezes se tomará vingança de Caim; de Lameque, porém, setenta vezes sete.” (Gn. 4:24).

Deus tinha pronunciado estas palavras para garantir a Caim que ele não seria morto pelas mãos de um homem. Ele também preveniu aos homens sobre a gravidade de tal ato. Estas palavras foram pronunciadas para mostrar o fato de que Deus valorizava a vida humana. Lameque as torceu e distorceu como ostentação de sua violenta e agressiva hostilidade para com os homens e para com Deus. Aqui o homem rapidamente mergulha no fundo do barril!

Um Vislumbre de Graça
(4:25-26)

Em Romanos capítulo cinco o apóstolo Paulo tem muito a dizer sobre a queda do homem no livro de Gênesis. Mas, neste mesmo capítulo, encontramos estas palavras de esperança: “mas onde abundou o pecado, superabundou a graça” (Rm. 5:20).

O pecado certamente abundou na linhagem de Caim, mas o capítulo não termina sem um vislumbre da graça de Deus.

“Tornou Adão a coabitar com sua mulher; e ela deu à luz um filho, a quem pôs o nome de Sete; porque, disse ela, Deus me concedeu outro descendente em lugar de Abel, que Caim matou. A sete nasceu-lhe também um filho, ao qual pôs o nome de Enos; daí se começou a invocar o nome do Senhor.” (Gn. 45-26)

Eva esperou pela salvação através de seu primeiro filho, Caim. Certamente não viria dele ou de seus des-cendentes. Nem poderia vir de Abel. Mas um outro filho foi dado, cujo nome, Sete, significa “apontado” (ou nomeado). Ele não foi apenas um substituto para Abel (verso 25), ele foi o descendente através do qual nasceria o Salvador.

Sete também teve um filho, Enos. Começava a ficar claro que a libertação que Adão e Eva esperavam não seria breve, mas, no entanto, era certa. E assim foi que naqueles dias os homens começaram “a invocar o nome do Senhor” (verso 26). Entendo que este foi o começo da adoração coletiva.67 Em meio a uma geração perversa e deformada havia um remanescente de fé que confiava em Deus e esperava por Sua salvação.

Conclusão

O Novo Testamento vai muito além de nosso melhor comentário sobre este capítulo e nos informa sobre seus princípios e aplicações práticas.

Este relato não é simplesmente um registro da história de dois homens que viveram há muito tempo atrás e num lugar muito distante. Minha Bíblia me informa que ele é uma descrição de dois caminhos, o caminho de Abel e o caminho de Caim.

“Ai deles! Porque prosseguiram pelo caminho de Caim, e, movidos de ganância, se precipitaram no erro de Balaão, e pereceram na revolta de Coré.” (Jd. 11)

Judas adverte seus leitores a respeito daqueles que são falsos crentes (verso 4). Eles não são salvos, mas se esforçam para se passar por crentes e perverter a verdadeira fé e desviar os homens de vivenciar a graça de Deus. No verso 11 estes homens são descritos como sendo iguais a Caim. São rebeldes que se escondem sob a bandeira da religião, como ele.

Deixe-me apenas dizer que o mundo hoje está cheio de religião, e o inferno estará cheio de religiosos. No entanto, há uma diferença substancial entre aqueles que são justos e aqueles que são religiosos. Aqueles que são verdadeiramente salvos são os que, como Abel, se aproximam de Deus como pecadores, e que compreendem o fato de que só através do sangue derramado do Cordeiro perfeito de Deus, o Senhor Jesus Cristo, serão salvos. Todos os outros tentam ganhar a aprovação de Deus oferecendo o trabalho de suas mãos. O “caminho de Caim” é uma fila interminável daqueles que querem alcançar o céu “do seu jeito” e não do Seu jeito.

A ironia do caminho de Caim é que ele é marcante. Ainda que pareçam oferecer a Deus boas obras, seus corações estão corrompidos.

“Porque a mensagem que ouvistes desde o princípio é esta: que nos amemos uns aos outros; não segundo Caim, que era do Maligno e assassinou a seu irmão, e por que o assassinou? Porque as suas obras eram más, e as de seu irmão, justas.” (I Jo. 3:11-12)

Aqueles que são maus não podem permanecer com aqueles que são verdadeiramente justos. Eles proclamam amor fraternal mas falham ao praticá-lo. Não é de se estranhar, então, que os líderes religiosos da época de Jesus O rejeitaram e O entregaram à morte com a ajuda dos gentios. Isto é o que João explicou em seu evangelho.

“A vida estava nele e a vida era a luz dos homens. A luz resplandece nas trevas, e as trevas não prevaleceram contra ela… a saber, a verdadeira luz que, vinda ao mundo, ilumina a todo homem. O Verbo estava no mundo, o mundo foi feito por intermédio dele, mas o mundo não o conheceu. Veio para o que era seu e os seus não o receberam.” (Jo. 1:4-5; 9-11)

Para aqueles que andam no caminho de Caim há pouca razão para esperança. Podem existir vantagens ilusórias de cultura ou tecnologia, mas, no final das contas, devem ter a mesma a sorte de Caim. Devem passar seus dias longe da presença de Deus e perceberão, afinal, que seus dias na terra são cheios de tristeza e pesar.

Nós podemos nos regozijar, pois há um caminho melhor, o caminho de Abel.

“Pela fé, Abel ofereceu a Deus, mais excelente sacrifício do que Caim; pelo qual obteve testemunho de ser justo, tendo a aprovação de Deus quanto às suas ofertas. Por meio dela, também mesmo depois de morto, ainda fala.” (Hb. 11:4)

“Para que dessa geração se peçam contas do sangue dos profetas, derramado desde a fundação do mundo; desde o sangue de Abel até ao de Zacarias, que foi assassinado entre o altar e a Casa de Deus. Sim, eu vos afirmo, contas serão pedidas a esta geração.” (Lc. 11:50-51)

“E a Jesus, o Mediador da nova aliança, e ao sangue da aspersão que fala cousas superiores ao que fala o próprio Abel.” (Hb. 12:24)

O que fez diferença entre Caim e Abel foi a fé. Abel não confiou em si mesmo, mas em Deus. Seu sacri-fício foi um sacrifício melhor porque evidenciava sua fé e refletia que o objeto de sua fé era Deus. Sem dúvida ele também tinha alguma compreensão do valor do sangue derramado de uma vítima inocente.

Mas Abel foi mais do que um exemplo de um crente primitivo, ele foi, de acordo com nosso Senhor, um profeta. Talvez por sua coragem no falar, mas certamente por suas obras, ele proclamou a seu irmão o caminho de acesso a Deus. Ele também foi profeta ao predizer em sua morte o destino de muitos que viriam tempos depois pregar a palavra de Deus aos não crentes.

Embora Deus valorizasse o sangue de Abel que foi derramado por sua fé, ele não deve ser comparado àquele sangue mais excelente que foi derramado por Jesus Cristo. O sangue de Abel foi um testemunho de sua fé. O sangue de Cristo é o agente purificador pelo qual os homens são purgados de seus pecados e libertos do castigo da eterna separação de Deus. Você já veio a confiar no sangue de Jesus como agente de Deus, Seu único agente pelo seu pecado? Por que não fazê-lo hoje?


60 Cf. H. C. Leupold, Exposition of Genesis (Grand Rapids: Baker-Book House, 1942), I, p. 189.

61 Literalmente, Eva replicou: “Consegui um filho, o Senhor”. Ela acreditava ter gerado o Salvador? Claro, isto é possível. Talvez o mais provável seja que ela tenha reconhecido que Deus a capacitou a dar à luz a uma criança, uma criança através da qual sua libertação logo pudesse vir.

62 “A oferta aqui é minha, a qual no caso humano era um presente de admiração ou lealdade e, como termo ritual, poderia descrever um animal ou, com mais freqüência, uma oferta de cereais (p. e. I Sm. 2:17; Lv. 2:1)” Derek Kidner, Genesis: An Introduction and Commentary (Chicago: Inter-Varsity Press, 1967), p. 75.

63 Estas palavras são quase idênticas àquelas do verso 16 do capítulo três: “Teu desejo será para o teu marido, e ele te governará”. Deus está sugerindo aqui que a mesma tentação (ou, pelo menos o mesmo tentador) que Adão e Eva falharam em resistir é agora enfrentada por Caim?

64 Gerhard VonRad, Genesis (Philadephia: The Westminster Press, 1972), p. 106.

65 A pena capital não foi instituída por Deus até o capítulo nove. Parecia que “uma sentença de vida” como errante e vagabundo, fosse maior punição para Caim do que condená-lo à morte.

66 VonRad sugere uma tatuagem ou algo semelhante (página 107). A mesma palavra para sinal é encontrada em 9:13 e 17:11.

67 “Desde que este chamado pelo uso do nome implique em adoração pública, temos aqui o primeiro registro de adoração pública regular. A adoração particular é pressuposta como precedente. A grande importância da adoração pública, tanto no caso de necessidade pessoal, como também no caso de confissão pública, é belamente exposta por este breve registro.” Leupold, p. 228.

A Queda do Homem (Gênesis 3:1-24)

Se a queda do homem ocorresse em nossos dias, mal se poderia imaginar as conseqüências. Acho que a União Americana dos Direitos Civis imediatamente abriria um processo – contra Deus, e em defesa de Eva e seu marido, Adão (a ordem dos dois não é acidental). O processo provavelmente se fundamentaria com base em um despejo ilegal. “Afinal”, seria dito, “este alegado ato pecaminoso foi consumado na privacidade do jardim, e com o consentimento de dois adultos.” Mas, acima de tudo, seria dito que o castigo foi totalmente desproporcional ao crime (se é que de fato houve algum). Deus poderia realmente estar falando sério na denúncia feita neste relato? Por causa de uma simples mordida em algum “fruto proibido” o homem e a mulher são despejados e sofrerão as conseqüências por toda a vida? E mais que isso, por causa desse único ato, o mundo inteiro e toda a raça humana continuarão a sofrer seus males, até nós?

Aqueles que não levam a Bíblia a sério, ou literalmente, têm um pouco de dificuldade neste ponto. Simplesmente anulam o terceiro capítulo de Gênesis, como se fosse uma lenda. Para eles é simplesmente uma história simbólica que se esforça para explicar as coisas como elas são. Os detalhes da queda não apresentam nenhum problema pois não são fatos, mas ficção.

Os evangélicos provavelmente tendem a se consolar com a lembrança de que isto aconteceu há muito tempo atrás e num lugar muito distante. Uma vez que a queda ocorreu há tantos anos atrás, não nos sentimos inclinados a encarar as conseqüências que nos fulminam desta passagem.

Mas, muitas questões sérias se levantam em relação ao relato da queda do homem. Por que, por exemplo, Adão deve assumir a responsabilidade principal quando Eva é que é o personagem principal da narrativa? Para colocar a questão em termos mais contemporâneos, por que Adão leva a culpa quando foi Eva quem manteve o diálogo?

Além do mais devemos refletir sobre a gravidade das conseqüências do homem partilhar o fruto proibido à luz do que parece ser um assunto um tanto trivial. O que foi tão ruim nesse pecado que propiciou uma resposta tão dura de Deus?

A estrutura dos primeiros capítulos de Gênesis requer esta descrição da queda do homem. Em Gênesis capítulos um e dois lemos sobre a criação perfeita que recebeu a aprovação de Deus como sendo “boa” (cf. 1:10/12/18/21). No capítulo quatro encontramos ciúme e assassinato. Nos capítulos seguintes a raça humana vai de mal a pior. O que aconteceu? Gênesis três responde esta questão.

Assim, este capítulo é essencial porque explica o mundo e a sociedade como os vemos hoje. Ele nos informa sobre as estratégias de Satanás para tentar aos homens. Explica as razões para passagens do Novo Testamento que restringem as mulheres de assumirem cargos de liderança na igreja. Ele nos desafia a considerar se continuamos ou não a “cair” como o fizeram Adão e sua esposa.

No entanto, este não é um capítulo que nos arrependeremos de ter estudado. Ele descreve a entrada do pecado na raça humana e a gravidade das conseqüências da desobediência do homem. Mas, além da pecaminosidade do homem e das penalidades que ela exige, há a revelação da graça de Deus. Ele busca o pecador e lhe providencia uma vestimenta por causa do pecado. Ele promete um Salvador através do qual todo este trágico evento será tornado em triunfo e salvação.

O Pecado do Homem
(3:1-7)

De repente, abruptamente e sem nenhuma introdução, aparece no verso um a serpente. Estamos preparados para encontrar Adão, Eva e o jardim, pois já os vimos antes. Diz-se que a serpente é uma das criaturas de Deus, então, devemos pensar nessa criatura literalmente. Apesar de ter sido uma cobra real, a revelação posterior nos informa que o animal estava sendo usado por Satanás, que é descrito como dragão e serpente (cf. II Coríntios 11:3 e Apocalipse 12:9, 20:2).

Ainda que possamos desejar conhecer as respostas para as questões ligadas à origem do mal, Moisés não tinha a intenção de nos fornecê-las aqui. O objetivo de Deus é nos mostrar que somos pecadores. Ir mais adiante só nos leva a tirar o foco de nossa atenção da nossa responsabilidade pelo pecado.

Repare especialmente na abordagem de Satanás. Ele não se aproxima como um ateu, ou como alguém que desafiaria logo de cara a fé que Eva tinha em Deus.54 Satanás pode se manifestar como uma Madalyn Murray O’Hair, mas, com mais freqüência, como um “anjo de luz” (II Coríntios 11:14). Satanás muita vezes fica atrás do púlpito, segurando uma Bíblia em suas mãos.

A formulação das perguntas de Satanás é significativa. A palavra “de fato” (verso um) está exalando insinuação. O efeito é este: “Certamente Deus não poderia ter dito isto, poderia?” Também o termo Deus (“Deus disse” – verso um) é interessante. Moisés vinha usando a expressão “O Senhor Deus”, Yahweh Elohim:

“Mas a serpente, mais sagaz que todos os animais selváticos que o Senhor Deus tinha feito” (Gênesis 3:1). Mas quando Satanás se referiu ao Senhor Deus ele simplesmente o fez como Deus. Esta omissão é indicativa da atitude rebelde de Satanás diante do Deus Todo-Poderoso.

A abordagem inicial de Satanás não é para negar, mas para enganar; não para levar à desobediência, mas para causar dúvidas. Satanás chegou até Eva como um questionador. Ele distorceu deliberadamente o mandamento de Deus, mas de maneira a sugerir “Posso estar errado, assim, corrija-me se estiver enganado.”

Ora, Eva nunca teria começado esta conversa. Era uma completa subversão da ordem de autoridade de Deus. Essa ordem era Adão, Eva, criatura. Adão e Eva expressavam o governo de Deus sobre Sua criação (1:26). Eva não hesitaria em censurar tal conversa se não fosse pela maneira como ela foi iniciada por Satanás.

Se Satanás tivesse começado por desafiar o mandamento de Deus ou a fé que Eva tinha nEle, sua escolha teria sido bem fácil. Mas Satanás expressou o mandamento de Deus de forma enganosa. Ele colocou a questão como para parecer que estivesse mal informado e precisasse ser corrigido. Poucos de nós podem evitar a tentação de falar aos outros que estão errados. Assim, por curiosidade, Eva começou a trilhar o caminho da desobediência enquanto supunha que estava defendendo a Deus da serpente.

Você percebeu que Satanás sequer mencionou a árvore da vida ou a árvore do conhecimento do bem e do mal? Que ataque sutil! Sua pergunta trouxe a árvore proibida ao centro do pensamento de Eva, mas sem mencioná-la. Ela o fez. Com sua pergunta Satanás não somente envolveu Eva no diálogo, mas também levou seus olhos à generosa provisão de Deus e fez com que ela pensasse somente na Sua proibição. Satanás não deseja que conside-remos a graça de Deus, mas que meditemos rancorosamente nas Suas proibições.

E é exatamente isto o que, imperceptivelmente, toma conta dos pensamentos de Eva. Ela revela sua mudança de atitude através de muitas “escorregadelas freudianas”. Enquanto Deus disse: “De qualquer árvore do jardim comerás livremente” (2:16), Eva disse: “Do fruto das árvores do jardim podemos comer” (3:2). Eva omitiu o “qualquer” e o “livremente”, as duas palavras que enfatizavam a generosidade de Deus.

Da mesma forma, Eva teve uma impressão distorcida da severidade de Deus na proibição do fruto da árvore do conhecimento do bem e do mal. Ela expressou a instrução de Deus nestas palavras: “Dele não comereis, nem tocareis nele, para que não morrais.” (3:3) Mas Deus tinha dito: “mas da árvore do conhecimento do bem e do mal não comerás; porque no dia em que dela comeres, certamente morrerás.” (2:17)

Apesar de exagerar a proibição ao ponto de até mesmo tocar a árvore ser ruim, Eva inconscientemente subestimou o julgamento de Deus ao omitir a palavra “certamente”, e ao falhar em informar que a morte viria no dia da transgressão. Em outras palavras, Eva enfatizou a severidade de Deus, mas subestimou o fato de que o julgamento era certo e seria rapidamente executado.

O primeiro ataque de Satanás à mulher foi como um questionador religioso, num esforço para criar dúvidas acerca da bondade de Deus e para fixar a atenção dela no que era proibido contra tudo o que era dado livremente. O segundo ataque é ousado e audacioso. Agora, em lugar de dúvida e decepção há negação, seguida de calúnia ao caráter de Deus: “Então, a serpente disse à mulher: É certo que não morrereis.” (3:4)

As palavras de advertência de Deus não eram para ser entendidas como promessa de castigo, mas como simples ameaça de uma divindade egocêntrica.

Podemos estranhar a negação categórica de Satanás, mas, em minha opinião, foi exatamente isto que enfraqueceu a oposição de Eva. Como alguém poderia estar errado se tinha tanta certeza? Hoje, meu amigo, muitos são convencidos mais pelo tom categórico de um professor do que pela honestidade doutrinária de seu ensinamento. Dogmatismo não é garantia de acuidade doutrinária.

O golpe fatal de Satanás está registrado no verso cinco: “Porque Deus sabe que no dia em que dele comerdes se vos abrirão os olhos e, como Deus, sereis conhecedores do bem e do mal.” (3:5)

Muitos tentam determinar exatamente o que Satanás está oferecendo no verso cinco. “Se vos abrirão os olhos”, Satanás lhes assegura. Em outras palavras, eles estão vivendo num estado incompleto, inadequado. Mas, uma vez que o fruto fosse comido, entrariam num novo e mais alto nível de existência: se tornariam “como Deus”.55

Da forma como entendo a assertiva de Satanás, a afirmação é deliberadamente vaga e evasiva. Isto estimularia a curiosidade de Eva. Conhecer “o bem e o mal” pode ser conhecer tudo.56 Mas, como Eva poderia compreender os detalhes da oferta quando ela ainda não sabia o que era o “mal”.

Um de meus amigos me diz que as mulheres são, por natureza, mais curiosas que os homens. Não sei se é mesmo assim, mas sei que tenho uma curiosidade bem aguçada também. O mistério desta possibilidade de conhecer mais e viver nalgum plano superior certamente convida à especulação e consideração.

Encontrei no livro de Provérbios uma ilustração desta cena sobre a curiosidade humana:

“A loucura é mulher apaixonada, é ignorante, e não sabe cousa alguma. Assenta-se à porta de sua casa, nas alturas da cidade, toma uma cadeira, para dizer aos que passam e seguem direito o seu caminho: Quem é simples, volte-se para aqui. E aos faltos de senso diz: As águas roubadas são doces, e o pão comido às ocultas é agradável.” (Pv. 9:13-17)

A mulher tola é por si mesma ingênua e ignorante, embora atraia suas vítimas ao lhes oferecer uma nova experiência, e o fato de isso ser ilícito simplesmente aumenta o apelo (versos 16 e 17). Essa é a espécie de oferta que Satanás fez a Eva.

Satanás, creio eu, deixa Eva e seus pensamentos neste ponto. Sua semente destrutiva foi plantada. Embora ela ainda não tenha comido do fruto, já começou a cair. Ela entrou em diálogo com Satanás e agora está acalentando pensamentos blasfemos acerca do caráter de Deus. Ela está contemplando seriamente a desobediência. O pecado não é instantâneo, mas seqüencial (Tiago 1:13-15), e Eva está bem no seu caminho.

Repare que a árvore da vida não é nem mesmo mencionada ou considerada. As duas árvores estavam diante de Eva, a árvore da vida e a árvore do conhecimento do bem e do mal. Aparentemente não foi uma escolha entre uma ou outra. Ela só viu o fruto proibido. Somente ele mostrou ser “bom para comer e agradável aos olhos” (verso 6), e, no entanto, em 2:9 é dito que todas as árvores tinham tais características em comum. Mas Eva só tinha olhos para o que era proibido. E esta árvore oferecia alguma qualidade misteriosa de vida que atraía a mulher.

Satanás mentiu descaradamente ao assegurar a Eva que ela não morreria, mas simplesmente falhou ao lhe dar uma boa impressão em sua promessa daquilo que o fruto proibido ofereceria. Tendo estudado a tal árvore por algum tempo (imagino), ela finalmente decidiu que os benefícios eram muito grandes e as conseqüências muito absurdas e, por isso, improváveis. Naquele momento ela pegou o fruto e o comeu.

Alguém pode balançar a cabeça diante da atitude de Eva, mas o estranho mesmo é que Adão, aparentemente sem hesitação, sucumbiu ao convite de Eva para compartilhar de sua desobediência. Moisés empregou 6 versos e 3/4 para descrever o engano e a desobediência de Eva, mas apenas uma parte de uma sentença para registrar a queda de Adão. Por que? Embora não seja tão categórico nesta possibilidade quanto já fui, duas palavras de Moisés poderiam nos dar a resposta: “com ela” (verso 6).

“Vendo a mulher que a árvore era boa para se comer, agradável aos olhos e árvore desejável para dar entendimento, tomou-lhe do fruto e comeu e deu também ao marido (que estava com ela), e ele comeu.” (Gênesis 3:6).

Seria possível que Eva não estivesse sozinha com a serpente?57 Poderia ser que Moisés, por estas duas palavras “com ela”, estivesse nos informando que Adão esteve presente durante todo o acontecimento, mas não abriu a boca? Se ele esteve lá, ouvindo cada palavra e assentindo com seu silêncio, então não é de se estranhar que ele simplesmente pegou o fruto e o comeu quando lhe foi oferecido por Eva.

É algo análogo a quando eu e minha esposa estamos sentados na sala de casa. Quando a campainha toca, minha esposa se levanta para atender, enquanto continuo assistindo ao meu programa de TV favorito. Posso ouvir ao longe minha esposa atendendo ao vendedor de aspiradores e escutar com crescente interesse seu plano de vendas. Não quero parar de assistir ao meu programa, assim deixo que a conversa continue, mesmo que minha esposa esteja fazendo um carnê. Se ela viesse à sala e me dissesse “Você tem que assinar aqui também”, não seria nenhum choque se eu assinasse sem protestar. Por falha minha permiti que minha esposa tomasse uma decisão e eu resolvi segui-la.

Se Adão não esteve presente durante todo o diálogo entre a serpente e sua esposa, alguém ainda poderia conceber como isso pôde ter acontecido. Eva, independentemente, poderia ter comido o fruto e então se apressado a contar a seu marido sobre sua experiência. Posso bem imaginar que Adão gostaria de saber duas coisas. Primeiro, ele gostaria de saber ela se sentia melhor – isto é, se o fruto tinha produzido algum efeito benéfico sobre ela. Segundo, ele gostaria de saber se teve algum efeito prejudicial. Afinal de contas, Deus tinha dito que morreriam naquele dia. Tivesse ela achado o fruto agradável e até agora não sentisse nenhum efeito maléfico, Adão certamente estaria inclinado a seguir o exemplo de sua esposa. Que trágico erro!

Os versos 7 e 8 são particularmente instrutivos, porque nos ensinam que o pecado tem suas conseqüências assim como seu castigo. Deus ainda não prescrevera qualquer castigo para o pecado de Adão e Eva, e mesmo assim as conseqüências já estavam inseparavelmente ligadas ao crime. As conseqüências do pecado aqui mencionadas são vergonha e separação.

A nudez que Adão e Eva compartilhavam sem culpa era agora a origem da vergonha. A doce inocência foi perdida para sempre. Lembre-se, não havia outro homem no jardim, só eles dois. Mas estavam com vergonha de encarar um ao outro sem roupa. Não só não podiam encarar um ao outro como o faziam antes, mas eles temiam encarar a Deus. Quando Ele veio para ter a doce comunhão com eles, esconderam-se de medo.

Deus tinha dito que, no dia em que comessem do fruto proibido, morreriam. Alguns se confundem com esta promessa de julgamento. Embora o processo de morte física começasse naquele dia fatídico, eles não morreram fisicamente. Vamos relembrar que a morte espiritual é a separação de Deus.

“Estes sofrerão penalidade de eterna destruição, banidos da face do Senhor e da glória do seu poder.” (II Ts. 1:9)

Não é de se surpreender que a morte física de Adão e Eva não ocorresse imediatamente, isto é, agora havia a separação de Deus. E esta separação não foi imposta por Deus, mas foi introduzida pelo próprio homem.

Preciso me desviar um pouco para dizer que a morte espiritual vivenciada por Adão e sua esposa é a mesma que ainda temos hoje. É a alienação do homem de Deus. E é isso que o homem prefere. É a sua escolha. Inferno é Deus dar aos homens as duas coisas – o que eles querem e o que eles merecem (cf. Ap. 16:5-6).

Deus Procura, Prova e Sentencia o Homem
(3:8-21)

A separação que Adão e Eva causaram é aquela que Deus procura preencher. Deus procurou pelo homem no jardim. Enquanto as perguntas de Satanás foram planejadas para causar a queda do homem, as perguntas de Deus buscam sua reconciliação e restauração.

Repare que nenhuma pergunta é feita à serpente. Não há intenção de restauração para Satanás. Sua condenação está selada. Tome nota também da ordem ou seqüência aqui. O homem caiu nesta ordem: serpente, Eva, Adão. Isto é o oposto da seqüência de comando dada por Deus. Enquanto Deus questionou por ordem de autoridade (Adão, Eva, cobra), Ele sentenciou pela ordem da queda (cobra, Eva, Adão). A queda foi, em parte, o resultado da reversão da ordem de Deus.

Adão é o primeiro a ser procurado por Deus com a pergunta: “Onde estás?” (verso 9). Adão relutantemente admitiu seu medo e vergonha, provavelmente esperando que Deus não o pressionasse nesse caso. Mas Deus sondou mais profundamente, procurando uma confissão do pecado: “Quem te fez saber que estavas nu? Comeste da árvore que te ordenei que não comesses?” (verso 11).

Jogando pelo menos uma parte da responsabilidade sobre o Criador, Adão desembuchou: “A mulher que me deste por esposa, ela me deu da árvore, e eu comi.” (verso 12)

A implicação de Adão era que ambos, Eva e Deus, deviam partilhar da responsabilidade pela queda. Sua parte foi mencionada por último e com tão poucos detalhes quanto possível. E sempre será assim com aqueles que são culpados. Sempre encontramos circunstâncias atenuantes.

“Todos os caminhos do homem são puros aos seus olhos, mas o Senhor pesa o seu espírito.” (Pv. 16:2)

Então Eva é questionada: “Que é isso que fizeste?” (verso 13)

Sua resposta foi um pouco diferente (em essência) da resposta de seu marido: “A serpente me enganou e eu comi.” (verso 13)

Era verdade, é claro. A serpente a enganou (I Tm. 2:14) e ela comeu. A culpa de ambos, apesar do débil esforço feito para desculpar, ou, no mínimo, diminuir a responsabilidade humana, foi claramente estabelecida.

Creio que deva ser sempre assim. Antes do castigo poder ser aplicado, o delito deve ser comprovado e admitido. De outra forma o castigo não terá seu efeito corretivo sobre o culpado. As penalidades agora são prescritas por Deus, dadas na seqüência dos acontecimentos da queda.

A Serpente Sentenciada (versos 14-15)

A serpente é a primeira a quem Deus se dirige e estabelece o castigo. A criatura, como um instrumento de Satanás, é amaldiçoada e sujeita a uma existência de humilhação, rastejando-se no pó (verso 14).

O verso 15 se dirige à serpente por trás da serpente, Satanás, o dragão mortífero: “E foi expulso o grande dragão, a antiga serpente, que se chama diabo e Satanás, o sedutor de todo o mundo…” (Ap. 12:9)

Haverá, antes de mais nada, uma hostilidade pessoal entre Eva e a serpente: “Porei inimizade entre ti e a mulher” (verso 15).

Tal inimizade é fácil de se compreender. Mas esta oposição se ampliará: “entre a sua descendência e o seu descendente” (verso 15)

Aqui, creio que Deus se refere à luta através dos séculos entre o povo de Deus e os seguidores do diabo (cf. Jo. 8:44 e ss).

Finalmente, há o confronto pessoal entre o descendente de Eva58, o Messias, e Satanás. “Este te ferirá a cabeça, e tu lhe ferirás o calcanhar.” (verso 15)

Neste confronto Satanás será mortalmente ferido, enquanto que o Messias receberá um golpe doloroso, mas não fatal.

Como esta profecia retrata lindamente a vinda do Salvador, Aquele que reverterá os acontecimentos da queda. Foi sobre isso que Paulo escreveu retrospectivamente no quinto capítulo de Romanos:

“Entretanto, reinou a morte desde Adão até Moisés, mesmo sobre aqueles que não pecaram à semelhança da transgressão de Adão, o qual prefigurava aquele que havia de vir. Todavia, não é assim o dom gratuito como a ofensa; porque, se, pela ofensa de um só, morreram muitos, muito mais a graça de Deus e o dom pela graça de um só homem, Jesus Cristo, foram abundantes sobre muitos. O dom, entretanto, não é como no caso em que somente um pecou; porque o julgamento derivou de uma só ofensa, para a condenação; mas a graça transcorre de muitas ofensas, para a justificação. Se, pela ofensa de um e por meio de um só, reinou a morte, muito mais os que recebem a abundância da graça e o dom da justiça reinarão em vida por meio de um só, a saber, Jesus Cristo.”

Apesar da profecia do verso 15 ser um tanto velada, ela se torna mais e mais evidente à luz da revelação subseqüente. É um tanto surpreendente, então, saber que os judeus, de acordo com o Targum, consideraram esta passagem como Messiânica.59

O Castigo da Mulher (verso 16)

Desde que Satanás atacou a raça humana através da mulher é apropriado, portanto, que Deus traga a salvação do homem e a destruição de Satanás através dela. Isto já foi revelado à Satanás no verso 15. Cada criança carregada pela mulher deve ter atormentado Satanás.

Ainda que a salvação viesse através do nascimento de uma criança, isso não seria um processo indolor. A sentença da mulher chega ao centro de sua existência. Trata do nascimento de seus filhos. Mas em meio às dores do trabalho de parto ela poderia saber que o propósito de Deus para ela estava sendo cumprido, e que, talvez, o Messias, nascesse através dela.

Somado às dores do trabalho de parto, o relacionamento da mulher com seu marido também foi prescrito. Adão deveria liderar e Eva deveria seguir. Mas tal não foi o caso na queda. Então, desta vez as mulheres seriam governadas pelos homens: “o teu desejo será para o teu marido, e ele te governará.” (verso 16)

Muitas coisas podem ser ditas a respeito desta maldição. Antes de mais nada, é algo que é para todas as mulheres, não apenas para Eva. Da mesma forma que todas as mulheres devem partilhar as dores de parto, assim também devem estar sujeitas à autoridade de seus maridos. Isto, de forma nenhuma, implica em alguma inferioridade por parte das mulheres. Nem justifica a restrição de votos ou recusa de equivalência salarial e assim por diante.

Para aqueles que se recusam a se submeter ao ensinamento bíblico concernente ao papel da mulher na igreja – que as mulheres não devem liderar ou ensinar aos homens, e mesmo não falar publicamente (I Co. 14:33b-36; I Tm. 2:9-15) – deixe-me dizer isto: o papel da mulher na igreja e no casamento não é restrito ao ensinamento de Paulo, nem é para ser visto como apenas relacionado ao contexto imoral de Corinto. É uma doutrina bíblica, que tem origem no terceiro capítulo de Gênesis. Essa é a razão pela qual Paulo escreveu:

“… conservem-se as mulheres caladas na igreja, porque não lhes é permitido falar; mas estejam submissas como também a lei o determina.” (I Co. 14:34)

Para aqueles homens e mulheres que desejam desprezar a instrução de Deus, devo dizer que isso é precisamente o que Satanás deseja. Da mesma forma que ele atraiu a atenção de Eva para a restrição daquela única árvore, ele quer que as mulheres ponderem sobre as restrições impostas a elas hoje – “Livre-se de suas algemas”, ele incita, “Encontre sua auto-satisfação”, “Deus está privando você daquilo que é melhor”, ele sussurra. Isso é mentira! Os mandamentos de Deus têm razão, quer os compreendamos ou não.

Para os homens, apresso-me a acrescentar que este versículo (e o ensinamento bíblico sobre o papel das mulheres) não é um texto para provar a superioridade masculina ou alguma espécie de ditadura no casamento. Somos conduzidos pelo amor. Nossa liderança é para ser exercida com nosso próprio sacrifício pessoal, procurando o que é melhor para nossa esposa (Ef. 5:25 e ss). Liderança bíblica é aquela que segue o exemplo de nosso Senhor (cf. Fp. 2:1-8).

O Castigo do Homem (versos 17 a 20)

Da mesma forma que o castigo de Eva se relaciona ao centro de sua vida, assim também é o caso com Adão. Ele tinha sido colocado no jardim, mas agora terá que obter seu sustento do solo “pelo suor de sua fronte” (versos 17 a 19).

Você notará que, embora a serpente tenha sido amaldiçoada, aqui somente a terra é amaldiçoada e não Adão e Eva. Deus amaldiçoou Satanás porque Ele não pretendia reabilitá-lo ou redimi-lo. Mas o propósito de Deus em salvar o homem já tinha sido revelado (verso 15).

Adão não somente terá que lavrar o solo para obter seu sustento, mas ele finalmente retornará ao pó. A morte espiritual já aconteceu (cf. versos 7 e 8). A morte física começou. Distante da vida que Deus dá, o homem simplesmente (embora lentamente) retorna ao seu estado original – pó (cf. 2:7).

A reação de Adão ao castigo de Deus é revelada no verso 20 “E deu o nome de Eva a sua mulher, por ser a mãe de todos os seres humanos.”

Creio que essa atitude evidencia uma fé singela por parte de Adão. Ele aceitou sua culpa e castigo, mas concentrou-se na promessa de Deus de que o Salvador viria através da descendência da mulher. A salvação de Eva (e a nossa também!) viria através de sua sujeição a seu marido e do nascimento dos filhos. O nome que Adão deu à mulher, Eva, que significa “viva” ou “vida”, mostrava que a vida viria através de Eva.

Deus não é apenas um Deus de castigo, mas de graciosa provisão. Assim, Ele fez para Adão e sua esposa roupas de peles de animais para cobrir sua nudez. Em minha opinião, a profecia da redenção através do derramamento de sangue implícita nesse versículo, não é um abuso.

A Dura Misericórdia
(3:22-24)

De maneira estranha a promessa de Satanás tornou-se verdadeira. Em certo sentido, Adão e Eva tinham se tornado como Deus no conhecimento do bem e do mal (verso 22). Ambos, o homem e Deus, conheciam o bem e o mal, mas de formas completamente diferentes.

Talvez a diferença possa ser melhor ilustrada desta maneira. Um médico pode conhecer o câncer em virtude de sua educação e experiência como médico. Isto é, ele tem lido e ouvido conferências a respeito de câncer, e o tem visto em seus pacientes. Um paciente, também, pode conhecer o câncer, mas como sua vítima. Enquanto ambos conhecem o que é o câncer, o paciente desejaria jamais ter ouvido falar sobre ele. Tal é o conhecimento que Adão e Eva vieram a possuir.

Deus prometeu que a salvação viria na época do nascimento do Messias, que destruiria Satanás. Adão e Eva poderiam ficar tentados a obter a vida eterna comendo do fruto da árvore da vida. Eles escolheram o conhecimento ao invés da vida. Agora, como os Israelitas tardiamente tentaram possuir Canaã (Nm. 14:39-45), assim o homem caído poderia tentar ganhar a vida através da árvore da vida no jardim.

Parecia que, se Adão e Eva tivessem comido da árvore da vida eles teriam vivido para sempre (verso 22). Esta é a razão pela qual Deus os lançou prá fora do jardim (verso 23). No verso 24 o “lançados prá fora” dos dois é chamado mais dramaticamente de “expulsos”. Colocados à entrada do jardim estão os querubins e a espada flamejante.

“Que cruel e rigoroso”, alguns seriam tentados a protestar. Num jargão legal atual, provavelmente seria chamado de “um castigo incomum e cruel”. Mas, pense por um instante antes de falar precipitadamente. O que teria acontecido se Deus não tivesse expulso este casal do jardim e proibido seu retorno? Posso responder com apenas uma palavra – INFERNO. O inferno está dando aos homens as duas coisas – o que eles querem e o que merecem (Ap. 16:6) para sempre. O inferno é passar a eternidade em pecado, separado de Deus.

“Estes sofrerão penalidade eterna de destruição, banidos da face do Senhor e da glória do seu poder.” (I Ts. 1:9)

Deus foi misericordioso e gracioso ao colocar Adão e Eva prá fora do jardim. Ele os guardou do castigo eterno. Sua salvação não viria instantaneamente, mas no tempo certo; não com facilidade, mas através da dor – mas viria. Eles deveriam confiar Nele para alcançá-la.

Conclusão

Não posso evitar, mas lembro-me das palavras de Paulo quando leio este capítulo “Considerai, pois, a bondade e a severidade de Deus.” (Rm. 11:22)

Há pecado, e há julgamento. Mas o capítulo está entrelaçado com graça. Deus buscou os pecadores. Ele os sentenciou também, mas com a promessa da salvação por vir. E guardou-os do inferno na terra; Ele lhes providenciou vestimentas para o tempo e completa redenção no tempo. Que Salvador!

Antes de concentramos nossa atenção na aplicação deste capítulo às nossas próprias vidas, consideremos por um instante o que esta passagem queria dizer ao povo nos dias de Moisés. Eles já tinham sido levados prá fora do Egito e a Lei já tinha sido dada. Eles ainda não tinham entrado na terra prometida.

O propósito dos livros de Moisés (os quais incluem Gênesis) é dado em Deuteronômio capítulo 31:

“Tendo Moisés acabado de escrever, integralmente, as palavras desta lei num livro, deu ordem aos levitas que levavam a Arca da Aliança do Senhor, dizendo: tomai este livro da lei e ponde-o ao lado da Arca da Aliança do Senhor, vosso Deus, para que ali esteja por testemunho contra ti. Porque conheço a tua rebeldia e a tua dura cerviz. Pois, se vivendo eu, ainda hoje, convosco, sois rebeldes contra o Senhor, quanto mais depois da minha morte? Ajuntai perante mim todos os anciãos das vossas tribos e vossos oficiais, para que eu fale aos seus ouvidos estas palavras, e contra eles, por testemunhas, tomarei os céus e a terra. Porque sei que, depois da minha morte, por certo, procedereis corruptamente e vos desviareis do caminho que vos tenho ordenado; então, este mal vos alcançará nos últimos dias, porque fareis mal perante o Senhor, provocando-o à ira com as obras das vossas mãos.” (Dt. 31:24-29)

Em muitos aspectos o Éden foi um tipo da terra prometida e Canaã um antítipo. Canaã, como o Paraíso, foi um lugar de beleza e abundância, uma “terra que mana leite e mel” (cf. Dt. 31:20). Israel experimentaria bênção e prosperidade enquanto fosse obediente à Palavra de Deus (Dt. 28:1-14). Se a lei de Deus fosse deixada de lado, experimentaria dureza, derrota, pobreza e seria levado prá fora da terra (28:15-68). Assim, Canaã foi uma oportunidade para Israel experimentar, em certo grau, as bênçãos do Éden. Aqui, como no Éden, o povo de Deus estava diante uma decisão a tomar: “Vê que proponho, hoje, a vida e o bem, a morte e o mal.” (Dt. 30:15).

Gênesis capítulo três está bem longe de ser meramente uma história ou história acadêmica. Foi uma palavra de advertência. O que aconteceu no Éden ocorreria novamente em Canaã (cf. Dt. 31:16 e ss). Eles seriam tentados a desobedecer, assim como o foram Adão e Eva. Sérias considerações deste capítulo e suas implicações eram essenciais ao futuro de Israel.

O capítulo é também claramente profético, pois Israel desobedeceu e escolheu o caminho da morte, como o primeiro casal no jardim. Como Adão e Eva foram lançados prá fora do jardim, Israel foi colocado prá fora da terra prometida. Mas há esperança também, pois Deus prometeu um Redentor, que nasceria da mulher (Gn. 3:15). Deus disciplinaria Israel e o traria de volta à terra (Dt. 30:1 e ss). Mesmo então Israel não seria fiel a seu Deus. Eles deviam olhar para a restauração final e definitiva que o Messias de Gênesis 3:15 traria. A história de Israel, então, está resumida em Gênesis 3.

Há muitas aplicações para nós. Não devemos ser ignorantes quanto às estratégias de Satanás (II Co. 2:11). O estilo de sua tentação é repetido no testemunho de nosso Senhor no deserto (Mt. 4:1-11; Lc. 4:1-2). E assim ele continuará a nos tentar.

Gênesis capítulo três é essencial aos cristãos de hoje porque ele sozinho define as coisas como elas são. Nosso mundo é uma mistura de ambos – beleza e crueldade, de encanto e de feiúra. A beleza remanescente é evidência da bondade e grandeza do Deus que criou todas as coisas (cf. Rm. 1:18 e ss). A feiúra é a evidência da pecaminosidade do homem (Rm. 8:18-25).

Do que posso dizer, o presente estado da criação de Deus foi um dos elementos cruciais na mudança de Darwin da ortodoxia à dúvida e negação. Ele não levou em conta a organização da criação e disse a si mesmo: “Oh, isto deve ter ocorrido por acaso”. Pelo contrário, ele olhou a crueldade e a feiúra e concluiu “Como poderia um Deus amoroso e Todo-Poderoso ser responsável por isto?” A resposta, é claro, é encontrada neste texto de Gênesis capítulo três: o pecado do homem virou a criação de Deus às avessas.

A única solução, pois, é Deus fazer algo para trazer redenção e restauração. Isto foi realizado em Jesus Cristo. O castigo pelos pecados do homem foi suportado por Ele. As conseqüências dos pecados de Adão não precisam nos destruir. A escolha com que somos confrontados é esta: Desejamos estar unidos com o primeiro Adão ou com o último? No primeiro fomos feitos pecadores e sujeitos à morte física e espiritual. No último nos tornamos novas criaturas, com vida eterna (física e espiritual). Deus não colocou duas árvores diante de nós, mas dois homens: Adão e Cristo. Devemos decidir com quem nos identificaremos. Num dos dois repousa nosso futuro eterno.

Há também muito a ser aprendido sobre o pecado. Essencialmente, pecado é desobediência. Repare que o pecado inicial não parecia muito sério. Podia-se pensar que fosse uma coisa trivial. A gravidade do pecado pode ser vista em dois fatos significativos, que estão claros no nosso texto.

Primeiro, o pecado é sério por causa de suas raízes. O comer do fruto proibido não foi a essência do pecado, mas simplesmente sua expressão. Não é a origem do pecado, mas seu símbolo. O partilhar daquele fruto é semelhante ao compartilhar dos elementos, pão e vinho, da mesa do Senhor, isto é, um ato que expressa algo muito mais grave e profundo. Assim, a raiz do pecado de Adão e Eva foi a rebelião, incredulidade e ingratidão. Seu ato foi uma escolha deliberada em desobedecer uma instrução clara de Deus. A recusa em aceitar com gratidão as coisas boas como provenientes de Deus e a única proibição como sendo boa também. Pior de tudo, eles viram a Deus como sendo mal, miserável e perigoso, como Satanás O retratou.

Segundo, o pecado é sério por causa dos seus frutos. Adão e Eva não experimentaram uma forma superior de existência, mas vergonha e culpa. Isso não lhes proporcionou mais prazer, mas estragou o que antes experimentavam sem vergonha. Pior ainda, causou a queda de toda a raça humana. Os primeiros efeitos da queda são vistos no restante da Bíblia. Vemos as conseqüências daquele pecado ainda hoje, em nossas vidas e em nossa sociedade. A conseqüência do pecado é o julgamento. Esse julgamento é agora e no futuro (cf. Rm. 1:26-27).

Deixe-me lhe dizer, meu amigo, que Satanás sempre enfatiza os prazeres presentes do pecado enquanto mantém nossa mente afastada de suas conseqüências. O pecado nunca é sem preço. É como andar na State Fair: o trajeto é pequeno mas o preço é alto – incrivelmente alto.

Mas, não vamos nos concentrar nos pecados de Adão e Eva. Não ficaríamos nem um pouco chocados ao compreender que as tentações para os homens hoje são as mesmas que no jardim. E os pecados também são os mesmos.

A Avenida Madison tem sido a causa de um grande mal. As propagandas nos levam a esquecer as muitas bênçãos que temos e a nos concentrar naquilo que não possuímos. Elas sugerem que a vida não pode ser completamente aproveitada sem algum produto. Por exemplo, dizem “Coca-Cola dá vida”. Não, não dá, simplesmente estraga seus dentes. E então somos persuadidos a não considerar o custo ou as conseqüências de agradarmos a nós mesmos com mais esta coisa tão necessária. A gente “põe no Cartão”.

Desconfio que um ligeiro sorriso esteja se formando em seu rosto. Você pode achar que eu esteja me afastando do assunto. Pense no que o Apóstolo Paulo nos diz acerca do significado das verdades do Velho Testamento para nossa presente situação:

“Ora, irmãos, não quero que ignoreis que nossos pais estiveram todos sob a nuvem, e todos passaram pelo mar, tendo sido todos batizados, assim na nuvem, como no mar, com respeito a Moisés. Todos eles comeram de um só manjar espiritual, e beberam da mesma fonte espiritual, porque bebiam de uma pedra espiritual que os seguia. E a pedra era Cristo. Entretanto, Deus não se agradou da maioria deles, razão porque ficaram prostrados no deserto. Ora, estas coisas se tornaram exemplos para nós, a fim de que não cobicemos as coisas más, como eles cobiçaram.” (I Co. 10:1-6)

O que afastou Adão e Eva de sua bênção eterna foi seu desejo de ter prazer à custa de incredulidade e desobediência. Tal, Paulo escreve, também foi o caso com Israel (I Co. 10:1-5). Enfrentamos as mesmas tentações hoje, mas Deus nos tem dado meios suficientes para termos vitória. Quais são estes meios?

(1) Devemos compreender que as negativas (não fazer, proibições) vêm das mãos de um Deus bom e amoroso.

“Nenhum bem sonega aos que andam retamente.” (Sl. 84:11)

(2) Devemos perceber que as negativas são um teste da nossa fé e obediência:

“Recordar-te-ás de todo o caminho, pelo qual o Senhor teu Deus te guiou no deserto estes quarenta anos, para te humilhar, para te provar, para saber o que estava no teu coração, se guardarias ou não os seus mandamentos. Ele te humilhou, e te deixou ter fome, e te sustentou com o maná, que tu não conheceste, nem teus pais o conheceram, para te dar a entender que não só de pão viverá o homem, mas de tudo o que procede da boca do Senhor, disso viverá o homem. Nunca envelheceu a tua veste sobre ti, nem se inchou o teu pé nestes quarenta anos. Sabe, pois, no teu coração que, como um homem disciplina a seu filho, assim te disciplina o Senhor teu Deus.” (Dt. 8:2-5)

Não fazer não é Deus deixar de nos abençoar, mas nos preparar para:

“Pela fé Moisés, quando já homem feito, recusou ser chamado filho da filha de Faraó, preferindo ser maltratado junto com o povo de Deus, a usufruir prazeres transitórios do pecado; porquanto considerou o opróbrio de Cristo por maiores riquezas do que os tesouros do Egito, porque contemplava o galardão.” (Hb. 11:24-26, cf. Dt. 8:6 e ss).

(3) Quando somos afastados daquelas coisas que pensamos que queremos devemos ser cuidadosos em não pensar no que é negado, mas no que nos é dado graciosamente, e por Quem. Então devemos fazer o que sabemos ser a vontade de Deus.

“Antes, como te ordenou o Senhor teu Deus, destrui-las-á totalmente: aos heteus, aos amorreus, Aos cananeus, aos ferezeus, aos heveus, e aos jebuseus, para que não vos ensinem a fazer segundo todas as suas abominações, que fizeram a seus deuses, pois pecaríeis contra o Senhor vosso Deus.” (Dt. 20:17-18)

“Não andeis ansiosos de coisa alguma; em tudo, porém, sejam conhecidas diante de Deus as vossas petições, pela oração e pela súplica, com ações de graça. E a paz de Deus, que excede todo o entendimento, guardará os vossos corações e as vossas mentes em Cristo Jesus. Finalmente, irmãos, tudo o que é verdadeiro, tudo o que é respeitável, tudo o que é justo, tudo o que é puro, tudo o que é amável, tudo o que é de boa fama, se alguma virtude há e se algum louvor existe, seja isso o que ocupe o vosso pensamento. O que aprendestes, e recebestes, e ouvistes, e vistes em mim, isso praticai; e o Deus da paz será convosco.” (Fp. 4:6-9)

Quase que diariamente nos encontramos repetindo os pecados de Adão e Eva. Pensamos no que não podemos ter. Começamos a desconfiar da bondade de Deus e de Sua graciosidade para conosco. Preocupamo-nos com coisas que realmente não têm importância. E, com freqüência, em incredulidade, tomamos o assunto em nossas próprias mãos.

Muitas vezes encontro cristãos contemplando seriamente o pecado, sabendo que é errado e percebendo que haverá conseqüências, mas supondo tolamente que o prazer do pecado é maior do que seu preço. Quanto engano! Esse foi o erro de Adão e Eva.

Possa Deus nos capacitar a louvá-lO por aquelas coisas que Ele proíbe e confiar Nele por aquelas coisas que precisamos e que Ele promete prover.


54 Gosto do jeito como Helmut Thielicke coloca isto:

“A abertura deste diálogo é perfeitamente religiosa, e a serpente se apresenta como um animal muito sério e religioso. Ele não diz: “Sou um monstro ateu e agora vou tirar seu paraíso, sua inocência e sua lealdade, e virar tudo de cabeça prá baixo.” Pelo contrário, ele diz: “Filhos, hoje vamos conversar sobre religião, vamos discutir sobre coisas atuais.” Como começou o mundo (Philadelphia: Fortress Press, 1961), p. 124.

55 Alguns indicam que “Deus” (“como Deus”) no verso 5, é o nome Elohim, que é plural. Sugerem que devemos traduzi-lo por “serão como deuses”. Tal possibilidade, enquanto gramaticalmente permissível, não parece digna de consideração. A mesma palavra (Elohim) é encontrada na primeira parte do verso 5, onde se refere a Deus.

56 No que diz respeito ao conhecimento do bem e do mal, deve-se lembrar que o hebraico yd’ (conhecer) não significa simplesmente conhecimento intelectual, mas num sentido mais amplo uma “experiência”, um “tornar-se íntimo de”, ou mesmo uma “habilidade”. “Conhecer, no mundo antigo, é também sempre ser capaz” (Wellhausen). E, segundo, “bem e mal” não podem ser limitados apenas ao reino moral. “Falar nem bem nem mal” significa não dizer nada (Gn. 31:24, 29; II Sm. 13:22); fazer nem bem nem mal significa não fazer nada (Sf. 1:12); conhecer nem bem nem mal (dito de crianças ou idosos) significa não entender nada (ainda) ou (mais nada) (Dt. 1:39; II Sm. 19:35) “Bem e mal” é então uma maneira formal de se dizer o que queremos dizer com nosso descolorido “tudo”; e aqui também deve-se tomar seu significado em todos os sentidos” . Gehard Von Rad, Genesis (Philadelphia: Westminster Press, 1961), pp. 86-87.

57 “Ela partiu o fruto, deu a seu marido e ele também comeu. Alguém poderia perguntar: Onde esteve Adão todo o tempo? A Bíblia não nos diz. Presumimos que estivesse presente, porque ela lhe deu o fruto: “seu marido estava com ela”. Nada mais podemos dizer pela simples razão de que a Bíblia não diz mais nada.” E. J. Young, In the Beginning (Carslile, Pennsylvania: The Banner of Truth Trust, 1976), p. 102

58 A palavra descendente (zera) pode ser usada tanto coletivamente quanto individualmente (cf. Gn. 4:25, I Sm. 1:11, II Sm. 7:12). Aqui em Gn. 3:15 é usada em ambos os sentidos, creio eu. Kidner afirma: “os últimos, como a descendência de Abraão, é coletivo (cf. Rm. 6:20) e, na batalha crucial, individual (cf. Gl. 3:16), uma vez que Jesus como o último Adão, resumiu a raça humana em Si mesmo.” Derek Kidner, Genesis (Chicago: Inter-Varsity Press, 1967), p. 71.

59 H. C. Leupold, Exposition of Genesis (Grand Rapids: Baker Book House, 1942), I, p. 170.

O Significado do Homem: Seu Dever e Seu Deleite (Gênesis 1:36-31, 2:4-25)

Study By: Bob Deffinbaugh

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Introdução

Durante várias semanas um caso um tanto assustador foi noticiado nos jornais. Suas implicações são quase inacreditáveis. O processo envolvia um senhor idoso que estava, aparentemente, um pouco senil, e que também fazia diálise. A família decidiu que o período de produtividade do velho senhor já tinha passado e que, se ele tivesse capacidade mental para raciocinar corretamente, teria desejado dar cabo de sua existência miserável. Hoje este homem poderia estar morto, se as enfermeiras que tinham se afeiçoado a ele, não tivessem protestado.

Vivemos numa época assustadora. Temos poderes tecnológicos e biológicos espantosos em nossas mãos, mas nenhuma base sólida ética ou moral para determinar como esses poderes devem ser usados. Não os usamos somente de forma conveniente e econômica para matar crianças ainda no ventre de suas mães, há, de fato também, sérias discussões a respeito da emissão de uma certidão de vida que declararia um bebê legalmente vivo, da mesma forma que há uma certidão de óbito para um bebê que está legalmente morto. Esta certidão não seria emitida até depois do nascimento da criança, quando uma bateria de testes poderia ser feita. Qualquer bebê “inferior”, ou potencialmente não produtivo, seria simplesmente rejeitado e não declarado “vivo” e assim descartado. Dizem que em alguns lugares do mundo o suicídio não é considerado crime e são dados conselhos para aqueles que desejam cometê-lo – mas não para convencê-los do erro de seus caminhos!

Nos dias em que o poder sobre a vida e a morte parece estar nas mãos dos homens como jamais esteve, encontramos nossa sociedade num vácuo moral no qual são tomadas essas decisões sobre a vida e a morte. As antigas questões filosóficas sobre o significado da vida não são mais simplesmente acadêmicas e intelectuais – são muito práticas e precisam ser respondidas.

À luz de tais coisas, jamais esses versos de Gênesis um e dois foram tão importantes quanto agora. Neles encontramos o significado do homem. Intitulei, então, esta mensagem “O Significado do Homem: Seu Dever e Seu Deleite”. Para entender corretamente esta passagem é preciso compreender os princípios eternos que devem determinar nossas decisões éticas e morais. Além disso, somos relembrados do que realmente faz nossas vidas valer a pena.

Ainda que já tenhamos tratado dos seis dias da criação de uma maneira geral, é importante entender a relação entre os três primeiros capítulos de Gênesis. O capítulo um resume a criação cronologicamente (de fato, os versos 1 a 3 do capítulo dois também devem ser inseridos aqui).

Deus criou os céus e a terra, e toda a vida em seis dias, enquanto no sétimo Ele descansou. O homem é descrito como a coroa da criação de Deus. Para manter um formato cronológico, apenas uma descrição geral da criação do homem é dada nos versos 26 a 31.

O capítulo dois retorna ao assunto da criação do homem com um relato muito mais detalhado. Longe de contradizer o capítulo um, como muitos estudiosos sugerem, ele largamente o complementa. Enquanto no capítulo um é afirmado que Deus criou o homem, homem e mulher (1:26-27), isso é descrito mais amplamente no capítulo dois. No capítulo um todas as plantas são dadas ao homem para mantimento (1:29-30), no capítulo dois o homem é colocado num adorável jardim (2:8-17). No capítulo um é dito ao homem para dominar sobre todas as criaturas de Deus (1:26-28), no segundo é dada ao homem a tarefa de dar nomes às criaturas de Deus (2:19-20). Contradições entre esses dois capítulos só podem ser inventadas, pois fica claro que o escritor do primeiro capítulo pretendia completar os detalhes no segundo.

Além do mais, o capítulo dois serve como introdução para o relato da queda no capítulo três. O capítulo dois nos dá o contexto para a queda do homem que é descrita no capítulo três. O jardim e as duas árvores, a árvore da vida e a árvore do conhecimento do bem e do mal (2:9) nos são apresentados. A mulher que estava para ser enganada também é apresentada no capítulo dois. Sem o capítulo dois o primeiro capítulo seria muito breve e distante e o terceiro chegaria até nós sem preparação.

Se o capítulo um está disposto em ordem cronológica – que está numa seqüência de sete dias, o capítulo dois não é cronológico, mas lógico. Claro que os eventos do capítulo dois se encaixam na ordem do capítulo um, mas o capítulo é mostrado de forma diferente. Se no capítulo um a criação é vista sob o ângulo de uma lente objetiva, o capítulo dois é visto sob o ângulo de uma lente teleobjetiva. No capítulo um o homem é encontrado no topo de uma pirâmide, como o coloca a atividade criativa de Deus. No capítulo dois o homem está no centro do círculo da atividade e interesse de Deus.

A Dignidade do Homem
(1:26:31)

Desde que o capítulo dois é construído sobre os detalhes básicos de 1:26-31, vamos começar por consi-derar esses versos mais cuidadosamente. O homem, como dissemos anteriormente, é a coroa do programa criativo de Deus. Isto fica evidente em muitos pormenores.

Primeiro, o homem é a última das criaturas de Deus. Todo o relato é montado para a criação do homem. Segundo, só o homem é criado à imagem de Deus. Enquanto há considerável discussão do que isso significa, muitas coisas estão implícitas no próprio texto. O homem é criado à imagem e semelhança de Deus em sua sexualidade.

“Criou Deus, pois, o homem à sua imagem, à imagem de Deus o criou; homem e mulher os criou.” (Gn. 1:27)

Isso não quer dizer que Deus seja homem ou mulher, mas que Deus é ambos unidade e diversidade. O homem e a mulher no casamento se tornam um e ainda assim são distintos um do outro. Unidade na diversidade como refletida na relação do homem com sua mulher reflete uma faceta da personalidade de Deus.

Também, o homem, de alguma forma, é parecido com Deus naquilo que o distingue do mundo animal. O homem, enquanto distinto dos animais, é feito à imagem e semelhança de Deus. O que distingue o homem dos animais deve então ser uma parte de seu reflexo de Deus. A habilidade do homem de raciocinar, de se comunicar e de tomar decisões morais deve ser uma parte dessa distinção.

Ainda mais, o homem reflete a Deus no fato de que ele domina sobre a criação de Deus. Deus é o Dirigente Soberano do universo. Ele delegou uma pequena porção de Sua autoridade ao homem no domínio da criação. Nesse sentido, também, o homem reflete a Deus.

Repare também que é o homem e a mulher que dominam: “… dominem eles…” (Gn. 1:26, cf. v. 28).

Eles se refere ao homem e a mulher, não somente aos homens que Ele fez. Enquanto que Adão tem a função de liderar (como evidenciado em sua prioridade na criação36, seu ser a origem de sua esposa 37, e a nomeação de Eva38), a função de Eva era ser a auxiliadora de seu marido. Nesse sentido ambos estão no domínio da criação de Deus.

Mais um ponto deve ser destacado. Parece haver pouca dúvida de que na provisão que Deus deu ao homem para mantimento, só alimentos vegetarianos foram incluídos nessa época.

“E disse Deus ainda: Eis que vos tenho dado todas as ervas que dão semente e se acham na superfície de toda a terra e todas as árvores em que há fruto que dê semente; isso vos será para mantimento. E a todos os animais da terra, e todas as aves dos céus, e a todos os répteis da terra, em que há fôlego de vida, toda erva verde lhes será para mantimento. E assim se fez.” (Gn. 1:29-30)

Não foi até depois da queda, e talvez depois do dilúvio, que a carne foi dada como alimento ao homem (cf. Gn. 9:3-4). Derramar sangue só teria sentido depois da queda, como retrato da redenção que viria através do sangue de Cristo. No Milênio diremos:

“O lobo e o cordeiro pastarão juntos, e o leão comerá palha como o boi; pós será a comida da serpente. Não se fará mal nem dano algum em todo o meu Santo Monte, diz o Senhor.” (Is. 65:25).

Se compreendo corretamente as Escrituras, o Milênio será o retorno das coisas ao que eram antes da queda. Assim, no paraíso do Éden, Adão e Eva e o reino animal foram todos vegetarianos. Como, então, pode alguém falar de “sobrevivência do mais forte” até depois da criação de todas as coisas e da queda do homem?

Mas, mais importante que isso é o fato de que a dignidade e o valor do homem não são imputados por ele mesmo, mas são intrínsecos a ele como aquele que foi criado à imagem de Deus. O valor do homem está diretamente relacionado à sua origem. Não é de se admirar que hoje estejamos ouvindo tais propostas éticas e morais assustadoras.

Qualquer opinião a respeito da origem do homem que não o veja como produto do projeto e desígnio divino, não pode atribuir a ele o valor que Deus lhe dá. Para colocar de outra forma, nossa avaliação do homem é diretamente proporcional à nossa opinião a respeito de Deus.

Não sou profeta, meu amigo, mas me arrisco a dizer que nós, que somos chamados pelo nome de Cristo, vamos ter que nos levantar e ser contados nos dias por vir. Aborto, eutanásia e bioética, para citar apenas alguns poucos assuntos, estão exigindo padrões éticos e morais. O sólido princípio sobre o qual tais decisões devem ser tomadas, em minha opinião, é o fato de que todos os homens são criados à imagem de Deus.

Sob essa luz, agora posso ver porque nosso Senhor pôde resumir todo o Velho Testamento em dois mandamentos:

“Respondeu-lhe Jesus: Amarás o Senhor teu Deus, de todo o teu coração, de toda a tua alma e de todo o teu entendimento. Este é o primeiro e grande mandamento. O segundo, semelhante a este, é: amarás o teu próximo como a ti mesmo. Destes dois mandamentos dependem toda a Lei e os Profetas.” (Mt. 22:37-40)

A atitude do futuro parece ser amar apenas aqueles “próximos” que são contribuidores na sociedade, apenas aqueles que podem ser considerados vantajosos. Quão diferente é o sistema de valores de nosso Deus, que disse:

“O Rei, respondendo, lhes dirá: Em verdade vos afirmo que, sempre que fizestes a um destes meus pequeninos irmãos, a mim o fizestes.” (Mt. 25:40).

Em minha opinião, eis onde nós cristãos seremos colocados à prova. Alguns estão fortemente sugerindo que, aqueles que nosso Senhor chamou de “pequeninos”, são justamente aqueles que devem ser eliminados da sociedade. Possa Deus nos ajudar a ver que a dignidade do homem é aquela que é divinamente determinada.

O Dever do Homem
(2:4-17)

Enquanto Gênesis um descreve a progressão do caos para o cosmos, ou da desordem para a ordem, o capítulo dois segue um padrão diferente. Talvez a linha literária que permeie toda a passagem seja aquela da atividade criativa de Deus em complemento àquelas coisas que estão ausentes.

O verso 4 serve como introdução aos versos restantes 39. O verso 5 nos informa quais são as ausências que são supridas nos versos 6 e 7: sem arbusto, sem planta, sem chuva e sem o homem. Estas são preenchidas pela neblina (verso 6), pelos rios (versos 10 e 14), o homem (verso 7), e o jardim (versos 8 e 9).

A ausência dos versos 18 a 25 é simplesmente afirmada “nenhuma auxiliadora idônea para Adão” (cf. versos 18, 20). Esta auxiliadora é providenciada de uma linda maneira na parte final do capítulo dois.

Outra vez, deixe-me enfatizar que Moisés não pretendia nos dar aqui uma ordem cronológica dos eventos, mas uma ordem lógica.40 Seu propósito é mais especificamente descrito na criação do homem, de sua esposa, e o contexto no qual eles são colocados. Estes se tornam o fator chave na queda que ocorre no capítulo três.

Embora até agora não houvesse chovido, Deus providenciava a água que era necessária à vida das plantas. “Mas uma neblina subia da terra e regava toda a superfície do solo.” (Gn. 2:6).

Há alguma discussão a respeito da palavra “neblina”. Poderia significar uma névoa ou neblina, como alguns afirmam.41 A Septuaginta usou a palavra grega pe,,ge,,, que significa “fonte”. Alguns entendem a palavra hebraica como sendo derivada de uma palavra suméria, se referindo a águas subterrâneas.42 Pode ser que fontes fluíssem para fora do solo e que a vegetação talvez fosse regada por irrigação ou canais. Isto poderia explicar, em parte, o trabalho de Adão na manutenção do jardim.

A água sendo suprida, Deus criou o jardim, que seria o lugar da morada do homem, e objeto de sua atenção. Era bem suprido com muitas árvores que proviam beleza e comida.

“Do solo fez o Senhor Deus brotar toda sorte de árvores agradáveis à vista e boas para alimento; e também a árvore da vida no meio do jardim e a árvore do conhecimento do bem e do mal.” (Gênesis 2:9).

Especificamente duas árvores são mencionadas, a árvore da vida e a árvore do conhecimento do bem e do mal.

Esta última árvore foi a única coisa proibida ao homem.

“E o Senhor Deus lhe deu esta ordem: De toda árvore do jardim comerás livremente, mas da árvore do conhecimento do bem e do mal não comerás; porque, no dia em que dela comeres, certamente morrerás,” (Gênesis 2:16-17).

É interessante que, aparentemente, só para Adão é dito por Deus que o fruto da árvore do conhecimento do bem e do mal não devia ser comido. Alguém pode conjecturar em como a ordem de Deus para Adão foi comunicada a Eva. Poderia isto explicar a avaliação imprecisa de Eva em 3:2-3?

O homem foi colocado dentro desse paraíso43. Apesar de certamente se regozijar nesse país das maravi-lhas, ele também estava lá para cultivá-lo. Olhe outra vez o verso 5:

“Não havia ainda nenhuma planta do campo na terra, pois ainda nenhuma erva do campo havia brotado; porque o Senhor Deus não fizera chover sobre a terra, e também não havia homem para lavrar o solo.” (Gn. 2:5)

Quando colocado no jardim, Adão teve que trabalhar lá: “Tomou, pois, o Senhor Deus ao homem e o colocou no jardim do Éden para o cultivar e o guardar.” (Gn. 2:15)

A criação de Adão é descrita mais amplamente em 2:7 do que no capítulo um. Ele foi formado44 do pó da terra. Ainda que isso seja um fato humilhante, é óbvio também que a origem do homem não é do mundo animal, nem o homem é criado da mesma maneira que os animais. Em parte, a dignidade de Adão provém do fato de que seu fôlego de vida foi soprado por Deus (verso 7).

Este não foi jardim mítico. Todas as partes da descrição deste paraíso nos levam a entender que foi um jardim real numa localização geográfica especial. São dados pontos de referência específicos. Quatro rios são nomeados, dois dos quais são conhecidos ainda hoje. Não deveríamos nos surpreender que pudessem ter ocorrido mudanças, especialmente depois do evento cataclísmico do dilúvio, o que tornaria impossível sua localização precisa.

O que acho mais interessante é que o paraíso do Éden foi um lugar um pouco diferente daquilo que visua-lizamos hoje. Prá começar, foi um lugar de trabalho. Os homens hoje pensam no paraíso como uma rede pendurada entre dois coqueiros numa ilha deserta, onde o trabalho nunca mais será encarado. Além do mais, o céu é tido como o fim de todas as proibições. O céu freqüentemente é confundido com hedonismo. É puro egocentrismo e auto-safisfação. Enquanto que o estado de Adão foi de beleza e felicidade, não se pode pensar que foi de prazer irrestrito. O fruto proibido também era uma parte do Paraíso. O céu não é experimentar todos os desejos, mas a satisfação de desejos benéficos e sadios.

A subserviência não é um conceito novo no Novo Testamento. Serviço significativo dá satisfação e significado à vida. Deus descreve Israel como um jardim cultivado, uma vinha (Isaías 5:1-2 ss). Jesus falou de si mesmo como uma Videira e nós como os ramos. O Pai ternamente cuida de Sua vinha (João 15:1 e ss). Paulo descreve o ministério como o trabalho de um lavrador (II Timóteo 2:6).

Ainda que a igreja do Novo Testamento possa ser melhor descrita como um rebanho, ainda assim a ima-gem do jardim não é inapropriada. Há um trabalho a ser feito pelo filho de Deus. E esse trabalho não é penoso, nenhum dever a ser relutantemente cumprido. É uma fonte de alegria e satisfação. Hoje muitos não têm senso real de sentido e propósito porque não estão fazendo o trabalho que Deus designou para que façam.

O Deleite do Homem
(2:18-25)

Ainda resta uma ausência. Agora há água adequada, a bela e generosa provisão do jardim, e o homem para cultivá-lo. Mas ainda não há uma companhia apropriada para o homem. Esta necessidade é encontrada nos versos 18 a 25.

O jardim, com seus prazeres e provisões para alimento e atividade significativa não era suficiente a menos que os deleites pudessem ser compartilhados. Deus daria a Adão aquilo que ele mais necessitava.

“Disse mais o Senhor Deus: Não é bom que o homem esteja só; far-lhe-ei uma auxiliadora que lhe seja idônea.” (Gênesis 2:18)

A companheira de Adão deveria ser uma criação muito especial, uma “auxiliadora idônea para ele” (verso 18). Ela deveria ser uma “auxiliadora”, não uma escrava, não uma inferior. A palavra hebraica ezer é muito in-teressante. Era uma palavra que Moisés obviamente gostava, pois Êxodo 18:4 diz que este foi o nome que ele deu a um de seus filhos.

“e o outro, Eliézer, pois disse: o Deus de meu pai foi a minha ajuda e me livrou da espada de Faraó.” (Êxodo 18:4).

Ainda três outras vezes encontramos ezer sendo usada por Moisés em Deuteronômio (33:7, 26, 29), e se refere a Deus como auxiliador do homem. Como também nos Salmos (20:2, 33:20, 70:5, 89:19, 115:9, 121:1-2, 124:8, 146:5).

A característica da palavra mais empregada no Velho Testamento é que o auxílio não implica absolutamente em inferioridade. De uma maneira compatível com seu uso, Deus está auxiliando o homem através da mu- lher. Que belo pensamento. Como isso é superior a algumas concepções.

Então, ela é também uma auxiliadora que “corresponde a” Adão. Em certa tradução se lê: “…Farei uma auxiliadora como ele.”45

Ainda que isto seja o que muitas vezes consideramos a mulher perfeita – alguém que é exatamente como nós, é precisamente o oposto da questão. Muitas vezes a incompatibilidade está no desígnio divino. Como Dwight Hervey Small corretamente observa:

A incompatibilidade é um dos propósitos do casamento! Deus designa conflitos e sobrecargas como lições para o crescimento espiritual. Estes existem para que haja submissão aos altos e santos propósitos.46

Assim como Eva foi feita para se ajustar a Adão de uma forma física, ela também o completava socialmente, intelectualmente, espiritualmente e emocionalmente.

Em conseqüência, quando aconselho àqueles que planejam se casar, não procuro descobrir tantas carac-terísticas semelhantes quanto possível. Em vez disso, preocupo-me com que cada parceiro tenha uma visão acurada do que o outro realmente é, e que eles se comprometam com o fato de que Deus os tenha unido permanentemente. O reconhecimento de que Deus fez o homem e a mulher diferentes por desígnio, e a determinação em atingir a unidade nessa diversidade é essencial para um casamento sadio.

Antes de criar sua contraparte, Deus primeiro aguçou o apetite de Adão. As criaturas que Deus criara agora são trazidas a Adão para que ele lhes dê nomes. Esta nomeação refletia o domínio de Adão sobre as criaturas, como Deus planejara (cf. 1:28). Isto provavelmente envolveu um cuidadoso estudo por parte de Adão para registrar as características particulares de cada criatura.47

Este processo de nomeação deve ter tomado algum tempo. No processo, Adão observaria que nenhuma simples criatura poderia preencher o vazio de sua vida. Mais ainda, eu usaria um pouco de santa imaginação para supor que Adão observou cada criatura com sua companheira, uma contraparte maravilhosamente designada. Adão deve ter percebido que ele, só ele, estava sem uma companheira.

Nesse momento de intensa necessidade e desejo, Deus colocou Adão num sono profundo48, e de sua costela e carne 49 formou a mulher 50 Ele então deu a mulher de presente ao homem.

Que excitamento há na resposta entusiástica de Adão:

“E disse o homem: Esta, afinal, é osso dos meus ossos e carne da minha carne; chamar-se-á varoa, porquanto do varão foi tomada.” (Gênesis 2:23).

Gosto da maneira como a versão RVS traduz a resposta inicial de Adão: “…afinal…”51

Nessa expressão há uma mistura de alívio, êxtase e deleitosa surpresa. “Esta (pois Adão ainda não lhe tinha dado nome) é agora osso dos meus ossos e carne de minha carne” (verso 23a). O nome da companheira de Adão é mulher. A tradução em inglês agradavelmente capta o jogo de sons semelhantes. Em hebraico, homem seria pronunciado ‘ish; mulher seria ‘ishshah. Embora os sons sejam semelhantes, as raízes das duas palavras são diferentes. Convenientemente ‘ish pode vir de uma raiz paralela arábica, levando à idéia de “exercendo o poder”, enquanto o termo ‘ishshah pode ser derivado de um paralelo arábico, significando “ser suave”.52

O comentário divinamente inspirado do verso 24 é extremamente importante:

“Por isso deixa o homem pai e mãe e se uma à sua mulher, tornando-se os dois uma só carne.” (Gênesis 2:24).

Por este texto é imperativo que o homem deixe sua mãe e seu pai e se uma à sua mulher. Qual é a relação entre este mandamento de deixar e se unir e a criação da mulher? O verso 24 começa “Por isso…” Qual é a causa disto? Podemos compreender a razão apenas quando explicamos o mandamento. O homem deixa seus pais, não no sentido de evitar sua responsabilidade para com eles (cf. Mc. 7:10-13, Ef. 6:2-3), mas no sentido de ser dependente deles. Ele deve parar de viver sob sua liderança e começar a agir sozinho, como cabeça de um novo lar.53

A mulher não recebe o mesmo mandamento porque simplesmente ela é transferida de uma liderança para outra. Enquanto uma vez ela esteve sujeita a seu pai, agora ela está unida a seu marido. O homem, no entanto, tem uma transição mais difícil. Ele, como uma criança, era dependente e submisso a sua mãe e a seu pai.

Quando um homem se casa, ele deve passar pela transição mais radical de um dependente filho submisso para um líder independente (de seus pais), que age como o cabeça de seu lar.

Como muitos observam, a relação marido e mulher é permanente, enquanto a relação pai e filho é temporária. Mesmo se os pais forem relutantes em encerrar a relação dependente de seus filhos, o filho é responsável por fazê-lo. Falhar em agir assim é recusar uma espécie de vínculo necessário com sua esposa.

Agora, talvez, estejamos em posição de ver a relação deste mandamento com o relato da criação. Qual é a razão para sua menção aqui em Gênesis? Antes de mais nada, não há pais dos quais Adão e Eva tenham nascido. A origem de Eva é diretamente de seu marido, Adão. A união ou vínculo entre Adão e sua esposa, é a união que vem de uma só carne (a carne de Adão) e se torna uma só carne (numa união física). Esse vínculo é maior do que aquele entre pai e filho. Uma mulher, é claro, é o produto de seus pais, como o homem é dos seus. Mas a união original não envolvia pais, e a esposa era uma parte da carne de seu marido. Este primeiro casamento, então, é a evidência da primazia da relação marido e mulher sobre a relação pai e filho.

O último verso não é incidental. Ele nos diz muito do que precisamos saber. “Ora, um e outro, o homem e sua mulher, estavam nus e não se envergonhavam.” (Gênesis 2:25).

Aprendemos, por exemplo, que o lado sexual desta relação era uma parte da experiência do paraíso. O sexo não se originou com ou depois da queda. A procriação e intimidade física foram intencionadas desde o princípio (cf. 1:28). Também vemos que o sexo podia ser apreciado em sua amplitude no plano divino. Desobediência a Deus não intensifica o prazer sexual; o diminui. Hoje, o mundo quer acreditar que inventou o sexo e que Deus apenas tenta impedi-lo. Mas sexo, sem Deus, não é o que poderia ou deveria ser.

Ignorância, se me perdoam dizê-lo, é felicidade. Em nossa geração somos bacanas, ou se preferir, sofisticados, apenas se sabemos (por experiência) tudo o que há para saber sobre sexo. “Que ingênuos são aqueles que nunca tiveram sexo antes do casamento”, somos levados a crer. Há muitas coisas que é melhor não saber. O sexo nunca foi tão apreciado como quando era uma doce ignorância.

A revelação posterior lança muita luz sobre este texto. Nosso Senhor, significativamente, cita o capítulo um e o capítulo dois de Gênesis como se fosse um único relato (Mt. 19:4-5), um golpe fatal aos críticos do documento original.

A origem divina do casamento significa que não é uma mera invenção social ou convenção, mas uma ins-tituição divina para o homem. Porque Deus une um homem e uma mulher em casamento, ela é uma união permanente: “O que Deus uniu, não o separe o homem.” (Mt. 19:6).

O fato de que Adão precedeu sua esposa na criação e de que Eva foi feita de Adão, também estabelece as razões pelas quais o marido está no exercício da liderança sobre sua mulher no casamento (cf. I Co. 11:8-9, I Tm. 2:13). O papel das mulheres na igreja não é apenas idéia de Paulo restrita ao tempo e à cultura dos cristãos de Corinto. O papel bíblico da mulher é estabelecido no relato bíblico da criação (cf. também I Co. 14:34).

Conclusão

Tendo considerado a passagem por partes, vamos voltar nossa atenção a ela como um todo. Nenhuma passagem, em toda a Bíblia, define tão concisamente as coisas que realmente contam na vida. O significado da vida somente pode ser compreendido em relação ao Deus que criou o homem à sua imagem e semelhança. Ainda que esta passagem tenha sido distorcida devido à queda, aqueles que estão em Cristo estão sendo renovados à imagem de Cristo:

“e vos renoveis no espírito do vosso entendimento, e vos revistais do novo homem, criado segundo Deus, em justiça e retidão procedentes da verdade.” (Ef. 4:23-24)

“e vos revestistes do novo homem que se refaz para o pleno conhecimento, segundo a imagem daquele que o criou.” (Cl. 3:10)

Além do mais, o sentido da vida do homem não é apenas encontrado na dignidade que Deus lhe dá como sendo criado à Sua imagem, mas no trabalho que Deus lhe dá para fazer. Muitas vezes os homens vêm o trabalho como maldição. Embora o trabalho tenha sido afetado pela queda (Gênesis 3:17-19), ele foi dado antes da queda e é um meio de bênçãos e realização se é feito como para o Senhor (cf. Cl. 3:22-24).

Por último, a instituição do casamento é dada por Deus para enriquecer profundamente nossas vidas. O trabalho que temos a fazer se torna muito mais rico e completo quando o compartilhamos com a contraparte que Deus nos dá. Eis, então, a verdadeira essência da vida – o reconhecimento de nossa dignidade divinamente ordenada, nosso dever e nosso deleite. Nosso valor, nosso trabalho, nossa esposa são todos fontes de grande bênção se forem “no Senhor”.


36 I Timóteo 2:13.

37 I Coríntios 11:8,12..

38 Gênesis 2:23.

39 “Hoje é um fato bem conhecido que o livro de Gênesis é dividido em 10 seções por seu próprio autor, que dá a cada uma o título de “estória” (toledo‚th); cf. 5:1; 6:9; 10:1; 11:10, 27; 25:12, 19; 36:1, (9); 37:2. Apenas esta circunstância, mais o uso do número dez redondo, apontariam definitivamente para o fato de que, aqui, a expressão “estes são toledo, th” deva também ser um cabeçalho. Em todos os outros exemplos de seu uso em outros livros o mesmo fato é observável; cf. Nm. 3:1; Rt 4:18; I Cr. 1:29; ele está sempre como um cabeçalho.” H. C. Leupold, Exposition of Genesis (Grand Rapids: Baker Book House, 1942), I, p. 110.

40 “O verso 4b nos leva de volta ao tempo da obra da criação, mais especificamente ao tempo antes da obra do terceiro dia começar, e chama nossa atenção para certos detalhes que, sendo detalhes, dificilmente teriam sido inseridos no capítulo um: o fato de que certos tipos de planta, isto é, as espécies que requerem um cuidado maior e mais atento por parte do homem, não tinham brotado. Aparentemente, toda a obra do terceiro dia está na mente do escritor.” Ibid., p.112.

“Tenho insistido muito que o primeiro capítulo seja entendido cronologicamente. O que é visto pela ordem de desenvolvimento e da progressão de pensamento. É visto também pela ênfase cronológica – primeiro dia, segundo, e assim por diante. Você não encontra isto no segundo capítulo de Gênesis. Ali, em vez de mostrar uma exposição em ordem cronológica, o Senhor está expondo os assuntos passo a passo para preparar para o relato da tentação.” E. J. Young, In The Beginning, (Carlisle, Pennsylvania, The Banner of Truth Trust, 1976), p. 70.

41 Tal parece ser o ponto de vista Leupold, I, pp. 113-114.

42 “O que entendemos por “ed”? Não uma neblina! A palavra está aparentemente relacionada à palavra suméria. Parece se referir a águas subterrâneas, e o que temos aqui ou é um rompimento de água de algum lugar abaixo do solo, ou possivelmente um rio transbordando de seu leito. Não acho que possamos ser dogmáticos aqui.” Young, pp. 67-68. Cf. Também Derek Kidner, Genesis (Chicago: InterVarsity Press, 1967), pp. 59-60.

43 “A palavra “Éden” em hebraico pode significar deleite ou prazer. Não estou certo de que é isto o que significa aqui. Há uma palavra suméria que significa estepe, ou planície, vasta planície, e a leste desta planície Deus plantou o jardim. Sem ser categórico dou minha opinião de que é isto o que “Éden” significa. Assim o jardim é plantado.” Young, p. 71.

44 “O verbo aqui empregado está mais de acordo com o caráter de “Senhor” de Deus; yatsar significa “moldar” ou “formar”. É a palavra que descreve especificamente a atividade do oleiro (Jr. 18:2 e ss). A idéia a ser enfatizada é aquela do cuidado especial e atenção pessoal que esse oleiro dá ao seu trabalho. Deus dá toques de Seu interesse no homem, Sua criatura, ao moldá-lo como Ele o faz.” Leupold, p. 115.

45 Cf. Leupold, p. 129.

46 Dwight Hervey Small, Design For Christian Marriage (Old Tappan, New Jersey: Fleming H. Revell, 1971), p. 58. Em outro lugar Small observa: “Como Elton Trueblood sugere, um casamento de sucesso não é aquele no qual duas pessoas, que combinam perfeitamente, encontram um ao outro e seguem adiante sempre felizes, por causa de sua afinidade inicial. É, em vez disso, um sistema por meio do qual pessoas que são pecaminosas e briguentas são então alcançadas por um sonho e um propósito maior do que eles mesmos, que trabalham ao longo dos anos, a despeito de repetidos desapontamentos, para tornar o sonho verdadeiro.” p. 28.

47 “Pois a expressão “dar nomes”, no uso hebraico da palavra “nome”, envolve uma designação expressiva da natureza ou caráter daquele que é nomeado. Esta não foi uma fábula rude, onde, de acordo com a opinião hebraica, os nomes para o futuro foram tirados de exclamações acidentais à vista de uma nova e estranha criatura.” Leupold, p. 131.

48 “Tardemah é, de fato, um “sono profundo”, não um estado de êxtase, como os tradutores gregos apresentam; nem um “transe hipnótico”(Skinner), pois vestígios de hipnose não são encontrados nas Escrituras. Um “transe”pode ser permissível. A raiz, no entanto, é aquela do verbo usado em referência a Jonas quando adormeceu profundamente durante a tempestade.” Ibid, p. 134.

49 “A palavra tsela traduzida por “costela”, definitivamente contém esse significado (contra V. Hofman), apesar de não ser necessário pensar apenas em osso puro; pois, sem dúvida, osso e carne foram usados por ela daquele homem que posteriormente disse: “osso dos meus ossos e carne da minha carne” (v. 23). Ibid.

50 “A atividade de Deus no modo de tomar a costela do homem é descrita como uma construção (wayyi ‘bhen). Antes de ser uma indicação da obra de um autor diferente, o verbo desenvolve a situação como sendo a mais apropriada. Não teria sido próprio usar yatsar, um verbo aplicável no caso do barro, não da carne. “Construir” aplica-se ao modelamento de uma estrutura de alguma importância; envolve esforço construtivo.” Ibid, p. 135.

51 Ou, como Leupold sugere “Agora, finalmente” (p. 136).

52 Leupold, pp. 136-137.

53 Creio que devemos ter muita cautela na aplicação do princípio de Bill Gothard “corrente de conselho”. Embora o sensato procurará conselho e alguns possam vir de seus pais, dependência é um perigo real. O problema não é tanto com o princípio, mas com a aplicação.

A Criação dos Céus e da Terra (Gênesis 1:1-2:3)

Quero ser especialmente cuidadoso ao abordarmos este primeiro capítulo de Gênesis. Na semana que passou li a história de um homem que tentou citar uma passagem de nosso texto como prova para fumar maconha. Eis a história como foi dada pela Christianity Today há uns dois anos atrás:

“Preso em Olathe, Kansas, por posse de drogas, Herb Overton baseou sua defesa em Gênesis 1:29: “e Deus disse… Eis que vos tenho dado todas as sementes que se acham na superfície da terra…”

“O Juiz Earl Jones, no entanto, duvidou da hermenêutica de Overton. De acordo com o artigo do Chicago Tribune, o juiz disse ao acusado de citar a Bíblia: “Como um mero mortal, vou lhe considerar culpado por posse de maconha. Se você quiser apelar para a instância superior, por mim tudo bem.”17

Todos podemos ler tais coisas em certas ocasiões e rir delas. Enquanto que o erro de Herb Overton é cômico, podem haver erros menos óbvios dos quais muitos cristãos podem ser culpados – e isso não é engraçado.

Esta semana um breve artigo chamou minha atenção na revista Eternity, intitulado “Seis Falhas do Evangelicalismo”. A maior parte do artigo ainda provoca coceira em minha cabeça, mas fiquei particularmente preocupado com esta afirmação:

“Temos tratado a Criação como um acontecimento estático – argumentando se Deus criou ou não tudo em sete dias, faltando assim a questão do significado religioso da criação e a atividade contínua de Deus na história.”18

À medida em que considero a acusação de Robert Webber, parece-me que nós, evangélicos, temos cometido cinco grandes erros na maneira como temos lidado com Gênesis nos últimos anos. A maioria desses erros consiste na reação ao tríplice ataque da evolução ateísta, da religião comparativa e da crítica literária.19

(1) Tratamos o relato da criação de acordo com a grade científica. Algumas recentes teorias e conclusões dos cientistas têm contestado a interpretação tradicional do relato bíblico da criação. Num esforço cons-ciencioso para provar que a Bíblia é cientificamente acurada, temos abordado os primeiros capítulos de Gênesis de um ponto de vista científico. O problema é que esses capítulos não pretendem nos dar um relato da criação que responderia a todos os problemas e fenômenos científicos.

O Dr. B. B. Warfield expõe bem o problema:

“Uma janela de vidro está diante de nós. Levantamos os olhos e vemos o vidro; notamos sua qualidade, observamos seus defeitos e especulamos sobre sua composição. Ou olhamos através dele na perspectiva de ver além terra, céu e mar. Da mesma forma, há duas maneiras de se olhar o mundo. Podemos ver o mundo e ficar absorvidos pelas maravilhas da natureza. Essa é a maneira científica. Ou podemos olhar diretamente através do mundo e ver Deus por detrás dele. Essa é a maneira religiosa.

A maneira científica de olhar para o mundo não é mais errada do que a maneira do fabricante do vidro olhar a janela. Essa maneira de olhar para as coisas tem um uso muito importante. No entanto, a janela foi colocada não para ser observada, mas para observarmos através dela, e o mundo falha em seu propósito a menos que também olhemos através dele e os olhos repousem não nele mas no Deus que o fez.”20

O autor de Gênesis não escreveu o relato da criação para o fabricante do vidro. Antes ele nos incentiva a ver através do vidro de seu relato para o Criador por detrás dele.

(2) Usamos o relato de Gênesis como apologia, quando seu propósito primário não é apologético. O uso apologético dos capítulos iniciais de Gênesis, ainda que seja importante,21 não é adequado ao propósito do autor. Gênesis foi escrito para o povo de Deus, não para descrentes. Os homens que se recusam a crer no criacio-nismo não o fazem por ausência de fatos ou de provas (cf. Rm. 1:18s), ou devido ao seu grande conhecimento (Sl. 14:1), mas devido a ausência de fé (Hb.11:3). Gênesis é muito mais uma declaração do que uma defesa.

(3) Tentamos encontrar em Gênesis algumas respostas para mistérios que podem ou não podem ser explicados em algum outro lugar. Podemos desejar aprender, por exemplo, onde a queda e o julgamento de Satanás se encaixam no relato da criação, mas tal informação não pode ser dada porque não era propósito do autor responder a tais questões.22

(4) Falhamos ao estudar Gênesis um dentro de seu contexto histórico. Suponho que seja muito fácil cometer esse tipo de erro aqui. Podemos duvidar de que haja algum fundo histórico. Ou podemos concluir que este é precisamente o propósito do capítulo – dar-nos um relato histórico da criação.

O panorama essencial à nossa compreensão do significado e da mensagem da criação, é o daqueles que primeiramente receberam este livro. Supondo que Moisés tenha sido o autor de Gênesis, o livro provavelmente teria sido escrito em alguma época depois do êxodo e antes da entrada na terra de Canaã. Qual seria a situação na época em que foi escrito este relato da criação? Quem recebeu essa revelação e quais necessidades foram satisfeitas por ele? Isto é crucial à correta interpretação e aplicação da mensagem da criação.

(5) Muitas vezes falhamos ao aplicar o primeiro capítulo de Gênesis de maneira relevante às nossas próprias vidas espirituais. Como um de meus amigos diz: “Olhamos para a mensagem de Gênesis um e não esperamos nada mais além de ter nossas baterias apologéticas recarregadas novamente.”

O relato da criação vem a ser um assunto importante em todo o Velho e Novo Testamento. Aqui, como em outros lugares, não podemos errar, mas permitir que as Escrituras interpretem as próprias Escrituras. Quando o assunto da criação aparece nas Escrituras requer uma reação dos homens. Quando ensinamos Gênesis capítulo um muitas vezes falhamos em despertar qualquer tipo reação.

O Cenário Histórico de Gênesis um

A revelação nunca é dada num vácuo histórico. A Bíblia fala aos homens em situações específicas e por motivos especiais. Não podemos interpretar corretamente as Escrituras ou aplicá-las a nós mesmos até que te-nhamos respondido à questão: “O que esta passagem queria dizer àqueles a quem originalmente foi dada?” Muitas coisas sobre a literatura, cultura e religiosidade dos povos que cercavam os israelitas são conhecidas através de estudos arqueológicos. O conhecimento de fatos contemporâneos aos Israelitas aumentará grandemente nossa compreensão do significado do relato da criação de acordo com a revelação divina, tal como é encontrada em Gênesis um.

Primeiro, sabemos que, virtualmente, todas as nações tinham sua própria cosmogonia, ou relato(s) da criação. De certo modo, sempre pensei que o relato da criação de Gênesis um fosse algo novo e original. De fato, esta revelação veio tarde se comparada à de outras nações do Oriente Médio. A Antigüidade devotava muito tempo e esforço às suas origens. O relato de Gênesis capítulo um tinha que “competir”, por assim dizer, com outros relatos de sua época.

Segundo, há quase que uma similaridade marcante entre esses relatos pagãos da formação do cosmos. De seus estudos dos doze mitos, a Sra. Wakeman identificou três características sempre presentes: 1) um monstro re-pressivo restringindo a criação; 2) a derrota do monstro por um deus heróico que liberta as forças vitais para a vida; 3) o controle final do herói sobre essas forças.”23

Terceiro, ainda que aflija alguns, há consideráveis semelhanças entre os mitos da criação pagã e o relato inspirado da criação na Bíblia.24 A correspondência inclui o uso de alguns dos mesmos termos (por exemplo, Leviatã) ou descrições (por exemplo, um dragão ou monstro marinho), forma literária similar25 e seqüência de eventos paralelos na criação.26

A explicação de algumas dessas semelhanças são inaceitáveis. Por exemplo, dizem que essas semelhanças evidenciam o fato de que a cosmogonia bíblica não é diferente de qualquer outro mito antigo da criação. Outros nos assegurariam que, ainda que haja semelhanças, os Israelitas “desmistificaram” esses relatos corrompidos para assegurar um relato acurado da origem da terra e do homem.27 Alguns estudiosos conservadores simplesmente chamam a correspondência de coincidência, apesar de isto parecer evitar as dificuldades ao invés de explicá-las. A explicação mais aceitável é que as semelhanças são explicadas pelo fato de que todos os relatos similares da criação tentam explicar os mesmos fenômenos.

“Muito cedo os povos se desviaram daquelas primeiras tradições da raça humana, e em climas e temperaturas variadas, têm-nas modificado de acordo com sua religião e modo de pensar. As modificações com o tempo resultaram na corrupção da tradição pura e original. O relato de Gênesis não é o único inalterado, mas em qualquer lugar sustenta a inerrante impressão da inspiração divina quando comparado às extravagâncias e corrupções de outros relatos. A narrativa bíblica, podemos concluir, representa a forma original que deve ter sido assumida por essas tradições.”28

Mais importante que o fato de que as nações ao redor de Israel tinham seus próprios (talvez mais antigos) relatos da criação, foi o uso para o qual esses relatos foram colocados no antigo Oriente Médio. Os antigos estudos do cosmos não foram cuidadosamente registrados e preservados por amor à história antiga; eles foram o fundamento de costumes religiosos.

As divindades do mundo antigo foram deuses da natureza, como o deus sol, deus lua, deus chuva e assim por diante.29 Para assegurar o curso das forças da natureza e garantir colheita abundante e os rebanhos de gado, os mitos da criação eram encenados todos os anos.

“Os mitos, então, no mundo antigo, eram reencenados através de pantomimas em festivais públicos para acompanhamento dos rituais. Uma complexa estrutura compunha a mágica encenação, cujo efeito, acreditava-se, seria benéfico a toda comunidade. Através de rituais aromáticos eram revividos os primeiros eventos registrados na mitologia. Acreditava-se que a encenação das ações criadoras dos deuses na estação própria, e a declamação de uma fórmula verbal apropriada faria a renovação periódica e a revitalização da natureza, e assim asseguraria a prosperidade da comunidade.30

Por esse cenário podemos começar a perceber quão vital foi o papel encenado pelo estudo do cosmos no antigo Oriente Médio. A vida social e religiosa de Israel, como a de seus vizinhos, era baseada em suas origens. O relato da criação em Gênesis estabeleceu o fundamento para o restante do Pentateuco.

Sob essa luz podemos ver a importância do contexto entre o Deus de Israel e os “deuses” do Egito. Faraó ousou perguntar a Moisés “Quem é o Senhor para que eu obedeça à sua voz e deixe ir a Israel?” (Ex. 5:2).

A resposta do Senhor foi uma série de dez pragas. A mensagem dessas pragas foi que o Deus de Israel é o Deus criador dos céus e da terra.

“Porque, naquela noite, passarei pela terra do Egito e ferirei na terra do Egito todos os primogênitos, desde os homens até os animais; executarei juízo sobre todos os deuses do Egito. Eu sou o Senhor.” (Ex. 12:12, cf. 18:11, Nm. 33:4)

Parecia que cada praga era uma afronta direta a algum dos muitos deuses do Egito. Ainda que uma correlação direta de cada praga com um deus específico possa ser um tanto especulativa31, a batalha dos deuses é evidente.

Não é de se estranhar que o sinal da aliança dos Israelitas fosse a guarda do sábado:

“Tu, pois, falarás aos filhos de Israel e lhes dirás: Certamente, guardareis os meus sábados, pois é sinal entre mim e vós nas vossas gerações; para que saibais que eu sou o Senhor, que vos santifica… Entre mim e os filhos de Israel é sinal para sempre, em seis dias, fez o Senhor os céus e a terra e, ao sétimo dia, descansou, e tomou alento.” (Ex. 31:13/17).

A observância do sábado identificava Israel com seu Deus, o Criador que descansou de seu trabalho no sétimo dia.

Os milagres do Êxodo tiveram, então, uma função similar à dos sinais e maravilhas realizados por nosso Senhor. Eles autenticaram a mensagem que foi proclamada. No caso de nosso Senhor foram as palavras que Ele proclamou e os escritores inspirados preservaram. No caso do Êxodo, o Pentateuco foi a revelação de Deus escrita por Moisés que seus milagres autenticaram. O Êxodo provou ser Yahweh o único Deus, o Criador e Redentor. O Pentateuco forneceu o conteúdo para a fé de Israel, do qual o relato da criação é o fundamento.

Gênesis 1:1-3

Há muitas interpretações para os três primeiros versos da Bíblia, mas mencionaremos brevemente as três mais popularmente sustentadas pelos evangélicos. Não gastaremos muito tempo aqui, pois nossas conclusões não serão finais e as diferenças têm pouca influência na aplicação do texto. Deixe-me começar simplesmente dizendo que nós, que somos chamados pelo nome de Cristo, devemos, no final das contas, tomar Gênesis 1:1 ao pé da letra, pela fé (Hb. 11:3).

1ª opinião: A Teoria da Recriação (ou lacuna). Esta opinião sustenta que Gênesis 1:1 descreve a criação original da terra, anterior à queda de Satanás (Is. 14:12-15, Ez. 28:12s). Em conseqüência da queda de Satanás a terra perdeu seu estado original de beleza e glória e se encontrou no estado de caos de Gênesis 1:2. Essa “lacuna” entre os versos 1 e 2 não só ajuda a explicar o ensino a respeito da queda de Satanás, mas também permite um considerável período de tempo, o qual ajuda a harmonizar o relato da criação com as modernas teorias científicas. Esta teoria sofre de uma série de dificuldades.32

2ª opinião: A Teoria do Caos Inicial. Brevemente, esta opinião sustenta que o verso um seria uma frase introdutória independente. O verso 2 descreveria o estado da criação inicial como sem forma e vazia. Em outras palavras, o universo é como um bloco bruto de granito antes do escultor começar a moldá-lo. A criação não está em mau estado em conseqüência de alguma queda catastrófica, mas simplesmente em seu estado informe inicial, como um monte de barro nas mãos do oleiro. Os versos 3 e seguintes começam a descrever o trabalho de Deus e a modelagem da massa, transformando-a do caos no cosmos. Muitos estudiosos respeitáveis sustentam esta posição.33

3ª opinião: A Teoria do Caos Pré-Criação. Nesta opinião (sustentada pelo Dr. Waltke) o verso um ou é entendido como uma oração independente (“Quando Deus começou a criar…”) ou como um enunciado introdutório independente e resumido (“No princípio criou Deus…”). O relato da criação resumido no verso 1 começa no verso 2. Esta “criação” não é “ex nihilo” (do nada), mas por causa das coisas existentes no verso 2. De onde isto vem não é explicado nesses versos. Em conseqüência, esta opinião sustenta que o estado caótico não ocorre entre os versos um e dois, mas antes do verso um numa época não especificada. A origem absoluta da matéria é, então, não o objeto da “criação” de Gênesis 1, mas apenas o princípio relativo do mundo e da civilização como a conhecemos hoje. 34

Podemos resumir as diferenças entre esses três pontos de vista na figura abaixo:35

Os Seis Dias da Criação
(1:1-31)

É importante reconhecer que os versos 2 a 31 nada mais são do que uma pequena expansão do verso um. Eles não explicam completamente a criação (certamente não do modo científico – quem teria se preocupado com isso durante todos esses anos?). Nem a provam, pois, no final das contas, isto é uma questão de fé. Os fatos sobre os quais esta fé deve ser baseada simplesmente são afirmados.

Parece haver um padrão para estes seis dias da criação, como muito estudantes da Bíblia têm observado. Pode ser melhor ilustrado graficamente:

           
Sem Forma Transformado em Forma Vazio Transformado em Habitação
v. 3-5 1º Dia Luz v. 14-19 4º Dia Luminares (sol, luz, estrelas)
v. 6-8 2º Dia Atmosfera (espaço superior)Água (espaço inferior) v. 20-23 5º Dia Peixes e Pássaros
v. 9-13 3º Dia Plantas terrestres v. 24-31 6º Dia Animais e Homem

Vendo desta maneira, os três primeiros dias cuidam da situação “sem forma” descrita em Gênesis 1:2. Os dias 4 a 6 tratam do estado de “vácuo” ou “vazio” do verso 2. Parece haver também uma correlação entre os dias 1 e 4, 2 e 5 e 3 e 6. Por exemplo, a atmosfera e a água recebem a forma de vida correspondente de pássaros e peixes, como se isto não devesse estar tão longe.

Duas outras observações devem ser feitas. Primeiro, há uma seqüência nos seis dias. Fica claro que este relato está disposto cronologicamente, cada dia edificado sobre a atividade criativa dos dias anteriores. Segundo, há um processo envolvido na criação, um processo envolvendo a transformação do caos no cosmos, a desordem na ordem.

Enquanto Deus poderia ter instantaneamente criado a terra tal como ela é, Ele não escolheu fazer assim. A clara impressão dada pelo texto é que este processo levou seis dias literalmente, e não longas eras. No entanto, o Deus eterno não está tão preocupado em fazer as coisas instantaneamente quanto nós estamos. O processo de santificação é apenas mais um dos muitos exemplos da atividade progressiva de Deus no mundo.

O Significado da Criação para os Antigos Israelitas

Antes de examinarmos a questão do que a criação deve significar para nós, devemos tratar do seu significado para aqueles que primeiramente leram estas palavras inspiradas da pena de Moisés. O propósito inicial deste relato foi para os Israelitas dos dias de Moisés. O que devem ter aprendido? Como devem ter reagido?

(1) O relato da criação de Gênesis foi uma correção à cosmogonia corrompida de seus dias. Já dissemos que o Egito, por exemplo, acreditava em múltiplos deuses da natureza. Precisamos reconhecer que Israel, devido à sua proximidade e contato prolongado com os egípcios, não deixou de ser afetado por seus pontos de vista religiosos.

“Agora, pois, temei ao Senhor e servi-o com integridade e com fidelidade; deitai fora os deuses aos quais serviram vossos pais dalém do Eufrates e servi ao Senhor.” (Js. 24:14)

Não era suficiente honrar a Yahweh simplesmente como um deus, um entre muitos. Nem poderia ser concebido isso do Deus de Israel. Só Yahweh é Deus. Não há outro Deus. Ele é o criador dos céus e da terra. Ele não é simplesmente superior aos deuses das nações em derredor. Somente Ele é Deus.

A tendência em se começar a confundir Deus com Sua criação foi uma parte dos pensamentos do mundo antigo. Ele deve ser honrado como o Deus da criação, não apenas Deus na criação. Todas as tentativas de se visua-lizar ou humanizar a Deus na forma de alguma coisa criada foram tendências em equiparar Deus com Sua criação. Creio que foi assim com o bezerro de ouro de Arão.

(2) O relato da criação descreve o caráter e os atributos de Deus. Negativamente, Gênesis um corrige muitas concepções populares erradas a respeito de Deus. Positivamente, retrata Seu caráter e Seus atributos.

Deus é soberano e Todo-Poderoso. Distintamente das cosmogonias de outros povos antigos, não há nenhuma batalha na criação descrita em Gênesis um. Deus não enfrentou forças opostas para criar a terra e o homem. Deus criou com uma simples ordem “Haja…” Há ordem e progresso. Deus não faz experiência, mas, ao invés disso, habilmente molda a criação conforme Seu projeto onisciente.

Deus não é simplesmente energia, mas uma Pessoa. Ainda que devamos ficar atemorizados pela transcendência de Deus, devemos ficar também pela Sua imanência. Ele não é uma energia cósmica distante, mas um Deus pessoal sempre presente. Isto é refletido no fato de que Ele criou o homem à sua própria imagem (1:26-28). O homem é um reflexo de Deus. Nossa personalidade é simplesmente uma sombra da personalidade de Deus. No capítulo dois Deus deu a Adão uma tarefa significativa, com uma companheira como auxiliadora. No terceiro capítulo aprendemos que Deus tinha comunhão diária com o homem no jardim (cf. 3:8).

Deus é eterno. Enquanto que outras criações são vagas ou errôneas no que concerne à origem de seus deuses, o Deus de Gênesis é eterno. O relato da criação descreve Sua atividade no princípio dos tempos (do ponto de vista humano).

Deus é bom. A criação não teve lugar num vácuo moral. A moralidade foi tecida dentro da estrutura da criação. Repetidamente é encontrada a expressão “e era bom”. Bom implica não somente em utilidade e complexidade, mas em valores morais. Aqueles que sustentam pontos de vista ateístas sobre a origem da terra não vêem nenhum outro sistema de valores a não ser o que é sustentado pela maioria das pessoas. A bondade de Deus é refletida em Sua criação, a qual, em seu estado original, era boa. Mesmo hoje, a graça e a bondade de Deus são evidentes (cf. Mt. 5:45; At. 17:22-31).

O significado da Criação Para Todos os Homens

O tema de Deus como Criador é relevante através de toda a Escritura. É significativo que as últimas palavras da Bíblia sejam notadamente similares às primeiras.

“Então me mostrou o rio da água da vida, brilhante como cristal, que sai do trono de Deus e do Cordeiro. No meio da sua praça, de uma e outro margem do rio, está a árvore da vida, que produz doze frutos, dando o seu fruto de mês em mês, e as folhas da árvore são par a cura dos povos. Nunca mais haverá qualquer maldição. Nela, estará o trono de Deus e do Cordeiro. Os seus servos o servirão, contemplarão a sua face, e na sua fronte está o nome dele. Então, já não haverá noite, nem precisam eles de luz de candeia, nem da luz do sol, porque o Senhor Deus brilhará sobre eles e reinarão pelos séculos dos séculos.” (Ap. 22:1-5)

A verdade de que Deus é o Criador dos céus e da terra não é simplesmente algo para se acreditar, mas algo a que devemos reagir. Deixe-me mencionar apenas umas poucas implicações do ensinamento de Gênesis um.

(1) Os homens devem se submeter ao Deus da criação em temor e obediência. Os céus proclamam a glória de Deus:

“Os céus proclamam a glória de Deus e o firmamento anuncia as obras de suas mãos. Um dia discursa a outro dia, e uma noite revela conhecimento a outra noite.” (Sl. 19:1-2)

“Porque os atributos invisíveis de Deus, assim o seu eterno poder, como também a sua própria divindade, claramente se reconhecem, desde o princípio do mundo, sendo percebidos por meio das coisas criadas. Tais homens são, por isso, indesculpáveis; porquanto tendo conhecimento de Deus, não o glorificaram como Deus, nem lhe deram graças; antes, se tornaram nulos em seus próprios raciocínios, obscurecendo-se-lhes o coração insensato.” (Rm. 1:20-21)

Os homens devem temer ao Deus Todo-Poderoso da criação:

“Os céus por sua palavra se fizeram e, pelo sopro de sua boca, o exército deles. Ele ajunta em montão as águas do mar; e em reservatório encerra as grandes vagas. Tema ao Senhor toda a terra, temam-nos todos os habitantes do mundo. Pois ele falou e tudo se fez, ele ordenou e tudo passou a existir.” (Sl. 33:6-9)

A grandeza de Deus é evidente nas obras de suas mãos – a criação que está ao nosso redor. Os homens deveriam temê-Lo e reverenciá-Lo por Quem Ele é.

“Bendize, ó minha alma, ao Senhor! Senhor, Deus meu, como tu és magnificente, sobrevestido de glória e majestade, coberto de luz como de um manto. Tu estendes o céu como uma cortina, pões nas águas o vigamento da tua morada, tomas as nuvens por teu carro, e voas nas asas do vento. Fazes a teus anjos ventos e a teus ministros, labaredas de fogo. Lançaste os fundamentos da terra, para que ela não vacile em tempo nenhum. Tomaste o abismo por vestuário e a cobriste; as águas ficaram acima das montanhas; à tua repreensão, fugiram, à voz do teu trovão, bateram em retirada. Elevaram-se os montes, desceram os vales, até ao lugar que lhes havias preparado. Puseste às águas divisa , que não ultrapassarão, para que não tornem a cobrir a terra.” (Sl. 104:1-9)

(2) Os homens devem confiar no Deus da criação, para prover todas as suas necessidades.

“Após voltar Abrão de ferir a Quedorlaomer e aos reis que estavam com ele, saiu-lhe ao encontro o rei de Sodoma no vale de Savé, que é o vale do rei. Melquisedeque, rei de Salém, trouxe pão e vinho; era sacerdote do Deus Altíssimo: abençoou ele a Abrão, e disse: Bendito seja Abrão pelo Deus Altíssimo; que possui os céus e a terra; e bendito seja o Deus Altíssimo, que entregou os teus adversários nas tuas mãos. E de tudo lhe deu Abrão o dízimo. Então disse o rei de Sodoma a Abrão: dá-me as pessoas, e os bens fiquem contigo. Mas Abrão lhe respondeu: Levanto minha mão ao Senhor, o Deus Altíssimo, que possui o céu e a terra, e juro que nada tomarei de tudo o que te pertence, nem um fio, nem uma correia de sandália, para que não digas: Eu enriqueci a Abrão; nada quero para mim, senão o que os rapazes comeram, e a parte que toca aos homens Aner, Escol e Manre, que foram comigo; estes que tomem o seu quinhão.” (Gn. 14:17-24)

Abrão deu o dízimo a Melquisedeque com base em sua confissão de que o Deus de Abrão era “o Deus Altíssimo, que possui os céus e a terra” (v. 19, 20). E mesmo enquanto Abrão dava o dízimo a Melquisedeque, ele se recusou a se beneficiar em qualquer aspecto financeiro do rei pagão de Sodoma, pois queria que este homem soubesse que “o Deus Altíssimo, que possui os céus e a terra” foi o Único que o fez prosperar.

Nós cantamos “Ele é o dono do gado em milhares de montes… sei que ele se importará comigo.” Que boa teologia. O Deus que é o nosso Criador, é também o nosso Sustentador. Veja que Deus não concluiu o universo e então o deixou entregue a si mesmo, tal como parecem dizer. Deus mantém um cuidado contínuo sobre Sua criação.

“Fazes crescer a relva para os animais, e as plantas para o serviço do homem, de sorte que da terra tire o seu pão; o vinho, que alegra o coração do homem, o azeite que lhe dá brilho ao rosto, e o pão que lhe sustém as forças. Avigoram-se as aves do Senhor, e os cedros do Líbano que ele plantou, em que as aves fazem seus ninhos; quanto à cegonha, a sua casa é nos ciprestes. Os altos montes são das cabras montesinhas, e as rochas o refúgio dos arganazes. Fez a lua para marcar o tempo; o sol conhece a hora do seu ocaso. Dispões as trevas, e vem a noite, na qual vagueiam os animais da selva. Os leõezinhos rugem pela presa, e buscam de Deus o sustento; em vindo o sol, eles se recolhem e se acomodam nos seus covis. Sai o homem para o seu trabalho, e para o seu encargo até a tarde.” (Sl. 104:14-23)

O Novo Testamento dá um passo além ao nos informar que o Filho de Deus foi o Criador e continua a servir como Sustentador da criação, mantendo todas as coisas juntas:

“Pois nele foram criadas todas as coisas, nos céus e sobre a terra, as visíveis e as invisíveis, sejam tronos, sejam soberanias, quer principados, quer potestades. Tudo foi criado por meio dele e para ele. Ele é antes de todas as coisas. Nele tudo subsiste.” (Cl. 1:16-17)

(3) Os homens devem se humilhar diante da sabedoria de Deus evidenciada na criação. Jó sofreu muitas aflições. Mas, afinal, o suficiente foi suficiente. Ele começou a questionar a sabedoria de Deus em sua adversidade. Ao seu questionamento Deus respondeu:

“Depois disto o Senhor, do meio de um redemoinho, respondeu a Jó: Quem é este que escurece os meus desígnios com palavras sem conhecimento? Cinge, pois, os teus lombos como homem, pois eu te perguntarei, e tu me farás saber. Onde estavas tu, quando eu lançava os fundamentos da terra? Dize-mo, se tens entendimento. Quem lhe pôs as medidas, se é que o sabes? Ou quem estendeu sobre ela o cordel? Sobre que estão fundadas as tuas bases, ou quem lhe assentou a pedra angular, quando as estrelas da alva juntas alegremente cantavam, e rejubilavam todos os filhos de Deus?” (Jó 38:1-7).

Jó foi desafiado a sondar a sabedoria de Deus na criação. Ele não podia explicá-la ou compreendê-la, quanto mais contestá-la. Como, então, Jó poderia questionar a sabedoria da obra de Deus em sua vida. Na verdade, ele não podia ver o propósito de tudo aquilo, mas sua perspectiva não era a de Deus. Deixe que, quem quer que questione a ação de Deus em sua vida contemple a infinita sabedoria de Deus como é vista na criação, e então seja silenciado e espere Nele para fazer o que é certo.

Se o homem pudesse escolher refletir sobre qualquer questão, deixe-o tentar sondar a razão pela qual um Deus infinito deveria Se preocupar tanto com um simples homem:

“Quanto contemplo os teus céus, obra dos teus dedos, e a lua e as estrelas que estabeleceste, que é o homem, que dele te lembres? E o filho do homem, que o visites? Fizeste-o, no entanto, por um pouco, menor do que Deus, e de glória e de honra o coroaste.” (Sl. 8:3-5).

(4) O homem deve encontrar conforto em tempos de perigo e dificuldade, sabendo que seu Criador é capaz e desejoso de livrá-lo.

“Por isso também os que sofrem segundo a vontade de Deus encomendem as suas almas ao fiel Criador, na prática do bem.” (I Pe. 4:19)

“Por que, pois, dizes, ó Jacó, e falas, ó Israel: O meu caminho está encoberto ao Senhor, e o meu direito passa despercebido ao meu Deus? Não sabes, não ouviste que o eterno Deus, o Senhor, o Criador dos fins da terra, nem se cansa nem se fatiga? Não se pode esquadrinhar o seu entendimento. Faz forte ao cansado, e multiplica as forças ao que não tem nenhum vigor. Os jovens se cansam e se fatigam, e os moços de exaustos caem, mas os que esperam no Senhor renovam as suas forças, sobem com asas como águias, correm e não se cansam, caminham e não se fatigam.” (Is. 40:27-31)

“Assim Deus, o Senhor, que criou os céus e os estendeu, formou a terra, e a tudo quanto produz; que dá fôlego de vida ao povo que nela está, e o espírito aos que andam nela. Eu, o Senhor, te chamei em justiça, tomar-te-ei pela mão, e te guardarei, e te farei mediador da aliança com o povo, e luz para os gentios.” (Is. 42:5-6)

“Eu sou o Senhor, e não há outro; além de mim não há Deus; eu te cingirei, ainda que não me conheces. Para que se saiba até ao nascente do sol e até ao poente, que além de mim não há outro; eu sou o Senhor, e não há outro. Eu formo a luz, e crio as trevas; faço a paz e crio o mal; eu o Senhor, faço todas estas cousas.” (Is. 45:5-7).

(5) O homem deve responder ao Deus da criação com o louvor que Lhe é devido:

“A glória do Senhor seja para sempre! Exulte o Senhor por suas obras! Com só olhar para a terra ele a faz tremer; toca as montanhas, e elas fumegam. Cantarei ao Senhor enquanto eu viver; cantarei louvores ao meu Deus durante a minha vida. Seja-lhe agradável a minha meditação; eu me alegrarei no Senhor. Desapareçam da terra os pecadores, e já não subsistam os perversos. Bendize, ó minha alma, ao Senhor! Aleluia!” (Sl. 104:31-35)

“Aleluia! Louvai ao Senhor do alto dos céus, louvai-o nas alturas. Louvai-o todos os seus anjos; louvai-o todas as suas legiões celestes. Louvai-o, sol e lua; louvai-o todas as estrelas luzentes. Louvai-o, céus dos céus, e as águas que estão acima do firmamento. Louvem o nome do Senhor, pois mandou ele e foram criados. E os estabeleceu para todo o sempre: fixou-lhes uma ordem que não passará.” (Sl. 148:1-6)

“Vinde, adoremos e prostremo-nos; ajoelhemos diante do Senhor que nos criou.” (Sl. 95:6)

“Ó Senhor, Senhor nosso, quão magnífico em toda a terra é o teu nome! Pois expuseste nos céus a tua majestade.” (Sl. 8:1)

Conclusão

Meu amigo, o ensinamento de Gênesis um é uma grande e poderosa verdade. É o único que exige mais do que aceitação; ele precisa de ação. E mesmo assim, por maior que seja, é empalidecido pela vinda de Jesus Cristo. Da mesma forma que Deus proclamou: haja luz, assim Deus de uma vez por todas falou nos últimos tempos pelo Filho (Hb.1:1-2), que é a luz:

“Porque Deus que disse: De trevas resplandecerá luz – ele mesmo resplandeceu em nossos corações, para iluminação do conhecimento da glória de Deus na face de Cristo.” (II Co. 4:6)

“No princípio era o Verbo, e o Verbo estava com Deus, e o Verbo era Deus. Ele estava no princípio com Deus. Todas as coisas foram feitas por intermédio dele, e sem ele nada do que foi feito se fez. A vida estava nele, e a vida era a luz dos homens. A luz resplandece nas trevas, e as trevas não prevaleceram contra ela.” (Jo. 1:1-5)

“A saber: a verdadeira luz que, vinda ao mundo, ilumina a todo homem. Estava no mundo, o mundo foi feito por intermédio dele, mas o mundo não o conheceu. Veio para o que era seu, e os seus não o receberam. Mas, a todos quantos o receberam, deu-lhes o poder de serem feitos filhos de Deus; a saber, aos que crêem no seu nome; os quais não nasceram do sangue, nem da vontade da carne, nem da vontade do homem, mas de Deus.” (Jo.1:9-13)

Enquanto Deus Se revelou palidamente na criação, Ele Se desvelou completamente em Seu Filho:

“Ninguém jamais viu a Deus: o Deus unigênito, que está no sei do Pai, é quem o revelou.” (Jo. 1:18)

Não podemos evitar a revelação bíblica de que o Deus que criou os céus e a terra, o Deus que redimiu os Israelitas do Egito, é o Deus-Homem da Galiléia, Jesus Cristo. Da mesma forma como Ele fez a primeira criação (Cl. 1:16), agora Ele vem realizar uma nova criação, através de Sua obra na cruz do Calvário:

“E assim, se alguém está em Cristo, é nova criatura: as coisas antigas já passaram; eis que se fizeram novas.” (II Co. 5:17)

Além disto, breve virá o dia em que os céus e a terra serão purificados dos efeitos do pecado e serão novos céus e nova terra:

“Virá, entretanto, como ladrão, o dia do Senhor, no qual os céus passarão com estrepitoso estrondo e os elementos se desfarão abrasados; também a terra e as obras que nela existem serão atingidas. Visto que todas estas coisas hão de ser assim desfeitas, deveis ser tais como os que vivem em santo procedimento e piedade, esperando e apressando a vinda do dia de Deus, por causa do qual os céus incendiados serão desfeitos e os elementos abrasados se derreterão. Nós, porém, segundo a sua promessa, esperamos novos céus e nova terra, nos quais habita justiça.” (II Pe. 3:10-13)

Você está pronto para esse dia, meu amigo? Já é uma nova criatura em Cristo? Gênesis um revela como Deus tomou o caos e o transformou no cosmos – belo e ordenado. Se você ainda não veio a Cristo, posso dizer com toda segurança que sua vida é sem forma e vazia, é caótica e sem vida. O mesmo que tornou o caos em cosmos pode fazer de sua vida uma nova vida.


17 “Pot Proof”, Christianity Today, September 22, 1978, p. 43.

18 “Evangelicalisms Six Flaws”, Eternity, January, 1980, p. 54. Este artigo da equipe da Revista Eternity é um sumário de um artigo de Robert E. Webber, matéria publicada em outubro na New Oxford Review.

19 O Dr. Bruce Waltke brevemente descreve este tríplice ataque:

Primeiro, veio a contestação da comunidade científica. Na esteira da revolucionária teoria da evolução de Charles Darwin para explicar a origem das espécies, a maior parte da comunidade científica acatou a hipótese de Darwin contra a Bíblia. Eles criam que podiam validar a teoria de Darwin através de dados empíricos, mas acharam que não podiam fazer o mesmo em relação à Bíblia.

A segunda contestação veio dos religiosos comparativos que procuraram desacreditar a história bíblica pelo apontamento de várias semelhanças entre ela e os antigos relatos mitológicos da criação, provenientes de várias partes do Oriente Médio, estudando-os ao mesmo tempo… De acordo com sua opinião (Gunkel), a versão hebraica da criação foi apenas uma outra lenda folclórica do Oriente Médio, que aqueles que transmitiam a história, com o passar do tempo, aperfeiçoaram com sua criatividade e visão filosófica e teológica.

A terceira contestação veio do criticismo literário. O caso mais expressivo foi o de Julius Wellhausen em seu clássico mais influente, ainda disponível em brochura nas livrarias, intitulado Pro Legomena to the Old Testament. Aqui ele argumenta que haviam, pelo menos, dois relatos distintos da criação em Gênesis 1 e 2 e que os dois se contradiziam em vários pontos. Bruce Waltke, Creation and Chaos (Portland, Oregon: Western Conservative Baptist Seminary, 1974), pp. 1-2.

20 Benjamin B. Warfield, Selected Shorter Writings of Benjamin B. Warfield, Vol. I, editado por John E. Meeker (Nutley, N.J. Presbyterian and Reformed Publishing Co., 1970), p. 108.

21 Devo enfatizar que deveríamos tomar seriamente a instrução de Pedro “… estando sempre preparados para responder a todo aquele que vos pedir razão da esperança que há em vós…” (I Pe. 3:15) Mesmo aqui, no que pode ser chamado de exortação a uma prontidão apologética, a mensagem mais necessária ao não crente é a do evangelho da salvação pela fé em Cristo. Minha experiência é que poucos são salvos pelo uso apologético do relato de Gênesis da criação. Para aqueles que consideram seriamente o chamado de Cristo, mas temem que a Bíblia não seja digna de confiança, tais esforços podem muito bem valer a pena.

22 “Primeiro, podemos dizer que o livro de Gênesis não nos informa, consoante às origens, aquilo que é contrário à natureza de Deus, nem no cosmos, nem no mundo espiritual. Onde se opõe a Ele, que é a boa e resplandecente origem? Quando nos deparamos com o problema da origem do mal no reino moral, encontramos um grande mistério. De repente, sem explicação, em Gênesis 3 aparece no Jardim do Éden um personagem totalmente maléfico, brilhante e inteligente, dissimulado numa serpente. O princípio das origens, tão forte em nossas mentes, exige uma explicação. Mas a verdade é que o Livro nos frustra. Igualmente, quando nos aproximamos daquilo que é negativo nos cosmos, algo obscuro e sem forma, a Bíblia não nos dá nenhuma informação. Eis aqui algumas das coisas ocultas que pertencem a Deus.” (Waltke, Creation and Chaos, p. 52). Ainda que eu não concorde com a escolha das palavras do Dr. Waltke (“o Livro nos frustra”), concordo com sua posição de que Gênesis não nos diz aquilo que podemos desejar aprender.

23 Wakeman, como citado por Waltke, Creation and Chaos , p. 6.

24 Waltke demonstra as semelhanças entre a cosmogonia bíblica e os mitos da criação do antigo Oriente Médio:

Primeiro, pela comparação do Salmo 74:13-14 com o Texto Ugarítico 67:I: 1-3 (Waltke, p. 12).

Salmo 74:13-14 “Tu, com o teu poder, dividiste o mar; esmagaste sobre as águas a cabeça dos monstros marinhos. Tu espedaçaste a cabeça do crocodilo e o deste por alimento às alimárias do deserto.”

Texto 67: I . 1-3, 27-30: “Quando esmagaste Lotan (Leviathan) o diabólico dragão, também destruíste o dragão disforme, o poderoso de 7 cabeças…”

Segundo, pela comparação de Isaías 27:1 com o Texto Ugarítico ‘nt:III: 38-39 (Waltke, p. 13):

Isaías 27:1 “Naquele dia, o Senhor castigará com a sua dura espada, grande e forte, o dragão, serpente veloz, e o dragão, serpente sinuosa, e matará o monstro que está no mar.”

Texto ‘ni:III: 38-39: “O dragão disforme, o poderoso de 7 cabeças.”

25 Cf. Waltke, Creation and Chaos, pp. 33,35. Realmente, esta semelhança na forma entre o texto bíblico do Pentateuco e os textos antigos do Oriente Médio, tem mostrado ser uma bênção para aqueles que sustentam a autoria (Mosaica) unificada:

“Kitchen comparou o Pentateuco com os antigos textos do Oriente Médio e descobriu que os mesmos traços usados pelos críticos como uma varinha de condão para dividir o Pentateuco estavam presentes nestes textos, escritos na rocha sem nenhuma pré-história.” Waltke, pp. 41-42.

26 Ibid, p. 45.

27 “A explicação mais comum dos estudiosos que observam o mundo como um sistema fechado sem nenhuma intervenção divina é a de que Israel apropriou-se destas mitologias, desmistificou-as, purificou-as de seu politeísmo ordinário e grosseiro, e gradualmente adaptou-as à sua própria superior e desenvolvida teologia.” Ibid., p. 46.

28 Merrill F. Unger, Archaeology and the Old Testament, p. 37, citado por Waltke, p. 46.

29 “Em Canaã, na época da conquista, cada cidade tinha seu próprio templo dedicado a alguma força da natureza. O nome Jericó deriva da palavra hebraica yerah, que significa “lua”, por seus habitantes adorarem a lua, o deus “Yerach”. Igualmente, no outro lado da cadeia central de montanhas da Palestina, encontramos a cidade de Beth Shemesh, que significa “Templo do Sol” pois Shamash, o deus sol, era adorado lá.” Waltke, p. 47.

30 Sarna, Understanding Genesis, p. 7, como citado por Waltke, p. 47.

31 “O conhecimento existente a respeito das práticas diárias de adoração dos deuses egípcios é muito pequeno; e, apesar dos propósitos e intenções, pouco ou nada é conhecido de fontes documentadas de seus assuntos metafísicos. É óbvio, no entanto, que as 22 províncias egípcias tinham, cada uma, seus respectivos centros religiosos e tótens de animais ou de plantas. É precisamente os atributos dessas deidades que estão envolvidos nas pragas; mas, se cada praga foi imaginada para estar no domínio especial de um ou outro dos deuses egípcios, não se pode estabelecer com certeza.” W. White, Jr. “The Plagues of Egypt, The Zondervan Pictorial Encyclopedia of the Bible (Grand Rapids: Zondervan, 1975, 1976), IV, p. 806.

32 Cf. Waltke, pp. 21-25.

33 Por exemplo, E. J. Young, In the Beginning (Carlisle; Pennsylvania: Banner of Truth Trust, 1976), pp. 20ff.

34 “Mas o que diremos sobre o estado informe e não criado, as trevas e o abismo de Gênesis 1:2? Aqui entramos num grande mistério, pois a Bíblia nunca disse que Deus os trouxe à existência pela Sua Palavra. O que podemos dizer sobre eles?” Bruce Waltke, p. 52.

35 Adaptado de Waltke, p. 18.

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A Matança dos cananitas conflitam com a bondade de Deus?

Por William Lane Craig

Traduzido e adaptado por Leandro Teixeira.

Questão 1:

Nos fóruns, tem havido muitas boas questões levantadas acerca do assunto da ordem de Deus para os judeus cometerem “genocídio” às pessoas da terra prometida. Como você tem colocado em alguns de seus trabalhos escritos que estes atos não se ajustam com o conceito ocidental de Deus sendo um doce papai no céu. Agora nós certamente podemos encontrar justificativas para aquelas pessoas ficarem debaixo do julgamento de Deus por causa dos seus pecados, idolatria, sacrifício de suas crianças, etc. Mas uma difícil questão é a matança de crianças e bebês. Se as crianças são jovens o suficiente juntamente com os bebês são inocentes dos pecados que a sua comunidade tinha cometido. Como nós reconciliaremos esta ordem de Deus para matar as crianças com o conceito de Sua Santidade? – Obrigado, Steven Shea.

Questão 2:

Eu tenho ouvido você justificar a violência do AT com a base de que Deus usou o exército Israelita para julgar os cananitas e a eliminação deles pelos israelitas é moralmente correta por que eles estavam obedecendo a uma ordem de Deus (devia ser errado se eles não tivessem obedecido a Deus na ordem de eliminar os cananitas). Isto se assemelha um pouco em como os Muçulmanos definem moralidade e justificam a violência de Maomé e outras questões morais questionáveis (os muçulmanos definem moralidade como o cumprimento da vontade de Deus). Você pode ver alguma diferença entre a sua justificativa da violência no AT e a justificação islâmica de Maomé e os versículos violentos do Alcorão? São a violência e as ações questionáveis de moralidade e os versículos do Alcorão bons argumentos ao falar com os muçulmanos? – Anônimo

Dr. William Lane Craig responde:

De acordo com o Pentateuco (os cinco primeiros livros do Antigo Testamento), quando Deus tirou seu povo da escravidão do Egito e os fez voltar para a terra dos seus antepassados, Ele os direcionou para matar todo o povo cananita que estavam vivendo na terra (Dt. 7:1-2; 20:16-18). A destruição seria completa: cada homem, mulher e criança seriam mortos. O livro de Josué conta a história dos israelitas levando a cabo a ordem de Deus cidade após cidade do começo ao fim de Canaã.

Esta história ofende nossa sensibilidade moral. Ironicamente, contudo, nossa sensibilidade moral no Ocidente foi basicamente, e para muitas pessoas inconscientemente, formada por nossa herança judaico-cristã, a qual nos ensinou os valores intrínsecos dos seres humanos, a importância da conduta justa mais que caprichosamente, e a necessidade da adequada punição para o crime. A Bíblia mesma inculca os valores os quais estas histórias parecem violar.

A ordem para matar as pessoas cananitas está discordante precisamente porque ela parece tão em desacordo com o retrato de Javé, o Deus de Israel, como Ele é pintado nas Escrituras Hebraicas. Contrariamente à retórica vituperante de alguns como Richard Dawkins, o Deus das Escrituras hebraicas é um Deus de justiça, que sofre e de compaixão.

Você não pode ler os profetas do Antigo Testamento sem um senso de profundo cuidado de Deus pelos pobres, oprimidos, humilhados, órfãos e outros. Deus demanda justas leis e justas regras. Ele literalmente suplica às pessoas que se arrependam de seus caminhos errados que Ele poderia não julgá-los. “Vivo eu, diz o Senhor DEUS, que não tenho prazer na morte do ímpio, mas em que o ímpio se converta do seu caminho, e viva” (Ez. 33:11).

Ele enviou um profeta até mesmo para a cidade pagã de Nínive por causa da Sua compaixão pelos habitantes, “homens que não sabem discernir entre a sua mão direita e a sua mão esquerda” (Jn 4:11). O próprio Pentateuco contém os 10 mandamentos, um dos maiores códigos morais da antiguidade, os quais moldaram a sociedade ocidental. Até mesmo o severo “olho por olho, dente por dente” não foi uma descrição de vingança, mas uma verificação na punição excessiva para cada crime, servindo para moderar a violência.

O julgamento de Deus é qualquer coisa, menos caprichoso. Quando o Senhor anunciou de julgar Sodoma e Gomorra pelos seus pecados, Abraão corajosamente perguntou,

E chegou-se Abraão, dizendo: Destruirás também o justo com o ímpio? Se porventura houver cinqüenta justos na cidade, destruirás também, e não pouparás o lugar por causa dos cinqüenta justos que estão dentro dela? Longe de ti que faças tal coisa, que mates o justo com o ímpio; que o justo seja como o ímpio, longe de ti. Não faria justiça o Juiz de toda a terra? (Gn 18:25).

Tal como o negociante do Oriente Médio pechincha em uma barganha, Abraão continuadamente diminuiu o preço, e a cada vez Deus se comprometeu, sem nenhuma hesitação, garantindo a Abraão que se houvesse até mesmo 10 pessoas corretas na cidade, Ele não a destruiria por causa deles.

Então o que é que Javé está fazendo comandando o exército judeu para exterminar o povo cananita? É precisamente porque nós esperamos que Javé agisse justamente e com compaixão que nós achamos estas histórias tão difíceis de compreender. Como pode Ele comandar soldados para matar crianças?

Agora, antes de tentar dizer algo em forma de responda para esta difícil questão, nós devemos por bem primeiramente parar e perguntar a nós mesmos o que está em jogo aqui. Suponha que nós concordemos que se Deus (que é perfeitamente bom) existe, Ele não poderia ter emitido semelhante ordem. O que se segue? Que Jesus não ressuscitou dos mortos? Que Deus não existe? Dificilmente! Então qual é o suposto problema?

Eu tenho freqüentemente ouvido populares levantarem esta ordem como uma refutação do argumento moral para a existência de Deus. Mas eles estão obviamente enganados. A afirmação de que Deus não pode ter emitido tal ordem não falsifica ou diminui qualquer das duas premissas no argumento moral que eu defendo:

  1. Se Deus não existe, valores morais objetivos não existem;
  2. Valores morais objetivos existem;
  3. Então, Deus existe.

De fato, à medida que os ateus pensam que Deus fez algo moralmente errado na ordenação do extermínio dos cananitas, eles afirmam a premissa (2). Então, qual é o suposto problema?

O problema, parece-me, é que se Deus não emitiu tal ordem, então a história bíblica deve ser falsa. Qualquer um dos incidentes nunca realmente aconteceu, mas é apenas folclore israelita; ou senão, se elas aconteceram então Israel, cheio de um completo fervor nacionalista, pensando que Deus estivesse do lado dele, afirmou que Deus os comandou para cometer estas atrocidades, quando de fato Ele não os comandou. Em outras palavras, este problema realmente é uma objeção à inerrância bíblica.

De fato, ironicamente, muitos críticos do Antigo Testamento são céticos que os eventos da conquista de Canaã ocorreram. Eles tomam estas histórias como parte da lenda da fundação de Israel, de forma semelhante ao mito de Rômulo e Remo e a fundação de Roma. Para tais críticos o problema das ordenações de Deus desaparece.

Agora vamos colocar esta ordem em uma perspectiva totalmente diferente! A questão da inerrância bíblica é importante, mas não é como a existência de Deus ou a deidade de Cristo! Se os cristãos não podem encontrar uma boa resposta para a questão antes de nós e estão, além disso, convencidos que tal comando é inconsistente com a natureza de Deus, então nós teremos que desistir da inerrância bíblica. Mas nós não devemos deixar um descrente levantar esta questão enganando-se pensando que ele implica mais do que ele realmente faz.

Eu penso que um bom começo para este problema é enunciar nossa teoria ética que fundamenta nossos julgamentos morais. De acordo com a versão do mandamento divino ético que eu defendo, nossas obrigações morais são constituídas pelos mandamentos de um santo e amoroso Deus. Uma vez que Deus não emite ordens a si mesmo, Ele não tem obrigações morais para cumprir. Ele certamente não esta sujeito às mesmas obrigações e proibições a que nós estamos. Por exemplo, eu não tenho nenhum direito de tirar a vida de um inocente. Para mim, fazer isto me tornaria um assassino. Mas Deus não tem tal proibição. Ele pode dar e tirar a vida como Ele decidir. Nós todos reconhecemos isto quando censuramos alguma autoridade que presume tirar vidas como “brincar de Deus”. Autoridades humanas arrogam a si mesmas direitos os quais cabem somente a Deus. Deus não está sob qualquer obrigação para estender minha vida por mais um segundo. Se Ele quiser me desferir a morte agora, esta é Sua prerrogativa.

O que isto implica é que Deus tem o direito de tomar as vidas dos cananitas quando Ele achar melhor. Quanto tempo eles vivem e quando eles morrem é decisão Dele.

Então o problema não é que Deus terminou com a vida dos cananitas. O problema é que Deus mandou os exércitos israelenses acabarem com elas. Não é como mandar alguém cometer assassinato? Não, não é. Antes, uma vez que nossas obrigações morais são determinadas pelos mandamentos de Deus, Ele está mandando fazer algo que, na ausência da ordem divina, poderia ser assassinato. O ato era moralmente obrigatório para os soldados israelitas em virtude do mandamento divino, ainda que, tivessem eles o tratado em sua própria iniciativa, eles estivessem errados.

Na teoria do mandamento divino, então, Deus tem o direito de ordenar uma ação, a qual, ausente de um mandamento divino, seria pecado, mas a qual é moralmente obrigatória em virtude deste mandamento.

Muito bem; mas tal ordem não é contrária à natureza de Deus? Vamos olhar este caso mais de perto. É talvez significativo que a história da destruição de Sodoma por Javé – juntamente com Suas sérias garantias a Abraão que se houvessem tantas quanto até mesmo 10 pessoas retas em Sodoma, a cidade não seria destruída – dá forma a parte do fundo para a conquista de Canaã e ao mandamento de Javé de destruir as cidades lá. A implicação é que os cananitas não são pessoas retas, mas estão sob o julgamento de Deus.

De fato, antes da escravidão no Egito, Deus falou a Abraão,

Sabes, de certo, que peregrina será a tua descendência em terra alheia, e será reduzida à escravidão, e será afligida por quatrocentos anos… e a quarta geração tornará para cá; porque a medida da injustiça dos amorreus não está ainda cheia.” (Gn. 15:13,16)

Pense nisto! Deus suspende seu julgamento aos cananitas por 400 anos porque sua perversidade ainda não tinha atingido o ponto de intolerabilidade! Este é o Deus que suporta a dor que nós conhecemos das Escrituras hebraicas. Ele até mesmo permite que Seu povo escolhido definhe na escravidão por 4 séculos antes de determinar que o povo cananita esteja pronto para o julgamento e tirar o Seu povo do Egito.

No tempo de sua destruição, a cultura cananita era, de fato, devassa e cruel, abraçando práticas tais como prostituição cultual e até mesmo sacrifício de crianças. Os cananitas estão para ser destruídos “Para que não vos ensinem a fazer conforme a todas as suas abominações, que fizeram a seus deuses, e pequeis contra o SENHOR vosso Deus.” (Dt 20:18). Deus tinha razões moralmente suficientes para Seu julgamento sobre Canaã, e Israel era meramente o instrumento da Sua justiça, da mesma fora que centenas de anos depois Deus usaria as nações pagãs da Assíria e Babilônia para julgar Israel.

Mas tirar a vida de crianças inocentes? A terrível totalidade da destruição foi incontestavelmente à proibição da assimilação de nações pagãs. No ordenamento da destruição completa dos cananitas, o Senhor falou: “Nem te aparentarás com elas; não darás tuas filhas a seus filhos, e não tomarás suas filhas para teus filhos; Pois fariam desviar teus filhos de mim, para que servissem a outros deuses; e a ira do SENHOR se acenderia contra vós, e depressa vos consumiria.” (Dt 7:3-4). Este mandamento é parte e parcela de toda a estrutura da complexa e característica lei judia de práticas puras e impuras. Para a contemporânea mente ocidental muitas das regras da lei do Antigo Testamento parecem absolutamente bizarras e sem sentido: não misturar linho com lã, não usar os mesmos recipientes para carnes e laticínios, etc. O impulso que sobrepujava estas regras é a proibição de vários tipos de mistura. Linhas claras de distinção são esboçadas: isto e não aquilo. Isto serviu como um tangível e diário lembrete que Israel é um conjunto especial de pessoas separado para Deus.

Eu falei uma vez com um missionário indiano que me contou que a mente oriental tem uma tendência inveterada com respeito à amalgamação (fusão). Ele falou que os Hindus ouvem o evangelho sorrindo e dizem “Sub ehki eh, sahib, sub ehki eh!” (Tudo é Um, sahib, Tudo é Um!). Faz quase o impossível para alcançá-los por causa até mesmo das contradições lógicas incluídas no todo. Ele disse que ele pensa que a razão de que Deus deu a Israel tantas ordens arbitrárias sobre pureza e impureza era para ensiná-los a Lei da Contradição!

Por definição em tal grau forte, severa dicotomia Deus ensinou Israel que qualquer assimilação com a idolatria pagã era intolerável. Era Sua forma de preservar a saúde e posteridade espiritual de Israel. A matança das crianças cananitas não apenas serviu para prevenir uma assimilação da identidade cananita, mas também serviu como uma ilustração tangível e detalhada da separação de Israel como um povo exclusivo de Deus.

Além do mais, se nós acreditarmos, como eu acredito, que a graça de Deus é estendida para aqueles que morreram na infância ou como pequenas crianças, a morte destas crianças era verdadeiramente sua salvação. Nós somos tão apegados à perspectiva naturalista terrena, que nós esquecemos que aqueles que morrem estão felizes por deixar esta terra pela alegria incomparável do paraíso. Então, Deus não faz nada errado ao tomar suas vidas.

Então o que Deus faz de errado ao comandar a destruição dos cananitas? Não os cananitas adultos, porque eles eram corruptos e mereciam o julgamento. Não as crianças, porque eles herdaram a vida eterna. Então quem é o transgressor? Ironicamente, eu penso que a maior dificuldade de todo este debate é o aparente erro que os soldados israelenses fizeram a si mesmos. Você pode imaginar que seria como ter que invadir uma casa e matar uma mulher aterrorizada e seus filhos? O efeito brutal nestes soldados israelenses são perturbadores.

Mas então, novamente, nós estamos pensando de um ponto de vista ocidental cristianizado. Para as pessoas do mundo antigo, a vida já era brutal. Violência e guerra eram fatos da vida na vivência das pessoas no oriente antigo. Evidências deste fato é que as pessoas que contam estas histórias aparentemente não pensam nada do que os soldados israelenses estavam ordenados a fazer (especialmente se estas são lendas da fundação de uma nação). Ninguém estava com peso na consciência pelos soldados terem matado os cananitas; aqueles que o fizeram se tornaram heróis nacionais.

Além do mais, meu ponto acima retorna. Nada podia ilustrar para os israelitas a seriedade de sua chamada como povo escolhido de Deus somente. Javé não estava brincando com eles. Ele estava falando sério, e se Israel apostatasse, a mesma coisa aconteceria com eles. Como C. S. Lewis colocou, “Aslan não é um leão manso”.

Agora, como relacionar tudo isto a Jihad Islâmica? O islamismo vê a violência como um meio para propagar a fé muçulmana. O Islamismo divide o mundo em duas partes: a dar al-Islam (Casa da Submissão) e a dar al-harb (Casa da Guerra). A primeira são aquelas terras as quais têm sido adquiridas em submissão ao Islamismo; a última são aquelas nações que ainda não se submeteram. Assim é como o Islamismo verdadeiramente vê o mundo!

Em contraste, a conquista de Canaã representa o justo julgamento de Deus sobre aquelas pessoas. O propósito não era fazê-los se converterem ao judaísmo! A guerra não foi usado como um instrumento de propagação da fé judaica. Além do mais, o extermínio dos cananitas representou uma circunstância histórica incomum, não uma habitual forma de comportamento.

O problema com o Islamismo, então, não é que ele tem a teoria moral errada; é que ele tem o Deus errado. Se os muçulmanos pensam que nossas obrigações morais são constituídas de mandamentos de Deus, então eu concordo com eles. Mas os muçulmanos e os cristãos diferem radicalmente sobre a natureza de Deus. Os cristãos crêem que Deus é um Deus amoroso, enquanto os muçulmanos acreditam que Deus ama somente os muçulmanos. Alá não tem amor pelos incrédulos e pecadores. Então, eles podem ser mortos indiscriminadamente. Além do mais, no Islamismo, a onipotência de Deus supera tudo, inclusive sua própria natureza. Ele é então absolutamente arbitrário na sua conduta com a humanidade. Em contraste, os cristãos sustentam que a natureza santa e amorosa de Deus determina seus mandamentos.

A questão não é, então, de qual a teoria moral está correta, mas qual é o verdadeiro Deus?

 

fonte : http://www.apologia.com.br/?p=582#more-582

Supostas contradições bíblicas – II

Antes de apontares uma contradição, convém saberes o que é uma contradição

Quando tratam do assunto das contradições bíblicas apontadas, Josh McDowell e Don Stewart, experientes apologistas cristãos, escrevem:

O que é uma contradição? O princípio da não-contradição, que é a base de todo pensamento lógico, afirma que uma coisa não pode ser ao mesmo tempo “a” e “não-a”. Em outras palavras, não pode estar chovendo e não-chovendo ao mesmo tempo…

Ao encontrar possíveis contradições, é de extrema importância lembrar que duas afirmações podem diferir entre si sem serem contraditórias. Algumas pessoas não sabem distinguir entre contradição e diferença. Por exemplo, o caso do cego em Jericó. Mateus relata como dois cegos encontraram Jesus, enquanto Marcos e Lucas citam somente um. Contudo, as duas afirmações não se negam, mas são complementares.

Suponha que você esteja falando com o prefeito e o chefe de polícia de sua cidade no prédio da prefeitura. Mais tarde você encontra um amigo e conta que falou com o prefeito. Depois encontra um outro amigo e lhe diz que falou com ambos, o prefeito e o chefe de polícia. Seus amigos ao compararem as informações, encontrarão uma aparente contradição. Mas não há nenhuma contradição. Se você tivesse contado ao primeiro amigo que você falou somente com o prefeito, você estaria contradizendo a afirmação que fez ao segundo. As afirmações que você realmente fez para o primeiro e segundo amigos são diferentes, mas não contraditórias.

Do mesmo modo, muitas afirmações bíblicas são deste tipo. Muitas pessoas pensam que encontram erros em passagens que não leram corretamente.” (McDowell, J. e Stewart, D. (1997), Respostas Àquelas Perguntas -O que os céticos perguntam sobre a fé cristã, Editora Candeia, primeira edição, pág. 228)

O Deus do Levítico

 

Crente que navegue pelos mais variados blogues anti-Deus tem de esperar encontrar, em todos eles, uma referência ao Levítico. Arrisco dizer que o Levítico é o livro preferido dos ateus para dizerem que Deus não é amor, mas sim homofóbico, psicótico, cruel, egoísta, repugnante, etc. Quando li o 1º capítulo do The God Delusion de Richard Dawkins, confesso que me doeu um pouco o coração, ao ler os adjectivos todos que ele atribui a Deus. Não estava habituado a formas tão desesperadas de mostrar que Deus não existe. Ele e outros acham-se com razão de fazer essas afirmações pois, afinal, um Deus que ordene, na sua lei, que os homossexuais devem morrer tem de ser repugnante mesmo.

No entanto, estas declarações são feitas por indivíduos que apenas lêem a Bíblia de modo superficial. Não reflectem nela! Apenas procuram “contradições” e “erros” que estejam ali à superfície, para depois poderem escrever um livro mostrando como o Deus da Bíblia não é um Deus de amor.

No post “Mais um contributo da Igreja Católica para um mundo melhor” do blogue O Número Primo (adoptei aquela política de não linkar sítios que não se relacionem com a minha lógica – interessados favor procurar no google), o Rui Passos Rocha deixa o seguinte comentário:
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“Não se deite com um homem como se deita com uma mulher. É repugnante” – cap. 18
Por “ser repugnante”, “terão de ser executados” – cap. 20
“Se um homem se deitar com a mulher e a mãe dela, comete perversidade. Tanto ele como elas [onde se inclui a mulher] serão queimados com fogo, para que não haja perversidade entre vocês” – cap. 20
“Se um homem se deitar com uma mulher durante a menstruação dela e com ela se envolver sexualmente, ambos serão eliminados do meio do seu povo, pois exposeram o sangramento dela” – cap. 20
“Os homens ou mulheres que, entre vocês, forem médiuns ou consultarem os espíritos, terão que ser executados. Serão apedrejados, pois merecem a morte” – cap. 20

In Levítico
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O Rui acha incompreensível Deus mandar matar os homossexuais, os adúlteros, os sexualmente depravados e os espíritas. E porque é que o Rui e todos os outros que pensam como ele estão errados? Porque é que eles falham completamente a questão? Leiam as restantes partes!

Utilizo o nome do Rui mas isto serve para todos os que pensam como ele. Portanto, podes substituir o nome do Rui pelo teu!
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Se o Rui acha que são leis completamente incompreensível e ridículas…

Com que base, em que contexto o Rui julga Deus? A hipótese da Evolução fez com que o Rui vivesse no século XXI… separado dos tempos do Levítico por 60 séculos (de acordo com a cronologia bíblica). O Rui está a julgar Deus com as suas ideias domesticadas pelo século XXI, tendo por base a concepção de lei vigente nos dias actuais. Como é que se pode opinar sobre algo que foi escrito num contexto histórico-social completamente diferente dos nossos dias?

Em Deuteronómio 23:13 encontramos uma lei de higiene que faz rir qualquer um (a mim, pelo menos, fez-me rir quando a li pela primeira vez): “Entre os teus utensílios terás uma pá, e quando te assentares lá fora [fora do arraial], então com ela cavarás e, virando-te cobrirás o teu excremento“. Mas o que é isto? Deus a dizer a pessoas adultas que não se pode fazer bosta (literalmente) em qualquer lado e que é necessário cobri-la? Não é demasiado óbvio? Até o meu primo de 7 anos sabe que existem lugares próprios para fazer este tipo de coisas. Mas o meu primo de 7 anos vive num tempo completamente diferente, em condições diferentes daquelas pessoas do Levítico. Ele é ensinado, desde pequeno, que se faz chichi no pote em forma de carro do Noddy.

A numerosa população de judeus que saiu do Egipto sob o comando de Moisés estava ainda a aprender a viver em sociedade pois, ao contrário do que prega a Evolução, o Homem não existe há uns poucos milhões de anos! “Mas ó Sabino… os egípcios já viviam em sociedade e sabiam onde defecar!“. Mas os israelitas não estavam a viver em casas ou em grutas ou em cavernas. Eles estavam a viver no deserto! Nos tempos bíblicos, nunca uma população tão numerosa tinha vivido nestas condições. Não é de estranhar que a construção das pirâmides do Egipto ainda hoje continue a ser uma incógnita (há quem acredite que extra-terrestres as construíram – gente com formação académica). Como é possível construções tão majestosas surgirem em tempos tão remotos? Só muita gente mesmo poderia contribuir para a sua construção.

Se o nosso cérebro é um produto de milhões de anos, o resultado de processos impessoais e sem nenhum sentido, então porque é que “isto” que te parece errado e “aquilo” que te parece correcto na minha opinião é precisamente o oposto? Ei, não tenho culpa… eu vim do mesmo processo não direccionado que tu!

Um exemplo prático… há 80 anos a questão do aborto não se colocava. Pelo menos não tão incisivamente como nestes últimos anos. Tomando o exemplo de Portugal, hoje em dia já é legal abortar. Os nossos bisnetos certamente dirão: “A sério? No teu tempo havia quem não aceitasse o aborto? Foi preciso um (dois) referendo para ser legal praticá-lo? O pessoal da tua geração era mesmo quadrado!“. Apesar de haver sempre quem discorde, há assuntos que vão ficando banais ao longo dos tempos. Num enquadramento diferente, a questão da eutanásia é outro exemplo semelhante. O que para ti hoje é usual, para pessoas do século passado podia não ser. Da mesma forma, o que para ti hoje é afronta, para pessoas de gerações seguintes poderá ser normal.

O teu problema é não te imaginares na época em que o Levítico foi escrito. O teu problema é pensares que o contexto histórico-social do tempo de Moisés deve ser considerado igual ao teu.

 

Se o Rui acha que Deus é mau por fazer uma lei onde o homossexual deve ser morto…

Deus é mau e injusto? Não! Deus é verdadeiro e justo! Se alguém vir um pai ou uma mãe a dar 3 safanões ao filho de 9 anos não diz nada. Até dá vontade de rir. Já se for Deus, o Pai do Céu, não se pode tolerar pois ele diz ser bom e misericordioso. Eu sei que dá muito trabalho aos ateus pensarem nas palavras que lêem na Bíblia em vez de se limitarem a ler com a mente focada nas possíveis contradições, mas façam um esforço… vá lá.

Se não deres educação ao teu filho, desde pequeno, muito provavelmente vais ter um filho marginal ou rebelde. Os pais castigam os filhos para o seu bem, nunca deixando, contudo, de os amar. Assim é Deus, que é considerado o Pai da Sua criação, que também castiga os Seus filhos quando há necessidade (Nota: o povo tem tendência para dizer que todos são filhos de Deus, o que não é verdade. Criação de Deus é uma coisa, filho de Deus é outra coisa – consultar João 1:12 para tirar dúvidas).

Podemos pensar as leis apresentadas pelo Rui de outro ponto de vista. Não havia medicina naquele tempo sendo que a mínima infecção era irreversível (a não ser quando o próprio Deus operava – ver, por exemplo, Números 21:8). Desta forma, em meu entender, era necessário que o povo tivesse em mente os pesados castigos que lhes poderiam advir da sua desobediência. Nunca esquecer que estas leis tinham por trás o amor de Deus pelo seu povo. Estas leis de saúde e higiene (como aquela de enterrar a bosta fora do arraial) revelam o cuidado de um Deus minucioso, preocupado com o seu povo.

E acaso podes tu dizer que Deus foi injusto? Então pensa comigo: 1) se Ele criou estas leis porque via pessoas do Seu povo a praticar estes actos, então ele foi misericordioso porque não os castigou. Criou a lei e esqueceu a desobediência anterior à mesma; 2) Se Ele criou estas leis mas ninguém cometia estes actos então ele também não foi injusto porque não castigou ninguém. E mais… ele mostrou que sabia que alguém havia de colocar em mente estas práticas. Em nenhuma situação foi injusto. “Se existir algum espírita entre vós a pena é a morte, pois só eu sou Deus” era uma regra naquele tempo tal como hoje “se fizeres pirataria podes ficar até 3 anos na prisão“. A única diferença é mesmo a autoridade – num mundo com polícia podes escapar… com Deus não tens essa possibilidade.

É de salientar ainda o parêntese recto que o Rui faz nesta oração: “Se um homem tomar a mulher e a mãe dela, comete perversidade. Tanto ele como elas [onde se inclui a mulher] serão queimados com o fogo“. Ele dá a entender que é injusto a mulher do homem que também fornicou com a mãe ser morta. Sinceramente, não percebo qual a objecção aqui. Só se o Rui entende este versículo como se ele dissesse que o homem fornica com a mãe da sua mulher sem esta última saber. Não me parece que seja isso que o versículo diz. A mim parece-me, claramente, que se refere a quando o homem fornica com as duas, tendo estas pleno conhecimento do acto.

 

Mas Deus disse “Não matarás” e depois fez leis cujo castigo implicava a morte do transgressor…

A palavra hebraica usada neste mandamento é ratsach e aparece na Bíblia sempre que alguém: comete homicídio, mata de forma premeditada ou mata por ódio ou por reacção negativa (Foi o que Moisés fez quando matou o egípcio). Claro que estas questões linguísticas só fanáticos como eu sabem. Os ateus escrevem no Google Deus mandou matar?“, lêem os sites ateístas, abrem os blogues dos cristãos e atiram-lhes com isso à cara (no meu caso eu posso dizer -> como se isso afectasse a minha fé).

Deus é senhor da Sua criação. Ele tem o direito de castigar o Homem da maneira que quiser. Isto não quer dizer que Ele está a quebrar uma lei dada por Ele mesmo, uma vez que outra regra está em causa. O “Não matarás” é tão regra como o “Não se deite com um homem como se deita com uma mulher“, apesar de a primeira regra ter surgido nos 10 Mandamentos. Em nenhum lado da Bíblia Deus diz que as leis dos 10 Mandamentos são mais importantes ou são para serem mais cumpridas do que as restantes.

Para mostrar a estupidez e fanatismo ateísta, deixem-me colocar uma questão: nos Estados Unidos da América pratica-se, em alguns estados, a pena de morte. O homem ou homens que executam o infractor estão a matar uma pessoa, seja por que método for. Tu nunca vais dizer que eles também deveriam ser castigados por estarem a matar uma pessoa. Porquê? Porque é a autoridade que está a funcionar neste caso. Ele sabia o que lhe poderia acontecer por praticar o acto que o levou à condenação. O engraçado é que nas questões do Levítico os ateus já não acham a mesma coisa. “Então Deus diz para não matar e depois dá ordens para matar?”, dizem eles, irracionalmente.

Deus dá regras às pessoas para o seu próprio benefício. Isso é o que a maioria dos cépticos esquece. Pensam que Deus está apenas a ser caprichoso. Mas quando se dignam a analisar estas regras, pensando no devido contexto da época, vêem que elas têm uma razão de ser. Todos nós temos de respeitar certas regras, concordemos ou não com elas. Se as desrespeitarmos arriscamo-nos a sofrer as consequências. Era também isso que acontecia no tempo do Levítico.

Não cabe ao subordinado julgar se a autoridade está certa ou errada. Ele pode discordar, mas isso não invalida o facto de ele ter de se sujeitar a ela. Sejam pais, professores, polícias, governadores ou juízes. É ingenuidade pensares num mundo sem autoridades superiores, e é ingenuidade ainda maior pensares num Deus sem autoridade para julgar e condenar segundo os Seus (e não os teus) critérios de justiça.

Os filhos, quando pequenos, certamente não entendem muitas das ordens ou forma de proceder dos pais. E repara que eles estão apenas a poucos anos de serem adultos e de fazerem eles mesmos as coisas que não compreendiam quando putos. Visto isto, a que distância tu te consideras de Deus para achares que podes entender os Seus desígnios e julgá-los? Com que direito dizes tu que “esta parte da Bíblia é estúpida e ultrapassada”?

Mas se estas regras te fazem assim tanta confusão deixa-me dar-te uma boa notícia. Jesus Cristo disse que veio para cumprir a lei, pelo que se quiseres ter relações sexuais com a tua namorada enquanto ela está com o período, força. Já não tens de estar sujeito às leis de Moisés (notar que há certos princípios que continuam em vigor no Novo Testamento).
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“Porque, quem conheceu a mente do Senhor, para que possa instruí-lo?” (II Coríntios 2:16a)

“Não penseis que vim destruir a lei ou os profetas; não vim destruir, mas cumprir” (Mateus 5:17)

A vida tem 3,5 bilhões de anos???…Acredite se quiser… contrariar as probabilidades e as evidências!

Sempre vou frisar isso,eu sou o que eu penso,por isso estou sendo cético,por que eu questiono,eu não concordo com a teoria da evolução,mas tem que existir razões para eu ser cético, e não simplesmente eu questionar por que eu tenho certeza que Deus existe;mas sim por que,se essa teoria diz se apoiar em evidências ela tem que nos mostrar as evidências,assim como a fé não se justifica pela sua definição mas pelas suas consequências,ela traz a existência aquilo que a ciência não pode trazer,aquilo que seres humanos não podem trazer,aquilo que nada desse plano material pode trazer a existência,mas que Deus pode trazer a existência,não para provar a existência Dele,mas para provar a nós mesmos,evidenciar que sem Ele,nós temos limites e muitas vezes esses limites nos tornam incapazes,desiludidos,perplexos,abatidos,imprestavéis aos nossos próprios olhos e que ficamos condicionados as circunstâncias da vida.
Portanto se a fé não produz resultados que nossos limites não podem produzir,a fé não tem nenhum valor por que sem ela nós produzimos muitas coisas que nos beneficiam,inclusive a ciência,enfim a fé tem a obrigação de nos trazer resultados sobrenaturais,que transcendem as capacidades naturais do nosso mundo interno e externo … como o Apóstolo Tiago nos aponta de forma racional,a fé sem obras é morta … assim podemos definir que algo morto não existe,se a fé é morta ela não produz resultados,jamais … se a fé é viva ela obrigatoriamente traz resultados e evidenciam,confirmam ,provam que nosso Deus,criador do universo é um Deus Vivo!

  

A origem da vida e o escasso tempo na coluna geológica

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Figura 1. Origin of life (Fonte: Lunar and Planetary Institute).
Os evolucionistas dependem excessivamente de longos períodos de tempo para explicar os eventos extremamente improváveis propostos em seu modelo. Essa confiança é muito bem ilustrada pela famosa citação de George Wald, ganhador do prêmio Nobel, ao referir-se a dois bilhões de anos para a origem da vida. Ele afirma:
“Com uma grande quantidade de tempo, o impossível torna-se possível, o possível, provável, e o provável, praticamente certo. Tudo o que se tem a fazer é esperar: o tempo se encarrega de realizar os milagres”.[1]
Infelizmente, para o modelo evolucionista, eras de tempo que chegam a 15 bilhões de anos, a suposta idade do Universo, simplesmente não são de nenhuma ajuda quando avaliadas a partir do conhecimento que temos a respeito da química da vida e das probabilidades matemáticas. A probabilidade de se formar uma única proteína ou uma pequena célula a partir de um evento acidental único é extremamente baixa.
No entando, se acrescentássemos muito tempo, o que permitiria muitas tentativas, a possibilidade de um processo evolutivo aparentemente aumentaria de modo drástico. Contudo, quando se trata da origem da vida, as probabilidades são tão ínfimas, e o tempo exigido tão extenso, que mal se pode perceber os efeitos dos bilhões de anos do tempo geológico. O tempo, deixado a si mesmo, não realiza os milagres que os evolucionistas esperam. Se avaliarmos com cuidado, constataremos que a evolução dispõe de muito pouco tempo em comparação com o que é realmente necessário. Como ilustração, basta considerar o longo tempo que seria necessário para formar pelo menos duas moléculas.
Quando eu estava na faculdade, uma das minhas preciosidades era o livro Human Destiny [Destino Humano], escrito pelo biofísico francês Lecomte du Noüy. Essa obra apresenta muitos questionamentos relevantes que contestam as concepções tradicionais sobre a origem da vida e apresenta alguns cálculos sobre a quantidade média de tempo que seria necessário para produzir determinada molécula de proteína. Adotando uma abordagem conservadora, ele até foi muito benevolente com os evolucionistas na maneira como trabalhou com os números.
Levando em conta uma quantidade de átomos equivalente à que existe em nosso planeta, sua estimativa é de que teriam sido necessários 10e242 bilhões de anos para produzir uma única molécula de proteína.[2] Atualmente, supõe-se que a Terra tenha menos de cinco bilhões de anos (5x10e9). Vale lembrar que cada dígito do expoente “242” em “10e242” multiplica o tempo dez vezes. Mesmo que tivéssemos à nossa disposição um tempo infinito, conseguiríamos, em média, apenas um único tipo de molécula de proteína para cada 10e242 bilhões de anos. Contudo, considerando a natureza frágil das moléculas de proteínas e a dificuldade que teriam  para se conservar por longos períodos de tempo em condições primitivas, seria praticamente impossível acumular a enorme quantidade necessária de moléculas.
Precisa-se de muita proteína para produzir a vida. Vale relembrar que o minúsculo micróbio Escherichia coli tem 4.288 diferentes tipos de moléculas de proteínas que se replicam muitas vezes, chegando a um total de 2.400.000 moléculas de proteínas em um único micróbio. Além disso, sua existência depende também de uma quantidade muitas vezes maior de outros tipos de moléculas orgânicas. Embora esse micróbio não seja o menor organismo conhecido, é o que mais conhecemos. Se para produzir a menor forma de vida de que se tem conhecimento precisamos de pelo menos centenas de diferentes tipos de moléculas de proteínas, podemos então concluir que um período infinito de tempo com tentativas para acumular frágeis moléculas de proteínas não nos parece uma solução plausível. Além do mais, vale lembrar que essas moléculas precisam estar todas juntas no mesmo lugar. Para ilustrar, se todas as partes de um carro estiverem estiverem espalhadas por toda a Terra, após bilhões de anos elevados à infinita potência, elas não se terão ajuntado no mesmo lugar para fabricar um carro.
Alguns evolucionistas ressaltam que, visto os organismos terem tantos tipos diferentes de proteínas, qualquer uma delas, entre as muitas, poderia servir como a primeira molécula de proteína, tornando, assim, desnecessário que essa primeira molécula tenha sido tão específica. Contudo, há dois problemas com essa proposta. Em primeiro lugar, ela funcionaria apenas por um curto espaço de tempo no início da vida, pois, mal iniciado o processo de organização da vida, uma molécula de proteína específica seria necessária para agir juntamente com a primeira a fim de fornecer um sistema que funcione. Em segundo lugar, as proteínas são elementos muito complexos.
A quantidade[3] total de tipos possíveis de moléculas de proteínas é 10e130, um número tão imenso que a probabilidade de se produzir uma única sequer, dentre as centenas de diferentes tipos de proteínas específicas encontradas nos mais simples micro-organismos, é uma verdadeira impossibilidade. Lembre-se de que existem apenas 10e78 de átomos em todo o Universo conhecido.
Outro estudo recente realizado pelo biólogo molecular Hubert Yockey[4], da Universidade da Califórnia, campus de Berkeley, não nos fornece resultados mais animadores do que os apresentados acima, com base em Noüy. Yockey, de certa forma, retoma a mesma discussão relacionada com a quantidade de tempo exigida para se formar uma molécula de proteína específica. Ele inclui informações e concepções matemáticas mais avançadas, mas, em vez de iniciar com os átomos, como o fez Noüy, aborda apenas o problema relacionado com o tempo exigido para se compor uma proteína a partir de aminoácidos que supostamente já estivessem presentes. Sendo assim, como é de se esperar, ele propõe um tempo mais curto, apesar de ainda ser extremamente longo.
O quadro apresentado por Noüy reflete mais o que se esperaria numa Terra primitiva. Yockey propõe que a sopa[5] original, pressuposta no modelo evolucionista, tinha as dimensões dos oceanos atuais e continham 10e44 moléculas de aminoácidos[6]. Seus cálculos indicam que nessa sopa seriam necessários, em média, 10e23 anos para se formar uma molécula de proteína específica. Considerando que a suposta idade da Terra é menor que cinco bilhões de anos (10e10 anos), essa idade se mostra 10.000 bilhões de vezes menor que o tempo necessário para se formar uma molécula de proteína específica. Supondo-se que essa proteína necessária tenha se formado por mero acaso no início desse extenso período de tempo, mesmo assim, teríamos apenas uma molécula, e, como vimos, um tipo específico de molécula se formaria apenas uma vez a cada 10e23 anos. O tempo geológico é, sem sombra de dúvidas, muito curto!
Naturalmente, fica bem evidente que os 5 bilhões de anos mencionados acima não são suficientes nem mesmo para formar a primeira proteína, muito menos para dar origem à vida na Terra. O panorama científico atual propõe que a Terra tem 4,6 bilhões de anos, e, em seus primórdios, tinha uma temperatura tão elevada que precisaria se esfriar por mais de 600 milhões de anos antes que a vida pudesse se iniciar[7]. De acordo com alguns cientistas, admite-se que a vida tenha se iniciado há 3,85 bilhões de anos[8], embora essa evidência seja controversa. Contudo, muitos cientistas estão de acordo que, com base na evidência que o isótopo de carbono fornece para a origem da vida e nos questionáveis registros fósseis encontrados, a vida originou-se na Terra pelo menos 3,5 bilhões de anos. A evidência do isótopo de carbono baseia-se no fato de que os seres vivos tendem, até certo ponto, a selecionar as formas mais leves de carbono (C-12) em maior quantidade que as formas mais pesadas (C-13 ou C-14), o que é evidente nas rochas.
Contudo, esses resultados poderiam ter sido causados pela contaminação de carbono proveniente de vida de outros locais. Sendo generosos com o modelo evolucionista, podemos afirmar que, segundo suas teorias, a primeira vida deveria ter se iniciado no decorrer de um período inferior a meio bilhão de anos, entre 4 e 3,5 bilhões de anos atrás. Esse tempo corresponde a apenas um décimo dos 5 bilhões de anos mencionados em nossos cálculos acima. No entanto, se levarmos em conta as excessivas improbabilidades consideradas, esses ajustes de somenos importância dificilmente fariam qualquer diferença. O fato é que não há tempo suficiente.
Nesses estudos relacionados com probabilidades, é sempre possível fazer outras conjecturas e sugerir novas condições na tentativa de melhorar as possibilidades; no entanto, quando temos diante de nós probabilidades efetivamente impossíveis, fica difícil não concluir que temos aí um problema concreto e que outras alternativas precisam ser consideradas.
Muitos cientistas já se deram a esse trabalho e sugeriram outros modelos que visam explicar a origem da vida na Terra[9]. Todas essas propostas se mostraram insatisfatórias pelo fato de não proverem nenhuma solução para o mesmo problema relacionado com as moléculas de proteínas, a saber, os complexos requisitos integrados e específicos. Além disso, não são simplesmente as proteínas que precisam ser consideradas; há que se levar em conta as gorduras (lipídios) e os carboidratos, os quais, diga-se de passagem, são elementos relativamente simples, se comparados com o DNA e sua complexa função de fornecer as informações essenciais para a vida.
Em relação ao problema da origem da vida, há algumas discussões recentes sobre a identificação da vida primitiva. Grandes ícones das formas mais primitivas de vida na Terra perderam seu impacto devido a discussões polêmicas sobre o assunto em muitas revistas científicas[10] e em outras fontes. O que a ciência, em dado momento, considerava como fato mostrou ser algo bem diferente. Um influente pesquisador nessa área comenta com propriedade que “para cada interpretação corresponde  uma interpretação contrária” [11]. O que ficou demonstrado é que algumas das rochas mais relevantes em que a vida teria ocorrido não representam os tipos de rochas originalmente classificados.
Os fósseis, por sua vez, muitas vezes parecem fósseis, sendo, no entanto, coisas totalmente diferentes. Esse último problema tem infestado boa parte dos estudos sobre fósseis pré-cambrianos. Alguns achados apenas são definidamente irrefutáveis; quanto aos demais, um pesquisador chega a mencionar quase 300 variedades de fósseis catalogados de natureza dúbia ou simplesmente falsos[12]. Na verdade, trata-se de um campo de estudo que não oferece muita credibilidade, não podendo ser investigado superficialmente ou aceito só pelo fato de se encontrar na literatura científica.
 
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS:
  1. WALD, G. The origin of life. Scientific American, v. 191, n. 2, p.45-53, 1954.
  2. du Noüy, L. Human destiny. Nova York, Longmans, Green, p. 33-35, 1947.
  3. MEYER, SC. The explanatory power of design: DNA and the origin of information. In: DEMBSKI, WA, editor. Mere creation: science, faith & intelligent design. Downers Grove: InterVarsity, p. 113-147, 1998.
  4. YOCKEY, HP. Information theory and molecular biology. Cambridge University Press, p. 248-255, 1992.
  5. Vide capítulo 3 do livro onde esta parte foi extraída.
  6. Trata-se de um número bem aceito. Por exemplo: EIGEN, M. Self-organization of matter and the evolution of biological macromolecules. Die Naturwissenschften, v. 58, p. 465-523, 1971.
  7. MOROWITZ, HJ. Beginnings of cellular life: metabolism recapitulates biogenesis. New Haven: Yale University Press, p. 31, 1992.
  8. (a) HAYES, JM. The earliest memories of life on earth. Nature, v. 384, p. 21-22, 1996. (b) MOJZSIS, SJ; HARRISON, TM. Vestiges of a beginning: clues to the emergent biosphere recorded in the oldest sedimentary rocks. GSA Today, v. 10, n. 4, p. 1-6, 2000.
  9. Vide capítulo 3 do livro onde esta parte foi extraída.
  10. Para alguns comentários críticos gerais e referências, ver: (a) COPLEY, J. Proof of life. New scientist, v. 177, p. 28-31, 2003. (b) KERR, RA. Reversals reveal pitfalls in spotting ancient and E.T. life. Science, v. 296, p. 1384-1385, 2002. (c) SIMPSON, S. Questioning the oldest signs of life. Scientific American, v. 288, n. 4, p. 70-77, 2003.
  11. COPLEY, p. 28-31.
  12. HOFFMANN, HJ. Proterozoic and selected Cambrian megascopic dubiofossils and pseudofossils. In: SCHOPF, WJ; KLEIN, C, editors. The Proterozoic biosphere: a multidisciplinary study. Cambridge University Press, p. 1035-1053, 1992.
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Extraído na íntegra de Ariel A. Roth em “A Ciência Descobre Deus: Evidências convincentes de que o Criador existe” (Casa Publicadora Brasileira, p. 150-154, 2010).