Será que as mutações corroboram para a evolução?


By Marcos Felipe Vitsil (Design Intelligent Group)

Trabalhei por 2 anos no laboratório de Mutagênese Ambiental da UERJ, e lá fazíamos diversos testes de mutagenicidade e genotoxicidade. Posso responder que baseado na toxicologia esta hipótese da mutação contribuir para a evolução é bem pouco provável.

Como são os testes toxicológicos?

O principal teste do laboratório era o “Teste de Ames”, este teste de mutação reversa utiliza cepas bacterianas de Salmonella enterica sorovar Typhimurium deficientes na produção do aminoácido histidina (His-), derivadas da linhagem LT1 de S. typhimurium, e tem por finalidade detectar a atividade mutagênica induzida por compostos através da reversão do fenótipo His- para His+. (MORTELMANS E ZEIGER, 2000)

Explicando de maneira mais simples:
Nossas bactérias eram modificadas geneticamente para perder a capacidade de sintetizar um aminoácido essencial para o crescimento bacteriano chamado de “Histidina“, e toda vez que nossas bactérias entravam em contato com algum agente mutagênico elas sofriam mutações e “voltavam” a produzir histidina e era possível observar seu crescimento novamente nas placas de Petri. Reparem que as bactérias depois de sofrer mutação não ganhavam novas estruturas, e sim voltavam a ter estruturas que possuíam antes… Revertiam His- para His +.

Todos os artigos publicados na área de mutagênese utilizam o teste de Ames como procedimento padrão, ele faz parte de um grupo de metodologias de triagem utilizados para detectar substâncias carcinogênicas (AIUB et al., 2004) e todos os produtos testados só são caracterizados como “mutagênicos” quando as bactérias conseguem “voltar” a produzir histidina, a chamada “mutação reversa”… Não foram criadas estruturas novas com estas mutações… Apenas voltaram com as estruturas antigas!

4 tipos de diferentes de mutações são encontradas:

Mutação do tipo frameshift, por deleção de par de bases G-C

Mutação do tipo frameshift, por adição de par de bases G-C

Mutação por substituição de G-C para T-A

Mutação por substituição deT-A para G-C

 

Cada uma representada por uma cepa bacteriana específica e TODOS estes tipos de mutações detectam a “mutação reversa” e não uma mutação nova! Em mais de 80% dos casos, os produtos considerados mutagênicos para bactérias, são cancerígenos para humanos.

Então as bactérias não podem evoluir? E as resistências a antibióticos?

A microevolução é um fato, porém deve ser compreendida.

As mutações ocorridas em que bactérias adquirem resistência antimicrobiana não geram as bactérias uma “evolução propriamente dita” e sim uma simples “adaptação ao meio”… As bactérias não evoluem de classe ou gênero (Ênfase do blog)… Continuam sendo da mesma família filogenética.

Seria como um homem que morava no Brasil, e se mudou para a Antártida. Nos primeiros meses ele irá sofrer muito com o frio… Mas com o tempo irá se adaptar ao ambiente… Porém não irá evoluir filogeneticamente, ou criar novas estruturas químicas… Simplesmente irá desenvolver uma resposta ao estímulo do ambiente.

Em breve publicarei mais sobre outros testes de genotoxicidade…

Att
Vital da Silva

 

 

Referências:

AIUB, C. A. F.; STANKEVICINS, L.; DA COSTA, V.; FERREIRA, F.; MAZZEI, J. L.; RIBEIRO, S, A.; SOARES, M, R.; FELZENSZWALB, I.
Genotoxic evaluation of a vinifera skin extract that present pharmacological activities. Food and Chemical Toxicology. 2004. v.42, p. 969–973.

MARON, D. M.; AMES, B. N. Revised methods for the Salmonella mutagenicity test. Mutation Research. 1983 v.113, p. 173-215.

MORTELMANS, K.; ZEIGER, E. The Ames Salmonella/microsome mutagenicity assay. Mutation Research. 2000. V.455, n. 1-2, p.29-60

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