No naturalismo, é arbitrário afirmar que o estupro é errado


By Sociedade Origem e Destino

Muitos naturalistas afirmam que a moralidade é o produto dos processos evolutivos biológicos.

Segundo Paul Copan, professor de Filosofia e Ética, há diversas respostas para essa afirmação

Ontem, postamos a primeira.

Aí vai a segunda resposta:

A moralidade naturalística é arbitrária e poderia ter se desenvolvido em direções opostas. Michael Ruse (com E.O. Wilson) dá um exemplo de como isso funciona. Ao invés de nós termos evoluído de “primatas morando nas savanas”, poderíamos, assim como os cupins, termos evoluído necessitando “habitar na escuridão, comer os resíduos uns dos outros, e canibalizar os mortos”. Se a última evolução fosse verdadeira, nós teríamos de “exaltar tais atos como bonitos e morais” e “acreditar ser repugnante viver ao ar livre, eliminar os resíduos do corpo e enterrar os mortos”.

Nossas crenças morais firmemente incorporadas poderiam ter se desenvolvido ao longo de outras linhas.

E se os seres humanos tivessem evoluído de tal forma que o estupro efetivamente aumenta a sobrevivência e reprodução? Uma bióloga e um antropólogo se uniram para documentar esse ponto. Em seu livro, A História Natural do Estupro, argumentam eles – para o horror de muitas pessoas, inclusive as feministas ateias convictas – que o estupro pode ser explicado biologicamente. Como assim? Quando um homem não consegue encontrar uma companheira, a sua unidade subconsciente para reproduzir sua própria espécie pressiona ele a forçar a si mesmo sexualmente sobre uma mulher. E age semelhante ao estupro que ocorre no reino animal – perpetrado por marrecos e mecópteros machos, por exemplo.

Não pense por um minuto que esses autores defendem o estupro. Eles não escusam estupradores por seu comportamento (ou mau comportamento). Mas e se o estupro é tão natural como a granola? E se a natureza humana tem o impulso do estupro incorporado desde a antiguidade, conferindo vantagem biológica? O problema ser-dever ser [guilhotina de Hume] desponta aqui também. Os autores não podem condenar esse comportamento com base na sua lógica. A resistência dos autores ao estupro, apesar de sua “naturalidade”, sugere a existência de valores morais objetivos e que não estão enraizados na natureza. Uma ética enraizada na mera natureza nos deixa com uma moralidade arbitrária.

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