Em Defesa do Design Inteligente

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Tom Bethell sobre Mente, Matéria e Auto-Derrota Darwinista.

By Evolution News – David Klinghoffer

[Obs: Texto adaptado – Links em inglês – Imagem do EnV.]

 

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           “Tom Bethell… [é] um de nossos ensaístas mais brilhantes.”

 

 

 

 

Sobre o The Stream, Tom Bethell, autor de Darwin’s House of Cards, esclarece por que os darwinistas não falam tanto sobre uma inferência direta de seu próprio compromisso com o materialismo.

Se a mente é apenas uma configuração especial de células cerebrais, então a mente não é nada, apenas matéria. Como os neurônios podem “decidir” fazer uma coisa em vez de outra? As células nervosas não podem tomar decisões. Assim, o materialismo repudia o livre-arbítrio.

O materialista consistente vê isso, nega o livre arbítrio e descarta a consciência como uma ilusão. “Nosso senso de eu é uma ilusão neuronal“, disse Jerry Coyne, um materialista totalmente pago e autor de “Por Que A Evolução É Verdadeira”. O biólogo molecular Francis Crick disse a mesma coisa. “Suas alegrias e suas dores, suas memórias e ambições, seu senso de identidade pessoal e livre arbítrio não são mais do que o comportamento de uma vasta assembléia de células nervosas e suas moléculas associadas“, escreveu ele. Ou como ele colocou de forma mais sucinta: “Você não é nada além de um pacote de neurônios.

Até que ponto os materialistas acreditam nisso? Observe que muitos deles ficam indignados com os intelectuais públicos que rejeitam o materialismo darwinista. Mas por que a indignação se crenças, ambições e vontades são “nada além de um pacote de neurônios.” Nessa visão, a pessoa céptica do darwinismo não pode se ajudar, então por que ficar indignado com o pobre companheiro?

Os materialistas podem admitir que sua indignação é irracional, um subproduto da evolução – o mecanismo enlouquecido de luta-ou-fuga. Mas essa explicação abre uma lata de vermes. Se a mente é um subproduto de um processo evolutivo que talvez nos sobrecarregou com várias irracionalidades, por que confiar na razão humana? Por que confiar nela para nos levar à verdade sobre as origens biológicas?

Em minhas décadas como jornalista cobrindo a evolução e entrevistando alguns dos principais pensadores evolucionistas do mundo, descobri que os materialistas não têm boas respostas para essa pergunta, ou para muitos dos desafios evidenciais que persistiram e cresceram desde o tempo de Darwin.

Para mim, a conclusão é inescapável: o darwinismo moderno está construído sobre um fundamento de areia – uma edifício de cartas, ameaçado até mesmo pelo furor ultrajado e ofegante de seus defensores.

Em suma, não há sentido em colocar fé num tipo de raciocínio feito por um cérebro que é um produto de processos darwinianos.

Além disso, como observa Bethell no livro, qualquer pessoa com algum senso comum e auto-conhecimento deve perceber que negar o livre-arbítrio é um disparate. Nossa vontade, a liberdade de fazer boas ou más escolhas, é algo que experimentamos a cada momento de vigília. A afirmação do materialismo, que é o fundamento da teoria darwiniana, corre em direção ao que sabemos sobre nossa própria vida interior. É auto-destrutiva. Assim, os defensores da evolução escondem naturalmente tudo isso, sendo contudo, incapazes de negar isso.

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Filósofo ateu acha que “nunca temos acesso direto aos nossos pensamentos”

By Evolution News 

[Obs: Texto adaptado – Links em inglês – A imagem é do EnV]

 

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Em um post intitulado “Por fim: um pensador racional em “The Stone”, o biólogo ateu e negador do livre-arbítrio,  Jerry Coyne, cita o companheiro ateu Alex Rosenberg, professor de filosofia na Universidade Duke .

Rosenberg:

Nós nunca temos acesso direto aos nossos pensamentos. Como Peter Carruthers já havia argumentado primeiramente, a auto-consciência é apenas a leitura da mente voltada para dentro … Não há nenhum ponto de vista em primeira pessoa.

Nosso acesso aos nossos próprios pensamentos é tão indireto e falível como o nosso acesso aos pensamentos de outras pessoas. Nós não temos acesso privilegiado às nossas próprias mentes. Se nossos pensamentos dão o verdadeiro significado para nossas ações, nossas palavras, nossas vidas, então não podemos; nunca, estarmos certos sobre o que dizer ou fazer, ou para essa matéria, o que pensamos ou porque pensamos isso.

Nem sequer está claro o que “Nós nunca temos acesso direto aos nossos pensamentos” significa. Claro que temos acesso direto aos nossos pensamentos. Pode-se definir a experiência em primeira pessoa (ou seja, pensamento) como “aquilo que temos acesso direto.

Uma característica marcante da mente é que ela é incorrigível. Nossos pensamentos são nossos, estamos sempre certo sobre a existência dos nossos próprios pensamentos, e um observador nunca pode estar certo sobre o pensamento de outra pessoa, se o observador e a pessoa discordar. Se eu estou pensando de uma maçã vermelha, então eu estou pensando em uma maçã vermelha. Se o meu amigo diz: “Não está não. Você está pensando de um Corvette azul“, então eu estou certo e meu amigo está errado. Você não pode estar errado sobre o conteúdo bruto do que você está pensando.

Agora isso não significa que você não pode ter um pensamento equivocado (uma proposição falsa) ou que você não pode ter um mal-entendido (talvez a maçã que estou pensando é mais marrom do que o vermelha). Mas meu pensamento é o meu pensamento. Eu tenho acesso direto a ele – eu o experimento – e as outras pessoas não.

Então é claro que há um ponto de vista na primeira pessoa. Nosso ponto de vista único, é na primeira pessoa. Isso é o que “ponto de vista” significa. É a vista do “ponto” de um ser humano, que é a primeira pessoa por definição.

Agora, é claro, compreender as motivações para nossos pensamentos, e a correspondência entre nossas crenças e realidade, estão abertos ao debate.Podemos não saber exatamente por que pensamos algo e sobre algo. Mas nós sabemos – incorrigivelmente – que achamos alguma coisa e sobre alguma coisa.

Como tantas outras reivindicações materialistas bizarras sobre a mente, a afirmação de Rosenberg é auto-refutável. Se não temos acesso direto aos nossos pensamentos, por que iriamos assumir que o que Rosenberg tem escrito, tem qualquer relação com o que ele realmente pensa? Se Rosenberg não tem acesso direto aos seus próprios pensamentos, não há nenhuma maneira de saber o que ele realmente pensa. Mesmo que ele não saiba o que ele realmente pensa.

As teorias materialistas sobre a mente beiram a loucura.
Se um homem entra em um consultório médico e diz: “Eu não tenho, em tempo algum, acesso direto aos meus pensamentos e não tenho um ponto de vista na primeira pessoa“, este homem vai ser encaminhado para um psiquiatra e pode ser involuntariamente internado até que se prove que ele não é um perigo para si mesmo ou para os outros.

Se o mesmo cara entra no departamento de filosofia na Universidade de Duke, ele recebe um mandato.

 

O naturalismo metodológico comete a falácia “petição de princípio”!

Por Sociedade Origem e Destino – Johannes Janzen

Larmer considera um argumento como segue (ver original aqui):

 

 

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1. ) Se alguém é um naturalista metafísico, então deveria ser um naturalista metodológico, isto é, jamais postular entidades não físicas como a causa de um evento físico.

2. ) Não se deveria acreditar em entidades não físicas sem boa evidência.

3. ) Não há boa evidência para entidades não naturais.

4. ) Portanto, não se deveria aceitar o naturalismo metafísico, e por extensão lógica, o naturalismo metodológico.

Ele então desenvolve um diálogo entre um naturalista metafísico e seu oponente acerca da premissa 3.

 

NN [oponente]: Eu discordo que não há boa evidência para entidades não naturais.

MN [naturalista metafísico]: Tal evidência não pode existir.

NN: Por que?

MN: Porque qualquer investigação das causas de eventos físicos deve empregar o naturalismo metodológico, isto é, deve considerar que, em princípio, nunca é legítimo considerar uma causa não natural para um evento físico.

NN: Lembre-me uma vez mais para uma boa razão para pensar que o naturalismo metafísico é verdadeiro.

MN: Uma boa razão para pensar que o naturalismo metafísico é verdadeiro é que não há boa evidência para existência de entidades não naturais.

NN: Será que o naturalismo metodológico nunca permitiria postular uma entidade não natural como a causa de um evento físico?

MN: Não. Já apresentei isso de forma clara.

NN: Deixe-me ver se entendi corretamente. A sua aceitação do naturalismo metafísico é baseada no fato que não há evidência que entidades não naturais alguma vez causaram eventos físicos?

MN: Sim.

NN: E o seu endosso do naturalismo metodológico decorre de sua aceitação do naturalismo metafísico?

MN: Sim.

NN: Isso parece uma petitio principii (“petição de princípio”). Você endossa o naturalismo metafísico com base que não há evidência que entidades não naturais jamais tenham causado eventos físicos, mas adota uma metodologia que exclui a possibilidade de jamais reconhecer evidência de causas não naturais. Você está usando sua metafísica para justificar sua aceitação do naturalismo metodológico, mas sua aceitação do naturalismo metodológico serve para garantir que mesmo que existam evidência para existência de causas não físicas jamais poderão ser reconhecidas como tal.

QUAL É O MECANISMO DO DESIGN INTELIGENTE?

Por Ann Gauger – Evolution News

( **Texto adaptado, não traduzido na sua totalidade**)

Silhouette of human head with gears mechanism instead of brain

Um dos argumentos contra o design inteligente e que é repetido pelos simpatizantes de Darwin, é que a Teoria do Design Inteligente não fornece um mecanismo.

 [Jeph Simple]

Ou seja, como a informação é inserida nos seres vivos; Larry Moran, evolucionista, reivindica: Dê uma explicação detalhada.Qual é o mecanismo?

Há algo oculto por trás desse pedido de Moran, e de todos que usam esse argumento.

Moran insiste que se forneça um mecanismo. Tal insistência indica uma visão particular da ciência chamada de naturalismo metodológico, ou materialismo metodológico. Este ponto de vista da ciência, afirma que a ciência deve se limitar a causas estritamente materialistas para explicar todos os fenômenos da natureza, até mesmo coisas como a origem do universo, a origem da vida e a origem e causas da consciência humana.

Mas será que a regra funciona? A exigência de uma causa material, um mecanismo, pode levar à conclusão bizarra de que a lei da gravidade de Isaac Newton não é científica, porque ele notoriamente se recusou a fornecer uma explicação mecanicista para a ação a distância. Do mesmo modo, E = mc 2 (de Einstein) não tem nenhum mecanismo. Mas essas leis são certamente científica.

Então, que critérios os naturalistas metodológicos usam para definir a ciência?

Defensores do naturalismo metodológico invocam frequentemente uma definição ou “critérios de demarcação” que dizem que toda ciência deve ser observável, testável, falsificável, preditiva e repetível.

Mas agora, a maioria dos filósofos da ciência recusaram esses critérios, porque há muitas exceções às regras estabelecidas na prática real da ciência.

Ciências históricas como a arqueologia, geologia, ciência forense, e biologia evolutiva inferem eventos causais no passado para explicar a ocorrência de outros eventos, ou, para explicar, a evidência que nós temos deixado no presente, para trás.

A teoria do design inteligente também se qualifica como ciência histórica. Não podemos observar diretamente a causa da origem da vida ou repetir os eventos que estudamos na história da vida, mas podemos inferir qual causa é mais provável e seja portanto, responsável, como Stephen Meyer gosta de dizer, “a partir de nossa experiência repetida e uniforme .” Em nossa experiência, a única coisa capaz de causar a origem do código digital ou informações funcionais ou circularidade causal é a inteligência e sabemos que a origem da vida e a origem da vida animal, por exemplo, exigiu apenas a produção dessas coisas em sistemas vivos .

Mesmo que tais critério de delimitação do que é ciência e o que não é ciência, não são mais normativos para todas as áreas da ciência, vale a pena verificar que o design inteligente usa critérios que são relevantes para uma ciência histórica. Em resumo, embora o projetista postulado pela teoria do design inteligente não seja diretamente observável (como a maioria das entidades de causalidade postuladas por cientistas históricos não são), a teoria é testável e faz muitas previsões exigentes.

Claro, o principal desafio que Moran oferece tem a ver com um critério de demarcação diferente: a ideia de que uma teoria científica deve proporcionar um mecanismo para se qualificar como uma teoria científica.

Ele quer que detalhemos qual mecanismo a teoria do design inteligente propõe para explicar a origem da informação biológica, pensando que, se nós não oferecermos nenhum mecanismo, nossa teoria vai deixar de se qualificar como científica.

Moran assume que os cientistas não podem invocar uma mente, ou qualquer causa inteligente, como uma explicação para os fenômenos naturais, pelo menos se eles querem que suas teorias sejam consideradas científicas. Ele assume, mais uma vez, que a ciência deve se limitar a causas estritamente materialistas, a fim de explicar todos os fenômenos, até mesmo a origem da informação biológica, tais como o código digital no DNA, ou a explosão cambriana.

Sabemos que agentes inteligentes podem interagir com o universo, causando mudanças e produzindo informações funcionais.

A origem da informação funcional, invariavelmente resulta da atividade de mentes, em vez de estritamente (ou necessariamente) processos materiais. Assim uma das formas de se descartar a possibilidade de que uma mente pode ter produzido as informações presentes no DNA, por exemplo, é a de se fechar os olhos para o que sabemos sobre as causas de outros sistemas ricos em informação, tais como o código de computador ou linguagem falada.

Embora Moran não possa descartar o design inteligente, senão apenas através de uma limitação arbitrária, ainda vale a pena considerar como uma mente pode agir no mundo causando mudanças. A resposta é que não sabemos. Estou aqui sentado escrevendo. Minha mente, mediada pelo meu cérebro, está colocando palavras em um programa de computador (projetado por outras mentes, por sinal), usando os dedos para digitar. Mas como isso acontece, realmente? De onde vem um impulso ao invés de outro, para pressionar a tecla ? E como é que estas palavras, produtos de minha mente, é comunicada aos outros através de suas telas de computador?

Nós não podemos realmente dizer o quanto nossas próprias mentes trabalham para interagir com o mundo, no entanto, sabemos que elas o fazem. É nossa repetida, a experiência universal, pessoal, que nos mostra que nossa consciência interage com nossos corpos para produzir informação, mas exatamente como isso funciona não é conhecido. Então, por que devemos esperar saber como o(s) agente (s) responsável pela concepção da vida ou o universo, pode ter trabalhado?

A teoria do design inteligente não propõe um mecanismo (uma causa estritamente ou necessariamente materialista) para a origem da informação biológica. Em vez disso, propõe uma causa inteligente ou mental. Ao fazê-lo, ela faz exatamente o que queremos que uma boa teoria científica histórica faça. Ela propõe uma causa que é conhecido na nossa uniforme e experiência repetida (para usar uma expressão) que tem a capacidade de produzir o efeito em questão, que, neste caso, é a informação funcional em sistemas vivos.

Esta resposta sobre mecanismo foi dada antes, mais notavelmente no livro de Steve Meyer, Darwin’s Doubt , que Moran afirma ter lido. Em um post futuro, eu vou dar algumas passagens-chave do livro.

Imagem do Evolution News.

NEUROCIÊNCIA NÃO MATERIALISTA: EVIDÊNCIAS DE UMA CONSCIÊNCIA ALÉM DO CÉREBRO

By Everton F. Alves (Web-Book)

 

Neurociência é o estudo científico do sistema nervoso, um dos sistemas mais complexos do corpo humano. Tradicionalmente, a neurociência tem sido vista como um ramo da Biologia [1]. O termo “neurobiologia” geralmente é usado de modo alternado com o termo neurociência, embora o primeiro se refira especificamente a biologia do sistema nervoso, enquanto o último se refere à inteira ciência do sistema nervoso.

Nos últimos anos, a Neurociência tem assumido sua posição materialista, há muito já implícita. O materialismo científico tem decretado a morte da mente [2]. Aos poucos foi se substituindo o conceito de “mente” pelo de “cérebro”. Os materialistas acreditam que a mente não existe como uma entidade separada; é meramente um estado do cérebro, causada tão somente por neurônios e neuroquímica.

 

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É de se esperar que as explicações científicas acerca das maravilhas da mente humana e do cérebro encontrem respostas na teoria da evolução de Charles Darwin através dos mecanismos de seleção natural. Porém, não é bem o caso. Para Darwin, a mente foi um enorme problema por resolver. A única coisa que ele disse sobre isso invalida todas as suas hipóteses sobre a teoria evolutiva, que foi o produto (convicção) de sua mente. Em 1881, após refletir sobre o assunto, ele escreveu a William Graham:

Comigo a terrível dúvida sempre surge se as convicções da mente humana, as quais foram desenvolvidas a partir da mente de animais inferiores, são de algum valor ou de todo confiável. Qualquer um confiaria nas convicções da mente de um macaco, se houvesse alguma convicção em tal mente?[3].

Ainda assim, recentemente o biólogo neodarwinista Richard Dawkins afirmou: “É tremendamente difícil definir o que é consciência. Não existe consenso sobre isso. Mas, obviamente, a consciência evoluiu como uma propriedade emergente dos cérebros. Nós, seres humanos, temos consciência. Portanto, é certo que, em algum momento, nossos ancestrais obrigatoriamente desenvolveram consciência” [4: p.16].

O filósofo da mente John Searle já havia feito a seguinte alegação: “Sabemos que a consciência […] é causada por processos neurobiológicos bem específicos. Nós não sabemos os detalhes de como o cérebro faz isso, mas sabemos, por exemplo, que se você interferir com os processos em determinadas maneiras anestesia geral, ou um golpe na cabeça, por exemplo, o paciente fica inconsciente” [5]. Por sua vez, o neuropsicólogo Barry Beyerstein disse em uma entrevista que, “assim como os rins produzem urina, o cérebro produz a consciência[6].

No entanto, novas evidências têm contestado esse conceito clássico. Um novo campo de pesquisa tem surgido: a neurociência não materialista. Pesquisadores que a defendem dizem que “a mente existe e usa o cérebro, mas não é a mesma coisa que o cérebro” [7: p.358]. Esse campo de pesquisa tem contribuído para a compreensão de uma mente imaterial e separada do corpo, mas que ao mesmo tempo é capaz de controlá-lo através da dinâmica eletroquímica de seu cérebro, e usar as informações angariadas pelos sistemas sensoriais disponíveis.

Mas em que os neurocientistas não materialistas se baseiam para suas afirmações? Os argumentos seguem duas linhas de evidência. A primeira vem do fato de que certas manifestações de estados mentais (não físicos) podem influenciar os estados do cérebro, e a segunda, está relacionada à ausência de uma explicação materialista contemporânea satisfatória para a chamada experiência consciente.

Beauregard e O’leary, proponentes do design inteligente, afirmam que estados e conteúdos mentais comprovadamente afetam estados cerebrais [7]. De fato, em 2006, outro estudo já havia verificado que experiências subjetivas mudam a química do cérebro [8]. Os autores desse estudo demonstraram que nossa experiência subjetiva de interagir com o rosto de outras pessoas afeta uma região do córtex relacionada à percepção facial no cérebro do receptor.

Isso quer dizer que as mentes não poderiam estar totalmente instanciadas (criadas) no cérebro, nem nas relações deste com o ambiente e nem em nenhum lugar de nosso mundo físico. Mas o que vem a ser a mente? O que é a consciência? Seria a alma de um ser humano? Seria o fôlego de vida? Ou a sua fonte vital? Para os autores, as chamadas experiências religiosas, espirituais e místicas (EREM) podem realmente acontecer.

Em 2006, impulsionados por suas curiosidades sobre o que está acontecendo com o cérebro durante as EREM, Beauregard e Paquette estudaram as experiências espirituais de freiras carmelitas [9]. Para tanto, eles se utilizaram de estudo de imagem por ressonância magnética funcional (fMRI) com o objetivo de identificar os correlatos neurais durantes as EREM. Os pesquisadores descobriram uma coleção de áreas do cérebro que estavam mais ativadas durante as experiências, chegando à conclusão de que é mais provável que as freiras estivessem enfrentando diretamente realidades fora de si mesmas (além do cérebro material).

Mas além dessas, existem outras evidências de que a consciência e o Self (autoconsciência) não são meramente um processo físico do cérebro? Um estudo realizado pelo neurocirurgião Wilder Penfield estimulou eletricamente o cérebro de pacientes com epilepsia e descobriu que podia levá-los a mover seus braços ou pernas, virar suas cabeças ou olhos, falar ou engolir. Invariavelmente, o paciente iria responder, dizendo: “Eu não fiz isso. Você fez[10, 11]. O Dr. Penfield acrescenta: “o paciente pensa em si mesmo como tendo uma existência separada de seu corpo” e “não importa o quanto [se estimule] o córtex cerebral, […] não há nenhum lugar […] onde a estimulação elétrica fará com que um paciente acredite ou decida [algo] [10, 11]. Isso porque essas funções são originárias do Self, não do cérebro.

Roger Sperry e colaboradores estudaram a diferença entre os hemisférios cerebrais esquerdo e direito e descobriram também que a mente tem um poder causal independente das atividades do cérebro, o que os levou a concluir que o materialismo era falso [10, 12]. Outro estudo mostrou um atraso entre o tempo de um choque elétrico aplicado na pele, a sua chegada ao córtex cerebral e a percepção de autoconsciência da pessoa [10, 13]. Isto sugere que a experiência subjetiva é mais do que apenas uma máquina que reage aos estímulos recebidos pelo cérebro. O autor do estudo, Laurence Wood, disse que por essas e outras razões é que “Muitos cientistas do cérebro têm sido obrigados a postular a existência de uma mente imaterial, mesmo que eles não tenham uma crença em vida pós-morte”.

A neurociência tem contribuído significativamente com geração de dados neurofuncionais relativos às EREM. Andrew Newberg é considerado o pai de um novo ramo da neurociência que estuda os efeitos da espiritualidade no cérebro: a neuroteologia. Em 2009, ele publicou os resultados de uma investigação realizada ao longo de 15 anos, os quais analisaram por meio de tomografia cerebral – tomógrafo por SPECT – a atividade dos cérebros de religiosos de diversas crenças e ateus durante uma EREM (oração e meditação) [14]. Foram observados diferentes padrões de atividades neuronais entre crentes em um ser inteligente (chamando-o de Deus) e não crentes. Para Newberg, “Deus pode modificar seu cérebro, não importa se você é cristão ou judeu, mulçumano ou hinduísta, agnóstico ou ateu”; ademais, o cérebro é programado para acreditar em Deus, fato considerado fundamental para a sobrevivência da espécie humana.

Outra linha de pesquisa está associada à investigação dos fenômenos mediúnicos em que, supostamente, a consciência e a volição do médium estão atenuadas ou mesmo dissociadas. Em 2012, um estudo analisou o fluxo sanguíneo cerebral (CBF) de 10 médiuns brasileiros durante a prática de psicografia [15]. O método utilizado foi o de neuro-imageamento por meio da tomografia por emissão de fóton único. Os resultados mostraram uma diminuição na atividade nas redes atencionais durante a EREM, o que levou os cientistas a considerar mente e cérebro como coisas diferentes ao dizer que devemos: “melhorar a nossa compreensão da mente e sua relação com o cérebro” [15: p.7].

Além disso, existe uma linha de pesquisa na Neurociência não materialista relacionada às experiências de quase morte (EQM). Em 2013, um estudo norte-americano afirmou que EQM são tipos de EREM vívidas, realísticas, que frequentemente promovem mudanças profundas na vida de pessoas que estiveram fisiológica ou psicologicamente próximas da morte [16]. As EQM por vezes ocorrem durante uma parada cardíaca, na ausência de atividade cerebral detectável. Os autores da pesquisa revisaram estudos prospectivos e descobriram uma incidência média de 10% a 20% de EQM induzidas por paradas cardíacas.

Para os cientistas, pessoas que passaram por EQM, são mais propensas a mudanças de vida positivas que podem durar muitos anos após a experiência do que aquelas que não a tiveram [16]. Eles concluem que as teorias materialistas da mente não são capazes de explicar como pessoas que tiveram EQM podem vivenciar − enquanto seus corações estão parados e sua atividade cerebral aparentemente ausente – pensamentos vívidos e complexos e adquirir informações verídicas a respeito de objetos ou eventos distantes de seus corpos. Segundo essa linha de pesquisa, as EQM em paradas cardíacas sugerem que a mente não é gerada pelo cérebro e não está confinada a ele ou ao corpo.

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Por outro lado, a Neurociência não materialista pode fornecer outra explicação para essas EQM, tais como ser resultado da diminuição do fluxo sanguíneo no cérebro, o que provocaria alterações momentâneas na mente. Conforme o neurocientista norte-americano Kevin Nelson afirmou em uma entrevista: “Em casos de quase morte, os estados de consciência podem se misturar, provocando reações como paralisia e alucinações[17].

Ao mesmo passo em que o Dr. Nelson provê uma alternativa científica para as EQM, o neurocientista não descarta o papel da fé e da espiritualidade [18]. Ele acrescenta que: “Mesmo se nós soubéssemos o que faz cada molécula cerebral durante uma experiência de quase morte, ou qualquer outra experiência, o mistério da espiritualidade continuaria [17]. Nelson revela como nosso cérebro cria essas visões e diz que, apesar de tudo, ainda espera que exista vida após a morte.

A física quântica, que tem como base o hinduísmo, é outra linha de pesquisa da Neurociência não física, a qual nos diz que a realidade não é fixa – partículas subatômicas só passam a existir quando elas são observadas. Assim, em 2013, um estudo norte-americano analisou a consciência por meio de vários tipos de sistemas ópticos de dupla fenda [19]. A mecânica quântica, linha tomada como base para o estudo, sugere que exista uma consciência, e que ela pode desempenhar um papel fundamental na forma como o mundo físico se manifesta. Isso não significa que a consciência humana, literalmente, “criaria” a realidade, mas ela sugere que há mais consciência do que está implícito hoje nos livros didáticos.

Para os autores, o ato de observar um objeto cotidiano influenciaria as suas propriedades. Devido o objeto quântico ser extremamente reativo ao ato de observação, essa sensibilidade seria constatada sempre que um objeto quântico é medido, afirma os autores [19]. O ato de medir a sensibilidade de um objeto faz com que o comportamento das ondas quânticas mude o comportamento das partículas. Os autores salientam que foram realizados três experimentos: dois em que as pessoas tentaram influenciar objetos mentalmente em seu laboratório, e um envolvendo um teste semelhante realizado online. Todos os três experimentos mostraram resultados positivos consistentes com a proposta de von Neumann (pai da Física quântica) e com pesquisas anteriores.

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Em 2014, um estudo realizado por um neurocientista pró-DI explicou que o materialismo científico ainda é influente em certas esferas acadêmicas [2]. O autor examinou várias linhas de evidência empírica mostrando que o materialismo é incompleto e obsoleto. As evidências levantadas indicam que os humanos não podem ser reduzidos a impotentes máquinas biofísicas, uma vez que a psique influencia fortemente a atividade do cérebro e do corpo, e pode operar telosomaticamente. Com base nessas evidências, o autor elaborou e propôs a Teoria da Psychelementarity (ainda sem tradução).

Essa teoria sugere que a psique desempenha um papel primordial na forma como o universo funciona, o equivalente a matéria, energia e espaço-tempo [2]. Além disso, afirma que a psique não pode ser reduzida a processos físicos ou a uma posição reducionista. A teoria abrange uma série de fenômenos psicofísicos supostamente bem estudados, que são reinterpretadas à luz de uma perspectiva pós-materialista. Também inclui fenômenos anômalos que são rejeitados pelos materialistas.

Foi confrontando essa constante rejeição que, em 2014, oito cientistas internacionais de diversas áreas, incluindo o cientista psiquiátrico brasileiro Alexander Moreira-Almeida, publicaram o “Manifesto pela ciência pós-materialista”, aberto para assinaturas [20]. Trata-se de um convite direto para que a ciência não se deixe emperrar pelo dogmatismo que se formou em torno do paradigma convencionalmente chamado de “materialismo científico”. O manifesto reconhece os tremendos avanços da ciência materialista, mas admite que a dominância desta filosofia nos meios acadêmicos e universitários chegou a ponto de ser prejudicial, em especial ao estudo da consciência e da espiritualidade.

De fato, é incrível o poder que o materialismo científico tem nas academias e o seu discurso reduzido à matéria. Mas se realmente apenas a matéria existisse, então nós seríamos capazes de pegar toda a matéria do corpo humano e, a partir dela, criar vida. Como Geisler e Turek colocam: “Certamente existe na vida alguma coisa além do material. Que materialista pode explicar por que um corpo está vivo e o outro está morto? Ambos contêm os mesmos elementos químicos. Por que um corpo está vivo num minuto e morre no minuto seguinte? Que combinação de materiais pode ser responsável pela consciência?” [21: p.96].

Como o filósofo Geoffrey Madell disse: “O surgimento da consciência, então, é um mistério, e ao qual o materialismo falha em fornecer uma resposta” [22: p.141]. Assim, as evidências indicam que a mente é o agente mais eficaz de mudança para o cérebro. É certo que existem várias linhas de pesquisa, e estudos produzidos a partir delas, acerca da ciência do cérebro imaterial na literatura disponível. Entretanto, neste capítulo, procuramos apresentar apenas algumas dessas linhas.

Todavia vale ressaltar que, embora a neurociência não materialista ainda não consiga responder a todas as perguntas relacionadas ao efeito placebo ou aos problemas psicológicos incapacitantes graves, tais como as fobias e transtorno obsessivo-compulsivo, ela libera o cientista a estudar a questão em apreço, abrindo portas para novas investigações sobre como a mente funciona e para o futuro da pesquisa em Neurociência.

Quer saber mais? Acesse o eBook e venha conhecer a assinatura de um projeto intencional nas estruturas biológicas complexas presentes na natureza e nos seres vivos.

 

REFERÊNCIAS

[1] Hoppen NHF. A neurociências no Brasil de 2006 a 2013, indexada na Web of Science: produção científica, colaboração e impacto. Dissertação (Comunicação e Informação). Porto Alegre: UFRGS, 2014.

[2] Beauregard M. The Primordial Psyche. Journal of Consciousness Studies 2014; 21(7–8):132–57.

[3] Charles Darwin to William Graham, Darwin Correspondence Project, Letter No. 13230, dated July 3rd, 1881. Disponível em: http://www.darwinproject.ac.uk/entry-13230

[4] Entrevista concedida por Richard Dawkins. Maravilhe-se com o universo. [27 Mai. 2015]. Entrevistador: André Petry. Revista Veja, edição 2427, ano 48, n. 21, 2015.

[5] Réplica de John Searle ao artigo de David J. Chalmers: “’Consciousness and the Philosophers’: An Exchange”. [Mai. 1997]. The New York Review of Books, 1997. Disponível em:  http://www.nybooks.com/…/consciousness-and-the-philosopher…/

[6] Entrevista concedida por Barry Beyerstein. Do Brains make minds? Série: Closer to Truth. Entrevistador e escritor do programa: Dr. Robert Lawrence Kuhn. Produzido pela Fundação Kuhn e Getzels Gordon Productions, 2000. Disponível em:
http://www.closertotruth.com/roundtabl…/do-brains-make-minds

[7] Beauregard M, O’Leary D. The Spiritual Brain: A Neuroscientist’s Case for the Existence of the Soul. New York: HarperCollins, 2007.

[8] Kanwisher N, Yovel G. The fusiform face area: a cortical region specialized for the perception of faces. Philos Trans R Soc Lond B Biol Sci. 2006; 361(1476): 2109–2128.

[9] Beauregard M, Paquette V. Neural correlates of a mystical experience in Carmelite nuns. Neurosci Lett. 2006; 405(3):186-90.

[10] Strobel L. The Case for a Creator: A Journalist Investigates Scientific Evidence That Points Toward God. Grand Rapids, Michigan: Zondervan, 2009. Disponível em:  http://verticallivingministries.com/…/do-we-have-souls-lee…/

[11] Penfield W. Mystery of the Mind: A Critical Study of Consciousness and the Human Brain. New Jersey: Princeton University Press, 2015.

[12] Sperry R. Changed Concepts of Brain and Consciousness: Some Value Implications. Journal of religion & Science 1985; 20(1):41-57.

[13] Wood LW. Recent Brain Research and the Mind-Body Dilemma. The Asbury Theological Journal 1986; 41(1):37-78.

[14] Newberg A, Waldman MR. Como Deus Pode Mudar Sua Mente: Um Diálogo entre Fé e Neurociência. Tradutor: Júlio de Andrade Filho. Rio de Janeiro: Editora Prumo, 2009.

[15] Peres JF, Moreira-Almeida A, Caixeta L, Leao F, Newberg A. Neuroimaging during Trance State: A Contribution to the Study of Dissociation. PLoS One. 2012; 7(11): e49360.

[16] Trent-Von Haesler N, Beauregard M. Near-death experiences in cardiac arrest: implications for the concept of non-local mind. Arch. Clin. Psychiatry 2013; 40(5):197-202.

[17] Entrevista concedida por Kevin Nelson. A neurociência da espiritualidade. [Jan. 2011]. Entrevistadora: Natalia Cuminale. Seção: Corpo e mente. VEJA.com – Ciência, 2011. Disponível em: http://veja.abril.com.br/…/cie…/a-ciencia-da-espiritualidade

[18] Nelson K. The Spiritual Doorway in the Brain – a Neurologist’s Search for the God Experience. New York, NY: Dutton, 2011.

[19] Radin D, Michel L, Johnston J, Delorme A. Psychophysical interactions with a double-slit interference pattern. Physics Essays 2013; 26(4): 553-66.

[20] Beauregard M, Schwartz GE, Miller L, Dossey L, Moreira-Almeida A, Schlitz M, Sheldrake R, Tart C. Manifesto for a Post-Materialist Science. Explore (NY). 2014; 10(5):272-4.
[21] Geisler NL, Turek F. Não tenho fé suficiente para ser ateu. São Paulo: Editora Vida, 2006.

 

[22] Madell GC. Mind and Materialism. Edinburgh: Edinburgh University Press, 1988.

 

O Absurdo do materialismo filosófico

“Se o materialismo filosófico é verdadeiro; o cérebro nunca poderia ser consciente dele mesmo, por que ele não poderia interagir com ele mesmo fisicamente”

Mono_pensador