Sobre o HypeScience: o que fazer com um site ideologicamente vendido ao naturalismo filosófico


Não é de hoje que o naturalismo se nega a aceitar qual posição além de seu mundo físico/químico.

(By Enezio E. de Almeida filho)

Em 2012 o site HypeScience afirma ser um site de ciência, e que todas as vezes que publica artigos sobre o Big Bang, a idade da Terra e o fato da evolução, sofre ataques frequentes de criacionistas com seus comentários defendendo “mitos religiosos”. Sofria, pois os responsáveis pelo site decidiram:

“Comentários de natureza criacionista que neguem a Teoria da Evolução das Espécies, a real idade da Terra ou do Universo e afins serão sumariamente removidos (juntamente com suas réplicas) por criarem discussões cíclicas inúteis”.

(Sobre os comentários: O que fazer com os criacionistas)

Não vou comentar a decisão do HypeScience censurar esses criacionistas, nem sobre o Big Bang, tampouco sobre a idade da Terra, muito menos defender os criacionistas que fizeram comentários inúteis, mas vou comentar sobre a afirmação do HypeScience de que “a evolução biológica é um fato”:

“Há inúmeras provas irrefutáveis que mostram a inexorabilidade deste processo que vem acontecendo há milhões de anos. A cada dia surgem mais evidências tanto da paleontologia quanto do campo genética e da biologia molecular. Há muita gente séria trabalhando nisso e inúmeras revistas científicas seculares com um enorme acervo de dados a disposição de todos”.

Sim, a evolução biológica é um fato, mas de qual evolução o HypeScience mencionou há “inúmeras provas irrefutáveis que mostram a inexorabilidade deste processo que vem acontecendo há milhões de anos”?

Primeiro, e talvez o pessoal do HypeScience não saiba, mas a teoria de Darwin não é uma ideia única: ela é um conglomerado de diversas ideias relacionadas, cada uma apoiada por argumentos específicos:

Evolução #1:

Aqui a evolução significa que as formas de vida que nós vemos hoje são diferentes das formas de vida que existiram no passado distante. Evolução como “mudança ao longo do tempo” também pode se referir a mudanças mínimas em características das espécies de espécies individuais – mudanças que ocorrem num curto espaço de tempo. Até os céticos da teoria de Darwin concordam que este tipo de “mudança ao longo do tempo” ocorre.

Evolução #2:

Alguns cientistas associam a palavra “evolução” com a ideia de que todos os organismos que nós vemos hoje descendem de um único ancestral comum em algum lugar no passado distante. A afirmação se tornou conhecida como a Teoria da Descendência Comum Universal. Esta teoria pinta um quadro da história da vida na Terra como sendo uma grande árvore cheia de galhos.

Evolução #3:

Finalmente, algumas pessoas usam o termo “evolução” para se referir a uma causa ou mecanismo de mudança, o processo biológico que Darwin pensou fosse responsável por este padrão de ramificação. Darwin argumentou que a seleção natural tinha o poder de produzir fundamentalmente novas formas de vida.

Juntas, as ideias da Descendência Comum Universal e a seleção natural formam o cerne da teoria da evolução darwinista. A evolução neodarwinista combina o nosso conhecimento sobre o DNA e a genética para afirmar que as mutações no DNA fornecem a variação sobre a qual a seleção natural age.

Embora surjam “mais evidências tanto da paleontologia quanto do campo genética e da biologia molecular” essas evidências, uma leitura objetiva e isenta da literatura especializada revela que nem sempre essas evidências são favoráveis ao estabelecimento do fato da evolução, e apontam noutra direção.

Vide: ALMEIDA FILHO, E. E. “A sugestão de Edgar Morin para o ensino das incertezas das ciências da evolução química e biológica — uma bibliografia brevemente comentada”, in Anais do II Congresso Nacional de Licenciaturas 2009, Universidade Presbiteriana Mackenzie, em 01/10/2009. [Link não localizado] *
Neste trabalho, mais de 100 pesquisas e artigos abordam as ‘zonas de incertezas’ das ciências da evolução química e biológica que Edgar Morin sugeriu em 1999 à UNESCO fossem ensinadas para a educação do futuro.

Além disso, quando se discute evolução é preciso ter em mente quais das três definições acima estão sendo usadas? Atualmente, a maioria dos críticos do Neodarwinismo focaliza na Evolução #2 ou na Evolução #3. Todavia, a discussão ou debate fica confuso quando alguém pega uma evidência a favor da Evolução #1, e tenta fazer com que pareça apoiando a Evolução #2 ou a Evolução #3. **

Assim, alguém pode criticar ou discutir os problemas fundamentais da Evolução #2 ou Evolução #3 no contexto de justificação teórica, mas é falsamente acusado de rejeitar também a Evolução #1. Isso simplesmente não é o caso, pois até biólogos dissidentes do neodarwinismo aceitam a Evolução #1.

A ciência avança pela discussão de pontos de vistas teóricos diferentes. Este site aqui não quer que se discuta as predições propostas pela atual teoria da evolução de Darwin que fracassaram? Entre muitas fracassadas, cito algumas:

1. O fracasso da biologia evolucionária fornecer explicações evolucionárias detalhadas para a origem das características bioquímicas complexas;

2. O fracasso do registro fossil em fornecer apoio para a evolução darwinista;

3. O fracasso da biologia molecular em fornecer evidência para a descendência comum universal;

4. O fracasso da Genética e da Química explicar a origem do código genético;

5. O fracasso da biologia do desenvolvimento explicar por que os embriões de vertebrados divergem no início do desenvolvimento.

Como site de ciência, HypeScience, em vez de afirmar veementemente que a evolução biológica (sem qualificar qual dos seus três significados acima) é um fato, deveria abordar as questões sobre o fato, Fato, FATO da evolução que não são corroborados no contexto de justificação teórica e que são debatidas intramuros pela comunidade científica.

Como site de ciência, o HypeScience deveria, mas não me lembro de ter visto (recebo sua newsletter online), mencionar que a teoria da evolução atual, a Síntese Evolutiva Moderna foi considerada uma teoria científica morta em 1980, mas que posa como ortodoxia científica nos livros didáticos, por ninguém nada menos do que Stephen Jay Gould, um paleontólogo evolucionista.

Como site de ciência, o HypeScience deveria, mas não me lembro de ter visto, mencionar que, devido as montanhas de evidências contrárias trazidas por diversas áreas científicas no século 20 e século 21, especialmente a genômica, os cientistas estão trabalhando na elaboração de uma nova teoria geral da evolução – a Síntese Evolutiva Ampliada, que não deverá ser selecionista (contra Darwin) e deverá incorporar alguns aspectos lamarckistas (Lamarck redivivus?).

Talvez este site de ciência nem saiba, mas a nova teoria geral da evolução será apresentada à comunidade científica e ao público somente em 2020.

Desde 1859 as especulações transformistas de Darwin promovidas no Origem das espécies (que não explicou o que o título prometia, e nem a origem das variações) sofre críticas e rejeição, não somente da parte de religiosos, mas de cientistas.

Hoje, também não é diferente. Há cientistas, membros de Academias de Ciências e professores em renomadas universidades que são críticos e dissidentes de Darwin. Tem teístas, mas há alguns ateus, agnósticos e céticos. Vide lista.

Ah, o site HypeScience, um site de ciência, deveria saber que é o contraditório que faz avançar a ciência, e que não existe Theoria perennis em ciência. Nem a teoria da evolução de Darwin através da seleção natural e n mecanismos evolucionários de A a Z. Razão? Por ser um construto humano para a descrição da realidade encontrada na natureza, sujeito a revisões, ajustes e até o simples descarte (mudança paradigmática).

Mas isso, o HypeScience não abordará online, pois é um site que aceita as proposições transformistas de Darwin sem nenhum questionamento científico. QED, o HypeScience não é um site de ciência, mas sim um site ideológico promovendo o naturalismo filosófico como se fosse ciência.

HypeScience, uma dose de ceticismo salutar contra Darwin é científico, muito mais do que vocês imaginam!!!

+++++

* Trabalho apresentado no II Congresso Nacional de Licenciaturas 2009, Universidade Presbiteriana Mackenzie, em 01/10/2009

A Sugestão de Egar Morin para o ensino das incertezas das ciências da evolução química e biológica – uma bibliografia brevemente comentada

Enézio Eugênio de Almeida Filho
Ms em História da Ciência
Doutorando em História da Ciência [Naquela ocasião]
Pontifícia Universidade Católica de São Paulo
Email: neddy@uol.com.br

Resumo:

No seu livro Os sete saberes necessários à educação do futuro, Edgar Morin sugeriu à UNESCO incluir o estudo das incertezas que surgiram nas ciências físicas, nas ciências da evolução biológica e nas ciências históricas no século XX. Este artigo expande a sugestão feita por Morin em 1999 ao apresentar alguns exemplos da discussão de algumas linhas de evidências usadas para defender a evolução química ou biológica em livros-texto de biologia do ensino médio. Os argumentos apresentados por esses especialistas contradizem aspectos fundamentais das atuais teorias da evolução química e biológica, especialmente aqueles apresentados aos alunos em livros didáticos. Esses exemplos de discussão estão divididos em cinco seções, com uma breve descrição de suas implicações para a evolução química e biológica em um contexto de justificação teórica.

Palavras-chave: Charles Darwin, Edgar Morin, Teoria da evolução química, Teoria da evolução biológica, Incertezas

Abstract:

In his book Seven complex lessons in education for the future, Edgar Morin suggested to UNESCO to include the study of uncertainties that have emerged in the physical sciences, the sciences of biological evolution, the historical sciences in the 20th century. This article expands the suggestion made by Morin in 1999 by presenting some examples of the discussion of some lines of evidence used for defending the chemical or biological evolution in high school textbooks. The arguments presented by these specialists contradict fundamental aspects of current chemical and biological evolutionary theories, especially those presented to the students in textbooks. These examples of discussion are divided in five sections with a brief description of its implications for the chemical and biological evolution in a context of theoretical justification.

Key-words: Charles Darwin, Edgar Morin, Chemical theory of evolution, Biological theory of evolution, Uncertainties

** Para mais informações sobre os significados do termo ‘evolução’, vide “The Meanings of Evolução” por Stephen Meyer e Michael Keas.

Texto elaborado com materiais do Discovery Institute e seus vários blogs de ciência.

Veja o original aqui

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