Darwin: a vida de um ex-macaco


 
Na fase mais recente da História da humanidade, a ciência, que deveria ser uma das mais belas expressões do espírito, acabou sendo transformada num instrumento a serviço dos mais baixos níveis de fetichismo materialista, havendo chegado ao extremo de negar a própria existência do espírito humano. Compete agora ao homem do terceiro milênio detectar e combater as causas de tamanha decadência.

Uma dessas causas foi sem dúvida o pensamento de Charles Darwin (1809-1892), mentor de uma teoria sobre a origem e a evolução das espécies que acabou se tornando um dogma quase absoluto entre leigos e especialistas no assunto. Em oposição a seus antecessores, Darwin apresentou argumentos inteiramente mecanicistas para explicar a origem e o processo de evolução dos seres vivos, alegando que a competição e o acaso constituem as regras que definem a sobrevivência e que o homem não passa de uma versão um pouco mais complexa que o macaco. Além disso, a teoria de Darwin, por apresentar os argumentos certeiros para validar planos de dominação e de exploração sistematizada das massas, prestou-se a alimentar toda a violência que se manifestaria depois através de ideologias como o Nazismo, o Sionismo e o Comunismo. E, como se não bastasse, agravou ainda em grande medida os conflitos entre o homem e a Natureza.

Emitidas em meados do século retrasado, as idéias de Darwin foram em suma uma das principais causas do devastador processo de materialismo que impregnou e contaminou todo o século XX e que se estendeu ao XXI, contribuindo para levar o homem a um lamentável embrutecimento intelectual e espiritual. Tão deplorável foi seu legado que, a partir do momento em que começou a produzir sua obra, nem ele próprio conseguiu escapar aos seus nefastos efeitos. Durante os cinqüenta anos que ainda lhe restaram de vida, o naturalista padeceu de uma série de distúrbios físicos em função dos quais viveu momentos de verdadeiro suplício. Além disso, sofria de grande instabilidade emocional e psíquica e vivia angustiado por uma insatisfação existencial profunda que o acompanhou até o final de seus dias.

Embora constitua um verdadeiro despropósito do ponto de vista espiritual e já tenha sido refutada até mesmo por meio de evidências científicas, a teoria darwiniana ainda hoje é ensinada e apresentada em escolas e universidades do mundo inteiro como a chave da compreensão do enigma da vida. De fato, quase unânime é a aclamação de que a mesma goza já há quase dois séculos, mas começa hoje a vir à tona o fato de que, inconsistente e falaciosa como poucas, ela é na verdade um castelo de areia que as ondas já começam a fazer ruir.

O surgimento da ciência moderna e o mistério da origem da vida


O insondável mistério da origem da vida e da exuberante diversidade de espécies que habitam a Terra estimulou a fantasia e a imaginação dos povos desde tempos remotos. Em praticamente todas as culturas, o milagre da vida foi reconhecido como o mais belo e expressivo sinal da existência de uma força superior criadora. Na sociedade ocidental, no entanto, difundiu-se desde a Idade Média, impulsionado pela Igreja Católica, um materialismo pseudo-religioso que, tendo admitido a lógica aristotélica e as alegorias da Bíblia como as únicas vias possíveis de acesso à Verdade, fez com que essa natural capacidade do homem de curvar-se diante da magnificência da obra da criação acabasse contaminada por uma série de dogmas. A partir de então, como se sabe, a ciência permaneceu dominada durante cerca de um milênio pela influência cerceadora do Catolicismo.

O surgimento da ciência moderna nos séculos XVI e XVII, cujo marco principal é sem dúvida a revolução copernicana, contribuiu para trazer à tona os equívocos e interesses que se ocultavam por trás dos preceitos da Igreja. Inspirados pelas profundas mudanças no pensamento e na forma de vida que eram trazidas pela ciência, surgiram pensadores reformadores nas mais diversas áreas do conhecimento humano. Refutar os dogmas católicos, e em muitos casos até a própria Bíblia, tornou-se uma atitude de praxe, um passo considerado necessário para quem quisesse romper com um passado de estagnação e alargar as fronteiras do conhecimento.
Mas os homens da época não se deram conta de que, diante do surgimento das novas ciências e as descobertas das leis fundamentais que regem o universo físico, encontravam-se numa situação crucial de escolha : se não adotassem uma postura de admiração e respeito pela revelação da beleza e da ordem do Cosmos, e se com o auxílio do conhecimento adquirido não produzissem senão obras que se harmonizassem com essa ordem, tenderiam a usar suas descobertas para fins políticos e para a acumulação de capital através da exploração desmesurada dos recursos naturais. Caso a primeira opção tivesse se concretizado, ter-se-ia aproveitado a oportunidade histórica de dissipar o materialismo que durante tanto tempo havia obscurecido o discernimento de grande parte da humanidade. No entanto, prevaleceu a segunda.

Então, se concebida da maneira correta, a teoria darwiniana certamente teria servido para fazer frente ao materialismo que já então se verificava, e teria contribuído assim para o processo coletivo de sensibilização do espírito humano. Isto porque, apesar desse materialismo, até meados do século XIX a origem da vida ainda era considerada pela maioria como um mistério que extrapolava o alcance da lógica e do intelecto. Aconteceu porém exatamente o contrário: embora a ciência da época preservasse ainda alguns vestígios de suas raízes espirituais, Darwin rompeu com todas elas. E indo mais longe que seus antecessores, apresentou uma explicação exclusivamente mecanicista para a existência dos seres vivos tal como os conhecemos. Segundo ele, estes seriam o produto de um processo de evolução biológica das espécies regido pelas leis da probabilidade e por cruéis regras de competição numa luta pela sobrevivência que levaria à seleção dos mais aptos. E, nesse processo, o homem não passaria de um animal entre outros, apenas um pouco mais complexo que os demais em decorrência do aprimoramento físico e mental de um ancestral dos macacos.

Devido a suas premissas, a teoria de Darwin projetou uma visão deturpada e tendenciosa da existência, e prestou-se assim a banalizar ao extremo a razão de ser do homem neste mundo. No plano social, ela foi muitas vezes usada para justificar a tradicional exploração dos pobres (os “fracos”) pelos ricos (os “fortes”). Afinal de contas, se o homem não passava de um animal, qualquer restrição moral frente às injustiças sociais deixava de fazer sentido. Não é de estranhar, portanto, que a classe burguesa tenha acolhido as idéias do naturalista com tão grande entusiasmo, contribuindo desse modo para que seus postulados se difundissem e viessem a ter uma influência decisiva no processo de embrutecimento cultural, intelectual e espiritual que o homem vinha sofrendo há séculos.

Os precursores de Darwin

 

Caricatura histórica de C. Darwin


A ciência pré-darwiniana reconhecia a infinita diversidade de seres vivos que existem. Bastante influenciada pelo mito bíblico da origem do mundo, ela os considerava como produtos prontos resultantes da obra da criação divina. Ainda no século XVIII, Linné professava o princípio da imutabilidade das espécies, segundo o qual elas teriam sido criadas desde o início com as características que apresentam hoje (“Species tot sunt, quot formae ab initio creatae sunt” ).

O homem ainda sentia dentro de si a certeza inabalável de que ele se diferenciava dos mamíferos mais desenvolvidos por algo além de um grau mais desenvolvido de complexidade biológica ou física. As teorias da imutabilidade das espécies prestavam-se a justificar essa distinção do homem em relação às outras criaturas: se, assim como estas, ele era uma obra à parte, então não havia razão para supor que compartilhasse com elas qualquer característica. Segundo essa concepção pseudo-religiosa, admitir a existência de uma origem comum para todos os seres vivos seria o mesmo que equiparar o animal ao homem, atitude que entrava em choque com os fundamentos teóricos da Igreja.

Outros povos que não os ocidentais possuíam acerca do assunto concepções mais elaboradas, se bem que dotadas de origem antes mitológica que científica (embora não por isso se encontrassem menos próximas da verdade). O chinês antigo, por exemplo, fala sobre a unidade da natureza, e não sobre diversidade. O mito de criação de algumas tribos indianas, por sua vez, admite uma forma de evolução, pois diz que os vários tipos de plantas e animais surgiram dos mais simples seres aquáticos. Os indianos, reconhecendo que toda percepção de sentidos é maya (isto é, ilusória) e que, portanto, nos induz a equívocos, consideraram já desde a Antigüidade que as diferenças físicas entre os seres vivos limitam-se ao âmbito das aparências.

O fato é que, tradicionalmente, as culturas orientais sempre tenderam a considerar o conjunto dos seres (incluindo-se o homem) como uma unidade. Mas, embora isto possa parecer um paradoxo do ponto de vista da lógica cientificista que infelizmente ainda impera na civilização contemporânea, o fato não implicava a inexistência de distinções entre o homem e os demais seres. Aquelas culturas tampouco consideravam que as diferenças se restringissem apenas ao nível físico, o que é claramente ilustrado no fim da história da criação nos Vedas , em que se lê:

“Depois de nascidos, Ele observou os seres e disse: ‘Quem aqui quer se declarar diferente?’ – Ele reconheceu, então, o Homem como o mais brâmane .”

A passagem, como se vê, sugere fortemente que o principal fator a distinguir o homem dos demais seres seja sua supremacia espiritual.

Já na cultura ocidental a discussão se dava principalmente entre os que defendiam a imutabilidade das espécies e os assim chamados evolucionistas, que acreditavam num desenvolvimento que partia da unidade rumo à diversidade. O poeta alemão Goethe, influenciado talvez pelas culturas orientais, decidiu-se a favor dos evolucionistas e deu forma poética à idéia da evolução:

“Todos os seres são similares e nenhum se parece com o outro; e assim o coral aponta para uma lei secreta, um enigma divino.”

Um século depois de Goethe, a teoria da evolução na versão de Charles Darwin era apresentada ao Ocidente. A “lei secreta” a que o poeta alude viu-se então reduzida ao status de mera lei mecanicista determinada pela competição entre os seres vivos em sua luta pela sobrevivência. À medida que essa concepção era aceita, difundia-se mais e mais a idéia de que o enigma divino tivesse finalmente sido decifrado. Nem mesmo o avô de Charles Darwin, o naturalista e poeta Erasmus Darwin, compartilhou de tamanha presunção científica. Embora fosse um evolucionista convicto, ele reconhecia a existência de uma força superior misteriosa, conforme o atesta a seguinte passagem de sua Zoonomia:

“O mundo é desenvolvido, não criado; surgiu, gradativamente, a partir de um pequeno início, aumentou devido às forças básicas que nele se incorporaram e cresceu, ao invés de ter sido criado de uma vez por qualquer força. A idéia do infinito poder do grande arquiteto, da causa de todas as causas, do pai de todos os pais, do Ens-Entium, está acima de qualquer suspeita. Quando quisermos comparar o infinito, então deve existir uma força maior que o infinito, que seja a causa dos efeitos e os próprios efeitos.”

Outro naturalista célebre, o francês Jean Baptiste Pierre Antoine de Monet (1744-1829), cavaleiro de Lamarck, um dos precursores diretos de Charles Darwin, proclamara em seu Philosophie Zoologique a evolução dos seres vivos mais simples para todas as espécies hoje existentes. Contudo, diferentemente de Darwin, Lamarck pressupunha a existência de uma “causa ativa nos organismos, uma ordem estabelecida pelo Criador de todas as coisas, uma necessidade interna de ambicionar sempre níveis mais elevados de evolução”.

As inconsistências da teoria de Charles Darwin


“Um sapo ser beijado por uma princesa e transformado em príncipe é conto de fadas. Agora, um suposto unicelular ao longo de bilhões de anos transformar-se em Australopithecus e depois em Charles Darwin, isto sim é considerado ciência!”
(Enézio E. de Almeida Filho)

Foi inspirado nas idéias de Malthus , clérigo e economista político do século XVIII, e também em Lyell e Lamarck, que o naturalista Charles Darwin elaborou sua teoria evolucionista, segundo a qual os seres vivos tendem a reproduzir-se em progressão geométrica e a luta entre eles impede que o número de indivíduos exceda determinados limites através da eliminação dos menos aptos.

De acordo com Darwin, ao longo do tempo as espécies tendem a gerar indivíduos com pequenas variações em relação a um padrão genérico, e apenas as variações dos mais aptos são legadas às gerações futuras (na luta pela sobrevivência, os demais seriam eliminados naturalmente ou mortos antes de se reproduzirem). Somando-se sem cessar durante gerações, estas variações dariam origem a uma variação maior e mais relevante na espécie, concretizando assim a evolução. Ainda segundo o naturalista inglês, a primeira forma de vida, surgida de uma “sopa química”, teria sido mero fruto do acaso. E a partir dela, através dos processos de evolução e seleção natural, ter-se-iam originado todas as demais espécies, cada vez mais desenvolvidas e complexas.

É verdade que o documento fóssil aponta para a existência de uma sucessão hierárquica das formas de vida ao longo do tempo: na maior parte dos casos, quanto mais antiga, menos desenvolvida é a espécie na escala biológica. Sobre essa evidência, principalmente, é que os darwinistas têm se apoiado para defender suas idéias. No entanto, esse mesmo registro, juntamente com alguns ramos da Biologia Molecular e da Bioquímica, têm revelado também diversas evidências de que, na realidade, a teoria de Darwin se encontra permeada de falhas e contra-sensos.

Inexistência dos seres híbridos


Se da evolução de uma forma de vida primitiva – algo comparável a uma ameba – tivesse resultado a grande variedade de organismos que há hoje, teriam que ter existido então, necessariamente, milhares de formas de transição entre uma coisa e outra. O próprio Darwin disse que esta talvez fosse a objeção mais óbvia e mais séria a sua teoria, pois a confirmação da mesma ficou condicionada à descoberta dos elos perdidos. Ele pensou que com o passar do tempo e o achado de mais fósseis suas idéias seriam comprovadas, mas aconteceu justamente o contrário: dois séculos se passaram e nenhum fóssil de ser híbrido foi encontrado, e quanto mais fósseis são descobertos mais hipóteses de seqüências evolutivas estão sendo descartadas ou modificadas.

Afirmam os biólogos italianos G. Sermont e R. Fondi que “cada vez que se estuda uma categoria qualquer de organismos e se acompanha sua história paleontológica (…) acaba-se sempre, mais cedo ou mais tarde, por encontrar uma repentina interrupção exatamente no ponto onde, segundo a hipótese evolucionista, deveríamos ter a conexão genealógica com uma cepa progenitora mais primitiva” . Assim, foram encontrados por exemplo fósseis de inúmeras espécies de invertebrados do período Cambriano, mas, em contrapartida, nenhum fóssil de algum espécime que representasse um estágio de transição entre esses invertebrados e os unicelulares do período Pré-cambriano foi descoberto. Além disso, não se pode considerar um animal com características de duas espécies distintas como um elo entre ambas enquanto não forem identificados os demais estágios intermediários.

Inexistência de variações em inúmeras espécies


Outro ponto a ser questionado é o fato de que inúmeras espécies atuais não apresentam qualquer variação em relação aos mais remotos antecessores seus de que se tem notícia. Veja-se por exemplo o caso do peixe celacanto, que existe há pelo menos trezentos milhões de anos e nunca conseguiu transformar-se sequer num anfíbio. Tampouco o foraminífero, organismo unicelular existente desde o Pré-cambriano, evoluiu jamais para pluricelular. Além disso, é improvável do ponto de vista científico e impossível do ponto de vista filosófico que hoje outro mamífero avance em direção à forma humana, que uma ameba evolua até a de peixe ou ainda que o homem se torne um “super-homem”, pelo menos no que concerne ao nível físico, da mesma forma que não há motivo para supor que as escamas dos répteis tenham evoluído até se tornarem penas e não há nenhuma prova de que um ancestral do macaco tenha dado origem ao homem.

Origem genética de mudanças observadas


Pesquisas genéticas comprovam que as mudanças sofridas por uma espécie não decorrem simplesmente do processo de competição, mas que elas já estavam gravadas de antemão em seu material genético. A genética sugere ainda que o soletrar químico dos ácidos nucléicos é que dê origem a diferentes espécies.

Através de suas experiências o biólogo T. Morgan constatou que as mutações ocorrem, mas que na maior parte dos casos elas são prejudiciais ao organismo. Ele concluiu também que elas não impulsionam a evolução, pois nunca desenvolvem um órgão ou função nova. O que provoca as mudanças são os erros de leitura do DNA, e estudos demonstram que, em geral, a seleção natural não opera no sentido de provocá-las, mas que ocorre exatamente o contrário: ela tende a manter a estabilidade morfológica da espécie ao longo do tempo, uma vez que a predominância de características mais favoráveis num determinado meio tende a tornar os indivíduos mais parecidos entre si. Se, tal como Darwin afirmou, apenas os providos dessas características tendessem a deixar descendência, não haveria então transformação, porque o estágio de transição por eles representado constituiria uma séria desvantagem biológica. A seleção natural não favoreceria, por exemplo, os que estivessem com um órgão em formação.

O biólogo australiano Michael Denton , por sua vez, pergunta quais seriam as possíveis formas intermediárias entre uma ramificação reptiliana de pulmão sem saída e o pulmão de passagem livre da ave. Desse modo, ele sugere a improbabilidade de que, como sustentam os evolucionistas, os répteis tenham evoluído através de uma série de variações até a forma de aves. Se essa hipótese fosse correta, esperar-se-ia então que tivesse existido uma forma intermediária entre a ave e o réptil, o que parece impossível em decorrência da incompatibilidade entre os órgãos desses animais. O que Denton defende é, em suma, que o modo de funcionamento de seus aparelhos respiratórios possui características tão diferentes entre si que se torna difícil imaginar que possa ter havido uma forma de transição com características orgânicas intermediárias. Não há nenhuma prova concreta de que essa forma tenha de fato existido. E, mesmo que tivesse, os órgãos dela teriam sido instáveis e não poderiam ter resistido a um processo de seleção natural.

Insuficiência da hipótese da utilidade funcional para explicar as formas


Darwin identifica a utilidade funcional como a lei que dá forma aos seres vivos, e a beleza destes como um simples artifício na luta pela sobrevivência. Dizia ele que “se os objetos belos tivessem sido criados apenas para deleitar o homem, deveria ser possível provar que antes do aparecimento do homem havia menos beleza na Terra” .

Para o naturalista inglês, as mais belas características presentes em algumas espécies de vertebrados, como por exemplo as escamas coloridas dos peixes na época do acasalamento, as penas de cores mais vivas de alguns pássaros machos ou o adereço decorativo na cabeça de alguns mamíferos, teriam apenas a função de estimular o interesse sexual dos espécimes do sexo oposto. Porém, já foi comprovado que, devido à configuração de seus olhos, os peixes nem sequer podem distinguir a diferença na cor das escamas. No caso dos pássaros, o macho conquista sua fêmea através do canto e não graças à cor da penugem. Além disso, os atrativos dos seres vivos em geral tendem a despertar a atenção dos predadores, o que, obviamente, não representa qualquer vantagem na luta pela sobrevivência. Portanto, do ponto de vista funcional a beleza dos seres vivos é algo realmente difícil de justificar, e se todas as características dos mesmos que os homens consideram belas tivessem obrigatoriamente que ter uma utilidade na competição pela vida então o mundo não poderia ser tão belo e diverso como é. Ou, pelo menos, dificilmente haveria nele tantas variedades distintas de pássaros coloridos…

A verdade é que a visão insensível de Darwin diante da beleza das formas vivas é no mínimo absurda. Se fôssemos seguir à risca seu princípio de que a existência do belo não pode ser explicada senão em termos de sua utilidade funcional, ao tentarmos “projetar” um animal voador que enxerga bem nunca chegaríamos a uma águia, mas talvez a algum avião de binóculos. Além disso, poderíamos nos perguntar como o Darwinismo explicaria que os supostos ancestrais das plantas e dos animais – os seres unicelulares – tivessem evoluído para formas magnificamente belas apesar de não possuírem órgãos de percepção que lhes possibilitassem apreciar a beleza uns dos outros, e de que modo as primeiras formas dotadas deste atributo teriam auxiliado os seres que as tivessem ostentado em sua luta pela sobrevivência.

É mesmo provável que a beleza dos seres vivos tenha outras funções além da estética, e não há razão para supor que ela exista meramente para deleitar e encantar os homens. Mas a pretensão darwinista de atribuir a ela apenas funções primárias, como se o belo não pudesse servir senão de estímulo para a alimentação e para a reprodução, é atualmente desacreditada por evidências experimentais. Sabe-se, por exemplo, que algumas plantas precisam da intermediação de insetos para poderem reproduzir-se, e durante várias décadas os darwinistas sustentaram que a beleza de suas flores apenas servia para atrair esses insetos e permitir por meio deles sua reprodução. No entanto, está hoje comprovado que os insetos em questão possuem olhos multifacetados e que, por esse motivo, são incapazes de distinguir as características estéticas das flores, de modo que não é pela beleza destas que eles são atraídos. Portanto, a beleza das formas vivas continua sendo mesmo um grande mistério…

A complexidade misteriosamente perfeita do DNA

No que toca à hipótese de Darwin de que a primeira forma viva teria surgido casualmente de uma “sopa química” rica em aminoácidos e outras substâncias, cabe considerar que, atualmente, tendo em vista todos os estudos já realizados sobre a estrutura das proteínas e do DNA, até os cientistas mais céticos estão se rendendo e assumindo que algo tão complexo e perfeito como a célula não poderia nunca ter se formado por acaso.

 


Os estragos do Darwinismo

 
Apesar de suas muitas incongruências, infelizmente a teoria evolucionista de Darwin difundiu-se como poucas e passou a ter grande aceitação em todas as áreas do conhecimento, inclusive nas ciências humanas. A partir de então, ocasionou grandes danos não apenas à própria ciência mas também à concepção do homem sobre si mesmo e sobre o universo como um todo.

As idéias do naturalista deram margem a que se cultivasse uma imagem deturpada da natureza social, metafísica e fisiológica do homem, e contribuíram para sustentar uma série de confusões no campo moral e espiritual. Por trás da imagem do cientista dedicado, do amante da Natureza e inocente colecionador de bichinhos singelamente guardados em caixinhas, escondia-se alguém disposto a deixar seu nome registrado nos anais da ciência mesmo à custa de disseminar pelo mundo as secreções de uma mente conturbada e agressiva.

Uma das filhas do Darwinismo é a Sociobiologia, uma “ciência” que pretende explicar todo comportamento social através da teoria da evolução e da seleção natural das espécies. Atributos e qualidades do homem como a inteligência, a linguagem, a consciência, o patriotismo, o patriarcado, a guerra, a desconfiança, entre outros, seriam determinados biologicamente com alguma finalidade evolutiva. Segundo os sociobiólogos, a sociedade humana estaria sujeita às mesmas leis dos formigueiros e o homem seria movido por seus instintos de sobrevivência. As guerras? Uma questão natural de sobrevivência! As injustiças sociais? Ah, eis aí uma manifestação, também natural, da supremacia do mais forte e da decorrente derrota do mais fraco!

Dá-se portanto que, no contexto da Sociobiologia, todos os males da humanidade recebem uma explicação “natural”. Resta saber apenas se seus seguidores são capazes de explicar também as tendências boas do ser humano. Por que razão, mesmo tendo uma anatomia compatível com um regime onívoro, escolhe ele às vezes ser vegetariano? E qual a explicação para que se arrependa, se envergonhe, perdoe e ame? Ora, se um homem opta por dizer a verdade mesmo sob risco de perder o emprego ou de sofrer por isso algum outro tipo de represália ele certamente não o faz guiado pelo instinto de sobrevivência. Os sociobiólogos não saberiam o que dizer a este respeito, nem tampouco conseguiriam explicar a existência da própria revista Humanus ou qualquer atitude que tenha se originado na consciência espiritual do homem. E isso por negarem sua origem divina, sinal de que ainda não puderam senti-la…

E como se não bastasse a Sociobiologia, o Darwinismo gerou ainda a Psicologia Evolucionista, que tenta explicar todo comportamento individual humano através de razões biológicas darwinistas. Também para os seguidores desta linha tudo tem uma explicação natural. Segundo eles, a depressão origina-se na frustração que o indivíduo sente por não poder dar vazão a seu instinto de sobrevivência, e o meio de combatê-la seria extravasar os próprios impulsos (através de atitudes como, por exemplo, a de acertar um soco no nariz do chefe no trabalho). Para os psicólogos evolucionistas, o ciúme, por sua vez, é apenas uma manifestação natural de medo que um coitado sente de ser eliminado por alguém mais apto no processo de seleção natural. Já o infanticídio é considerado um ato instintivo de eliminação do excesso de proles na humanidade, e o estupro não passa de uma inocente alternativa natural que o macho encontra para vencer na competição com outros machos pelas fêmeas. A julgar pela Psicologia Evolucionista, qualquer crime é válido, por mais grave que seja, uma vez que a regra básica é fazer de tudo para ser incluído entre os mais “aptos” e sair-se “vencedor” na luta pela sobrevivência!

Mas, sem dúvida, o estrago maior do Darwinismo foi aquele que ele ocasionou ao legitimar implicitamente o terrorismo de Estado através da ideologia da supremacia do mais apto que o conceito de seleção natural encerra. O século XX, em particular, conheceu as mais sangrentas ilustrações desse fenômeno.

Veja-se por exemplo o caso do Nazismo. Em nome daquela que considerava ser a raça superior, Hitler recorreu à teoria da eugenia, que não é senão mais uma filha do evolucionismo. Francis Galton, o homem que a formulou, era primo de Darwin e acreditou que para melhor promoverem o progresso os homens deveriam substituir as forças cegas da seleção natural por uma “seleção consciente”. Seguindo essa lógica, o Estado deveria propiciar a formação de uma elite genética através de medidas de controle científico, favorecendo a um só tempo a procriação dos “superiores” e a eliminação dos “inferiores”. Esse modo de pensar, como se sabe, provocou nada menos que o holocausto nazista. Em 1908, o inglês Leonard Darwin, filho de Charles, fundava a Eugenics Society, entidade destinada a defender os postulados da eugenia, dando assim continuidade à tradição familiar de afronta aos princípios humanistas.

E adepto do Darwinismo foi também Karl Marx, que se baseou no modelo de história natural proposto por Darwin para explicar as relações humanas ao longo da História. Basta substituir a luta entre as espécies pela luta de classes e as mutações genéticas por mutações econômicas para ter uma idéia bastante completa daquilo que o pai do Comunismo professou. Não é à toa que ele quis dedicar seu tão comentado O Capital antes a Darwin que a Hegel, em cuja dialética os marxistas costumam dizer que seu método se fundamenta. Aplicando as idéias darwinistas diretamente ao plano da economia social, o Marxismo acabou conduzindo a Rússia à revolução bolchevique, uma das mais sangrentas de toda a História, fazendo assim com que se instaurasse nesse país um dos maiores e mais radicais sistemas de terrorismo de Estado, o Stalinismo, causa direta do extermínio de milhões de pessoas.

A ideologia darwinista da supremacia racial, da luta pela sobrevivência e da seleção do mais apto encarnou-se ainda no Sionismo político. O Sionismo parte do pressuposto de que o mundo é um conglomerado de “subespécies humanas”, uma das quais é representada pelo povo judeu, e de que, no mais autêntico espírito darwinista, todas elas lutam entre si para sobreviver. Somente a mais apta sobrevive, e a “aptidão” se traduz aí em esperteza política e, em muitos casos, no uso da violência contra outros povos.

Para os sionistas de direita, como o atual primeiro-ministro de Israel, Ariel Sharon, qualquer tentativa de relacionamento pacífico com outros povos é considerada um sinal de fraqueza capaz de colocar toda a “subespécie judaica” em risco de extermínio. Para os de esquerda, como por exemplo o ex-primeiro-ministro desse país Itzhak Rabin, tentativas do gênero não respondem a um sentimento de fraternidade pelo povo vizinho. Assim como seus colegas de direita, também eles atendem ao instinto de sobrevivência, com a diferença de que vêem nos acordos de paz o método certo para pôr fim à ameaça de extermínio da “subespécie”. Em ambos os casos, o respaldo científico para as idéias defendidas é fartamente fornecido pelo Darwinismo, do qual se lançou mão para descarregar contra os árabes na Palestina os efeitos da mais cega prepotência sem ter por isso que sentir remorso ou a necessidade de prestar contas ao mundo. E foi ainda sob os auspícios de Charles Darwin que se deu a criação do “Estado judeu”, por meio da qual oficializou-se em âmbito político e jurídico a suposta supremacia racial do povo judeu. Através da “lei do retorno” então decretada, garantiu-se a seus membros uma série de direitos privilegiais por sobre os membros de outros povos, decisão que, como é sabido, submeteu milhões de refugiados palestinos a uma situação de vida infra-humana.

E, finalmente, também o Capitalismo se serviu das idéias de Darwin para justificar alguns de seus mais lamentáveis aspectos. Nada mais óbvio, já que, a julgar pela teoria darwinista, não há razão para ver na mais desumana concorrência econômica algo além de uma simples manifestação da luta pela sobrevivência. Não por acaso, já houve quem considerasse Charles Darwin o único profeta seguido de fato na América. Em nenhuma outra cultura se verifica tão abertamente quanto na americana o desprezo pelo loser, o derrotado – entendido como aquele que não alcança sucesso profissional ou comercial – nem tampouco a reverência ao mais apto, o winner – aquele que alcançou esse mesmo sucesso, quase sempre afrontando interesses e direitos alheios. Incapazes de reconhecer na Natureza a obra de uma inteligência superior, e vendo nela não mais que um sistema governado por leis mecanicistas e pelo acaso, os capitalistas sentiram-se bem à vontade para saqueá-la e para saquear também outros homens e povos, tudo em nome do mais inocente “instinto de sobrevivência”.

Em suma, o que se observa é que Darwin mantém relação com as correntes de pensamento que mais negativamente influenciaram a consciência moral de culturas inteiras, o que contribuiu para que muitos passassem a considerar a esperteza, a dissimulação, a capacidade de enganar e até mesmo a propensão à violência como os mais naturais e justificáveis atributos humanos.

 

– Mambo, sabe da última? Tem gente por aí que anda dizendo que o homem descende do macaco…
– Há, há, há… Mas que ignorância!!! Eles não souberam interpretar a teoria darwinista.
– Que que é isso… Hoje em dia, qualquer chimpanzé sabe que não foi isso que Darwim quis dizer. Ele não disse que o homem descende do macaco, e sim que ambos, nós e os homens, descendemos de um ancestral comum.
– Por suposto, os homens não são filhos do macaco, são apenas irmãos…

 

Por que o Darwinismo se mantém?

Mas se abundam as evidências de que a teoria de Darwin seja falha em sua descrição dos fatos e danosa no que respeita às tendências que estimula, por que então em alguns meios ela continua a ser amplamente aceita e defendida até os extremos do fanatismo?

Uma das razões disso é sem dúvida a presunção científica, que tão bem caracteriza as sociedades ocidentais dos séculos XIX e XX e em função da qual o homem tende a supor-se capaz de compreender através do intelecto todo fenômeno natural. A experiência comprova que a ciência materialista se mostra disposta a admitir alguma incoerência aqui ou acolá sempre que a teoria em questão venha a respaldar uma interpretação de mundo tipicamente atéia. Aos adeptos dessa pseudo-ciência, a tentação de dispor de uma concepção de vida que acene com a possibilidade de que todo e qualquer mistério da Natureza seja abarcado pela mente humana tem falado mais alto que o próprio anseio da busca pela verdade, característica suprema da verdadeira ciência. Contentam-se eles em ver a ciência divorciada da religião, e, nesse sentido, ninguém até hoje os satisfez mais plenamente que o inglês Charles Darwin. Numa de suas cartas a Marx, aquele tão proeminente cientista ateu que atendia pelo nome de Engels soube expressar com singular franqueza o regozijo que diante das idéias do naturalista sentiu: “O Darwin que estou lendo agora é magnífico”, afirmou ele, “a religião não estava destruída em algumas partes, e agora isso acaba de acontecer”.

Outro fator que propiciou ao Darwinismo manter-se em pé até os dias de hoje é certamente a dificuldade que alguns cientistas têm de reconhecer que estiveram enganados. Considere-se a este respeito a observação do biólogo Richard Darkins de que “é absolutamente seguro dizer que se você conhece alguém que não acredita na evolução, essa pessoa é ignorante, estúpida ou insana”; o filósofo Michael Ruse, por sua vez, alardeia: “A evolução é um fato, fato, FATO!”. Mas, longe de caracterizar o espírito genuinamente científico, a opção de não rever os fatos por receio de descobrir que se estava equivocado é atitude que merece ser identificada com o mais rasteiro fanatismo. Afinal, não menos digno é o comportamento de muitos ferventes seguidores de algumas seitas pseudo-religiosas que têm por hábito ocultar suas dúvidas por trás do véu da retórica.

E considere-se ainda que também a forma como a mídia tem se posicionado em relação à teoria de Darwin tem contribuído para que o dogmatismo por esta fomentado sobreviva. Inexplicavelmente, o jornalismo científico omite do público há pelo menos dez anos a existência de evidências suficientes capazes de deitar por terra os principais alicerces teóricos do Darwinismo.

No beco sem saída

Embora grandes tenham sido os danos que Charles Darwin ocasionou ao mundo através de sua teoria da evolução, a principal vítima desta foi sem dúvida ele próprio. A partir do momento em que o naturalista começou a emitir suas primeiras idéias a respeito do assunto, uma série de problemas passaram a se fazer presentes em sua vida: ele se precipitava em direção a um poço do qual já não conseguiria sair. O desejo de ver aclamado como fiel expressão da verdade aquilo que seu próprio espírito não pode ter reconhecido como verdadeiro havia-o colocado num beco sem saída. A certa altura, o próprio Darwin o admitiu:

“Estou consciente de que me encontro num atoleiro sem a menor esperança de saída. Não posso crer que o mundo, tal como o vemos, seja resultado do acaso; e, no entanto, não posso considerar cada coisa separada como desígnio divino.”

Ainda jovem, Darwin foi mandado por seu pai a Cambridge para estudar Teologia. Mas ele próprio não alimentava nenhum interesse particular pelo assunto nem tampouco dava mostras de qualquer vocação espiritual, o que não deixa de prenunciar sua tendência a ocupar-se com questões que extrapolavam sua capacidade de compreensão. Algum tempo depois, aquele que se tornaria “o pai do Evolucionismo” abandonava seus estudos teológicos, e mesmo antes de tê-lo feito já rompia de vez com a vida austera que implicavam, caindo num outro extremo. É o que relatam os biógrafos Adrian Desmond e James Moore:

“Obcecado consigo mesmo e cheio de autopiedade, Darwin estava nas últimas. (…) Ele ria e afastava suas mágoas com uma turba de companheiros de bebida. (…) Herbert e Whitley estavam ‘dando algumas festas muito alegres’, com até sessenta homens em cada bebedeira. Eles fumavam, contavam piadas, jogavam e desfrutavam de lubricidade abundante. Nas manhãs que se seguiam, Darwin punha-se sóbrio de novo, lendo ‘Declínio e Queda do Império Romano’, de Gibbon, o tônico perfeito para um ordenado excessivamente indulgente consigo mesmo. Isso tornou-se um hábito regular. (…) Eram duas da manhã e tudo estava negro como piche antes que ele rastejasse de volta para a faculdade, violando o toque de recolher. O banimento, sabia, estava agora por um triz.”

Não se pode descartar a hipótese de que o álcool tenha contribuído para alimentar a concepção materialista de mundo que Darwin manifestou depois através de sua teoria. Um indivíduo alcoolizado tende facilmente ao atrevimento, e a defesa sistemática e doutrinária do materialismo, assim como a de outro dogma qualquer, constitui necessariamente uma atitude atrevida.

Outro episódio capaz de ilustrar o estado em que se encontrava o suposto decifrador do enigma da origem da vida, admirador e amante da natureza, foi a constituição do “Clube dos Glutões”, que ele presidia. Semanalmente, Darwin e seus amigos se reuniam para comer “carnes bizarras”, “uma ave ou animal raro que um deles houvesse caçado e que fosse desconhecido ao paladar humano” . Eis como ele demonstrava seu grau de respeito à Natureza.

O naturalista sofreu de uma série de distúrbios que o atormentaram dos trinta aos oitenta anos, precisamente o período da vida em que ele se dedicou aos estudos que o conduziram ao panteão da fama. Há bastante controvérsia no que se refere ao assunto. Fala-se em doença de Chagas, de Meniére, em síndrome do pânico e indigestão nervosa, e há até quem acredite que Darwin talvez sofresse de todos esses males ao mesmo tempo, uma vez que nenhum deles abarca todos os sintomas que ele apresentava. O autor da teoria da evolução das espécies padecia de um mal-estar constante: tinha insônia, dores de cabeça, taquicardia, zumbidos nos ouvidos, espasmos, falta de coordenação motora, vômitos freqüentes, calafrios, tremores e convulsões musculares; além disso, sentia fraqueza, vertigens e tonturas, e era acometido de ataques violentos de náusea, forte ansiedade e crises de choro histérico. Apresentava ainda manchas negras ao redor dos olhos e sofria crises de depressão profunda .

Tais sintomas colocavam Darwin de cama às vezes por meses a fio, e ele se desesperava por perder em função deles, segundo ele próprio dizia, quatro quintos de seu tempo. Aquele que foi unanimemente proclamado um dos mais notáveis pensadores de todos os tempos não conseguia trabalhar mais que duas ou três horas por dia e estava completamente debilitado no final de sua vida.

Costuma-se pensar no desequilíbrio orgânico de Darwin como mera obra do acaso. E assim fazem sobretudo os que mais se deixaram influenciar por seu materialismo, aqueles mesmos que aceitam sem pestanejar a explicação darwiniana de que por obra do acaso teriam surgido igualmente as primeiras formas de vida na Terra. Mas é possível considerar a questão de outro ângulo: não terá sido o constante mal-estar do naturalista um alarme da natureza a indicar-lhe que de algum modo ele a estava afrontando? Ou ainda: não terá seu tormento correspondido a uma oportunidade de que ele refletisse sobre aquilo que vinha professando, concedida pela mesma inteligência superior cuja existência suas idéias tendiam a negar?

Se assim foi, então o fato é que Darwin não soube aproveitar essa oportunidade: ele deixou o mundo que pretendera explicar sem haver encontrado a cura ou mesmo algum alívio para seu mal, e sem ter conseguido encontrar tampouco o conforto de que seu espírito tanto carecia. Embora no intuito de curar-se tenha recorrido aos mais variados subterfúgios – como rapé, bismuto, ópio, correntes elétricas na barriga, açoito com toalhas molhadas, entre outros – o naturalista se esqueceu de uma prática elementar, a de cultivar o atributo exclusivamente humano da humildade. Talvez por isso é que, afinal, ele se supusesse tão próximo do macaco. O próprio Darwin relata que publicar seu livro “foi como confessar um crime” , mas, esquecido de que o reconhecimento do erro é também uma forma de encontrar alívio, jamais demonstrou qualquer arrependimento por tê-lo cometido. O que ele fez não foi confessar, e sim propagar seu crime pelo mundo afora.

O cientista vivia isolado em sua casa, tinha fobia social. Costuma-se atribuir esse seu isolamento ao conflito interno em que ele viveria por temor à iminente reação de amigos religiosos e conservadores diante de sua teoria da evolução das espécies. Que ele vivia em conflito ninguém haverá de negá-lo, mas bem mais plausível parece supor que o mesmo se devesse apenas à influência de seus pensamentos sobre seu espírito. Como um homem que tinha fobia dos outros homens pode ter se julgado capaz de explicar a origem e evolução dos seres vivos e da própria humanidade? Melhor teria sido para o mundo e principalmente para o próprio Darwin se, ao invés de ter tido a presunção de compreender a Natureza através do prisma intelectual, ele tivesse simplesmente se rendido a seus encantos e dedicado a vida a apreciá-la.

É interessante destacar ainda que o naturalista que levou Darwin a sentir-se motivado a apresentar ao público sua teoria, o inglês Alfred Russel Wallace, o qual, após ter lido o famoso ensaio de Malthus, redigiu ele próprio um manuscrito sobre a adaptação dos seres vivos ao meio através da eliminação dos inaptos na luta pela existência, fez tudo isso durante um acesso de febre intermitente.

G. Pickering, um médico inglês, escreveu um livro intitulado As doenças criativas em que defende que a má saúde física e mental de algumas pessoas contribuiu para que elas entrassem para a História. No que se refere a Darwin, Pickering sustenta que seu isolamento social teria lhe possibilitado dispor de tempo para suas meditações sobre a teoria da evolução, a cuja elaboração o naturalista dedicou nada menos que vinte e cinco anos. Seguindo mais ou menos a mesma linha, não faltou também algum desvairado que atribuísse a suposta genialidade de Darwin a seu gosto pela bebida, como se fosse possível esperar do álcool alguma influência positiva sobre a faculdade da razão.

A noção segundo a qual perturbações físicas e mentais poderiam favorecer a formação dos grandes gênios da humanidade responde com assombrosa exatidão à lógica do mundo às avessas que o próprio Darwinismo ajudou a disseminar. Viu-se anteriormente que, se levadas às últimas conseqüências, as idéias de Darwin permitem concluir que o crime seja uma necessidade para a sobrevivência, e não mais absurdo que isso é supor que um homem precise estar doente para poder trabalhar.

Se tão despropositadas idéias são amplamente difundidas e aceitas ao redor do mundo, isso apenas evidencia o estado de confusão aguda em que se vê mergulhada ainda a maior parte da humanidade. Mas àqueles que se rendem facilmente à palavra de um pensador enfermiço e dado à prática do consumo de álcool vale lembrar que o Homem que mais se destacou na História, tendo-a inclusive dividido em duas etapas, desfrutou sempre de perfeito estado de saúde física, mental e espiritual.

 

 Ok, my friend Charles, já entendi:
Você é hoje o que eu serei amanhã!

O evolucionismo espiritual

De todas as idéias de Darwin, aquela que mais negativamente repercutiu na consciência moral dos homens foi a de que o ser humano e o macaco teriam partido de um mesmo tronco ancestral. Depreende-se da teoria do naturalista que, em essência, pouca coisa os diferenciaria, sendo que as distinções entre ambos se restringiriam apenas aos níveis físico e mental.

Darwin sustentava que “uma diferença de grau não justifica a colocação do homem num reino à parte”. E é verdade que, se se considerar a “diferença de grau” do mesmo modo que ele o fazia, isto é, levando em conta somente esses dois níveis, a afirmação até faz sentido. Mas o fato é que há um terceiro nível a considerar, o qual ele ignorou por inteiro: o espiritual. Que as espécies podem sofrer modificações orgânicas através dos tempos é algo que não se pode contestar, mas pensar em evolução exclusivamente nesses termos equivale a uma visão por demais restrita da realidade. Nenhum conceito de evolução será completo se não levar em conta a dimensão espiritual.

Assim, pode-se falar em dois tipos de evolução: a material e a espiritual. A primeira é aquela de que Darwin trata em sua teoria, embora, a rigor, a eleição do termo evolução nesse caso não se revele adequada, uma vez que não necessariamente a adaptação de uma espécie ao meio implicará em avanço ou aperfeiçoamento, tal como a palavra em questão faz supor. O fato de que as mariposas da Inglaterra tenham se tornado predominantemente escuras na época da Revolução Industrial não é propriamente um indício de que elas tenham melhorado em qualquer aspecto que seja, mas sugere apenas que os índices de poluição do ar na região haviam sofrido um aumento significativo . Nesse sentido, convém considerar até que ponto é válido falar em evolução quando aquilo que está em pauta é meramente a consolidação de um mecanismo adaptativo de sobrevivência.

Já no que respeita à evolução espiritual, vale dizer que é a mais autêntica forma de evolução presente na natureza. É próprio do grau espiritual de um animal tirar a vida de outro para poder sobreviver, mas não é próprio do grau espiritual do homem matar para beneficiar-se. Ou, pelo menos, isso não é próprio de um homem que já se humanizou. Se um homem mata, rouba, mente e é dado a cometer toda classe de desvios, pode-se dizer que ele não evoluiu, que se encontra ainda num estágio espiritual próximo àquele que é característico dos animais. E se um homem que se encontrava em tão grande atraso se sensibiliza e começa a agir de uma nova forma, mais humana e digna, nada mais justo que dizer então que ele evoluiu.

Dentre todos os seres que habitam o mundo, o homem é o único capaz de evoluir a ponto de alcançar a perfeição moral. Por esse motivo, pode-se dizer com toda razão que ele seja o herdeiro universal da consciência, ou ainda, conforme rezam os Vedas, o mais brâmane dos seres. É esta uma distinção que, por sinal, lhe confere o mais pleno direito de ser incluído num reino à parte, o reino hominal.

Foi sem dúvida por ignorar a visão espiritual da vida que Darwin optou por dedicar-se à elaboração de uma teoria que sugere ser a evolução material a única ou, pelo menos, a mais importante que existe. O homem não é animal, e o animal não é homem. O que mais senão um entranhado materialismo poderia levar alguém a negligenciar essa singela verdade? Não que, tal como o naturalista fez, um homem não possa supor-se um animal. Mas, nos casos em que há grande insistência em pensar assim, talvez o que se tenha seja simplesmente uma questão de identificação… Nesse sentido, cabe admitir que o próprio Darwin devesse considerar-se bastante similar aos macacos. Se ele tivesse compreendido que a perfeição reside na evolução – entendida no sentido espiritual – não teria lançado ao mundo a dogmática e irrefletida afirmação de que nem sempre é possível encontrar na Natureza a perfeição absoluta.

Ao recorrer à noção de que na luta pela sobrevivência a vitória seja dos mais aptos, Darwin vinculou a idéia de aptidão antes à de força que à de inteligência. Mas não há nenhuma evidência de que, por exemplo, um espermatozóide consiga sair-se vitorioso em sua corrida ao óvulo porque seja mais forte que os demais. Por que não supor que a fecundação seja levada a cabo pelo mais inteligente de todos? Tal suposição é das mais razoáveis, mas dificilmente chegaria a ela o autodenominado descendente de um molusco hermafrodita acéfalo.

Até as culturas mais antigas – como a dos sumérios, indianos, egípcios e chineses – compreenderam a evolução melhor que Darwin. Se por um lado percebiam a unidade de todos os seres da natureza como filhos de uma mesma deidade, reconheciam, por outro, o valor das heranças espirituais dos ancestrais e aceitavam que estas devessem ser cultivadas e aperfeiçoadas por cada indivíduo através da própria experiência antes que ele as transferisse aos descendentes. Essas culturas não perdiam de vista que, embora as formas de vida de hierarquia espiritual inferior – como os animais – compartilhassem com os homens de uma mesma origem e de um mesmo destino, e fizessem parte, portanto, assim como estes, de uma incomensurável união de espíritos, cabe ao ser humano, como membro do reino espiritualmente mais evoluído, procurar a sabedoria e a iluminação espiritual através do cultivo dos atributos elevados, como a disciplina, o respeito, a solidariedade, a coragem, a capacidade de ação e o amor.

No caminho inverso, o naturalista inglês trabalhou no sentido de fazer estremecer a confiança do homem nesses mesmos atributos e na própria dignidade humana. E assim como ele, outros profetas do materialismo – Marx, Freud, Einstein -, induzidos igualmente pela febre do intelectualismo e do racionalismo mental, também desviaram multidões inteiras da senda do autêntico humanismo e deram sua contribuição para a desertificação do espírito humano e a degradação moral das sociedades.

Como uma humanidade tão influenciada por dogmas científicos materialistas poderia estar preparada para contemplar o milagre da origem da vida e a própria Natureza? Como os homens que dela fazem parte poderiam encontrar a força de vontade necessária para, como dizia Schopenhauer, conseguir superar seus limites e formas e moldar seu ser? Através da evolução espiritual é certamente a única resposta possível. Mas, para poder alcançar a compreensão de tão constatável verdade, é preciso antes que essa mesma humanidade se dispa da arrogância de através da mente penetrar o insofismável.

Notas

1. Examinar se convém manter a construção condicional: “se não adotassem…”, e ao mesmo tempo falar em escolha.
2. “As espécies todas são como foram criadas desde o início”. LUDENDORFF, M. “Darwinismo e história da evolução” In: O triunfo da vontade da imortalidade. Munique: Verlag Hohe Warte, 1959
3. Rigveda, 1. Aitareya-Upanishad, 3. Khanda. Apud Ludendorff, M: “Darwinismo e história da evolução”, In: O triunfo da vontade da imortalidade. Munique: Verlag Hohe Warte, 1959
4. Qualidade do ser supremo impessoal, a fonte primeira e o objetivo derradeiro de todos os seres.
5. Darwin, Erasmus. Zoonomia; or, The Laws of Organic Life, Part I. Londres: J. Johnson, 1794.
6. Parts I-III. London: J. Johnson (1796) (2nd Ed.)
Lamarck, J. B. Philosophie zoologique, ou Exposition des considérations relatives à l’histoire naturelle des animaux. Paris: Dentu, 1809.
7. Trata-se das idéias contidas no Ensaio sobre o princípio da população (1798), em que Malthus considera que a população cresce num ritmo bem mais acelerado que os meios de subsistência.
8. G. Sermont e R. Fondi são autores de Dopo Darwin: crítica all’evoluzionismo.
9. Michael Denton é autor de Evolution: Theory in crisis
10. Ludendorff, M. “Darwinismo e história da evolução”, In: O triunfo da vontade da imortalidade. Munique: Verlag Hohe Warte, 1959
11. Vide Marx: o ideólogo do crime, na Humanus II (p.135).
12. Corrêa, Mauro. A farsa de Darwin. Extraído do site http://www.lepanto.org.br/Evolucion./html, da Frente
Universitária Lepanto, Post Modernidade n°7-2001.
13. Desmond, Adrian & Moore, James – Darwin: a vida de um evolucionista atormentado – São Paulo, Geração Editorial, 2000, p.86
14. Idem, p. 107
15. Dr. Heraldo Curti
16. O Estado de São Paulo 14/01/2001 – comentário do livro Darwin e a reconciliação do homem com a natureza.
17. Com esse aumento dos índices de poluição, o hábitat das mariposas tornou-se mais escuro e, em função disso, por uma questão de contraste, as mariposas claras acabaram ficando mais suscetíveis aos predadores e as escuras menos, daí que a população destas tenha passado a predominar na região. Trata-se de um exemplo clássico utilizado pela primeira vez em 1937 pelo biólogo E. B. Ford da Universidade de Oxford, Inglaterra (http://www.brooklyn.cuny.edu/bc/ahp/LAD/C20/C20_Biston.html).
18. Esclarecimento do Mestre Joaquim José de Andrade Neto publicado na obra Oaska, o Evangelho da Rosa, de Wânia Milanez, Sama Editora, 1988.

Bibliografia

Claret, Martin. O Pensamento vivo de Darwin, 1986
Ende, Michael. ” O Mito Moderno chamado ciência”, In: Einstein Roman 6: O deserto
da Civilização de Ende, 1991 – retirado do site http://www3.plata.or.jp/mig/einstein-uk.html
Ludendorff, M. “Darwinismo e história da evolução”, In: O triunfo da vontade da imortalidade. Munique: Verlag Hohe Warte, 1959
Pearcey, Nancy R. O Segredo sujo de Darwin, por revista World Magazine (Março 13, 2000)
http://www.terra.com.br/voltaire/artigos/darwin.htm. Darwin, o Marx dos americanos
http://www.cipc.bio.br/mundobio/evolucao/arquivo.php?file=8
critica.no.sapo.pt/lds_darwin.html
http://www.polbr.med.br/arquivo/wal0901.htm
http://www.logoshp.hpg.ig.com.br/duvida.htm de William A. Dembski. Traduzido por Emerson
de Oliveira.
http://www.scgd.hpg.ig.com.br/desnudandodarwin(a).htm
Revista Superinteressante – agosto 2001
A farsa de Darwin – extraído do site http://www.lepanto.org.br/Evolucion./html , da Frente
Universitária Lepanto, Post Modernidade n°7-2001, escrito por Mauro Corrêa.
Quem foi Charles Darwin? Texto extraído do livro One Long Argument: Charles Darwin
and The Genesis of Modern Evolutionary Thought, de Ernst Mayr Trad. Antonio
Carlos Bandouk. Retirado do site: intermega.globo.com/biotemas/charlesdarwin1.htm
E mais as fontes citadas nas notas.
Desmond, Adrian & James Moore. Darwin – a vida de um evolucionista atormentado:; tradução Cynthia Azevedo – 3ª edição revista e ampliada – São Paulo : Geração Editorial, 2000 – página 86
 

2 comentários sobre “Darwin: a vida de um ex-macaco

  1. O texto sobre Darwin presente neste site é o mais ridiculo que eu li em mais de 5 anos. Há muito tempo não lia tantos absurdos em um só local. Você anda solto por aí, ou já te levaram para um manicômio? Você tem tomado seus remédios em dia? Este texto vai servir de piada para vários dos meus amigos, obrigado por divertir uma parte do meu dia.

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    • Antes de mais nada, obrigado por postar.

      Depois, como existem tantos absurdos, não terás dificuldades de aponta-los, convide seus amigos para apontarem os absurdos … fique a vontade.

      Mas não se esqueça que este blog possui algumas regras de educação.

      No mais se divirta com os artigos do blog… rsrsrsrs.

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