“O fato da evolução na Nature” ou “Será que o darwinismo está acima da ciência?”


Em 2002, Wolf-Ekkehard Lönnig e Heinz Saedler publicaram na revista Annual Review of Genetics o artigo “Chromosome rearrangements and transposable elements” (Annu. Rev. Genet. 36: 389-410).

Aparentemente Ulrich Kutschera não gostou muito, pois ele escreveu na Nature um texto com algumas perguntas e comentários acerca do artigo de Wolf-Ekkehard Lönnig e Heinz Saedler. O artigo de Kutschera é intitulado “Designer Scientific Literature” (Nature 423, p. 116, 2003).

E Lönnig, um dos autores do artigo “Chromosome rearrangements and transposable elements” rebateu em seu site o texto de Kutschera (ver aqui).

Wolf-Ekkehard Lönnig é especialista em mutação e geneticista. Possui mais de 30 anos de pesquisa empírica, mais de 2 milhões de plantas avaliadas (7 anos na Universidade de Bonn, mais de 23 anos no Max-Planck-Institute for Plant Research Breeding, MPIZ). Hoje, Lönnig está aposentado. Foram 45 anos pesquisando a evolução.

Apresento a seguir alguns trechos do texto de Ulrich Kutschera (em vermelho) com os comentários de Wolf-Ekkehard Lönnig (em preto).

Na Alemanha, esforços para minar o ensino da evolução, principalmente na forma de DI [design inteligente], a qual rejeita a teoria da seleção natural – têm evoluído em uma campanha bem sucedida, …

Não é para “minar”, mas para melhorar o ensino da evolução: “…se você realmente entende um argumento, será capaz de me indicar não somente os pontos a favor do argumento mas também os pontos mais fortes contra ele”. Será que, entretanto, o que está minando os pontos científicos fortes da teoria sintética é a sua pretensão de verdade absoluta – o “fato da evolução” do homem a partir de microorganismos exclusivamente por mutações e seleção? Não deveria uma campanha bem sucedida contra o ensino tendencioso da teoria sintética, sem quaisquer argumentos científicos válidos contra suas afirmações mais duvidosas desde o início, ser bem-vinda a qualquer mente aberta no mundo científico?

DI não rejeita a teoria da seleção natural.

No ultimo ano, criacionistas-DI deram um passo em direção à respeitabilidade científica quando Lönnig e Heinz Saedler publicaram uma revisão intitulada “Chromosome rearrangements and transposable elements”.

Considerando os fatos mencionados no link acima [Wolf-Ekkehard Lönnig havia mencionado o link Synthetische Evolutionstheorie vs. Intelligent Design para mostrar a diferença entre criacionismo e DI], – não estaria Kutschera utilizando o termo “criacionismo-DI” como um palavrão para desacreditar o movimento do design inteligente desde o seu início e para impedir a investigação dos seus méritos e evitar qualquer discussão científica de suas realizações?

Eu concordo, entretanto, que o DI “deu um passo em direção à respeitabilidade científica quando Lönnig e Heinz Saedler publicaram uma revisão intitulada ‘Chromosome rearrangements and transposable elements'”. Mas não seria a substituição da ciência pela afirmação absoluta dos neodarwinistas de que a origem das espécies ocorreu somente através de mutações e seleção (o assim chamado “fato da evolução”) um importante passo para o próprio avanço da ciência?

Em seu artigo eles [Wolf-Ekkehard Lönnig e Heinz Saedler] “resumem” argumentos contra o conceito de evolução gradual de Darwin citando os proeminentes anti-darwinistas alemães Otto Heinrich Schindewolf (1896-1971) e Richard Goldschmidt (1878-1958).

A nossa principal referência é a ganhadora do prêmio nobel Barbara McClintock (veja as palavras-chave de nosso artigo) e a discussão de suas ideias acerca da regulação dos genes através de transposons e sua visão anti-darwiniana da origem das espécies. Será que, no entanto, uma ganhadora do Nobel anti-darwiniana, não se encaixa na visão de mundo de um biólogo neo-darwiniano que afirma a verdade absoluta mencionada acima? Então, porque a principal pessoa, não é mencionada por Kutschera, mas somente Schindewolf e Goldschmidt, os quais têm sido insultados por décadas pela comunidade darwiniana? Será que Kutschera está tentando impedir o acesso a possíveis argumentos científicos “jogando” com os preconceitos dos já doutrinados e aderentes da comunidade darwiniana?

Lönnig e Saedler discutem a possibilidade de “uma geração parcialmente predeterminada de biodiversidade e novas espécies”, as quais eles caracterizam como um processo “autônomo e não dirigido pela seleção”.

Isso é correto e é, de fato, anti-darwiniano. Mas em contraste com muitos aderentes da síntese moderna, – deveria um cientista honesto parar de pensar neste ponto? Ou, ao invés disso, não deveriam os cientistas continuar perguntando e testando a questão: “Quais são os méritos, os argumentos científicos, os fatos que podem ‘melhorar’ esse ponto de vista?” Entretanto, tais perguntas não são realizadas por Kutschera. “Uma geração parcialmente predeterminada de biodiversidade e novas espécies”, as quais nós caracterizamos como um processo “autônomo e não dirigido pela seleção” é anti-darwiniano e, portanto, deve ser falso. Seria essa uma atitude realmente científica no início do século 21 ou somente um preconceito fortemente materialista para impedir o avanço da ciência?…

Livros populares por proponentes do DI, tais como Michael Behe e William Dembski são citados como fontes confiáveis. (Para revisão crítica desses livros, ver as referências Coyne, J. A. Nature 383, 227-228 (1996) e Charlesworth, B. Nature 418, 129 (2002)).

Por que Kutschera não objeta os “livros populares” pró-darwiniano que nós também citamos como “fontes confiáveis”, tais como, “A origem das espécies” de Darwin assim como também os “livros populares” evolucionários de Comfort, Conway Morris, Dover, Eldredge, Gould e outros? De fato, todos esses livros discutem argumentos científicos cuja gama de aplicabilidade está aberta para futuras análises críticas. Com relação às respostas as revisões críticas mencionadas por Kutschera, ver Michael J. Behe (2000): Philosophical Objections to Intelligent Design assim como William A. Dembski (2002): Addicted to Caricatures: A Response to Brian Charlesworth.

Quatro anos atrás, este journal publicou dois excelentes editoriais intitulados “The difference between science and dogma” e “Combating the exploiters of creationism”. Creio que o momento é propício para continuar com essa série.

Podem cientistas honestos que estudaram cuidadosamente o movimento DI e os seus argumentos científicos realmente estar convicto que os dois editoriais referidos por Kutschera são “excelentes” ou, melhor, que eles estão fortemente inclinados em favor de uma visão de mundo materialista?

Uma vez que não há sequer um argumento científico no texto de Kutschera criticando nosso artigo científico – pode-se levantar a questão por que a Nature publicou um comentário sem argumentos científicos.

Será que os comentários de Kutschera na Nature, conforme documentado acima, realmente pertencem ao “pico” das análises científicas do início do século 21?

 

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