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Deus procura sinceridade.

O que é sinceridade? Afinal é isso que Deus procura em nós, Jesus resistiu, foi extremamente duro com os HIPÓCRITAS.

 

Aliás, trago em mente o significado de hipócrita, que é oposto a sinceridade:

 

 

Hipócrita pode ser uma pessoa que tem atitudes hipócritas, ou ela mesma uma pessoa falsa, fingida, que faz coisas que na verdade não faria, em outra situação.

Relativamente à origem da palavra, ela vem do grego, e servia para qualificar o ato artístico de representar um papel, sendo que inicialmente descrevia um ator ou atriz.

Hipócrita é a pessoa que age como outra, que usa de hipocrisia, que não é leal, e principalmente que não é alguém confiável. Uma pessoa hipócrita é aquela que finge ser o que não é, seja através de religião, virtudes, características, idéias, sentimentos, e etc. A pessoa hipócrita finge ter algo que não tem, seja para agradar aos outros, se aproximar de um determinado grupo, ou até mesmo para melhorar a sua própria auto-estima.

Um ato hipócrita é quando alguém critica uma atitude de alguém, quando ela faz exatamente a mesma coisa, ou até pior. O hipócrita nem pensa nesse fato, tudo que ele quer é estar em vantagem sobre outras pessoas. Outro exemplo de alguém hipócrita é aquele que tem vontade de fazer alguma coisa, e critica as pessoas que fazem, mesmo que ele queira, apenas para diminuir os outros.

Hipócrita também é uma pessoa dissimulada, demagoga, que finge ser algo que não é.

 

Então, não é a unica coisa que Deus procura em mim, mas posso dizer que é a PRIMEIRA coisa e algo tão imprescindível em um relacionamento com Ele.

 

Eis o que Deus procura em mim… SINCERIDADE … E …

 

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Sinceridade é o substantivo feminino que significa a qualidade de uma pessoa sincera. É sinônimo de franqueza, lisura, lhaneza.

Uma das definições de sinceridade indicam que é uma mistura de fraqueza e verdade. Muitas pessoas não são sinceras porque sabem que se mentirem podem manipular uma pessoa e obter assim algum benefício.

Por exemplo, se um amigo te pergunta se você gosta da sua roupa nova e você diz que sim, mesmo pensando que não, isso é falta de sinceridade. No entanto, é importante salientar que ser sincero não é ser bruto, é possível ser sincero sem magoar as pessoas quando expressamos as nossas opiniões.

Existe também a white lie, expressão em inglês que em português significa mentira boba, mentirinha, mentira piedosa ou mentira inocente que consiste em uma mentira com boa intenção, que é dita para não ferir os sentimentos de outra pessoa. Ainda assim, não deixa de ser uma mentira e falta de sinceridade. Um dos exemplos mais frequentes é: “Eu não quero estragar a nossa amizade”, quando na realidade a pessoa quer dizer: “Eu não gosto de você”.

Sinceridade e honestidade

Apesar de muitas vezes serem vistos como sinônimos, existem diferenças entre sinceridade e honestidade.

Por exemplo, quando uma pessoa diz: “Eu confesso, fui eu que roubei o seu carro”, ela foi sincera, porque admitiu que cometeu o crime. Apesar disso, ela não foi honesta, porque cometeu um ato ilícito, que vai contra as normas morais da honradez e decência.

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Analisando o problema do mal ateológico

1. Introdução:

O presente ensaio tem como objetivo fazer uma leitura crítica da problemática clássica da coexistência de Deus com o mal: sendo Deus um ser poderoso, sábio e bondoso o suficiente para aniquilar o mal, e mesmo assim não o faz, será que o podemos chamar de Deus? Ou: será que ele realmente comporta em si, simultaneamente, todos os atributos que normalmente são ditos dele (onipotencia, onisciencia e perfeição moral), mesmo com tais ocorrências que nos parecem tão absurdas, como uma criança que morre de fome na África ou o caso de um feto acéfalo?

Mulher segura seu filho com desnutrição no Hospital  Banadir, em Mogadíscio, capital da Somália. O país pediu novo esforço internacional para ajudar a combater a fome na região  Foto: Reuters

Trataremos destas questões abaixo. Veremos que, com o rigor apropriado, o problema do mal não é consistente e que só permanece sendo defendido por tanto tempo devido as características psicológicas inerentes de suas premissas, sendo estas completamente estranhas a juízos epistêmicos, e que, na verdade, o problema do mal não é próprio do ateu, mas é característico de profundas reflexões teísta-religiosas no decorrer da história da filosofia da religião.

 

Várias filósofos propuseram soluções (as chamadas teodicéias) para o problema, como Agostinho, Leibniz, Kant, etc. Atualmente talvez a melhor discussão sobre o tema seja a de Alvin Plantinga [1] (embora sua “Defesa do Livre Arbítrio” não seja mencionada neste artigo).

 

2. Exposição do problema do mal ateu:

 

Não nos cabe aqui abordar o problema do mal em suas tradicionais ramificações (probabilístico, lógico, emocional, etc.); nos basta apenas o que há de mais substancial nele, isto é: é dito que um problema é um problema do mal ateu quando este visa demonstrar a inexistência (ou a possível inexistência) de Deus a partir da existência do mal.
Mas ainda assim a versão aqui exposta terá seus paralelos com aquela usada por Austin Dacey em seu debate com William Lane Craig [2]; ou seja, os “males sem sentido” serão evocados.

 

Mas antes, cabe mencionar o problema em sua forma mais clássica:

 

        (1) Deus é onipotente;

 

        (2) Deus é onisciente;

 

        (3) Deus é perfeitamente moral;

 

      (4) Há mal.

 

É dito que este conjunto de proposições é inerentemente inconsistente (i.e., não há um modelo N pela qual o conjunto das proposições (1)-(4) sejam verdadeiras ao mesmo tempo).
Essa ideia é direta e não muito complexa. Contudo, não há razões a priori considerar este conjunto inconsistente, tendo em vista que os males podem ter uma razão específica de ser. Por isso alguns tem inserido, como dito, a noção de “males desnecessários” no problema.

 

A versão reformulada segue:

 

        (p1) Deus é onipotente, onisciente e perfeitamente moral;

 

        (p2) Necessariamente, se Deus é assim definido e existe, então não podem haver males sem sentido;

 

        (p3) Há males sem sentido;

 

(c) Logo o Deus definido não existe.

 

Onde um mal sem sentido é um mal que não tem absolutamente razão de ser alguma, tanto para o sujeito que o sofre quanto para a humanidade em geral. É, em suma, um sofrimento gratuito. Fora isso o argumento não carece de mais exposições; as premissas, se verdadeiras, servem para inferir a conclusão.
Claro que ainda podem haver aqueles que introduzam a noção de probabilidade no problema: ou seja, que ao invés do juízo expresso em (p2) – onde antecedente Deus existe é a condição suficiente do consequente –, teriamos: se o Deus definido existe, então provavelmente não haveria mal (sem distinguir entre males com ou sem sentido); e como há mal, então é provavel que esse Deus não exista – essa visão ainda é fortalecida quando o defensor do problema afirma que Deus, podendo fazer qualquer coisa que não envolva contradições lógicas, poderia muito bem ter criar um mundo onde não existisse mal; e se Deus é bom, essa deveria ser sua vontade.

 

Essa versão probabilística do problema do mal, no entando, nos parece muito frágil e não será considerada em si neste artigo (muito embora as objeções que iremos direcionar à versão exposta acima sirvam igualmente para a versão probabilística e para qualquer versão do problema, desde que nos propomos a ponderar o que há de substancial nele, como já foi dito).

 

3. Definição de mal:

 

É importante também gastar algumas linhas considerando o quê se entende por mal. Nesse ponto as coisas não são tão simples e redutíveis ao essencial como é com o problema.
O que seria, na verdade, o mal? Essa pergunta é ao mesmo tempo simples e inquietante. Se for dito que mal é aquilo que causa dor e sofrimento, então teriamos de assumir que um parto em uma mulher é uma ocorrência má. E qualquer pessoa em sã consciência não consideraria o nascimento de um ser humano (um filho, ou um irmão) algo mal em si mesmo. O mesmo poderia ser dito se o mal fosse definido como o causador de prejuízo. Existem prejuízos que não são maus. O jogador compulsivo precisa primeiro perder uma considerável quantia em dinheiro para perceber que precisa deixar seu vício. No final o seu prejuízo na verdade foi um ganho: o de mudar de vida. Logo esses critérios não servem para estabelecer uma definição ontológica do mal.

 

De fato, há uma imensa dificuldade conceitual no que concerne ao mal. No entando, não nos é difícil identificar o mal quando o vemos no dia a dia.
Quando algum desastre natural ocorre e varre a vida de milhares, ou quando algum parlamentar é deposto de seu cargo por corrupção, não é difícil que a coletividade veja nesses eventos um mal explícito: temos aqui um exemplo de mal natural e mal moral.
Portanto poderia nos ser útil dizer que um evento P é mal se, e somente se, (i) causar desordem na ordem estabelecida, não importando se essa ordem é subjetiva (particular) ou intersubjetiva (coletiva, a nível cultural) e (ii) não servir para beneficiar em nada aqueles que, porventura, teriam sido submetidos a este mal.
Mas ainda assim não chegamos a um definição ontológica do mal. O “ser” do mal ainda não foi desvelado, já que, na realidade propriamente dita, o subjetivo e o intersubjetivo só nos dizem acerca da compreenção dos indivíduos acerca de dada proposição que indique o mal, não acerca do que é o mal, independentemente de nossas concepções.

 

Quanto a isso, temos duas saídas: (i) ou postulamos que não existe nada mal em si mesmo ou (ii) recorremos a uma explicação religiosa para o mal.
No primeiro caso, o problema do mal ateu já sofre uma espinhosa objeção: se ele pretende, através da existência do mal, demonstrar que Deus não existe (ou que provavelmente não exista), a tarefa de justificar as proposições do problema se torna muito mais difícil a medida em que percebemos que o mal só existe como um para-mim ou um para-nós, sendo os juízos provenientes do problema meramente juízos singulares, sem um fundamento na realidade independente dos sujeitos (realísticamente falando). Mas reconhecemos que essa objeção não é suficiente.

 

Quanto ao segundo caso, uma explicação religiosa precisaria recorrer a alguma tradição religiosa para fundamentar o mal na realidade propriamente dita. Se nós recorrermos a tradição cristã, onde há um Deus todo bondoso, o mal seria, nos servindo da definição de Karl Barth [3], das Nichitige – aquilo que se opõe a existência e a vontade original de Deus para as coisas: nisso, se Deus desejou P, o mal será ~P e vice verso.
Nesse ponto seria necessário conhecer a vontade original de Deus para poder saber o que é mal; como estamos falando de uma tradição religiosa, então parte da vontade original de Deus (e não sua totalidade) nos é conhecida: os valores morais e existenciais contidos no seio do cristianismo seriam o que há de bom; suas negações seriam, portanto, o mal: eis aí o mal objetivo (que constituiria a realidade independente das noções culturais e pessoais).

 

Assumindo que Deus exista podemos definir o mal de uma forma objetiva. E é justamente nesse cenário que o problema do mal entra em cena: por isso desde já é necessário dizer que, para que qualquer versão do problema do mal seja ao menos válida, é necessário assumir por premissa que exista um Deus com esses e aqueles atributos (premissa condicional), e a partir disso apontar uma contradição. Assumir que Deus não exista e que, portanto, os males existentes não tem um sentido, seria apenas uma grosseira petição de princípio.

 

Nos ocuparemos agora da crítica ao problema do mal ateu.

 

4. O problema do mal ateu: falso ou verdadeiro?

 

Já vimos que, por mais que hajam diversas ramificações do problema do mal ateu, ele pode ser reduzido ao que há de essencial nele: aquele problema que pretende exprimir juízos de existência, em relação a Deus, recorrendo ao mal; vimos também que não se pode reduzir o mal à sofrimento, dor ou prejuízo e que ele não pode ser definido objetivamente sem recorrer a existência de Deus, já que todos os males existentes sempre são males subjetivos ou intersubjetivos; portanto, o problema do mal, para ser válido, precisa primeiro assumir a existência de Deus como premissa condicional.

 

Feitas essas considerações, podemos agora verificar a factibilidade do problema (especialmente do modelo apresentado acima, muito embora as considerações feitas a seguir sirvam para qualquer um deles).
Iniciemos como um silogismo demonstrativo. Depois de exposto em sua forma lógica, concluiremos com considerações sobre as premissas do argumento para verificar se o problema do mal ateu é falso ou verdadeiro.

 

O argumento segue:

 

        (p1) O mal existente ou tem ou não tem um sentido;

 

        (p2) Se tem um sentido, então o problema do mal ateu é falso;

 

        (p3) Se não tem um sentido, então o problema do mal ateu é verdadeiro;

 

        (p4) Se o problema do mal ateu é verdadeiro, então não existe um ser que seja onipotente, onisciente e perfeitamente moral;

 

        (p5) Existe um ser que é onipotente, onisciente e perfeitamente moral;

 

(c1) Logo o mal existente tem um sentido.
(c2) Consequentemente o problema do mal ateu é falso.

 

Em linguagem lógica:

 

        1. P v Q (disjunção)

 

        2. P –> ~A

 

        3. Q –> A

 

        4. A –> ~B

 

        5. B (premissa condicional)

 

6. ~Q (SH, 3, 4)
7. P (Disj., 1, 6)
8. ~A (MP, 2, 7).

 

(p1) é incontroversa. Não há outra opção: ou o mal existente no mundo tem ou não tem um sentido (definido no segundo tópico). (p2) e (p3) consistem na noção de males gratuitos e males significativos.
Como já foi definido, mas retomando uma vez mais, é dito que um mal é gratuito se, e somente se, for um evento, ou ocorrência, que, via de regra, cause prejuízo, dano, sofrimento, e derivados, a um ser P sem que tal carga produza algo de bom a curto ou a longo prazo para a ordem designada das coisas. Por exemplo, pode-se alegar que o sofrimento de um dinossauro em uma idade longínqua não serviu de nada para ninguém e para propósito algum.
Já um mal não gratuito (significativo) é o oposto disso. Ponderar essas duas definições nos ajudará a resolver o problema: e é nesse ponto o argumento contra o problema dependerá de sua premissa implícita.

 

Ora, se um ser é onipotente, onisciente e perfeitamente moral, então os males existentes precisam, necessariamente, atender a um propósito previamente orquestrado pelo mesmo, tendo em vista sua onisciencia e seu caráter moral.
Disso podemos inferir que: (p) Necessariamente, se existe um ser onipotente, onisciente e perfeitamente moral, então todos os males existentes precisam atender a um propósito significativo (isto é, os males não podem ser gratuitos). Se há ao menos um mal não significativo, então temos uma contradição e o ser em questão não existe da forma como é descrito (onipotente, onisciente…).
Contudo, se existe um ser tal que exemplifique estas propriedades, então, necessariamente, é logicamente impossível haver um mal não significativo (gratuito) na realidade. Mesmo que não possamos saber precisamente qual é o signifcado de certos males (p.e., uma criança nascer morta, ou alguém ser preso injustamente por 10 anos, ficar cego e adiquirir câncer [4]). Afinal, nosso conhecimento é limitado: isso significa que nossas condições cognitivas de seres que conhecem não são absolutas e que nosso conhecimento é corrigível.

 

William Lane Craig comenta algo similar [5]:

 

          “Não estamos em condições de avaliar com confiança a probabilidade de que Deus não possua razões moralmente suficientes para permitir a ocorrência dos males (…) O que dificulta a avaliação da probabilidade aqui é que não estamos numa boa posição epistêmica para fazer esses tipos de juízos de probabilidade com confiança. Como pessoas finitas, somos limitados no espaço e no tempo, na inteligência e no juízo. Mas o Deus transcendente e soberano vê o final da história (…) Com o objetivo de alcançar seus fins, Deus pode muito bem ter colocado alguns males no meio do caminho. Males que aparentemente parecem sem sentido ou desnecessários para nós, dentro de nosso limitado arcabouço, podem ser vistos como tendo sido justamente permitidos a partir do escopo divino mais amplo”.

Analogias que ilustram nossa limitação cognitiva dentro do mundo natural também são possíveis [6]. Diante da proposição Marta furou o estômago de Joana, a qual conclusão podemos chegar? Alguém poderia dizer que Marta cometeu tal ato por vingança; outro poderia dizer que Marta o fez por ser uma cirurgiã e que nesse momento estava a salvar a vida de Joana.
Mas como obter esse conhecimento? Informações adicionais seriam necessárias: qual instrumento Marta utilizou? Onde elas estavam durante o ocorrido? Etc.

Se nossa razão não pode apreender a totalidade destes casos, que são meras exemplificações quotidianas, muito maior ignorância nos seria própria tratando de um ser que é, por definição, muito além de nós, humanos. Sendo assim, fica impossível afirmar alguma coisa a posteriori sobre Marta e Joana (o que seria diferente se dispusersemos de informações a priori sobre Marta e Joana, do mesmo mode que dispomos sobre Deus). Se não posso exprimir tal juízo, exatamente por desconhecer a amplitude do caso, seria tolice afirmar categoricamente que Marta fez isso, isso ou aquilo; ou que Joana tenha feito isto ou aquilo. A limitação epistêmica delimita a qualidade do juízo. O mesmo se aplica ao problema do mal.

 

A diferença é que Craig geralmente utiliza um juízo referente a possibilidades, “Deus pode ter razões moralmente justificaveis”. Aqui está sendo colocado um juízo categórico: “Deus tem razões moralmente justificaveis”; ou melhor, necessariamente Deus tem estas razões ocultas em si, caso contrário, o problema do mal ateu é verdadeiro e Deus, ou não pode (não é onipotente), ou não sabe (não é onisciente), ou não quer (perfeitamente moral) acabar com o mal: essa é a implicação mais geral do problema, conforme construido no clássico paradoxo de Epicuro.

 

(É válido frisar que tal ideia vale para qualquer tipo de mal: natural, moral ou qualquer outro; Deus necessariamente, se é descrito como onipotente, onisciente e perfeitamente moral, tem fins justificáveis para permitir, desde um terremoto destruidor, até que uma mulher persuadida use de sua liberdade para morder uma maçã – e por que não a decadência material de um homem justo [7]?).

 

Nos resta então nossa premissa condicional (p5): existe um ser tal que exemplifique as propriedades de ser onipotente, onisciente e perfeitamente moral – como já foi mostrado, o problema só pode ser válido se esta premissa condicional for assumida como verdadeira. O que segue disso são simples deduções de nossas premissas anteriores: como esse ser existe, então os males existentes são signifativos; e como os males são significativos, o problema do mal ateu deve ser falso, já que ele só seria verdadeiro se houvesse ao menos um mal existente que não fosse significativo (gratuito). Mas tal proposição não pode ser factível diante da existência de um ser onipotente, onisciente e perfeitamente moral. Consequentemente segue que a conclusão é inevitável e, portanto, o problema do mal ateu (suas premissas) é falso; e como o corpo das proposições dispostas no cojunto do problema não podem ser verdadeiras ao mesmo tempo (i.e. “Deus existe” e “Existem males gratuitos”), concluimos que o problema é inconsistente (ou seja, não é consistente).

 

5. Conclusão:

 

Foi visto que o problema do mal ateológico assume diversas formas, mas que carrega uma essência; essa essência foi tratada aqui, acompanhada da concepção de males gratuitos, mais ou menos como Austin Dacey defendeu contra Craig; depois foi definido o significado da palavra mal, sendo que este irredutível ao sofrimento humano e dependente do subjetivo. Assumindo, porém, a existência do Deus de tradição cristã, tem-se uma definição objetiva do mal, independente da compreenção de cada um: essa definição se alcança através da negação de tudo aquilo que emana propriamente de Deus.
Vimos que é particular, e imprescindível, ao problema assumir esta definição e a existência de Deus para que ele fassa sentido – particularidade esta que, na verdade, é sua própria sepultura: se essa premissa for verdadeira, segue que não existe mal gratuito algum e que, portanto, tanto o problema usual, quanto o problema probabilístico do mal, exprimem juízos que não podem ter o menor alcance epistêmico; portanto, o problema do mal ateu não serve para demonstrar a inexistência de Deus e nem dispõe de substrato racional para chegar a conclusões que geralmente os defensores do problema desejam chegar.

 

6. Últimas considerações:

 

Está o teísta, neste ponto, apelando ao mistério? Sim e não. Sim porque, de fato, as razões de Deus para permitir o mal nos são misteriosas, não acessíveis, até o momento, à nós, de forma que só podemos refletir sobre elas, sem nunca chegar a uma resposta definitiva; e não porque tal acusação, provavelmente da parte de algum defensor do problema, é prejorativa, como se acusasse o teísta de algum tipo de argumento da ignorância: mas o exame de nossas condições epistêmicas e das analogias apropriadas, funcionam como verdadeiros invalidadores desta objeção.

 

Deus poderia ter feito tudo de forma a não permitir o mal? Sim. Não parece existir uma contradição lógica em um mundo onde não há males (embora isso possa conflitar com a existência da liberdade humana), embora não saibamos se esta realidade, para os propósitos de Deus, são necessárias ou contingentes. Mas o caso é que, por alguma razão que não parece ser acessível à nós, Ele não fez.

 

Deus é imoral por permitir males significativos? Não. Como já foi dito, se dispomos de uma definição a priori de Deus (definição que é inquestionável quando falamos do problema do mal), então é possível inferir que, seja lá qual for o motivo implícito na “cognição” divina, ele é um motivo moral.

 

Como fica o problema do mal, então?

 

Para a intenção atéia de demonstrar a inexistência (ou provável inexistência) de Deus, fica uma enorme interrogação, acompanhada de um nada que lhe é característico. Contudo, para o teísta, sobretudo o cristão, fica um manancial de reflexão existencial.
Embora saibamos que o mal não pode se reduzido ao sofrimento e derivados, não há de se negar que entre ambos existe uma íntima relação. O problema do mal muitas vezes se confunde com o problema do sofrimento – e não poderia ser diferente, pois se o mal não afetasse o seio da humanidade de forma a causar desequilíbrio de alguma ordem, não veriamos nisto um problema: mas o identificamos a medida que somos afetados por ela, direta ou indiretamente.

 

Portanto, observamos que o mal, em certas escalas, supõe o sofrimento: nessa altura surgem as mais belas e profundas reflexões sobre o tema; como vemos nos escritos bíblicos – tanto nos clamores por justiça de Habacuc e Jó, quanto nos sofrimentos apostólicos aludidos no novo testameno –, nas diversas tradições filosóficas, de autores que se debruçaram sobre o tema integralmente, com ênfase em Kierkegaard (grande parte de sua reflexão, se não tona, comporta o problema do sofrimento), que considera o desespero uma condição universal do ser humano [8]:

 

          “Da mesma forma como provavelmente não haja, segundo os médicos, ninguém completamente são, também se poderia dizer, conhecendo bem o homem, que não há um só que esteja isendo do desespero, que não tenha lá no fundo uma inquietação, uma perturbação, uma desarmonia, um receio de não se sabe o quê desconhecido ou que ele nem ousa conhecer, receio duma eventualidade exterior ou receio de si mesmo.”

Para o leitor atento dos escritos religiosos, sobretudo os escritos cristãos, fica evidente a imanência do sofrimento, desespero, angústia, perda – palavras tipicamente cristãs – na existência humana. O apóstolo Paulo dizia completar em si “os sofrimentos que faltavam à Cristo”, pela própria Igreja, através dos sofrimentos que ele nos relata [9]. Isso sem contar que a própria fé cristã está fundamentada no sofrimentoe ressurreição de Jesus Cristo.

O ateu que pensa estar afetando o teísmo, ou o cristianismo mais especificamente, citando o problema do mal, provavelmente não conhece as passagens bíblicas onde Jeremias questiona claramente a justiça de Deus, mesmo reconhecendo que não poderia entrar com ele num debate [10]; ou quando o mesmo reclama de seu sofrimento e o atribui a Deus [11]; ou ainda mais os diálogos entre Deus e Jó, quando a ignorância de Jó, até mesmo sobre seu próprio mundo, é pareada com os desígnios de YHWH que são, por definição, muito mais profundos que o conhecimento natural: [Disse Deus] Quem é este que obscurece meus desígnios com palavras sem sentido? Cinge-te os rins, como herói, interrogar-te-ei e tu me responderás: Onde estavas, quando lancei os fundamentos da terra? Dize-mo, se é que sabes tanto” [12].

 

O problema do sofrimento nunca foi negligenciado pela religião. Ele aparece, sempre com seu tom misterioso e com sua seta apontando para a única realidade que pode, efetivamente, por um fim (resolver) o problema: ou seja, a Realidade Última; pois, se ela não existe, logo todo sofrimento é puro acaso, fruto do devir cego, é niilismo (isto é, se Deus for apenas uma ideia e não existir na realidade).

 

Mas caso contrário, a resolução está nele. E ao ser humano resta lidar com o mal, que ele identifica por vezes como puro sofrimento.
Nas palavras de João Paulo II: [O sofrimento] É algo tão profundo como o homem, precisamente porque manifesta a seu modo aquela profundidade que é própria do homem e, a seu modo, a supera. O sofrimento parece pertencer à transcendência do homem; é um daqueles pontos em que o homem está, em certo sentido, « destinado » a superar-se a si mesmo; e é chamado de modo misterioso a fazê-lo.” [13].

 

Deixemos o problema, então, nas mãos de quem ele pertence.

 

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Notas e referências:

 

1 – PLANTINGA, Alvin. God, Freedom And Evil. London: Allen e Unwin, 1975;
2 – William Lane Craig vs. Austin Dacey: “Debate: Does God Exist?”. Purdue University, 2005. Dividido em 14 partes e disponível aqui (tradução de Eliel Vieira). Acesso em: 13 de janeiro de 2012;
3 – MCGRATH, Alister E. Teologia: sistemática, histórica e filosófica. São Paulo: Sheed Publicações, 2005 (pg. 347);
4 – Foi o caso de Marcos Mariano da Silva;
5 – MORELAND, J. Porter; CRAIG, W. Lane. Filosofia e Cosmovisão Cristã. São Paulo: Vida Nova, 2005 (pg. 659);
6 – Para um exame mais amplo do problema do mal, ver a série de três artigos contidas no blog Quebrando o Encanto do Neo-ateísmo, disponível aqui. Acesso em: 14 de janeiro de 2012;
7 – Alusão à história bíblica de Adão e Eva e de Jó;
8 – KIERKEGAARD, Soren A. O Desespero Humano: coleção a obra-prima de cada autor, texto integral. São Paulo: Martin Claret, 2001. Livro II: A universalidade do desespero (pg. 27);
9 – Colossenses 1, 24; 2 Corintios 11, 23-28;
10 – Jeremias, 12, 1;
11 – Ibid., 15, 18;
12 – 38, 2-4. BÍBLIA. Bíblia de Jerusalém: Nova edição, revista e ampliada. São Paulo: Paulus, 2002;
13 – PAULO II, João. Salvifici Doloris: sobre o sentido cristão do sofrimento humano, Vaticano, 1984. Disponível aqui. Acesso em: 14 de janeiro de 2012.

 

Dificuldades Bíblicas e Respostas a Ateus .

Contradição bíblica ou demasiada falta de vontade para entenderes?

A maioria daqueles que dizem que a bíblia está cheia de contradições nunca a leu, a não ser com o único propósito de procurar contradições e de a criticar. A maioria destes ignora os contextos, tanto literários como histórico-sociais. No entanto, há aqueles que conseguem tirar a paciência a Jó. Há contradições apresentadas por alguns críticos que me deixam a pensar se ele estará a falar a sério, dado o absurdo da contradição apresentada.

Os críticos poderiam evitar muitas demonstrações de ignorância, em relação à bíblia, se levassem em conta o seguinte:
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1) Ter em conta se a passagem está a falar da mesma pessoa, assunto ou lugar. Por exemplo:

Em Génesis 6:14, Deus manda que a arca seja feita de madeira de gôfer: “Faze para ti uma arca de madeira de gôfer: farás compartimentos na arca, e a revestirás de betume por dentro e por fora.” Mas em Êxodo 25:10 Deus manda que a arca seja feita de madeira de acácia: “Também farão uma arca de madeira ,de acácia; o seu comprimento será de dois côvados e meio, e a sua largura de um côvado e meio, e de um côvado e meio a sua altura.” O nosso crítico ignora que as arcas mencionadas não são as mesmas, nem sequer têm a ver uma com a outra. A mencionada em Génesis é a arca de Noé, a de Êxodo é a arca da Aliança.
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2) Ter em conta se a passagem está a falar da mesma pessoa, assunto ou lugar, no mesmo período de tempo. Por exemplo:

Em Génesis 1:31, Deus diz que tudo o que fez era muito bom: “E viu Deus tudo quanto fizera, e eis que era muito bom“. Mas em Génesis 6:5 Deus diz que as coisas não eram assim tão boas: “Viu o Senhor que era grande a maldade do homem na terra, e que toda a imaginação dos pensamentos de seu coração era má continuamente“. O nosso crítico ignora que as duas afirmações foram proferidas em alturas e circunstâncias diferentes, estando separadas por cerca de 1600 anos.
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3) Ter em conta se estamos a falar da mesma pessoa, assunto ou lugar, no mesmo período de tempo, no mesmo sentido. Por exemplo:

Em Actos 9:7, Paulo diz que os homens que viajavam com ele ouviram uma voz: “Os homens que viajavam com ele quedaram-se emudecidos, ouvindo, na verdade, a voz, mas não vendo ninguém“. Mas em Actos 22:9, a recontar a história, Paulo diz que os homens não ouviram nenhuma voz: “Os que estavam comigo viram, em verdade, a luz, e se atemorizaram muito, mas não ouviram a voz daquele que falava comigo“. O nosso crítico não tem conhecimento de que a palavra “ouvir” pode ser usada com diferentes sentidos. Pode ser “ouvir” relativamente à audição (ex: Ouviste o que eu disse?) ou “ouvir” relativamente à compreensão (ex: Ouviste – percebeste – o que eu disse?).
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Se os críticos seguissem as dicas deste pequeno Manual de compreensão bíblica para principiantes, se calhar 80% das alegadas contradições nunca seriam avançadas.

A Arqueologia Comprova Costumes Bíblicos .

A arqueologia fez muita coisa para explicar os costumes aludidos na Bíblia, mostrando assim a exatidão do registro bíblico. Um caso em pauta é o relato de Gênesis, capítulo 31, onde se menciona que Raquel, esposa de Jacó, “furtou os terafins que pertenciam a seu pai”, Labão.(V. 19) Declara-se o motivo de Labão dar-se ao trabalho de ir no encalço de sua filha e o marido dela durante sete dias. Foi para recuperar os seus “deuses” (Vv. 23, 30) É interessante que uma descoberta arqueológica na antiga cidade mesopotâmica setentrional de Nuzi revelou a existência duma lei patriarcal, segundo a qual a posse dos deuses da família davam ao homem o direito aos bens de raiz do seu falecido sogro. Quando é lembrado que Labão era nativo do noroeste da Mesopotâmia e quão traiçoeiramente ele havia lidado com Jacó, o conhecimento desta lei lança luz sobre o estranho furto de Raquel e sobre os esforços frenéticos de Labão para recuperar os seus “deuses”. O Museu do Louvre, de Paris, exibe diversos de tais “deuses domésticos”, descobertos em diversas cidades da Mesopotâmia. Seu tamanho pequeno (de 10 a 15 centímetros) também ajuda a explicar como Raquel pôde ocultar os terafins sentando-se no cesto da sela em que estavam e negando-se a se levantar, quando Labão fez a busca. — Vv. 34, 35.

Um dos bens mais prezados do Museu do Louvre é um bloco de pedra preta de exatamente 2,25 metros de altura, comumente conhecido por “Código de Hamurábi”. Sob um relevo mostrando o Rei Hamurábi de Babilônia recebendo autoridade do deus-sol Xamaxe, há 282 leis em colunas escritas em letras cuneiformes. Visto que se diz que Hamurábi reinou de 1728 a 1686 A.E.C., alguns críticos da Bíblia afirmaram que Moisés, que registrou as leis de Israel mais de um século e meio depois, apenas plagiou o código deste rei babilônico. Desmentindo esta acusação, W. J. Martin escreveu no livro Documentos dos Tempos do Antigo Testamento (em inglês):

“Apesar das muitas similaridades, não há nenhuma base para se presumir qualquer apropriação direta pelos hebreus dos babilônios. Mesmo nos pontos em que as duas séries de leis diferem pouco na letra, divergem muito no espírito. Por exemplo, no Código de Hamurábi, o furto e a aceitação de produtos furtados eram punidos com a pena capital (Leis 6 a 22), mas nas leis de Israel a punição era a compensação. (Êxo. 22:1; Lev. 6:1-5) Ao passo que a lei mosaica proibia a entrega dum escravo fugitivo ao seu amo (Deut. 23:15, 16), as leis babilônicas puniam com a morte aquele que acolhesse um escravo fugitivo. — Leis 15, 16, 19 .”

No Supplément au Dictionnaire de la Bible, o orientalista francês Joseph Plessis escreveu: “Não parece que o legislador hebreu tenha feito uso dos diversos códigos de Babilônia e Assíria. Nada na sua obra pode ser provado como tendo sido apropriado. Embora haja similaridades interessantes, elas não são tais que não possam ser facilmente explicadas pela codificação de costumes compartilhados por pessoas da mesma origem.”

Ao passo que o Código de Hamurábi reflete o espírito de retaliação, a lei mosaica diz: “Não deves odiar teu irmão no teu coração. . . . Não deves tomar vingança nem ter ressentimento contra os filhos do teu povo; e tens de amar o teu próximo como a ti mesmo.” (Lev. 19:17, 18) Isto não somente prova que Moisés não se apropriou de nada de Hamurábi, mas a comparação entre as leis bíblicas e as inscritas nas tabuinhas e nas estelas escavadas pelos arqueólogos mostram que as leis bíblicas são muito superiores àquelas que governavam outros povos antigos.