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Homem, fantoche de Deus? O absurdo calvinismo.

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Pode parecer absurdo, mas essa é a implicação inevitável da interpretação calvinista sobre soberania de Deus e livre arbítrio.

Primeiro vamos ao básico do livre arbítrio, que realmente não é um conceito tão simples mas basicamente seria:

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Umas das justificativas mais frágeis contra o livre arbítrio, do ponto de vista religioso, é que o mesmo tiraria a soberania de Deus e colocaria Deus nas mãos dos homens, ou seja a salvação dependeria do homem e não de Deus, eu chamo isso de falsa dicotomia, ou seja, ou é uma coisa ou outra.

Mas suponhamos que isso seja verdade; então o homem, aliás homem algum teria livre arbítrio. Isso quer dizer que o homem não tem escolha, certo?

Dessa forma, essa cosmovisão absurda, isenta o homem de qualquer culpa! Vou dar-te um exemplo:

Chimpanzés costumam matar chimpanzés bebes que não são suas crias… Assim, você acha que um chimpanzé tem consciência moral de seu ato? Deveriam os chimpanzés enquadrar os infanticidas dentro de uma lei deles, criada por eles? Ou os humanos deveriam punir, educar os chimpanzés e punir os rebeldes?

Oras, chimpanzés não são pecadores, pois não possuem consciência de bem e mal e nem possuem a escolha entre o bem o mal….

E se o homem não possui a consciência do bem e do mal, e nem pode escolher entre o bem e o mal, qual a diferença entre um chimpanzé e um humano?

Assim, fica impossível sustentar que um ser , sem poder de escolha, sem consciência do bem e do mal, deve ser enquadrado no conceito de pecador merecedor de ser punido, e pior ainda, isto ser chamado de justa punição !

Isso coloca o Deus soberano como o verdadeiro autor do mal, do pecado [veja mais sobre isso aqui] e Ele mostra uma natureza perversa, cruel, cínica, sádica, afinal é Ele que controla o ser humano, decreta que o mesmo vai pecar, esse ser não possui o poder de negar o erro, ou nem mesmo de se opor ao erro, e ainda assim é considerado culpado pelos pecados que não o cometeu livremente jamais. Não consigo encontrar uma covardia maior que essa, senão o ato covarde de negar uma ação 100% eficiente, irresistível, levando este ser supostamente pecador ao arrependimento e a salvação da própria alma.

Sim porque dentro desta cosmovisão Deus poderia salvar todos homens mas em sua soberania decidiu salvar uns poucos, usando toda sua ação irresistível (nem sei porque precisaria gastar tanta energia) e deixar uma grande massa afundada em pecados (mas lembre-se eles não tem livre arbítrio) e assim, os irá condena-los ao terror eterno.

Eu fico pensando que tipo de julgamento seria esse! Seria como condenar chimpanzés ao terror eterno!

É um absurdo como mesmo assim, pessoas com acesso aos textos sagrados, inteligentes, não se incomodam nenhum um pouco com esse tipo de interpretação absurda, de fato é tão absurda que muitos chamam isso de mistério de Deus.

Eureka!!! O sofrimento eterno de uma massa gigantesca de pessoas, que poderiam ser graciosamente salvas, por uma ação irresistível, já que o homem não passa de um fantoche, não é um absurdo, não harmoniza com amor,misericórdia infinita, justiça, equidade, bondade; ao invés disso é apenas um mistério?

É tão absurdo que Deus teria dado seu filho por pecados que ele mesmo decretou! Quantas contradições! Paradoxos!

Mas o homem ter livre arbítrio e Deus ser ao mesmo tempo soberano não é mistério né? Seria uma contradição lógica, paradoxo! Faz o favor né???

Pois essa é a deturpação atribuída ao caráter de Deus, reduzindo-o a um deus estúpido, irracional, mentiroso, manipulador, fraco, sem nenhum senso de justiça.

Com referência a esse deus eu sou ateu!

Creio num Deus que criou homens com capacidades de discernir entre o bem e mal, são confrontados em sua mente, podem não ser totalmente livres do pecado, precisam sim da luz do evangelho, para, não serem salvos, mas sim decidir pessoalmente se crerão ou não no evangelho.

Não são fantoches! Possuem responsabilidade!

 

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Arminius sobre Deus: Entendimento e Onisciência

Artigo postado pelo site Deus Amou o Mundo… Este artigo você pode acessar aqui.

 

Keith Stanglin and Thomas McCall

Arminius é um intelectualista na tradição Tomista; dessa forma, o intelecto divino, ou entendimento, é o primeiro, no sentido de que tem prioridade sobre a vontade divina, a qual por sua vez regula o poder divino. [1] Arminius define o entendimento (intellectus/inttelectio) de Deus como “a faculdade de sua vida que é prioritária em natureza e ordem, e pela qual o Deus vivo entende distintamente todas as coisas e coisas singulares, as quais, de qualquer que seja a maneira, ou tem, terão, tiveram, podem ter, ou poderiam hipoteticamente ter, uma existência de algum tipo.” [2] O intelecto é a faculdade divina pela qual Deus “distintamente entende a ordem, conexão e relação de todas as coisas e de cada uma com as outras”. [3] Deus conhece tudo o que existe, e ele conhece tudo o que poderia existir. Deus não conhece as coisas como nós as conhecemos. Deus não conhece as coisas pelas “aparências”, nem as conhece por “similaridade”. Pelo contrário, ele conhece todas as coisas por “sua própria e exclusiva essência”. [4] Arminius insiste que o modo do conhecimento divino é diferente do nosso, e, como outros atributos, não pode ser compreendido “univocamente” com as formas humanas de conhecimento. [5] Ao passo que os humanos conhecem as coisas por raciocínio “discursivo” ou por raciocínio de uma coisa para outra (“se … então”), para Arminius, “o modo pelo qual Deus compreende não é por composição e divisão, nem por argumentação gradual (discursum), mas por simples e infinita intuição, de acordo com a sucessão de ordem e não de tempo.” [6] Muller explica que Arminius, seguindo Aquino, insiste que:

O conhecimento de Deus não é nem abstrato, nem discursivo, composto ou dialético. Em outras palavras, Deus não conhece as coisas por primeiro compreender a ideia ou espécies inteligíveis de coisas individuais e então as aplica ou as encontra em algo — tampouco pela aplicação de um conhecimento de coisas previamente entendidas para outras coisas, recentemente compreendidas. Ao invés disso, Deus conhece as coisas por uma simples, infinita e imediata compreensão. [7]

Ademais, Arminius se dispõem ir além e especular sobre a ordem dos objetos do conhecimento divino: primeiro, Deus conhece a si mesmo “inteiramente e apropriadamente”, e esse conhecimento é, novamente de acordo com a doutrina da divina simplicidade, apenas seu próprio ser (esse). Segundo, Deus “conhece todas as coisas possíveis na perfeição da própria essência delas”. Aqui ele apresenta distinções adicionais: ele conhece quais coisas podem existir estritamente e unicamente por sua própria ação; ele conhece todas as coisas (tanto possíveis quanto reais) que podem existir pela ação de suas criaturas (é claro, por sua própria “conservação, movimento, assistência, concorrência e permissão”); e ele conhece o que ele pode fazer sobre as ações de suas criaturas de forma que seja consistente com sua própria natureza e com a natureza contingente dessas ações das criaturas. Terceiro, “ele conhece todos as entidades [reais], ainda de acordo com a mesma ordem de prioridade conforme aquela que foi demonstrada em seu conhecimento das coisas possíveis”. [8]

É evidente que com respeito à onisciência (considerada de forma ampla), Arminius seguiu uma linha tradicional muito forte: Deus é onisciente, e seu conhecimento cobre o passado, o presente e o futuro. Em outras palavras, Deus possui presciência (praescientia), o que Arminius julgou ser o pressuposto dominante através da Escritura (que é unicamente pre-sciencia no sentido de que o conhecimento abrange aquilo que é futuro para nós). Arminius escreveu que Deus “conhece todas as coisas possíveis, estejam elas no domínio (potentia) de Deus ou no da criatura … Deus pode apropriadamente ser dito conhecer coisas infinitas”. [9] Conforme Muller, “Concedendo esse infinito auto conhecimento idêntico a si mesmo e concedendo que Deus é a primeira causa de todas as coisas, Deus deve conhecer todas as possibilidades e toda a realidade (que é o mesmo que dizer, possibilidades atualizadas) e conhece essas categorias exaustivamente”. [10] Deus conhece toda as as verdades — incluindo todas as verdades contingentes bem como todas as verdades necessárias — e Deus as conhece exaustivamente. O conhecimento divino não impõem necessidade às coisas conhecidas. Como onisciente, Deus conhece as coisas necessárias como necessárias, e ele conhece as coisas contingentes como contingentes. “Pois visto que ele conhece o próprio evento e o seu modo, se o modo do evento é contingente, ele deve conhecê-lo como tal, e portanto o evento permanece contingente em relação ao conhecimento divino”. [11] Em suas declarações gerais sobre a onisciência divina, Arminius é completamente consistente não somente com a mais ampla tradição patrística e medieval, mas também com os reformados predecessores e contemporâneos.

Arminius também acompanha a linha principal da tradição cristã em suas simultâneas declarações de presciência e negação do determinismo. Embora a maioria dos teólogos tenha reconhecido uma tensão potencial em defender estes dois conceitos simultaneamente, muitas soluções coerentes foram propostas ao longo dos séculos. Arminius baseia-se na distinção, tão comum entre os escolásticos medievais, entre a necessidade da consequência e a necessidade da consequente. [12] A necessidade da consequência é observada por declarações tais como, “necessariamente, se Deus conhece que Tom está comendo uma maçã, então Tom está comendo uma maçã”; enquanto que a necessidade da consequente pode ser vista em declarações tais como, “se Deus sabe que Tom está comento uma maça, então, necessariamente, Tom está comendo uma maçã”. A necessidade da consequente é requerida pelo determinismo, enquanto que a necessidade da consequência é tudo o que a presciência exige. Mas a necessidade da consequente não é implicada pela necessidade da consequência; dessa forma, é possível haver presciência sem determinismo. [13] Com essa distinção, Arminius afirma a presciência mas nega o determinismo. Certeza e infalibilidade de um lado, e necessidade de outro lado, não são a mesma coisa: “‘infalivelmente’, é dito com respeito à infinita presciência divina”; mas ‘necessariamente’, é dito com respeito  ao decreto de Deus e sua divina vontade”. [14] Deus, por sua presciência, assim conhece “quem pela sua graça haveria de crer, e que por sua própria culpa haveria de permanecer na incredulidade”. [15]

A certeza de um evento é própria da presciência (praescientia) de Deus; mas a necessidade advém da onipotência e ação irresistível de Deus que, de fato, pode ser a base da presciência de algum evento. Mas não é dessa forma [ação irresistível] que Deus decidiu salvar os crentes através da graça, mas através de uma doce e gentil persuasão, concordante ou congruente com a livre escolha deles (arbitrio); nem através de uma ação ou moção onipotente, a qual eles nem desejam, nem são capazes de resistir e nem mesmo podem desejar resistir. Tampouco a condenação de algumas pessoas procede de uma inescapável necessidade imposta por Deus. [16]

Da forma que Arminius vê as coisas, liberdade e determinismo são rigorosamente incompatíveis, mas presciência, que nem é igual nem implica necessidade, de fato é consistente com genuína liberdade. [17]

Onde Arminius difere bruscamente dos seus contemporâneos reformados é em sua defesa e sustentação da doutrina do conhecimento médio. A teoria do conhecimento médio (as vezes chamada de “Molinismo” após Luis de Molina) propõe três momentos lógicos dentro do conhecimento divino, dos quais dois deles eram comuns à maioria dos relatos escolásticos. O primeiro é o conhecimentonecessário/natural de Deus. Ou conhecimento de simples inteligência. Esse é o divino “conhecimento pré-volicional de todas as verdades necessárias”. [18] Muller define isso como “o não composto, não qualificado, absoluto, indefinido ou ilimitado conhecimento divino que Deus necessariamente tem de acordo com a sua natureza e pelo qual Deus conhece perfeitamente conhece a si mesmo e a completa gama de possibilidades.” [19] É o conhecimento simples de Deus de tudo o que deve ser  — é também o conhecimento de Deus de tudo o que poderia ser. Ele logicamente precede qualquer ato da vontade divina.  O segundo momento, conhecimento livre de Deus, ou conhecimento de visão, é o conhecimento daquilo que será, e ele segue e é logicamente dependente da vontade divina. É o divino “conhecimento voluntário dos fatos reais que trazidos à existência livremente pela vontade divina operando dentro da gama de possibilidades perfeitamente conhecidas por Deus”. [20] Através do conhecimento necessário, Deus sabe todas possibilidades, o que significa dizer que ele conhece tudo o que poderia ser; e pelo seu conhecimento livre ou voluntário ele conhece tudo o que será, devido à sua vontade ativa. 

Essas duas categorias não são, relativamente, alvo de polêmica dentro do escolasticismo reformado; mas é a terceira categoria, scientia media (“conhecimento médio”) que ocasiona debate. O filósofo jesuíta Luis de Molina notoriamente posicionou a scientia media “entre” o conhecimento necessário e o conhecimento livre de Deus. Nas palavras e Willian Lane Craig, conhecimento médio é “o aspecto da onisciência divina que compõem o conhecimento de Deus, anterior a qualquer determinação da vontade divina, em que eventos contingentes ocorreriam sob qualquer arranjo hipotético de circunstâncias”. [21] O próprio Molina afirmou, com respeito ao conhecimento médio de Deus:

em virtude da mais profunda e inescrutável compreensão de cada faculdade de livre escolha, ele viu em sua própria essência o que cada uma de tais faculdades fariam com sua liberdade inata quando fossem colocadas nesta, ou naquela, ou, na verdade, em infinitos arranjos de coisas — embora de fato fossem capaz, se assim desejado, de fazer o oposto. [22]

Assim, ao passo que o conhecimento natural de Deus lhe dá ciência das verdades que são necessárias e independentes da vontade divina, e o conhecimento livre lhe confere ciência das verdades que são contingentes e dependentes da vontade divina, o conhecimento médio compreende aquelas verdades que são contingentes e independentes das decisões da vontade de Deus. [23] Conhecimento natural inclui o conhecimento de tudo aquilo que deve ser (no sentido de necessidade lógica) tanto quanto o que poderia ser (no sentido de possibilidade lógica), enquanto que o conhecimento livre é o conhecimento de Deus daquilo que será. Entre esses, entretanto, está o conhecimento médio, que é o conhecimento divino daquilo que seria. “Assim, ao passo que Deus, através do seu conhecimento natural, sabe que, digamos, Pedro, quando colocado sob certas circunstâncias, poderia negar a Cristo ou não negar a Cristo, sendo livre para fazer ambos sob circunstâncias idênticas; através de seu conhecimento médio Deus sabe o que Pedro faria se fosse colocado sob aquelas circunstâncias”. [24] A doutrina do conhecimento médio foi vista como atraente porque promete conciliar dois aspectos que são muito importantes para os teólogos cristãos inclinados à visão tradicional: a demanda biblicamente embasada de uma forte doutrina da providência e a preocupação também biblicamente embasada da responsabilidade humana genuína, bem como a liberdade implicada por tal responsabilidade. [25] Pelo fato de Deus saber precisamente como cada indivíduo responderia sob quaisquer circunstâncias, Deus então atualiza um mundo particular com um arranjo particular de indivíduos e de circunstâncias no qual eles fazem escolhas livres. [26]

Não é de todo difícil discernir a própria visão de Arminius nesse assunto. Conforme ele mesmo explica:

Ademais, os escolásticos dizem que um aspecto do conhecimento de Deus é natural e necessário, outro é livre, e outro é médio (mediam). (1) Conhecimento natural ou necessário é aquele pelo qual Deus entende a si mesmo e todas as coisas possíveis. (2) Conhecimento livre é aquele pelo qual ele conhece todos os outros seres. (3) Conhecimento médio é aquele pelo qual ele sabe que “se tal coisa acontecer, aquilo acontecerá”. O primeiro precede qualquer ato livre da vontade divina; o segundo resulta da livre ação da vontade de Deus; e o último precede de fato a livre ação da vontade divina, mas hipoteticamente a partir dessa ação vê que alguma coisa particular ocorrerá (futurum)”. [27]

Arminius não apenas possuía a segunda edição de Concordia (1595) de Molina, mas ele também explicitamente endossou a ideia do “conhecimento médio”: embora o conhecimento necessário (ou natural) de Deus seja importante, “é necessário para isso o [conhecimento] ‘médio’ para intervir nas coisas que dependem da liberdade de escolha criada”. [28]

Se o endosso de Arminius com respeito ao conhecimento médio é claro, da mesma forma é seu desacordo com seus colegas reformados neste ponto. Conforme Muller pontua, “Nós finalmente temos um ponto de diferença com o ensino reformado que se relaciona diretamente com a substância do debate posterior”. [29] E esse é um ponto importante, pois Arminius usa essa visão para suportar sua doutrina da salvação: como Molina, Arminius usa a doutrina para argumentar que “Deus tem eternamente determinado distribuir a toda a humanidade a graça necessária para salvação. Assim, a graça não é igualmente distribuída, mas é suficiente para cada indivíduo. De acordo com a sua scientia media, Deus sabe como os indivíduos aceitarão ou resistirão à assistência de sua graça e pode destiná-los ou para a glória ou para a reprovação com base em suas livres escolhas”. [30] É notória á grande importância que a explicação Molinista tem para o relato de Arminius da predestinação e salvação em sua discussão sobre o decreto divino. Os primeiros três decretos lidam com a divina intenção de fazer de Cristo aquele quem media a salvação, enquanto que o quarto decreto é baseado no conhecimento médio de Deus. [31]

Como um protestante convicto, é claro, Arminius faz importantes mudanças no discurso de Molina: ele insiste, por exemplo, que a predestinação para justificação é pela prevista por Deus, não méritos. Mas aparte dessas sérias adaptações, a visão de Arminius aproxima-se da visão de Molina e, na verdade, depende dela. [32] Arminius não viveria para ver o desenvolvimento da controvérsia adicional sobre a doutrina do conhecimento médio, mas deve estar claro que sua teologia não apenas incorpora, mas também depende muito fortemente dela. Conforme Dekker coloca, scientia media ocupa um “lugar central” na doutrina de Arminius sobre o conhecimento de Deus. [33]

Tradução: Samuel Coutinho
Fonte: Jacobs Arminius: Theologian of Grace, pp. 62-69.

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[1] Muller. God, Creation and Providence, pp. 78, 144; Witt. “Creation, Redemption and Grace” p. 287.

[2] Disp. priv. XVII.1; Disp. pub. IV.30. Cf Muller, God, Creation and Providence, p. 146.

[3] Disp. priv. XII.1.

[4] Disp. priv. XII.2. Deus conhece as coisas más somente indiretamente (por privação).

[5] Witt. “Creation, Redemption and Grace” p. 337.

[6] Disp. priv. XVII.3; Cf Disp. pub. IV.33.

[7] Muller. God, Creation and Providence, pp. 147-148.

[8] Disp. priv. XVII.4; Cf Disp. pub. IV.34. Dado o comprometimento de Arminius com a doutrina da divina simplicidade, é importante ter em mente que essas distinções, enquanto úteis, são somente conceituais  ou, no máximo, formais. Deus não conhece as coisas discursivamente porque a onisciência de Deus é “de acordo com ela [divina simplicidade], de um mais puro ato”. Ver Disp. pub. IV.39.

[9] [Deus] conhece todas as coisas possíveis, mesmo se estiverem na capacidade (potentia) de Deus ou da criatura; em capacidade ativa ou passiva; na capacidade de operação, imaginação ou enunciação: ele conhece todas as coisas que poderiam existir (existerent posita) em alguma hipotese; ele conhece coisas que não ele mesmo, que são necessárias e contingentes, boas ou más, universais e particulares, futuras, presentes e passadas, excelentes e vís: [ele conhece] coisas substanciais e acidentais de todo o tipo, ações e paixões, os modos e circusntâncias de todas as coisas; palavras externas e ações, pensamentos ocultos, deliberações, conselhos e decretos; e entidades racionais complexas ou não complexas. Todas essas coisas, sendo juntamente atribuídas ao entendimento de Deus, parecem mostrar que Deus pode merecidamente ser dito conhecer coisas infinitas (At 15:18; Hb 4:13; Mt 11:21; Sl 147:4; Is 41:22, 23; 44:7; Mt 10:30; Sl 135:1; 1 Jo 3:20; 1 Sm 16:7; 1 Rs 8:39; Sl 94:11; Is 40:28; Sl 147:5; 139; 94:9-10; 10:13-14).

[10] Muller. God, Creation and Providence, pp. 146-147.

[11] Disp. priv. XVII.7; Cf Disp. pub. IV.38.

[12] Por exemplo, Exam. Perk., em Opera, pp. 704, 708; Works 3: 374-375, 381.

[13] Embora ele não tenha feito uso da mesma terminologia, essa conclusão é consistente com Agotinho,Cidade de Deus, livro V, v.1, p. 483: “ nem temos medo de poder fazer sem vontade o que voluntariamente fazemos, porque prevê o que havemos de fazer Aquele cuja presciência se não pode enganar.” Para uma discussão contemporânea útil sobre liberdade e presciência (em uma forma consistente com a visão de Arminius), ver Alvin Plantinga, “On Ockham’s Way Out”, Faith and Philosophy 3 (1986): 235-269.

[14] Exam. Perk., em Opera, pp. 704-705; Works 3: 375. Cf. Ibid., em Opera, p. 771; Works 3: 474.

[15] Exam. Perk., em Opera, p. 750; Works 3: 443.

[16] Exam. Perk., em Opera, p. 750; Works 3: 443.

[17] Por exemplo, Exam. Perk., em Opera, p. 713, 769-771; Works 3: 388, 473-474. É evidente que Arminius rejeitou (aquilo que é chamado de) “compatibilismo”, mas a medida em que ele se afaste de seus contemporâneos reformados não é tão clara. Por um lado, John Frame conflita determinismo com calvinismo e declara que “aqueles calvinistas que colocam grande peso na antiguidade e tradição terão de conceder … que as tradições extracanônicas mais antigas não favorecem sua posição”. John Frame,The Doctrine of God: A Theology of Lordship (Phillipsburg: P & R, 2002), p. 138, n.23. Mas para uma visão completamente diferente, ver Willem J. Van Asselt, et. al., eds., Reformed Thought on Freedom: The Concept of Free Choice in Early Modern Reformed Theology, Texts and Studies in Reformation and Post-Reformation Thought (Grand Rapids, MI: Baker Academic, 2010).

[18] Thomas P Flint, Divine Providence: The Molinist Account (Ithaca, NY: Cornell University Press, 1998), p.41.

[19] Muller, Dictionary, p. 274.

[20] Muller, Dictionary, p. 274.

[21] Willian Lane Craig, “Middle Knowledge: A Calvinist-Arminian Reapprochement?” em The Grace of God and The Will of Man, ed. Clark H. Pinnock (Grand Rapids, MI: Zondervan, 1989), p. 147. A teoria do conhecimento médio tem gozado de um ressurgimento de interesse e defesa, tanto quanto o criticismo, nos dias atuais. A “objeção fundamental” é muitas vezes reconhecida ser a mais forte objeção à teoria. Ver, por exemplo, Robert M. Adams, “Middle Knowledge and the Problem of Evil”, American Philosophical Quarterly 14 (1977): 109-117; idem, “An Anti-Molinist Argument”, Philosophical Perspectives 5 (1991), pp. 343-353. Willian Hasker, God, Time and Knowledge (Ithaca, NY: Cornell University Press, 1989), pp. 29-52.; Timothy O’Connor, “The Impossibility of Middle Knowledge”, Philosophical Studies 66 (1992): 139-166; Thomas P. Flint, Divine Providence, pp.121-137; Edward R. Wierenga, The Nature of God: An Inquiry into the Divine Attributes (Ithaca, NY: Cornell University Press, 1989), pp. 116-165; Richard Otte, “A Defense of Middle Knowledge”, International Journal of Philosophy of Religion 21 (1987): 161-189; Willian Lane Craig, “Middle Knowledge, Truth-Makers, and the ‘Grounding Objection’”, Faith and Philosophy 18 (2001): 337-352.

[22] Luis de Molina, On Divine Foreknowledge (Parte V da Concórdia), trans. Alfred J. Freddoso (Ithaca, NY: Cornell University Press, 1988), IV.lii.9. p.168. Cf.a discussão em Alfred J. Freddoso, “Introduction”, em Molina, On Divine Foreknowledge, pp. 1-81; Craig, “Middle Knowledge”, pp. 147-148.

[23] Flint, Divine Providence, p. 42.

[24] Craig, “Middle Knowledge”, p. 147. Para outras breves descrições de conhecimento médio, ver Dekker, Rijker dan Midas, pp. 78-81; “Was Arminius a Molinist?” 338-341.

[25] Em adição ao (geralmente reconhecido) testemunho bíblico da providência divina, onisciência divina, e responsabilidade moral humana, o locus classicus bíblico da doutrina do conhecimento médio é 1 Sm 23.

[26] Cf. Craig, “Conhecimento Médio”, p. 152: “Enquanto é impossível, em um sentido composto, dado a presciência de Deus, para qualquer coisa acontecer diferentemente da forma que deseja, esse senso é irrelevante para contingência e liberdade. No que é relevante, em um sentido particular, nós somos como criaturas perfeitamente livres em nossas decisões e ações como se a presciência de Deus não existisse. O conhecimento médio portanto fornece não apenas a base para a presciência divina, mas também o meio para reconciliar essa presciência com a liberdade e contingência das criaturas”.

[27] Disp. pub. IV.43. Cf Disp. pub. IV.36. Disp. priv. XVII.11-12. Mesmo quando Arminius não usa o termo “scientia media”, está implicito em sua teologia e em muitas passagens. Por exemplo, ver Exam. Perk., em Opera, pp. 752-753; Works 3: 446.

[28] Disp. pub. IV.45. Disp. priv. XVIII.12.

[29] Muller. God, Creation and Providence, p. 154.

[30] Muller. God, Creation and Providence, p. 161.

[31] Dec. Sent., p. 106; Works 1: 653-654. Cf. Muller. God, Creation and Providence, pp. 162-163. Para mais sobre o decreto da predestinação, ver capítulo 3 neste volume.

[32] Muller. God, Creation and Providence, p. 163. fornece um competente resumo: “Como Driedo e Molina, Arminius assume uma determinação anterior geral para salvar a raça humana e fornecer os meios necessários para este fim — e, novamente como Molina, ele assume que Deus elege ou rejeita com base na presciência da resposta humana à graça. Portanto, o contorno básico é Molinista, visto que a presciência divina inclui conhecimento da rejeição bem com da aceitação da graça”.

[33] Dekker, Rijker dan Midas, p. 99. Cf. Muller, God, Creation and Providence, pp. 155-156; idem, “Was Arminius a Molinist?” 337-352. Mas contra Roger Olson, Arminian Theology: Myths and Realities (Downers Grove: IVP Academic, 2006), pp. 195-197; and Witt, “Creation, Redemption and Grace”, pp. 354-370. Alguns dos Remonstrantes posteriores também abraçaram a doutrina do conhecimento médio. Por exemplo, Episcópius, Institutiones Theologicae IV.ii.19, em Opera Theologica, pp. 303-304. Ver a discussão em Dennis W. Jowers, “Introduction”, em Four Views on Divine Providence, ed. Dennis W. Jowers (Grand Rapids, MI: Zondervan, 2011), p. 17.

Anulando o sofisma da predestinação, eleição incondicional, graça irresistível – “Resposta de um arminiano ao Rev. Augustus Nicodemus acerca de Romanos 9”

Texto extraído do Blog do Jean Patrik

Augustus Nicodemus como a maiorias dos calvinistas começa logo de cara com aquela hermenêutica que todos conhecemos: selecionando textos aqui, forçando outros ali, empurrando outros, sempre tendo o objetivo final de mascarar esteticamente o determinismo calvinista e concluir assim que a melhor exegese soteriológica é a deles.

Selecionei os trechos que se segue para destrinchá-los.

“A chave para entendermos Romanos 9 é a intenção de Paulo, o que ele quer mostrar? A resposta está nos versículos iniciais, 1-5. Ele está triste porque Israel rejeitou Jesus Cristo. Este fato poderia levantar a questão de que a promessa de Deus havia falhado (verso 6). Paulo evita este problema explicando que a promessa foi feita aos descendentes espirituais de Abraão e não aos seus descendentes físicos. Nem todos de Israel são filhos de Deus (verso 6-7).”

Se realmente a chave está nos versículos iniciais, então não deveria ter usado o 2.  “Que tenho grande tristeza e contínua dor no meu coração.” Paulo teria tristeza  por saber que Deus tem seus eleitos para salvação(Judeu ou não) ou ele teria tristeza por ver que os judeus rejeitaram voluntariamente o Messias? Na primeira hipótese, segue-se que Paulo prega o determinismo,  mas tem tristeza, não aceita o que prega. Muito estranho considerando que estamos falando do Apóstolo Paulo que aceitava qualquer situação por amor ao evangelho. Ele segue dizendo: “Porque eu mesmo poderia desejar ser anátema de Cristo, por amor de meus irmãos, que são meus parentes segundo a carne;”.  O motivo da  tristeza dele está claramente explicado, e de nenhuma forma é uma tristeza tendo em vista o plano de Deus e sim, por seus irmãos hebreus terem deliberadamente rejeitado o Messias e assim Deus ter concedido salvação aos gentios. De fato, o Messias, o Senhor Jesus Cristo, veio e os judeus não o reconheceram (Jo 1:11). Paulo afirmou esta mesma verdade em Romanos 10.16-21 . Em virtude da rejeição de Jesus como Messias, pensa-se que os judeus foram rejeitados, ou seja, perderam a oportunidade de serem salvos. Se esta for uma concepção correta, o que dizer das promessas de caráter eterno de que eles são povo e nação exclusiva de Deus? O contexto imediato que se segue é a demonstração que Deus não é infiel, ele é justo e cumpre suas promessas mesmo Israel o rejeitando. “Eles foram escolhidos enquanto indivíduos, embora, certamente, esta escolha venha a ter algum reflexo em seus descendentes (versos 8-13). O ponto de Paulo é que somente os escolhidos de entre a nação de Israel é que creram (e crerão) em Cristo. São indivíduos escolhidos de entre uma nação, para a salvação. Desta forma, Paulo mostra que as promessas de Deus a Israel não falharam, pois dentre a nação Deus sempre escolheu soberanamente, e não por obras, aqueles israelitas individuais que viriam a crer em Jesus Cristo, como o próprio Paulo.” (e item I)Aqui Nicodemus não leva em consideração entre tatas outas passagens a de João 1:12: “Mas, a todos quantos o receberam, deu-lhes o poder de serem feitos filhos de Deus; a saber: aos que crêem no seu nome.” Certamente a escolha de cada um não foi predestinada, eles tiveram que receber o Messias, tiveram que crer, enquanto a maioria não quiseram aceitar e inclusive,  perseguiram Jesus, assim como perseguiram outros profetas. Isso fica bem claro em Lucas 13:34: “Jerusalém, Jerusalém, que matas os profetas, e apedrejas os que te são enviados! Quantas vezes quis eu ajuntar os teus filhos, como a galinha os seus pintos debaixo das asas, e não quiseste?”

“(2) A eleição de Jacó sobre Esaú (Romanos 9:10-13) pode ter implicações nacionais, mas começa com dois indivíduos. Não podemos esquecer este fato. (3) Jacó foi eleito e Esaú rejeitado antes que tivessem feito algo de bom ou ruim. O texto está falando de indivíduos que podem fazer o bem e o mal. Não fala de nações que sairiam deles e que fariam bem ou mal. O bem e o mal referido é de pessoas, indivíduos, chamados Jacó e Esaú.”

Sim, de fato começa com dois indivíduos, mas não tem relação nenhuma com eleição deles para salvação. É incluído no contexto um outro caso, o de Isamel, e em cada um,  Paulo demonstra a escolha de Deus para garantir a sua promessa de redenção, tendo uma nação separada para o nascimento do Messias. Não dá para dizer que Esaú ou Ismael foram predestinados para não serem salvos. Longe disso, o Anjo abençoa Hagar e Isael no deserto de Padã-Arã e Isaque abençoa igualmente a Esaú(ainda que com uma benção inferior a de Jacó). A forte expressão “odiei a Esaú” no versículo 13 deve ser vista como um típico exempo de hipérbole oriental, que expressa as coisas em termos de extremos. Além disso, na língua hebraica “amar” geralmente significa “favorecer”, e “odiar” pode significar “favorecer ou amar menos”. Observe, por exemplo, que em Gênesis 29.21, 33, a RSV traduz a palavra hebraica odiar literalmente, enquanto a NIV traduz a palavra como “não amada”. Essa versão reconhece, à luz de Gênesis 29.30, que Jacó amava Lia menos do que Raquel; ele não a “odiava”.  A  palavra hebraica para odiada é traduzida “não amada” na NIV e “desprezada” na RSV. Portanto, é sensato dizer que com tudo isso, a rejeição de Esaú por parte de Deus não significa necessariamente que este foi predestinado para não ter salvação. Ele foi rejeitado simplesmente para Jacó e seus descendentes serem  favorecido no plano de redenção. Ainda em relação às palavras “odeie a Esaú”, certamente que devem serem entendidas como ódio ao pecado que os descendentes dele cometeram, ou seja, Edom. A única coisa que faz com que Deus odei alguém é o pecado. Nicodemus parece não considerar outros versículos do capítulo,  p. ex,   12, que diz que o “maior servirá ao menor”. Isso nunca aconteceu com Esaú em relação a Jacó, mas com os povos descendentes deles.”(4) Rom. 9:15 enfatiza a soberania de Deus na escolha de indivíduos. “Terei misericórdia de quem eu tiver misericórdia.” O pronome “quem” é um singular masculino. Se Paulo estivesse falando de nações, poderia ter usado um pronome plural.

(5) Rom 9:16 está claramente lidando com pessoas: “Assim, pois, não depende de quem quer ou de quem corre”. “Quem quer” θέλοντος e “quem corre” τρέχοντος são dois singulares masculinos. É difícil ver implicações nacionais em tudo aqui. É sobre o desejo e esforço individual.”

Paulo mostra aqui que a aparente injustiça de Deus nas escolhas apenas indica que a  misericórdia e compaixão de Deus são absolutamente livres e estão ao seu soberano dispor. Ninguém pode obtê-las em troca de alguma coisa; ninguém as merece. Nem os judeus que aceitaram , nem os judeus que rejeitaram e nem os gentios. “Compadecer-me-ei de quem me compadecer” significa “Eu não exigirei obras,” v. 11, pois então nenhuma misericórdia jamais seria demonstrada, pois ninguém é capaz de prover as obras necessárias para a salvação. Em outras palavras, a eleição de Deus deriva de sua misericórdia e compaixão. Isso nos leva a crer que a vontade de Deus é “livre, porém não arbitrária”. Portanto, no versículo 16 é expresso que não depende de quem quer, ou de quem corre, mas de Deus usar sua misericórdia. Isso coaduna com o versículo 11 onde diz que não é por obras, mas por aquele que chama. A extensão da misericórdia  é total e emana unicamente de Deus.  Tudo que é listado nos v. 4, 5 era pura misericórdia aos israelitas; tudo que os cristãos, judeus e gentios, agora têm é a mesma pura misericórdia. É interessante que Paulo emprega um passagem de Êx 33.19 que é uma  resposta a um pedido de Moisés de um alto privilégio(“Rogo-te que me mostres a tua glória!”). Deus concede, não porque ele o merece, mas de graça, porque ele “terá misericórdia de quem ele tiver misericórdia, e se compadecerá de quem ele se compadecer.” A passagem, conforme empregada por Paulo, afirma que Deus favorece nações de acordo com sua vontade, mas o apóstolo usa  explicitamente a pessoa de Moisés  como exemplo, o que justifica o pronome “quem” que Paulo usa. “

(6) Rom 9:18 fala do endurecimento de Faraó, um indivíduo. Não está tratando do endurecimento do Egito, mas da pessoa de seu rei, Faraó. Após falar do endurecimento, Paulo resume o que ele está tentando dizer usando pronomes singulares masculinos: “Logo, tem ele misericórdia de quem quer e também endurece a quem lhe apraz”. Se Paulo estava falando de eleição e endurecimento de nações, ao terminar o exemplo pessoal e individual de Faraó ele deveria ter dito que ele endurece e tem misericórdia das nações que quer.”

Paulo nesses versículos usa Faraó como paradigma para Israel. Sempre questionei o porquê de usarem Faraó para defender que Deus queria mostrar seu poder e para isso precisaria necessarimente usar Faraó. Não haveria necessidades de tantas tentativas de alerta por parte de Moisés e Arão. Outra, chega ser óbvio que um imperador egipcio cercado de todo paganismo já era endurecido no sentido de não querer libertar Israel por natureza. Por outro lado, a presença de Israel e o testemunho do que José tinha feito no passado e mais as primeiras demonstrações do poder de Deus através de Moisés foram  suficente para que antes de ser endurecido ele tivesse oportunidades de se arrepender. Transcrevo aqui as palavras de Godet:  “O que não deve ser esquecido, e o que aparece claramente, de toda a narrativa em Êxodo, é que o endurecimento de Faraó, foi inicialmente um ato seu. Cinco vezes é dito dele que ele mesmo endureceu, ou tornou pesado seu coração (Êx 7.13; 7.22; 8.15; 8.32; 9.7), antes da vez quando é finalmente dito que Deus o endureceu (Êx 9.12), e mesmo depois disso é dito que ele endureceu a si mesmo (Êx 9.34). Assim ele inicialmente fechou seu próprio coração aos apelos de Deus; ficou mais firme pela resistência obstinada sob os julgamentos de Deus, até que finalmente Deus, como punição por sua rejeição obstinada do direito, entregou-o à sua louca insensatez e afastou seu julgamento.”. Como arminiano acredito piamente em endurecimento divino, certamente que sim, porém isso não significa que Deus os “endurecidos” são predestinados a condenação, o próprio termo endurecer denota uma ação iniciada em alguém antes não endurecido e não signifca que uma vez endurecido, endurecido para sempre. Mas forçar o exemplo de Faraó é a máxima da doutrina calvinista.”

(7) A objeção em Rom. 9:14, “Que diremos, pois? Há injustiça da parte de Deus?” – faz pouco sentido se Paulo estivesse falando sobre a eleição corporativa ou nacional. A acusação de injustiça poderia facilmente ser respondida se Paulo estivesse dizendo que a eleição de Deus é apenas em relação às nações e não tem a intenção salvadora. (8) Da mesma forma, a objeção em Rom. 9:19 fica totalmente sem sentido se Paulo não estiver falando de eleição individual. “Algum de vocês vai me dizer: “Se é assim, como é que Deus pode encontrar culpa nas pessoas? Quem pode ir contra a vontade de Deus?” (NTLH). A questão que o opositor de Paulo está levantando é que Deus parece injusto com indivíduos, ao endurecer alguns e ter misericórdias de outro como lhe apraz, e não com nações.”

Mais uma vez ele força o texto para dizer aquilo que ele quer. A questão não é apenas do opositor,  é também de Paulo, desde o início do capítulo, Paulo também está triste. O endurecimento não é a causa da aparante injustiça de Deus e consequente tristeza de Paulo sim,  as tantas promessas feitas a Israel e que por conta deles terem rejeitado, essas bençãos terem passado para os gentios,  que não era o povo da promessa. Isso em primeira análise, parece ser injustiça, gentios terem parte na herença de Israel era inconcebível. Esta liberdade de Deus, em sua eleição de raças e não eleição de outras, ter escolhido Israel e depois ter acrescentado os gentios no plano de salvação não faz violência à sua justiça? Não é injusto que Deus escolha uma nação e rejeite outra? A resposta a esta questão é agora dada. Paulo mostra que as Escrituras reconhecem esta liberdade, e estas Escrituras, reverenciadas pelo objetor judeu a quem ele está escrevendo, não atribuiria injustiça a Deus.”

(10) Em Rom 9:24 Paulo diz que Deus chamou os “vasos de misericórdia”, que Ele preparou para glória “de antemão” (são os eleitos mencionados no capítulo todo) “não só dentre os judeus, mas também dentre os gentios”. É difícil ver eleição nacional aqui, pois Deus chamou estas pessoas “dentre” todas as nações, ἐξ Ἰουδαίων (de entre os judeus) e também ἐξ ἐθνῶν (de entre os gentios). Os vasos de misericórdia, que são a descendência espiritual de Abraão, em quem se cumprem as promessas, são chamados por Deus de entre na nação de Israel e de entre as nações gentílicas.”

Aqui está o pivô da interpretação calvinista,  “vasos de misericórdia X vasos de ira”. Para eles, vasos de misericórdia são os predestinados para a salvação e os vasos de ira, os predestinados para condenação. Não é isso que Paulo quer concluir com essa analogia dos vasos. Me parece que os calvinistas acrescentam a esses versículos o seguinte: Vasos de ira serão vasos de ira eternamente e vasos de misericórdia serão vasos de misericórdia para sempre. Mas o texto não diz isso, posso tranquilamente interpretar a luz de outras analogias que Paulo fazia relacionando vasos, como é o caso de 2Tm 2.21: “De sorte que, se alguém se purificar destas coisas, será vaso para honra, santificado e idôneo para uso do Senhor, e preparado para toda a boa obra”. A afirmativa de Paulo não tem um caráter imutável e estático. O próprio Paulo antes de sua conversão era certamente um vaso de desonra. Qualquer eleito antes de ter um encontro pessoa com Cristo é um vaso de desonra. Alías Paulo sequer tem por fim, falar de salvação, antes, está exaltando a soberania divina, como bem frisou Jonh Wesley: ” E quanto mais não tem Deus direito sobre suas criaturas, para designar um vaso, a saber, o crente, para honra e um outro, a saber, o incrédulo, para desonra? Se examinar o direito que Deus tem sobre nós de um modo mais geral, no que tange às suas criaturas inteligentes, Deus pode ser considerado de dois ângulos diferentes: como criador, proprietário e Senhor de tudo, ou como seu governador e juiz.” Vasos de misericórdia não são os eleitos, são judeus e gentios que aceitaram as boas novas de salvação e vasos de desonra são os que rejeitam a salvação, a desonra é exatamente isso, o que mais seria? “

(11) Em Romanos 11:1-10, quando Paulo volta a falar da eleição de israelitas individuais de entre Israel étnico, fica claro que os eleitos são pessoas de entre a nação de Israel, os sete mil que não dobraram o joelho a Baal (Rm 11.4), aos quais Paulo se refere como “a eleição da graça” (Rm 11.5). Isso nos diz duas coisas: 1) eles são sete mil indivíduos que Deus tem mantido crentes dentro da nação de Israel, e não uma nova nação. 2) Esses indivíduos são mantidos por Deus na fé no Deus verdadeiro, não se curvando diante de Baal (ou seja, eles permaneceram fiéis a Deus). Ou seja, a eleição mencionada por Paulo é de indivíduos para a salvação”

Apelar para Romanos 11: 1-10  e a passagem de Elias e os sete mil não foi uma boa ideia.

“Esses indivíduos são mantidos por Deus na fé no Deus verdadeiro, não se curvando diante de Baal (ou seja, eles permaneceram fiéis a Deus). Ou seja, a eleição mencionada por Paulo é de indivíduos para a salvação.”

Esses indivíduos são mantidos por Deus na fé no Deus verdadeiro ou são mantidos POR TEREM FÉ e não terem se desviado?

Possíveis traduções de 1 Reis 19:18

Almeida corrigida e fiel: “Também deixei ficar em Israel sete mil: todos os joelhos que não se dobraram a Baal, e toda a boca que não o beijou.”

Versão católica: “Mas reservarei em Israel sete mil homens, que não dobraram os joelhos diante de Baal, e cujos lábios não o beijaram.

NVI: “No entanto, fiz sobrar sete mil em Israel, todos aqueles cujos joelhos não se inclinaram diante de Baal e todos aqueles cujas bocas não o beijaram”

Vulgata: “Et relinquam mihi in Israel septem milia: universorum genua, quae non sunt incurvata ante Baal, et omne os, quod non osculatum est eum ”.

Onde ‘Et relinquam’ é traduzido por “Eu deixei”.

Pelo contexto que temos nos capítulos 16,17 e 18 percebe-se claramente que todos aqueles que se manteram fiel ao Deus de Israel foram perseguidos e muitos até deixaram Israel, outros se esconderam, o caso de Elias.  Todo os habitantes de Israel que haviam entrado para o caminho da adoração a Baal seriam destruídos e apenas seriam poupados aqueles que não haviam dobrado seus joelhos. Deus deixou ficar os sete mil fiéis em Israel. Ele não predestinou que eles fossem fiéis.

Como sempre, somente é possível chegar a conclusão que o Augustus Nicodemus e outros calvinistas chega, forçando o texto, o que é definitivamente típico dos calvinistas.

A conversão de Andressa Urach.

Andressa Urach, modelo famosa, conta a história de sua vida, após ser internada, ele recebeu uma segunda chance de entregar sua vida a Cristo, em obediência, segundo dizem as ESCRITURAS SAGRADAS.

 

Veja o vídeo, e se você ainda não entregou sua vida a Cristo, entregue ela IMEDIATAMENTE! O tempo é agora!

 

Jesus Apologista: Muitas Lições

Gostaria de publicar este excelente artigo do blog cristão Ler pra Crer .

 

Jesus foi um apologista?

Nos Evangelhos vemos Jesus utilizar uma variedade de métodos para comunicar as verdades espirituais. Sua vida exemplificou o próprio princípio que lemos na primeira carta de Pedro 3:15-16: “…estai sempre preparados para responder com mansidão e temor a todo aquele que vos pedir a razão da esperança que há em vós.”
Embora Jesus não tenha dito textualmente “Eu fui chamado para ser um apologista e preciso realizar minha tarefa de maneira fiel”, Ele ofereceu razões, em várias ocasiões, a respeito de por que Ele é o Messias e Deus encarnado.
Vamos ver alguns de seus métodos e tentar aprender com eles:
1. Jesus fazia perguntas
Para começar, se você ler os Evangelhos, vai ver que Jesus fez 153 perguntas. Isso é algo que precisa ser praticado por todos os cristãos. Como cristãos, tendemos a ser grandes oradores, mas ouvintes pobres. Se  lermos a literatura rabínica, veremos que fazer perguntas é uma ocorrência comum. Em todas as minhas discussões com meus amigos que são céticos, tendo a fazer esta e outras perguntas: “Se o cristianismo for verdadeiro, você se tornaria um cristão?”

Em alguns casos, fazer perguntas ajuda a focar no problema real. Depois de algumas perguntas, fica evidente que muitas pessoas realmente não têm nenhuma intenção de se entregar a Deus. No final, nenhuma evidência realmente irá convencê-las. Em um caso pelo menos, eu mesmo ouvi um cético dizer que não queria que o cristianismo fosse verdade. É verdade que a fé bíblica envolve a pessoa inteira – o intelecto, as emoções e a vontade. Então, siga os métodos de Jesus e sempre tente chegar ao “coração” da questão.

2. Jesus recorria às evidências

Jesus sabia que não poderia aparecer em cena e não oferecer qualquer evidência de Seu caráter messiânico. Em seu livro sobre Jesus, Douglas Groothuis observa que Jesus recorreu a provas para confirmar as suas afirmações. João Batista, que foi morto na prisão depois de desafiar Herodes, enviou mensageiros a Jesus com a pergunta: “És tu aquele que estava para vir, ou devemos esperar outro?” (Mt 11:3). Isto pode parecer uma pergunta estranha de um homem que os evangelhos apresentam como o precursor profético de Jesus e como aquele que havia proclamado que Jesus era o Messias. Jesus, porém, não fez questão de repreender a João. Ele não disse “Você deve ter fé; suprimir suas dúvidas”. Em vez disso, Jesus apresentou as características distintivas do seu ministério:

“Respondeu-lhes Jesus: Ide contar a João as coisas que ouvis e vedes: os cegos vêem, e os coxos andam; os leprosos são purificados, e os surdos ouvem; os mortos são ressuscitados, e aos pobres é anunciado o evangelho. E bem-aventurado é aquele que não se escandalizar de mim.” (Mateus 11:4-6; ver também Lucas 7:22)

Os ensinos e os atos de cura de Jesus se destinavam a servir como evidência positiva da sua identidade messiânica, porque cumpriam as predições messiânicas das Escrituras Hebraicas. O que Jesus disse é o seguinte:

1. Se alguém faz certos tipos de ações (os atos citados acima), então é o Messias.
2. Eu estou fazendo esses tipos de ações.
3. Portanto, eu sou o Messias.

3. Jesus apelou para Testemunho e Testemunhas

Porque Jesus era judeu, ele estava bem ciente dos princípios da Torá. O Dicionário Evangélico de Teologia de Baker (The Baker’s Evangelical Dictionary of Theology) observa  que o conceito bíblico de testemunho ou testemunha está intimamente ligado com o sentido legal convencional do Antigo Testamento de testemunho dado em um tribunal de justiça. Em ambos os Testamentos, ele aparece como o padrão primário para estabelecer e testar as alegações de verdade. Reivindicações subjetivas não certificáveis, opiniões e crenças, ao contrário, aparecem nas Escrituras como testemunho inadmissível.

Mesmo o depoimento de uma testemunha não é suficiente, já que para o testemunho ser aceitável, deve ser estabelecido por duas ou três testemunhas (Deut. 19:15). Em João 5:31-39 Jesus diz: “Se eu der testemunho de mim mesmo, o meu testemunho não é verdadeiro. Outro é quem dá testemunho de mim; e sei que o testemunho que ele dá de mim é verdadeiro.”

Jesus declara que um auto-atestado pessoal, longe de prover verificação,  não confirma,  mas, ao contrário, gera falsificação. Vemos nesta passagem que Jesus diz que o testemunho de João Batista, o testemunho do Pai, o testemunho da Palavra (a Bíblia Hebraica) e o testemunho de suas obras testemunham da Sua messianidade. (1)

4. Ontologia: Ser e Fazer – As ações de Jesus

A ontologia é definida como o ramo da filosofia que analisa o estudo do ser ou da existência. Por exemplo, quando Jesus diz: “Quem me vê a mim, vê o Pai” (João 14:9), a ontologia faz perguntas como: “Está Jesus dizendo que Ele tem a mesma substância ou essência do Pai?” A ontologia é especialmente relevante em relação à Trindade, uma vez que cristãos ortodoxos são demandados a articular como o Pai, o Filho e o Espírito Santo são todos da mesma substância ou essência. Em relação à ontologia, o falecido estudioso judeu Abraham Heschel J. disse: “a ontologia bíblica não separa o ser do fazer.” Heshel continuou: “Aquele que é, age. O Deus de Israel é um Deus que age, um Deus de feitos poderosos.”(2) Jesus sempre recorre às Suas “obras”, que atestam a sua messianidade. Vemos isso nas seguintes Escrituras:

“Mas o testemunho que eu tenho é maior do que o de João; porque as obras que o Pai me deu para realizar, as mesmas obras que faço dão testemunho de mim que o Pai me enviou.” João 5:36

“Se não faço as obras de meu Pai, não me acrediteis. Mas se as faço, embora não me creiais a mim, crede nas obras; para que entendais e saibais que o Pai está em mim e eu no Pai.” João 10:37-38

“Não crês que Eu estou no Pai e o Pai está em mim? As palavras que eu digo a você, eu não falo por minha própria iniciativa, mas o Pai, que reside em mim, realiza as suas obras miraculosas.” João 14:10

Os autores do Novo Testamento mostram que Jesus realiza as mesmas “obras” ou “atos”, como o Deus de Israel. Por exemplo, Jesus dá a vida eterna (Atos 4:12; Rom. 10:12-14), ressuscita os mortos (Lucas 7:11-17, João 5:21; 6:40), mostra a capacidade de julgar (Mateus 25:31-46, João 5:19-29, Atos 10:42, 1 Coríntios 4:4-5). Jesus também tem autoridade para perdoar pecados (Marcos 2:1-12, Lucas 24:47, Atos 5:31; Col. 3:13). Assim como o Deus de Israel, Jesus é identificado como eternamente existente (João 1:1; 8:58; 12:41; 17:5; 1 Coríntios 10:4;.. Fil. 2:6; Heb. 11:26.; 13:8; Judas 5), o objeto da fé salvadora (João 14:1, Atos 10:43; 16:31, Rom. 10:8-13) e o objeto de culto (Mt 14:33; 28.: 9,17; João 5:23; 20:28; Fil. 2:10-11, Heb. 1:6;. Apoc. 5:8-12).

5. Os Milagres de Jesus

Na Bíblia, os milagres têm um propósito diferente. Eles são usados por três razões:

1. Para glorificar a natureza de Deus (João 2:11; 11:40)
2. Para credenciar pessoas certas como os porta-vozes de Deus (Atos 2:22;. Heb. 2:3-4)
3. Para fornecer evidência para a crença em Deus (João 6:2, 14; 20:30-31). (3)

Nicodemos, membro do conselho de sentença judaica, o Sinédrio, disse a Jesus: “Rabi, sabemos que és Mestre, vindo de Deus; pois ninguém pode fazer estes sinais que tu fazes, se Deus não estiver com ele.” (João 3:1-2). Em Atos, Pedro disse à multidão que Jesus tinha sido “aprovado por Deus entre vós com milagres, prodígios e sinais, que Deus por ele fez no meio de vós, como vós mesmos bem sabeis.” (Atos 2:22).

Em Mateus 12:38-39, Jesus diz:  “Uma geração má e adúltera pede um sinal; e nenhum sinal se lhe dará, senão o do profeta Jonas; pois, como Jonas esteve três dias e três noites no ventre do grande peixe, assim estará o Filho do homem três dias e três noites no seio da terra.”

Nesta Escritura, Deus confirmou a alegação messiânica, quando Jesus disse que o sinal que iria confirmar sua messianidade seria a ressurreição.

É importante notar que nem todas as testemunhas de um milagre creem. Jesus não fez Seus milagres para entretenimento. Eles foram realizados para evocar uma resposta. Talvez Paul Moser tenha acertado naquilo que ele chama de “cardioteologia”- uma teologia que visa o coração motivacional de alguém (incluindo a própria vontade) ao invés de apenas sua mente ou suas emoções. Em outras palavras, Deus está muito interessado na transformação moral.

Vemos a frustração de Jesus quando Seus milagres não trouxeram a resposta correta de sua audiência. “E embora tivesse operado tantos sinais diante deles, não criam nele” (João 12:37). O próprio Jesus disse de alguns, “tampouco acreditarão, ainda que ressuscite alguém dentre os mortos” (Lucas 16:31). Um resultado, embora não o efeito, de milagres é a condenação do incrédulo (cf. João 12:31, 37). (4)

6. Jesus apelava à imaginação

Não é preciso ser cientista para ver que em muitas ocasiões Jesus também apelou para a imaginação. Basta ler as parábolas. Jesus sempre soube que poderia comunicar verdades espirituais dessa maneira.

7. Jesus recorreu à sua própria autoridade

Outra maneira usada por Jesus para apelar àqueles a sua volta era a sua própria autoridade. Os rabinos poderia falar em tomar sobre si o jugo da Torá ou o jugo do reino; Jesus disse: “Tomai o meu jugo, e aprendei de mim.” (Mt 11:29). Além disso, os rabinos poderiam dizer que se dois ou três homens se sentassem juntos, com as palavras da Torá entre eles, o Shekhiná (a própria presença de Deus) iria se debruçar sobre eles. Mas Jesus disse: “Onde dois ou três estiverem reunidos em meu nome, Eu estarei no meio deles” (Mt 18:20). Os rabinos poderiam falar sobre serem perseguidos por amor de Deus, ou por amor do seu nome, ou por causa da Torá; Jesus falou sobre ser perseguido e até mesmo perder a vida por causa dEle. Lembre-se: os profetas poderiam pedir às pessoas para se voltarem para Deus, para virem a Deus a fim de descansar e receber ajuda. Jesus falou com uma nova autoridade profética, afirmando: “Vinde a mim todos vós que estais cansados e sobrecarregados, e eu vos aliviarei” (Mt 11:28). (5)

8. Jesus apelou para a autoridade da Bíblia hebraica

Jesus foi educado na Bíblia hebraica. Não pode ser mais evidente que Ele tinha uma visão muito elevada das Escrituras. Vemos o seguinte:

1. Jesus via-se como sendo revelado na Torá, nos Profetas e nos Salmos (Lc 24:44) (João 5:39).
2. Jesus ensinou que as Escrituras eram autoritárias: Jesus cita passagens da Torá na tentação no deserto (Mat. 4:1-11).
3. Jesus falou sobre como a Escritura (a Bíblia hebraica) é imperecível no Sermão da Montanha (Mateus 5:2-48).
4. Jesus também discutiu como a Escritura é infalível: (João 10:35)

Assim, podemos perguntar: Qual é a sua visão da Bíblia? Você a lê?

A conclusão, portanto, é a de que ao vermos alguns dos métodos apologéticos de Jesus, talvez possamos concordar com Douglas Groothuis quando afirma:

Nossa amostragem do raciocínio de Jesus, no entanto, questiona seriamente a acusação de que Jesus elogiava a fé acrítica em detrimento de argumentos racionais e de que não se importava com consistência lógica. Pelo contrário, Jesus nunca desconsiderou o funcionamento próprio e rigoroso de nossas mentes dadas por Deus. O seu ensino recorreu à pessoa inteira: à imaginação (parábolas), à vontade e à capacidade de raciocínio. Com toda sua honestidade em informar as excentricidades dos discípulos, os escritores dos Evangelhos nunca narraram uma situação em que Jesus foi intelectualmente contido ou superado em um argumento, nem Jesus jamais encorajou uma fé irracional ou mal informada por parte dos seus discípulos.

Referências:

1. Sproul, R.C, Gerstner, J. and A. Lindsey. Classical Apologetics: A Rational Defense of the Christian Faith and a Critique of Presuppositional Apologetics. Grand Rapids, MI: Zondervan Publishing. 1984, 19.
2. Heschel., A.J. The Prophets. New York, N.Y: 1962 Reprint. Peabody MA: Hendrickson Publishers. 2003, 44.
3. Geisler, N. L., BECA, Grand Rapids, MI: Baker Book. 1999, 481.
4. Ibid.
5. Skarsaune, O., In The Shadow Of The Temple: Jewish Influences On Early Christianity. Downers Grove, ILL: Intervarsity Press. 2002, 331.

Fonte: Traduzido e adaptado de Ratio Christi – Eric Chabot (chab123.wordpress.com)