Seria o projeto divino imperfeito?


 

Márcio Campos, colunista da Gazeta do Povo, escreveu em seu blog (ver texto completo aqui):

Em junho do ano passado, eu trouxe para o blog um texto sobre as “falhas de projeto” do olho humano, que por exemplo tem de mais músculos do que o necessário para girar o globo ocular, sem falar do ponto cego. Volto ao assunto porque nesta semana o geneticista John Avise, da Universidade da Califórnia/Irvine, publicou um estudo catalogando as inutilidades que carregamos em nosso genoma. É o que diz este artigo de Philip Ball no site da revista Nature (atualização às 17h24 de 5 de maio: o paper de Avise no Proceedings of the National Academy of Sciences of the USA está aqui; obrigado ao Paulo Cruz e ao Angelus pelo link).

Em poucas palavras, o que Ball afirma, baseado no trabalho de Avise, é que nosso genoma tem várias sequências repetidas e fragmentos aparentemente inúteis, aumentando a chance de que alguma coisa saia errado no processo de reprodução celular, o que acaba levando a doenças genéticas (uma turma da Universidade de Cardiff, no País de Gales, mantém um banco de dados de mutações genéticas ligadas a doenças). É o tipo de realidade que, mais uma vez, apresenta um desafio aos defensores do Design Inteligente, pelo menos para aqueles que identificam o designer como Deus. O que Ball e Avise dizem é que, ainda que no futuro se descubra uma função para as repetições e fragmentos, por exemplo, um genoma como o nosso, por mais sensacional que ele seja (e é), não chega a ser nenhuma maravilha do design, mas é compatível com uma visão evolucionária do processo que trouxe o nosso material genético até o que ele é hoje.

A alternativa mais óbvia é dizer que “design inteligente” não necessariamente significa “design perfeito”. Ainda assim, o problema continuaria para os defensores do DI que acreditam em um Deus onipotente e onisciente como designer. Sendo Deus a suma perfeição (como eu acredito que Ele seja), Ele não poderia ter feito melhor no caso do nosso genoma? Ou do nosso olho? Se poderia, mas não fez, qual o motivo?

Márcio Campos realiza a seguinte pergunta em seu post:

Se existe um projetista, ele não poderia ter projetado suas criaturas de maneira melhor?

Em seu texto, Campos cita dois exemplos de projetos não ótimos: o olho e o genoma humano. Há diversos problemas com esse tipo de argumentação. Cito três:

1. Se Campos consegue identificar que os projetos do olho e do genoma não são ótimos isso implica que ele sabe quais são os projetos ótimos. Não é possível que Campos saiba que o projeto não é ótimo a menos que saiba qual é o projeto ótimo. Isso somente mostra que Campos reconhece que existe um projeto que é empiricamente verificável.

2. Márcio presume conhecer os objetivos ou os propósitos do projetista para argumentar que o projeto não é ótimo. Por exemplo, Márcio assume saber que se Deus existe Ele iria criar o olho e o genoma com certos objetivos e propósitos. Que presunção! Talvez o projetista quisesse que o olho e o genoma fossem exatamente como são. Campos não pode especular acerca de como o projetista iria criar algo caso Ele exista.

3. Márcio assume que a criação de Deus permanece estática, isto é, Deus criou as criaturas e estas nunca mudam. Entretanto, os criacionistas assumem que a criação de Deus não é estática, mas dinâmica. Adicionalmente, os criacionistas acreditam que as criaturas criadas por Deus “sofram pequenas mudanças” de tal forma que as eventuais “imperfeições” podem ser o resultado de processos micro-evolucionários.

Observação
Uma vez que Márcio Campos utilizou os termos “criacionismo” e “teoria do design inteligente” como se fossem sinônimos, também tomei a liberdade de neste post usar os dois termos de forma “intercambiável”. Obviamente que Márcio Campos confunde o “criacionismo” com a “teoria do design inteligente”.

 

fonte : http://www.origemedestino.org.br/blog/johannesjanzen/?post=39

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