Se as espécies em geral não possuem essência, então assim também é com o Homo Sapiens. Se ao Homo Sapiens falta a essência, então não se pode utilizar a teoria de Darwin para justificar a essência humana


 

Destaco um trecho do artigo “The Ethical Inadequacy of Naturalism” de J.P. Moreland:

É uma crença acalentada pela maioria das pessoas que os seres humanos possuem valores e direitos iguais e que eles possuem valor significativamente maior que os animais.

Entretanto, essa afirmação é difícil, se não impossível, justificar dado um mundo naturalista.

Para muitos naturalistas, o melhor, e talvez o único meio de justificar a crença que todos os humanos possuem valores e direitos iguais é à luz do fundamento metafísico da doutrina judaico-cristã da imagem de Deus.

Essa visão [naturalista] retrata os humanos como substâncias com uma natureza [essência] humana, e por pelo menos duas razões tal “quadro” deve ser abandonado.

Por um lado, o progresso da ciência tem regularmente mudado entidades (por exemplo, calor) da categoria de substância à categoria de qualidade, relação, ou quantidade. Portanto, provavelmente não existe a natureza humana, e falar da natureza humana deveria ser entendido somente dentre as categorias da biologia, química, e física, e com uma visão de humanos como meros agregados de partes.

Segundo, a teoria de evolução de Darwin tem feito a crença na natureza humana, apesar de logicamente possível, todavia, bastante implausível.

Conforme E. Mayr tem dito: “Os conceitos de essências imutáveis e de completas descontinuidades entre cada eidos (tipo) e todos os outros torna o pensamento evolucionário impossível. Eu concordo com aqueles que afirmam que as filosofias essencialistas de Aristóteles e Platão são incompatíveis com o pensamento evolucionário”.

Essa crença tem, por sua vez, levado pensadores como David Hull a fazer a seguinte observação: “As implicações de mover espécies da categoria metafísica que pode apropriadamente ser caracterizada em termos de ‘naturezas (essências)’ a uma categoria para a qual tais caracterizações são inapropriadas, são extensivas e fundamentais. Se as espécies se desenvolvem de alguma forma parecida que os darwinianos pensam, então elas não poderiam possivelmente possuir a sorte de natureza que filósofos tradicionais afirmam que elas possuem. Se as espécies em geral não possuem essência, então assim também acontece com o Homo Sapiens como espécie biológica. Se ao Homo Sapiens falta uma essência, então não pode ser feita referência à biologia para dar suporte às afirmações acerca da ‘natureza (essência) humana’. Quem sabe todas as pessoas sejam ‘pessoas’, compartilhem a mesma ‘personalidade’, etc, mas tais afirmações devem ser explicadas e defendidas sem referência à biologia. Uma vez que tantas teorias morais, éticas e políticas, dependem de alguma noção ou outra da natureza humana, a teoria de Darwin trouxe em questão todas essas teorias. As implicações não são vinculações. Nós podemos sempre dissociar “Homo Sapiens” do ‘ser humano’, mas o resultado é uma posição muito menos plausível.”

Fonte: http://www.origemedestino.org.br/blog/johannesjanzen/?post=557

2 comentários sobre “Se as espécies em geral não possuem essência, então assim também é com o Homo Sapiens. Se ao Homo Sapiens falta a essência, então não se pode utilizar a teoria de Darwin para justificar a essência humana

  1. afirmam que todas as culturas possuem visões de dignidade que se são uma forma de direitos humanos, e fazem referência a proclamações como a Carta de Mandén , de 1222 , declaração fundacional do Império de Mali. Não obstante, nem em japonês nem em sânscrito clássico, por exemplo, existiu o termo ” direito ” até que se produziram contatos com a cultura ocidental, já que culturas orientais colocaram tradicionalmente um peso nos deveres . Existe também quem considere que o Ocidente não criou a ideia nem o conceito do direitos humanos, ainda que tenha encontrado uma maneira concreta de sistematizá-los, através de uma discussão progressiva e com base no projeto de uma filosofia dos direitos humanos.

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  2. 5. No século XVI, na Europa colocam-se problemas radicalmente novos sobre o direito natural. As descobertas geográficas, põem em confronto os europeus com outros povos, nomeadamente o índios da América. A questão da natureza humana volta agora a recolocar-se, surgindo as primeiras teorizações racistas que negam a igualdade da natureza dos seres humanos.

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