Eu Sou a VERDADE.


 

 

William Lane Craig responde a pergunta de um dos leitores de seu site.

Dr. Craig, a vida tornou-se um absurdo para mim. As diversas conversas que tive com pessoas em meus anos de escola ensinaram-me que a maioria das pessoas não acredita que existe “verdade”, antes a “verdade” é só uma questão de opinião e, portanto, não possui significado absoluto. Nas minhas conversas foi-me revelado que tudo que não é um fato científico é falso, e que a “verdade” é apenas um mecanismo de enfrentamento que o ser humano criou para fazer parecer que a vida tem sentido, mas na realidade a vida não tem nenhum sentido. Como você, como filósofo/teólogo, enxerga isso? Estou ansioso pela sua resposta!

Steven


Steven, seu desespero é totalmente desnecessário e até mesmo errado. Os indivíduos que lhe disseram que “Não há tal coisa como verdade” não são pensadores claros ou guias confiáveis. A posição que eles aderem é auto-referencialmente incoerente, isto é, é literalmente auto-refutável.

Basta perguntar a si mesmo a pergunta: A afirmação

1. “Não há verdade”

é verdadeira? Se não, então não há necessidade de se preocupar, certo? Por outro lado se (1) é verdade, então segue que (1) não é verdade, pois não há verdade. Portanto, se (1) é falso, é falso, e se (1) é verdadeira, é falso. Então, de qualquer forma (1) é falso. A posição defendida por seus amigos é incoerente.

Por favor, não descarte essa resposta com mera “lógica de shopping”. A posição que seus amigos lhe ensinaram é facilmente auto-refutável e tola.

Na verdade, o resto de sua carta revela que você implicitamente rejeita a visão “auto-destrutiva” deles, pois você continua afirmando algumas supostas verdades:

2. A palavra “verdade” é somente uma matéria de opinião e portanto não possui significado absoluto.
3. Qualquer coisa que não é um fato científico é falsa.
4. A verdade é apenas um mecanismo de enfrentamento que os seres humanos criaram.
5. A vida realmente não tem sentido.

Se (1) é verdadeiro, então (2)-(5) não pode ser verdade. Agora, desde que (1) é “auto-destrutivo”, você vai ter que abandoná-lo e apenas afirmar a verdade de (2)-(5).

Mas, em seguida, o problema é que (1) foi determinado como a justificativa para afirmar (2)-(5). Então, se você desistir de (1), qual é a justificativa para (2)-(5)?

Na verdade, (2)-(5) possuem os seus próprios problemas auto-referenciais. Escolha (2). Esta declaração é uma verdadeira bagunça. É evidente que a palavra “verdade” não é uma questão de opinião. A palavra “verdade” é uma palavra em Inglês, com cinco letras [o texto original é em inglês]. (2) não afirma nada e assim não pode ser uma questão de opinião. Da mesma forma, o que significa dizer que a “verdade” não tem significado absoluto? Claramente, esta palavra tem um significado (procurá-lo em qualquer dicionário), como é evidente pelo fato de que nós estamos discutindo isso. Se ele tem um significado em Inglês (ao contrário de, digamos, “zliibckk”), eu não sei o que significa dizer que o significado não é absoluto. Certamente, o significado de “verdade” é relativo ao idioma Inglês. Não tem nenhum significado em alemão, por exemplo (em oposição a “Wahrheit”). Claramente, o que se entende por (2) é algo mais parecido com

2*. O que é verdade é relativo à pessoa e somente uma questão de opinião.

“É verdade para você”, como dizem, “mas não é verdade para mim.” Mas, então, os mesmos problemas auto-referenciais surgem novamente. Se (2*) é verdadeiro, então (2*) em si é apenas uma questão de opinião e é relativo a uma pessoa. Mas então não é objetivamente verdade que a verdade é só uma questão de opinião. É apenas a sua opinião de que a verdade é uma questão de opinião, então quem se importa? O problema é que os relativistas querem afirmar que (2*) é objetivamente verdadeiro, mas, nesse caso, (2*) é falso. Então, mais uma vez, é auto-destrutivo.

Ou tome (3). (3) não é em si um fato científico. Não há experiências que você pode realizar para provar isso, nem você vai encontrá-lo afirmado em qualquer livro de ciências. É uma afirmação filosófica sobre a natureza dos fatos. Mas (3) afirma que qualquer coisa que não é um fato científico é falso. Mas, então, segue-se que (3) é falso! Acorde, Steven! Como você poderia ter ficado alheio a essas incoerências?

Que tal (4)? Verdade e falsidade são propriedades de afirmações. Uma afirmação S é verdadeira se e somente se o que S diz ser o acontecimento é realmente o acontecimento. Por exemplo, “A neve é branca” é verdadeiro se e somente se a neve é branca. Obviamente, a verdade não é um mecanismo de enfrentamento, já que os mecanismos de enfrentamento não são propriedades de afirmações. Isto é apenas uma forma confusa de pensar. O que se pretende por (4) deve ser algo como

4*. Pensamos que S é verdadeiro apenas porque este pensamento nos permite enfrentar a vida.

Agora, mesmo (4*) me parece totalmente implausível. Certamente você pode pensar em diversos tipos de afirmações que acha serem verdadeiras independentemente do fato de que se você assim pensar lhe ajuda a enfrentar a vida. De fato, algumas das coisas que pensamos que são verdadeiras são impedimentos positivos para enfrentar com sucesso a vida! Mas deixemos isso de lado. A coisa mais importante é que se (4*) é verdadeira, então a única razão para você acreditar em (4*) é porque ele lhe ajuda a enfrentar. Nesse caso, podemos sentir pena de você, mas não vamos nos preocupar com a objetividade da verdade como um resultado.

Quanto à (5), que é uma afirmação coerente e importante. Concordo com você que, se Deus não existe, então (5) é verdadeiro. Mas se ele existe, então (5) é falso. Então, quais são as evidências para fundamentar a sua opinião? Vai ser muito difícil para você dar qualquer evidência para o seu ponto de vista, se você negar que a verdade é objetiva e pode ser objetivamente conhecida!

O ponto de partida, Steven, é que é uma reivindicação substancial dizer que a vida é um absurdo, e estes seus conhecidos que o levaram a abraçar essa crença lhe enganaram através de argumentos pobres e afirmações auto-refutáveis. Exorto-lhe a sacudir o torpor causado por tais sofismas e voltar a pensar claramente sobre esses assuntos!

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