O CUSTO DA COMPLEXIDADE 2 – BACTÉRIAS


By Marcos Ariel

No “O Custo da Complexidade – drosófilas” percebemos que os dados indicam uma perda de aptidão (número médio de filhos) da drosófila na medida em que aumenta sua complexidade. Vimos a opinião de Dawkins de que a Seleção Natural é o mecanismo do aumento da complexidade da vida na terra.

Em seu livro “O que é a Evolução”, Ernst Mayr responde a pergunta “A evolução é progressiva?” afirmando que quando olhamos da bactéria ao homem, aparenta progresso. Entretanto o parasitismo, os animais subterrâneos e de cavernas apresentam aspectos simplificadores. Cita também as bactérias, um dos mais bem sucedidos “com uma biomassa total maior do que todos os outros organismos juntos”.

Separei a seguinte frase para ser analisada: “O que não se pode negar, porém, é que, a cada geração do processo evolutivo, os sobreviventes são, em média, mais aptos do que a média dos que não sobreviveram. Sob esse aspecto a evolução realmente é progressiva. Além disso, durante toda a história da evolução foram introduzidas inovações que tornam os processos funcionais mais eficientes”. (Mayr, 2001)

Vamos aos dados observacionais e experimentais.
Uma das maneiras de as bactérias resistirem aos ataques do sistema imunológico e drogas antimicrobianas é a produção de biofilme (Pasternak, 2009). O biofilme impede a fagocitose (destruição pelas células de defesa) e a penetração de antibióticos na colônia de bactérias. Aparentemente, as bactérias que produzem o biofilme apresentam vantagem em relação às que não produzem.

Analisando a formação de polímero (biofilme) pelo Pseudomonas, notou-se que as bactérias que não produzem polímero se reproduzem mais rápido que as produtoras de polímero (Mirsky, 2009). As produtoras de polímero seriam “altruístas”. Numa competição direta as “altruístas” seriam eliminadas. O acréscimo funcional aqui seria considerado um aumento de complexidade. Veja a FIGURA.

Lenski já havia relacionado a resistência aos antibióticos com a perda de capacidade reprodutiva das bactérias. Entretanto, afirmava que com o tempo isso seria superado pelos mecanismos evolutivos (Lenski, 1998). No entanto, observações clínicas demonstram que Lenski pode estar errado.

Um exemplo comum é o paciente colonizado por bactérias multirresistentes- no caso citado aqui o Acinetobacter pan. Colonizado é o portador sem a doença. O protocolo sugere que em seis meses no domicílio o ambiente se encarrega de eliminar a bactéria. A eliminação se deveria à competição com outros organismos e a atuação do sistema imunológico da pessoa. (Coordenadoria Geral da Vigilância em Saúde-Porto Alegre-RS).

Portanto, os dados não confirmam que a cada geração do processo evolutivo, referente ao aumento da complexidade das bactérias, a média dos sobreviventes seria mais apta que a média dos que não sobreviveram. Ao contrário, na competição direta, há uma perda de aptidão. (os evolucionistas contornam isso através do Isolamento Geográfico que será analisado a posteriori). O que ocorreu é que a Seleção Natural eliminou a concorrência, permitindo o surgimento da complexidade. Voltando a competição, o mais complexo fica em desvantagem.

 

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Referências

-Coordenadoria Geral da Vigilância em Saúde- Manual de Orientação para Controle da Disseminação de Acinetobacter sp Resistente a Carbapenêmicos no Município de Porto Alegre-RS
http://www.saude.rs.gov.br/…/20120521095513manual_de_contro…

-Lenski, Richard E, Bacterial evolution and the cost of antibiotic resistance http://www.im.microbios.org/04december98/06%20Lenski.pdf

-Mayr, Ernst O que é a Evolução, Rocco, 2001

-Mirsky, Steve O que é Bom Para o Grupo Scientific American Brasil, 2009, fevereiro

-Pasternak, Jacyr Biofilmes: um inimigo (in)visível http://www.researchgate.net/…/…/54c7647e0cf238bb7d0a8183.pdf

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