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O CUSTO DA COMPLEXIDADE VII- A Biologia Evolutiva é uma Ciência Histórica.

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Imagem do livro “What Evolution is”, Ernst Mayr p. 304

 

 

Pouco se comenta sobre os métodos empregados para a construção da Teoria da Evolução. Neste pequeno artigo escolhemos Ernst Mayr, o considerado Darwin do século XX, para construirmos nosso entendimento da metodologia científica empregada na Evolução – a narrativa histórica. A Evolução tem leis? Como compreender a homologia, base de todas as evidências de Teoria da Evolução?
 

 

I-NARRATIVA HISTÓRICA

O pensamento fundamental desse artigo esta exarado no seguinte texto:
Por exemplo, Darwin introduziu a historicidade na ciência. A biologia evolutiva, ao contrário da física e da química, é uma ciência histórica – o evolucionismo tenta explicar eventos e processos que já ocorreram. Leis e experimentos não são técnicas apropriadas para a explicação de tais eventos e processos. Em vez disso é preciso construir uma narrativa histórica, que consista em uma reconstrução experimental de um cenário em particular que tenha levado aos eventos que se está tentando explicar(1)

Em outras palavras, a Biologia Evolutiva teve de desenvolver uma metologia própria, as narrativas históricas (cenários hipotéticos- em inglês “tentatives”-preliminares) (2) Pertence às Ciências Históricas, pois trabalha com eventos únicos como extinção dos dinossauros ou o surgimento dos homens. Assim o cientista inicia com uma conjectura e texta exaustivamente sua validade (3)Um cenário explicativo proposto de eventos passados para ser testado quanto à sua validade”. (4)

Vamos estudar um comentário sobre “reconstrução histórica”. “A reconstrução histórica de um processo é uma maneira perfeitamente válida de estudar esse processo e pode dar ensejo a previsões testáveis. Podemos prever que o Sol começará a se apagar em cerca de 5 bilhões de anos, do mesmo modo que podemos prever que populações de laboratório selecionadas artificialmente em diferentes direções vão tornar-se geneticamente isoladas.(5) Qual é o problema dessa afirmação? Todo o processo evolutivo ocorre por SELEÇÃO NATURAL (predação, doença, limitação climática e alimentar, competição), o que é bem diferente da SELEÇÃO ARTIFICIAL ( é só exemplificar um cachorro que vacinamos, alimentamos, abrigamos). O estudo da seleção natural seria uma narrativa histórica, mas seleção artificial não, pois é um evento que pode ser repetido a priori. Já, referente aos fatos naturais, nada será rigorosamente igual- não se entra no mesmo rio duas vezes é um pensamento grego que representa bem os eventos naturais. A impressão que sempre passa é a total falta de compreensão sobre o assunto, tanto por evolucionistas como criacionistas.

Como esses grupos são recalcitrantes em suas ideias, cito um artigo, do Reznick, em inglês:

In the laboratory, guppies from high predation environments had delayed senescence relative to those from low predation environments. In the field the apparent relationship is the opposite. One hypothesis for this difference is that a tradeoff associated with the evolution of the high predation LIFE HISTORY is a decrease in the investment in the immune system. Such a sacrifice would be evident in nature where there is exposure to disease and parasites but less so in the laboratory, which is relatively disease and parasite free.”(6)**grifo nosso** [TRADUÇÃO NA REFERÊNCIA]

Em resumo, a história narrativa evolucionista sempre indicará uma a direção: EVOLUÇÃO. Além do mais, qual é a VALIDAÇÃO desse método no método científico? A gentileza de alguém conseguir um artigo sobre o assunto…

E a situação evolucionista só piora…
 

 

II- HOMOLOGIA É INFERÊNCIA

A afirmativa de que certas características encontradas em táxons relativamente distantes são homólogas constitui, a princípio, uma mera conjectura. A validade desse tipo de inferência deve ser testada com uma série de critérios (Mayr e Ashlock, 1991), como a posição à órgãos adjacentes, presença de estágios intermediários em outros táxons, semelhanças na ontogenia, existência de estágios intermediários em ancestrais fósseis, e concordância com as evidências proporcionadas por outras homologias. A homologia não pode ser comprovada, é sempre inferida(7)

E o que é inferência?
Inferência é o processo de raciocínio usado em pesquisa científica em que parte-se de uma ou mais proposições e se procede a uma outra proposição, ou a outras proposições, cuja veracidade acredita-se seja implicada pela veracidade do primeiro conjunto de proposições(8).
Obviamente o primeiro conjunto de proposições é que a Teoria da Evolução esteja correta, corroborada, é óbvio, pela HOMOLOGIA, que baseia-se na premissa de que a Teoria da Evolução é correta, tendo como prova a HOMOLOGIA, que baseia-se na premissa…
 

 

III- A TEORIA DA EVOLUÇÃO NÃO TEM LEIS NATURAIS

4. a ausência de leis naturais universais em biologia. OS filósofos do positivismo lógico, e de fato todos os filósofos com um formação em física e matemática, baseiam suas teorias leis naturais e essas teorias são, portanto, geralmente estritamente deterministas. Dentro da biologia também há regularidades, mas vários autores (Smart 1963, Beatty 1995) questionam severamente se estas são as mesmas que as leis naturais das ciências físicas. Não há consenso ainda na resposta, a esta controvérsia. Leis certamente desempenham um pequeno papel na construção teórica em biologia. A principal razão para a menor importância das leis na formação da teoria biológica é, talvez, o maior papel desempenhado em sistemas biológicos pelo acaso e aleatoriedade. Outras razões para o pequeno papel das leis são a singularidade de uma percentagem elevada de fenômenos em sistemas vivos, bem como a natureza histórica de eventos.

Devido à natureza probabilística da maior parte das generalizações em biologia evolutiva, é impossível aplicar o método de falsificação de Popper para o teste de teoria, porque um caso particular de uma refutação de uma aparente determinada lei não pode ser qualquer coisa, mas uma exceção, como são comuns em biologia. A maioria das teorias na biologia não são baseadas em leis, mas em conceitos.
Exemplos de tais conceitos são, por exemplo, seleção, especiação, a filogenia, competição, população, imprinting, adaptabilidade, a biodiversidade, desenvolvimento, ecossistema, e função.
A inaplicabilidade à biologia desses quatro princípios que são tão básicos nas ciências físicas tem contribuído muito para a percepção de que biologia não é mesmo como a física”.
Os outros três itens seriam a tipologia, o determinismo e o reducionismo.(9)
As leis cedem lugar para conceitos no Darwinismo”. (10)
 

 

IV- O QUE PODE SER REFUTADO

…”o darwinismo rejeita todos os fenômenos e causas sobrenaturais. A teoria da evolução pela seleção natural explica a capacidade de adaptação e diversidade do mundo sem ter de recorrer a nada além da matéria.(11)
É só demonstrar que a Seleção Natural nada mais é do que uma peneira que destrói a complexidade biológica, e a Teoria da Evolução está REFUTADA.

 

 

Marcos Ariel

Médico Pediatra

 

 

 

Referências

1- Mayr, Ernst. O Impacto de Darwin no Pensamento Moderno. Scientific American BR Especial História da Evolução, p. 58

2- Mayr, Ernst. Biologia Ciência Única. Reflexões sobre a automomia de uma disciplina científica. Cia das Letras, 2006. p. 40.

3- Idem, p. 48.

4- Mayr, Ernst What Makes Biology Unique? Cambridge University Press, 2004, p. 221

5- Coyne, Jerry A. Por que a evolução é uma verdade / Jerry A. Coyne ; [tradução Luiz Reyes Gil]. – 1. ed. – São Paulo : JSN Editora, 2014. p. 466

6-Reznick, David N and Ghalambor, Cameron K. Selection in Nature: Experimental Manipulations of Natural Populations.INTEGR. COMP. BIOL., 45:456–462 (2005). “No laboratório, guppies de ambientes de alta predação tem sua senescência atrasada em comparação com aquelas de ambientes de baixa predação . No campo a relação aparente é a oposta . Uma hipótese para esta diferença é que uma troca associada com a evolução da HISTÓRIA DE VIDA de alta predação é uma diminuição do investimento no sistema imunitário . Tal sacrifício seria evidente na natureza onde há exposição à doença e parasitas , mas menos no laboratório , o qual é relativamente livre de doenças e parasitas.”

7- Mayr, Ernst O que é Evolução, Ed. Rocco, 2001, p.48-49.

8- http://www.galileu.esalq.usp.br/mostra_topico.php?cod=119

9- Mayr, Ernst, 2004, p. 28

10- Mayr, Ernst. O Impacto de Darwin no Pensamento Moderno. Scientific American BR Especial História da Evolução, p. 59

11- Idem, p. 60.

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“Equívocos sobre a seleção natural” …

(Obs: os links estão em inglês)

Gostaria de partilhar essa… Eu sempre usei termos como: estúpida, cega, sem propósito quando o assunto eram mutações, aliás sempre usei esses termos para a evolução em sua completude … E sempre falei que a seleção natural não poderia ser usada como imitação de um designer (“a seleção natural cria a ilusão de design”)… Pois muitos, da posição evo que debati nos últimos 4 anos, nunca lidavam com meu argumento, tipo, eles não trabalham para se defender, eles simplesmente ignoram, ou mesmo deixam no ar que não passa de espantalho, que não se trata de estupidez, cegueira… Obviamente que esses termos não estão dentro de um conceito literal… Mas tais defensores da TE, insistem em interpretar meu argumento como se eu estivesse sendo literal com esses termos…

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Mas agora eu vou partilhar ESSE [Understanding Evolution] artigo evolucionista (Adaptado):

 

Porque a seleção natural pode produzir adaptações surpreendentes (e pode é???), é tentador pensar nisso como uma força onipotente, instando organismos, constantemente empurrando-os na direção do progresso – mas a seleção natural não é isso em tudo.

Em primeiro lugar, a seleção natural não é toda-poderosa; não produz perfeição. Se os seus genes são “bons o suficiente”, você vai ter alguns filhos para a próxima geração – você não tem que ser perfeito. Isto deve ser bastante claro apenas olhando para as populações em torno de nós: as pessoas podem ter genes para doenças genéticas, as plantas podem não ter genes para sobreviver a uma seca, um predador pode não ser rápido o suficiente para pegar sua presa cada vez que ele está com fome . Nenhuma população ou organismo se adapta perfeitamente.

Em segundo lugar, é mais preciso pensar na seleção natural como um processo e não como uma mão orientadora. A seleção natural é o simples resultado de variação, reprodução diferencial e hereditariedade – é ESTÚPIDA e mecanicista. Ela NÃO TEM METAS; ela NÃO ESTÁ SE ESFORÇANDO PARA PRODUZIR PROGRESSO OU UM ECOSSISTEMA EQUILIBRADO.

É por isso que “NECESSIDADE“, “TENTATIVA“, e “QUERER (INTENÇÃO)” não são palavras muito precisas quando se trata de explicar a evolução. A população ou indivíduo não “QUER” ou “TENTA” evoluir, e a seleção natural NÃO PODE TENTAR SUPRIR O QUE UM ORGANISMO PRECISA“. A seleção natural apenas seleciona QUALQUER VARIAÇÃO EXISTENTE numa população. O resultado é a evolução. [ Grifo meu ] 

No extremo oposto da escala, a seleção natural, é, por vezes , interpretada como um processo aleatório. Isto também é um equívoco. A variação genética que ocorre em uma população por conta de mutação, é aleatória – mas a seleção age na variação de uma maneira altamente não aleatória: variações genéticas que ajudam a sobrevivência e a reprodução são muito mais propensas a se tornar comuns do que as variantes que não. A seleção natural não é aleatória!

Por isso, no mundo real, o Design Inteligente se adéqua mais aos dados do que a TE…

E quando um evo diz que sou ignorante sobre a evolução ele está TOTALMENTE correto… Pois, se existe uma hipótese que violenta a parcimônia, ela se chama teoria da evolução… Complicada!… Quem sabe uns 50 anos de estudo e eu consiga um mestrado basicão

 

O CUSTO DA COMPLEXIDADE- DROSÓFILA

By Marcos Ariel

 

Através da Teoria da Evolução, os cientistas tentam explicar a existência da diversidade da vida no planeta. A Teoria da Evolução não diz que toda a vida evolui para a complexidade, mas eventualmente a complexidade surgiu. Dawkins sugere a Seleção Natural como explicação para o surgimento da complexidade biológica:

“A seleção natural é o maior guindaste de todos os tempos. Ela elevou a vida da simplicidade primeva a altitudes estonteantes de complexidade, beleza e aparente desígnio que hoje nos deslumbram.(1)

Ao mesmo tempo a Teoria da Evolução sugere que os mais aptos sobrevivem. Aptidão seria o número de filhos produzidos por um indivíduo com determinado genótipo. Portanto, o indivíduo mais apto produziria mais filhos que outro menos apto. (2)

Uma maneira simples de entender estes conceitos pode ser vista neste site-How Natural Selection Works. (3)

Entretanto cientistas como McShea apontam outro caminho para o surgimento da complexidade: através da lei evolutiva força-zero, que seria a ausência ou diminuição da da seleção natural-é chamada evolução construtiva neutra. (4)

Como a complexidade surge, pode ajudar um organismo sobreviver melhor ou ter mais filhos. Se assim for, será favorecida pela seleção natural e se espalhará pela população. (4)

Mas ao olharmos a figura, qual se reproduzirá melhor? A “simples” drosófila ou a “complexa” drosófila?
Outros artigos demonstram a perda de aptidão da drosófila que apresenta aumento de aprendizagem. (5)

Inicialmente a drosófila parece demonstrar uma perda de aptidão ao adquirir resistência aos pesticidas. Em artigos iniciais isso foi demonstrado, mas hoje a drosófila resistente parece ter readquirido a aptidão inicial. Entretanto, para a maioria dos insetos há uma perda de aptidão. (6)

A conclusão é de que o aumento da complexidade da drosófila diminui a aptidão.

 

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Referências

1-Dawkins, Deus um Delírio

2- Evolução. 3 ed, Ridley, p. 701

3-http://science.howstuffworks.com/…/ev…/natural-selection.htm

4-The Surprising Origins Of Evolutionary Complexityhttps://www.scientificamerican.com/…/the-surprising-origi…/…

5-A fitness cost of learning ability in Drosophila melanogaster Frederic Mery, Tadeusz J. Kawecki-
http://rspb.royalsocietypublishing.org/content/270/1532/2465

6-Fitness costs associated with insecticide resistance Adi Kliot and Murad Ghanim http://www.researchgate.net/…/…/54cc81030cf298d6565a8968.pdf

 

 

A Religião do Relojoeiro Cego.

Philip Johnson
Professor de Direito
Universidade da Califórnia, Berkeley

Nota do editor[Jornal Infinito]:
O Dr. Stephen Gould, professor de paleontologia da Universidade de Harvard e um dos mais importantes líderes do darwinismo, recentemente, quebrou o seu longo silêncio em relação ao ataque ao darwinismo no livro “Darwin on Trial” (Darwin em Julgamento), escrito pelo professor de direito Philip Johnson.

Gould respondeu com uma crítica do livro, constante em três páginas (julho de 1992) da Scientific American. Nesta crítica, Gould puniu Johnson pelo que percebeu como sendo um abuso e uma omissão de evidências científicas, uma falha no conhecimento da lógica do pensamento evolucionista e a inabilidade do autor em convencer e fazer justiça ao debater os pontos de vista dos temas científicos.

Respondendo, Johnson perguntou aos editores da Scientific American se eles poderiam conceder-lhe um espaço igual para responder a Gould e isto lhe foi negado. Num esforço para permitir a Johnson a oportunidade de rebater às suas críticas, a resposta de Johnson sai na íntegra. A crítica de Gould está sumarizada no final da refutação de Johnson.

“A biologia é o estudo de coisas complicadas que oferecem a aparência de terem sido desenhadas com um intento”. Assim escreveu Richard Dawkins, autor do livro “O Relojoeiro Cego”.

Sendo um darwinista, Dawkins afirma que esta é uma ilusão enganosa e que os organismos vivos são, verdadeiramente, o produto sem propósito algum de forças materiais aleatórias, variações genéticas e seleção natural.

Esta tese do Relojoeiro Cego é a alegação mais importante da biologia evolutiva.”Se os cientistas fossem capazes de dizer somente que os peixes primitivos de algum modo (grifo do autor) se transformaram em anfíbios, depois em mamíferos e, finalmente, em humanos, ninguém ficaria impressionado. Sem um mecanismo de credibilidade, a transformação de um peixe em ser humano torna-se tão miraculosa quanto a criação do homem feita a partir da poeira da terra”. (grifo do autor).

“O que faz a história da evolução impressionante é que os cientistas darwinistas pensam saber como tais transformações ocorreram através de processo naturais, sem necessitarem dos conselhos divinos ou forças orientadoras não naturais”.

A tese do Relojoeiro Cego possui um enorme significado religioso, porque ela pretende explicar a história da vida sem deixar papel algum para um Criador sobrenatural.

“Antes de Darwin”, escreveu Stephen Jay Gould, “pensávamos que um Deus benevolente nos havia criado”. Depois da aceitação do darwinismo, esta crença tornou-se intelectualmente intolerável. De acordo com Gould: “Nenhum espírito interventor nos observa Amorosamente acima das atribuições da natureza (embora o deus do relógio de Newton tivesse acertado o seu maquinário no início dos tempos, para depois deixá-lo funcionando). Nenhuma força vital impulsiona às mudanças evolutivas. E, por mais que pensemos em Deus, sua existência não se manifesta nos produtos da natureza”.

Deus, como sendo uma causa primeira remota, conseqüentemente, permaneceu com possibilidade, mas Deus como criador ativo é absolutamente banido pela tese do Relojoeiro cego. Esta é a causa da exaltação de Dawkins porque “Darwin possibilitou isto devido ao fato de ser intelectualmente um ateu. O que não significa que Darwin possa ter tornado isto impossível devido ao fato de ele não ter sido nada mais do que um ateu”.

Por exemplo, darwinismo e teísmo poderiam ser facilmente reconciliados por aqueles que, semelhantemente a Asa Gray e Charles D. Walcott, interpretaram a evolução darwiniana de forma errada, tal como sendo um processo benevolente divinamente ordenado com o propósito da criação de humanos. Por outro lado, o darwinismo dá aos ateus e agnósticos uma vantagem decisiva na extensão de que a crença da existência em Deus é matéria de lógica e evidência. Aqueles que realmente compreendem o darwinismo, mas ainda guardam inclinações espirituais, possuem a opção de criarem uma religião fora da evolução.

Theodosius Dobzhansky – o primeiro exemplo de Gould de um cristão evolucionista – verdadeiramente exemplificou a dimensão religiosa do darwinismo. Dobzhansky descartou a concepção cristã de um Deus, seguindo Teilhard de Chardin e espiritualizando o processo evolutivo, com isto adorando o glorioso futuro da evolução.

Gould escreve que a religião e a ciência podem não se conflitar, “porque a ciência diz respeito à realidade factual, enquanto a religião trabalha com a moralidade humana”. Mas esta assertiva implica em uma distinção entre a moralidade e a realidade, que é inexistente e a qual o próprio Deus nunca observou na prática. A moralidade da discriminação racial, por exemplo, não teria nada a ver com a realidade factual da igualdade entre os seres humanos? O autor de “The Mismeasure of Man” parece não pensar assim. E o que deu a Gould a autoridade de proclamar que a religião não é concernente com a realidade factual de Deus?

Deus não tem nenhuma autoridade moral a menos que Ele realmente exista, e se Deus realmente existe Ele pode dar o seu toque na criação. Quando uma elite científica reivindica uma autoridade exclusiva para decidir o que é real, está exercendo um controle sobre a ciência, religião, filosofia, e qualquer outra área do pensamento.

A religião, como a ciência, se inicia com suposições e conclusões acerca da realidade.se fomos criados por Deus com um propósito, este será um ponto de partida.Se somos o produto acidental de forças naturais cegas, este será um ponto de partida muito diferente. No primeiro caso tentamos apreender o desejo do nosso criador e no outro caso descartamos o “espírito interveniente” (grifo do autor) como a uma ilusão e começamos a mapear o nosso próprio curso.

Portanto, o próprio Gould, na sentença conclusiva do seu “Wonderful Life”, parte diretamente do ponto de vista inicial darwinista para a conclusão religiosa de que somos seres moralmente autônomos que criamos os nossos próprios valores.

Somos os rebentos da história e devemos estabelecer os nossos próprios caminhos neste universo, o mais diverso e interessante de todos os universos concebíveis – indiferente diante do nosso sofrimento e portanto, nos oferecendo a máxima liberdade prosperarmos ou fracassarmos.

O autor de todas estas afirmativas castigou-me por eu ter sugerido que o darwinismo está atado à filosofia naturalista e oposto a qualquer teísmo significativo. Daivd Hull, criticando Darwin on Trial para a Nature, foi igualmente severo comigo por recusar-me a conceder que o darwinismo finalizou a religião teística, completamente, para o bem. Hulll, enfaticamente, proclamou um doutrina darwinística para Deus:

Que tipo de Deus alguém pode inferir através da sorte dos fenômenos encarnados pelas espécies nas Ilhas Galápagos, de Darwin? O processo evolutivo é semeado pela chance, pela contingência e incrivelmente arruinado, morte, dor e horror… O deus de Galápagos é descuidado, perdulário, indiferente, quase diabólico. Ele não é, certamente, o tipo de Deus para o qual alguém seja inclinado a orar.

É muito, para a neutralidade religiosa do darwinismo. Passo à pergunta mais importante: a tese do Relojoeiro Cego é verdadeira? Colocando a questão de uma outra forma, a seleção natural, realmente, tem o fantástico poder criativo apregoado pelos darwinistas? Esta me parece ser uma pergunta apropriada, mas pessoas como Gould, Hawkins e Hull, insistem em que a verdadeira definição de ciência regulamenta a questão.

Eles dizem que a ciência é inerentemente comprometida com as premissas naturalísticas e de que a evolução darwiniana é a melhor teoria científica (i.e. naturalística) da criação biológica que temos, até que o darwinismo adquira a virtude chamada “conciliação da indução” – significando que isto explica muito se assumirmos que o darwinismo é verdadeiro.

De uma forma ou de outra, os darwinistas encaram a pergunta “o darwinismo é verdadeiro?, com uma resposta que chega à presunção de ser uma afirmação de poder: “bem é ciência, como definimos a ciência, e você deve se contentar com isto”.

Alguns de nós não nos contentamos com isto, porque sabemos que a evidência empírica para o poder criativo da seleção natural é alguma coisa entre pouco convincente e inexistente. A seleção artificial de moscas das frutas ou de animais domésticos produz mudança limitada nas espécies, mas não nos diz nada sobre como os insetos e os mamíferos vieram à existência, em primeiro lugar.

Em qualquer caso, tudo o que a seleção adquire é devido ao emprego da inteligência humana conscientemente perseguindo uma meta. O ponto nevrálgico da tese do relojoeiro cego, porém, é o de estabelecer o que o processo material é capaz de fazer tendo em vista a ausência de propósito e inteligência . As autoridades darwinistas omitem esta distinção crucial, continuamente, nos fornecendo pouca confiança na sua objetividade.

Exemplos da seleção natural em ação, segundo a observação de Kettlewell da mudança na população das mariposas do pimentão, ilustram verdadeiramente, a variação cíclica nas espécies estáveis as quais não exibem uma mudança direcional. O registro fóssil – caracterizado pelo surgimento súbito e subseqüente estasis – é notoriamente relutante em produzir exemplos da macroevolução darwiniana. Os répteis Therapsid e o Archaeopteryx são raras exceções na ausência geral de intermediários transacionais plausíveis entre os grupos principais, o que é importante de ser entendido é que mesmo estes troféus darwinistas não são conclusivos como evidência da macroevolução.

Não é para se surpreender que autoridades proeminentes como Stephen Jay Gould e Lynn Margulis têm aspirado por uma nova teoria, no sentido de que a evidência contradiz as afirmações do neo-darwinismo de que a inovação macroevolucionária resulta da acumulação de pequenas mudanças genéticas feitas pela seleção natural.

O ponto não é se a evolução é verdadeira, num sentido vago. A evolução certamente ocorreu, mas a importância científica desta afirmação é débil quando a evolução científica é definida vagamente como mudança ou modestamente como mudanças nas freqüências do gene.

Não há dúvidas de que o modelo de relacionamento entre plantas e animais convida a uma dedução de que haja algum processo de desenvolvimento proveniente de uma fonte comum. Mas o quanto sabemos acerca deste processo de desenvolvimento?

Um dia, talvez, os cientistas serão capazes de testar algum mecanismo macroevolucionário, envolvendo mudanças no padrão dos genes ou seja qual for, que explique como um mamífero de quatro patas pode tornar-se em uma baleia ou um morcego sem passar pelos passos intermediários e impossíveis. As dificuldades deveriam contudo, ser honestamente admitidas.

O que necessita a teoria evolucionista é de um mecanismo confiável e criativo, capaz de construir estruturas altamente complexas como os sistemas da visão e da respiração, outra vez e outra vez novamente, em diversas linhas. A especulação sobre como um salto ocasional pode ocorrer não fará este trabalho.

Os leitores que conhecem o “metier” (score- no original) entenderão porque me senti honrado de que Stephen Jay Gould não conseguisse achar uma melhor resposta para o meu desafio, do que me fazer um ataque vitriólico o qual evita os pontos principais, ao invés de ele vagar pelas páginas do livro em busca de alguma coisa substancial para objetar (comparar com o que eu escrevi na página 16 de Darwin on Trial) sobre a objeção de Gould a respeito de “recombinação”, e você verá como ele trabalhou duramente para tentar achar uma “agulha no palheiro”.

A crítica me é bem-vinda em pontos específicos; foi por esta razão que fiz circular rascunhos preliminares, que enviei para muitos dos sábios mais importantes, inclusive para Gould.

O tema da controvérsia, porém, é o meu argumento de que a tese do Relojoeiro Cego não tem o suporte da evidência – i.e., de que a ciência não sabe como a vida pode se desenvolver em direção à sua complexidade e diversidade presentes, sem a participação de uma inteligência pré-existente. Se Gould tivesse uma resposta convincente para este argumento, no original – “nit to pick”- podem estar certos de que ele teria debatido as questões claramente e colocado a linha principal do seu raciocínio em destaque.

A sua crítica em si mesma, não merece uma resposta mais profunda. Mas o que requer maiores explicações é a sua hostilidade. O que divide Gould e eu tem muito pouco a ver com a evidência científica, e muito a ver com a metafísica.

Gould enfoca a questão da evolução a partir do princípio filosófico do naturalismo científico, o qual nega a priori que um ser não material tal como Deus possa influenciar o curso dac natureza. Deste ponto de vista, a tese do Relojoeiro Cego é verdadeira, em princípio, por definição.

A ciência pode não conhecer todos os detalhes ainda, mas alguma coisa muito parecida com a evolução darwiniana, simplesmente terá que ser responsável pela nossa existência porque não existe outra alternativa aceitável.

Se há lacunas ou defeitos na teoria existente, a resposta apropriada é abastecê-la com hipótese naturalísticas adicionais.

Críticas que depreciam o darwinismo sem oferecerem uma alternativa naturalística, são vistas como atacando a própria ciência provavelmente, com a intenção de impor uma camisa de força religiosa na ciência e na sociedade. Não se pode racionalizar com tais pessoas; há que se empregar todos os meios disponíveis para desencorajá-las.

Mas, talvez, o darwinismo seja falso – em princípio e não seja exato em detalhe. Talvez os processos materiais insensatos não são capazes de criarem uma informação rica dos sistemas biológicos. Esta é uma possibilidade real, não importa o quão ofensiva seja para os naturalistas científicos. Como os darwinistas sabem que o Relojoeiro Cego criou o animal phyla, por exemplo, desde que o processo não pode ser demonstrado, desde que faltam todas as evidências históricas comprovativas? Os darwinistas devem possuir o poder cultural de suprimir questões como estas por um tempo, mas eventualmente eles terão que se haver com elas.

Existem muitos teístas na América, sem mencionarmos no resto do mundo, e as pessoas que promovem o naturalismo em nome da ciência não terão para sempre a capacidade de negarem a estes teístas, um ouvido justo.

Os naturalistas científicos que pensam poder defender o darwinismo empreendendo uma guerra ideológica contra os críticos, estarão livres para seguirem o exemplo de Stephen Jay Gould. Os outros poderão escolher marcharem no mesmo caminho de Michael Ruse e dos cientistas darwinistas que participaram de um simpósio sobre “Darwin on Trial”, em março de 1992, na “Southern Methodist University”. Estas pessoas aprenderam que é possível debater diferenças metafísicas num sentido acadêmico com um pensamento justo e de maneira respeitosa.

Finalizando, toda a comunidade científica terá que aprender que a discussão honesta – com suposições identificadas e termos precisamente definidos – é o único método viável para a resolução das controvérsias, o que torna consistente com as melhores tradições da própria ciência. Quando os cientistas defendem uma doutrina predileta usando o método de obscurecerem as questões e os temas intimidando os críticos, o fato se torna um claro sinal de que o que eles estão defendendo não é a ciência.

Stephen Gould Quebra o Silêncio sobre “Darwin on Trial”

Um sumário da crítica de Gould de Darwin on Trial, que surgiu em Junho de 1992, publicado pela Scientific American. Sumarizada por Doug Burnett, editor associado, The Real Issue”

A Natureza da Lei

Gould inicia a sua crítica sugerindo que a natureza e a prática da lei não qualificam alguém para a investigação científica. Sua assertiva está baseada na interpretação de que as decisões legais podem ser realizadas mesmo quando existem evidências insuficientes.

Gould arrazoa que para um advogado se lançar dentro da área científica, ele ou ela deve aplicar as “normas e regras” científicas. “Um advogado” não pode, simplesmente, passar por cima de alguns dos critérios aplicáveis no seu próprio mundo e nos condenar falsamente, partindo de uma mistura de ignorância e impropriedade.

“Os sistemas legais são invenções humanas, baseadas na história do pensamento humano e na prática”, Gould estratifica. Conseqüentemente , o sistema legal apela através do uso de um precedente legal.
“De maneira oposta, os cientistas “buscam continuamente, por novos sinais provenientes da natureza para invalidar uma história proveniente dos argumentos passados”, diz Gould.

Cristianismo e Darwinismo

Gould então racionaliza que, ao contrário da posição tomada por Johnson, o darwinismo não contradiz a noção acerca de um mundo refletor do desenho e do propósito e, portanto, não limita os seus proponentes com suposições naturalísticas. Gould cita vários exemplos do que ele denomina de darwinistas cristãos.

Gould afirma que Asa Gray, um conhecido botânico americano, advogou a seleção natural e foi um cristão.

Gould afirma também que cinqüenta anos após Gray, Charles D. Walcott, que possui o crédito de ter descoberto os fósseis de Burgess Shale, foi um darwinista e um cristão. De acordo com Gould, Walcott acreditava que Deus permitiu a seleção natural e a utilizou para dirigir a história, de acordo com os Seus propósitos intencionais.

“Ou a metade dos meus colegas é consideravelmente estrépida, ou a ciência do darwinismo é totalmente compatível com as crenças religiosas convencionais…”,Gould concluiu.

Esta compatibilidade está baseada na crença de Gould de que a ciência e a religião não possuem um solo comum. Gould afirma “a ciência trata com a realidade factual, enquanto a religião batalha com a moralidade humana”.

Erros Científicos

Gould, então, volta o seu criticismo para a visão de Johnson sobre a natureza da religião e da ciência e para o uso que ele faz dos dados científicos. O controle dos fatos da biologia, feitos por Johnson, produziu faíscas da parte de Gould, principalmente nas questões envolvendo a recombinação sexual e a sua categorização. Gould contesta o uso de argumentos e evolucionistas antiquados. Gould reprova Johnson pelo que ele chama de “erros factuais e terminológicos”.

“Nada é somado com a exposição de 30 anos passados de erros, salvo o ponto óbvio de que a ciência progride, corrigindo os seus enganos passados”.

Além disso, Gould questionou a compreensão de Johnson do “propósito e lógica do argumento evolucionista”. Gould crê que a visão limitada de Johnson a respeito da experimentação científica imediatamente seguida pela observação, torna-se inexata.

“Ele não realiza que toda a ciência histórica, não tão somente a evolução, poderia desaparecer com a sua restrição idiota” ?, pergunta Gould.

Finalmente, Gould entendeu que Johnson não apresentou argumentação lógica mais adiantada para cimentar a sua posição, mas usou de vários métodos injustos de discurso, inclusive exclusões que levam a falsas representações de pessoas ou reivindicações; o estratagema da permissão de que a parte represente o todo; e a tendência de castigar os evolucionistas pelos seus erros passados.

Copyright © 1996 Phillip E. Johnson. All rights reserved. International copyright secured.
File Date: 8.31.96
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http:// http://www.arn.org/docs/johnson/watchmkr.htm

Nota do Jornal Infinito
Stephen Jay Gould faleceu . É um dos autores do ainda controverso “Equilíbrio Pontuado”. Philip E. Johnson é dum dos pioneiros da teoria do “Intelligent Design”. Tradução: Vera Filizzola