O naturalismo metodológico é religiosamente neutro? Não é o que mostra o Grande Mito Evolucionário!


By Sociedade Origem e Destino

A doutrina filosófica do naturalismo metodológico assegura que para qualquer estudo do mundo ser qualificado como “científico” ele não pode fazer referência a atividade criadora de Deus (ou qualquer sorte de atividade divina). Os métodos da ciência não nos deixam a opção das proposições teológicas, mesmo que elas sejam verdadeiras. E a teologia, portanto, não pode influenciar explicações científicas. Por conseguinte, a ciência é considerada religiosamente neutra. Entretanto, a prática da ciência desafia a afirmação que a ciência seja neutra. Em muitas áreas, a ciência não possui uma posição de neutralidade religiosa. Uma dessas áreas é a evolução. O texto é de Alvin Plantinga (ver original aqui), sendo apresentado de forma adaptada a seguir.

De acordo com o Grande Mito Evolucionário, a vida orgânica surgiu da matéria não viva através de meios puramente naturais e da ação das regularidades fundamentais da física e da química. Após o início da vida, toda a vasta profusão de flora e fauna surgiu dos primeiros ancestrais por meio de um descendente comum. A variedade enorme de vida existente surgiu, basicamente, através da seleção natural.

Eu chamo essa estória de mito não porque não acredite nela (apesar de não acreditar nela), mas porque ela possui um papel quase religioso na cultura contemporânea. A estória é uma forma de entendermos a nós mesmos com a mesma profundidade da religião; é uma interpretação profunda de nós mesmos para nós mesmos; é uma forma de contarmos para nós mesmos porque nós estamos aqui, de onde nós viemos, e para onde estamos indo.

É epistemicamente possível que o Grande Mito Evolucionário seja verdadeiro. Aparentemente Deus poderia ter criado todas as coisas da forma descrita pelo Grande Mito Evolucionário. Entretanto, certas partes dessa estória são, no mínimo, epistemicamente duvidosas. Por exemplo, nós praticamente não possuímos hipóteses decentes de como a vida poderia ter surgido de matéria inorgânica somente através das regularidades conhecidas da física e da química. Por essa razão, nas próximas linhas nós iremos considerar o termo “evolução” para denotar somente a afirmação muito mais fraca que todas as formas de vida contemporânea estão genealogicamente relacionadas. De acordo com essa afirmação, você e as flores em seu jardim compartilham ancestrais comuns.

Muitos especialistas contemporâneos, tais como Francisco Ayala, Richard Dawkins, Stephen Gould, William Provine e Philip Spieth, declaram que a evolução não é uma mera teoria, mas um fato estabelecido. De acordo com eles, essa estória não é somente uma certeza virtual, mas uma certeza real. Por que eles pensam dessa forma? Dado o caráter irregular das evidências – por exemplo, o registro fóssil apresenta uma súbita aparição de fósseis… e poucos (se algum) exemplos genuínos de macroevolução, não há relato satisfatório de um mecanismo pelo qual todo o processo poderia ter acontecido – essas afirmações de certeza parecem ser no mínimo extremamente excessivas. A resposta pode estar naquilo que eles pensam acerca do teísmo. Se eles rejeitam o teísmo em favor do naturalismo, a estória evolucionária é a única saída viável. É a única resposta à pergunta: De onde veio essa variedade enorme de flora e fauna? Como tudo chegou até hoje? Mesmo que o registro fóssil seja na melhor das hipóteses irregular e na pior das hipóteses nega a hipótese da evolução, a estória do Grande Mito Evolucionário é a única resposta a ser oferecida para essas questões, a partir de uma perspectiva naturalística.

Entretanto, de uma perspectiva teísta ou cristã, as coisas são menos inquietas. O teísta sabe que Deus criou os céus e a terra e tudo que ela contém. Ele sabe, portanto, que Deus criou toda a vasta diversidade de vida animal e vegetal. Mas o teísta não está comprometido com nenhuma forma particular de criação [não creio que o cristão não esteja comprometido com nenhuma forma particular de criação, mas isso é usualmente aceito no cristianismo atual]. Deus poderia tanto ter criado os seres vivos através de um meio evolucionário quanto através de uma forma totalmente diferente. Por exemplo, Deus poderia ter criado os seres vivos através da criação direta de certas espécies de criaturas, conforme muitos cristãos pensaram ao longo dos séculos. Alternativamente, Deus poderia ter criado da forma que Agostinho sugere: Deus fez com que todas as espécies surgissem através do embute de sementes que permitiram o posterior surgimento das espécies de seres vivos, as quais não estão relacionadas genealogicamente. As duas sugestões [do teísta] são incompatíveis com a estória evolucionária. Portanto, um cristão possui certa liberdade. Ele pode seguir as evidências. Se algo sugere que Deus tenha criado os seres humanos de forma especial (de tal forma que os seres humanos não estejam relacionados genealogicamente ao resto da criação), então não há nada que possa preveni-lo a acreditar que Deus tenha feito dessa forma.

Talvez o ponto aqui seja o seguinte: A probabilidade epistêmica da estória do Grande Mito Evolucionário ser verdadeira é completamente diferente para o teísta e para o naturalista. A probabilidade dessa estória ser verdadeira considerando a evidência e a visão teísta é muito menor que a probabilidade dessa estória ser verdadeira considerando a evidência e a visão naturalista. Portanto, a ciência não é neutra e a comunidade de pesquisadores cristãos deveria fazer ciência a partir de sua própria perspectiva.

_______________________________________________________________________________________________________

Sobre Sociedade Origem e Destino: É um blog que julgo ser de altíssima qualidade, que tive o prazer de descobrir há alguns anos, e muito de seus artigos, traduções fazem parte do meu acervo.

Ele é de Johannes G. Janzen, professor de engenharia na Universidade Federal de Mato Grosso do Sul. Possui doutorado em Hidráulica e Saneamento pela Universidade de São Paulo com período sanduíche na Universidade de Karlsruhe, Alemanha. Tem experiência na área de Engenharia Civil e Ambiental com ênfase em Fenômenos de transporte e Hidráulica.

Não será permitido neste blog, insultos, palavras frívolas, palavrões, ataques pessoais, caso essas regras não sejam seguidas não perca seu precioso tempo postando comentário. Qualquer comentário que violar a política do blog será apagado sem aviso prévio. Na persistência da violação o comentador será banido.

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s