Como a Evolução substituiu a Criação para explicar a origem da vida?


INTRODUÇÃO
 
Francis Bacon
Muitas vezes, quando olhamos para os livros e compêndios científicos, temos a ideia de uma ciência que parece transcender a existência humana e suas contradições. Esse posicionamento, que coloca a ciência como isenta dos outros acontecimentos da vida humana, encontra uma de suas fontes nos escritos de Bacon (século 16), que afirmava ter a ciência somente bondade e neutralidade, inerentes ao próprio processo, e que qualquer mal que ela causasse seria consequência de sua má utilização.

Tal tradição seguiu ganhando adeptos e foi reforçada por Galileu, na mesma época, o qual afirmava que a ciência não deve estar sujeita a nenhuma limitação. Os cientistas deveriam ter o direito de buscar e praticar a verdade científica sem se preocuparem com suas possíveis consequências sociais perturbadoras. Por isso, ela foi sempre tratada de maneira asséptica e completamente afastada de outras variáveis que não dissessem respeito exclusivamente aos resultados empíricos que confirmassem ou não os seus estabelecimentos teóricos eminentemente racionais. 

 
Dessa maneira, recebemos os fatos e informações científicas protegidos pelo véu da atemporalidade e da neutralidade, como se fossem verdades absolutas. Informações isoladas, por mais atuais que sejam, já não satisfazem mais. É necessário perceber que a ciência não é algo acabado e sim um processo, sujeito a inúmeras influências que nem sempre estão comprometidas com a busca do conhecimento, mas que representam interesses de grupos particulares.

Este artigo abordará o desenvolvimento do darwinismo, um tema importantíssimo para a Igreja Adventista do Sétimo Dia, devido às suas implicações contrárias à Palavra de Deus. Queremos analisar o contexto econômico e social que favoreceu a substituição do relato bíblico da criação pela teoria da evolução nos meios acadêmicos na Inglaterra, durante o século 19, e verificar o efeito negativo dessa substituição no desenvolvimento da própria Biologia abordando a questão das origens.

Uma questão que invariavelmente é colocada por aqueles que se dedicam ao estudo das origens é saber qual ou quais as causas que levaram à rejeição do relato bíblico da criação e à aceitação da teoria evolucionista sobre a origem da vida. Durante muito tempo, a narrativa bíblica era aceita pela maioria das pessoas, mas hoje vemos um quadro diferente. Muitos cientistas veem um universo governado por leis naturais que não necessitam da ação de um Criador, e a teoria da evolução é aceita como sendo capaz de explicar a origem da vida em nosso planeta. Mas como ocorreu essa mudança ao longo do tempo?

Antes que a teoria evolucionista fosse aceita, vários conceitos, baseados em crenças religiosas, tiveram que ser descartados. A teoria geocêntrica, a fixidez das espécies e uma natureza perfeita são exemplos de ideias errôneas que foram defendidas como verdades absolutas e inquestionáveis. Quando Galileu apoiou a teoria do heliocentrismo proposta por Copérnico, colocou por terra o geocentrismo e abriu um precedente de que a verdade nem sempre residia no que a igreja ensinava. 

 
Mais tarde, a ideia de uma natureza perfeita e de que os próprios organismos não sofriam nenhum tipo de modificação ao longo do tempo foi totalmente descartada na revolução darwiniana. Dessa maneira, muitos estudiosos apontam para a igreja dominante como responsável pela mudança da criação pela evolução, sendo incapaz de separar a realidade bíblica de suas próprias especulações. 
Esses fatos históricos podem ser considerados como causas importantes que levaram à aceitação da teoria da evolução. Entretanto, a maneira isolada como são apresentados e desvinculados do seu contexto social e econômico não consegue demonstrar a verdadeira dimensão da realidade dessa mudança. Afinal de contas, ideias preconizadas pela igreja durante séculos por mais absurdas que fossem, não poderiam ser substituídasmeramente por outras, sem que houvesse uma tensão entre os interesses da igreja e os interesses de um grupo opositor. É exatamente esse conflito de interesses que acaba se refletindo em outras áreas, incluindo a área acadêmica, onde a produção do conhecimento pode ser subsidiada por um grupo em particular a fim de atender aos seus interesses.

Essa conclusão é apoiada numa compreensão da ciência introduzida por Thomas Kuhn, em 1962, com a publicação do livro The Structure of Scientific Revolutions [A Estrutura das Revoluções Científicas]. Essa influente obra causou imediata controvérsia ao introduzir uma visão subjetiva e irracional do empreendimento científico.

 
Thomas Kuhn
Kuhn propôs que a ciência, em vez de representar o acúmulo de conhecimento objetivo, é mais a adequação de dados sob conceitos amplamente aceitos denominados de paradigmas. Os paradigmas são visões abrangentes que podem ser tanto falsas quanto verdadeiras, mas aceitas como verdade. Nesse sentido, focalizam atenção sobre conclusões que concordam com o paradigma e restringem inovações fora dele. Tais conceitos estabelecem os limites para o que Kuhn chama de “ciência normal”, em que os dados são interpretados dentro do paradigma aceito.

Às vezes, temos uma mudança de paradigma à qual Kuhn chama de “revolução científica”. A mudança de um paradigma para outro é bastante difícil, uma vez que há uma enorme inércia intelectual a ser superada. Kuhn também desafiou a acariciada ideia de progresso da ciência, declarando:

“Podemos, para ser mais precisos, ter que renunciar a noção implícita ou explícita de que as mudanças de paradigma transportam os cientistas e aqueles que aprendem com eles para mais e mais perto da verdade.”

As ideias de Kuhn geraram considerável agitação e até mesmo reformas na história, filosofia e sociologia da ciência. Muitos sociólogos veem um forte componente sociológico governando tanto as perguntas quanto as respostas que a ciência gera. O conceito de que a comunidade científica regula o tipo de questões que os cientistas formulam, bem como as respostas que aceitam, não se enquadra na imagem que muitos cientistas têm de sua ciência como uma busca aberta pela verdade. Mesmo assim, a ideia de influência sociológica na ciência tem obtido considerável aceitação.

Em seu ensaio seminal “Dois dogmas do empirismo”, Willard Van Orman Quine desenvolveu os argumentos do físico e filósofo francês Pierre Duhem, e o resultado de seu estudo veio a ser conhecido como a “tese Duhem-Quine”. A tese afirma que se dados e teorias incompatíveis mostram-se em conflito não se pode concluir que determinada afirmação teórica seja a responsável por isso e que, portanto, deva ser rejeitada.

As análises de Quine são responsáveis pelo que se chama “tese da indeterminação”. Trata-se de um ponto de vista particularmente associado com a aplicação de perspectivas sociológicas às ciências naturais. Segundo essa tese, existiriam, em princípio, duas ou mais teorias que poderiam ser aplicadas mais ou menos adequadamente aos fatos observados. A escolha de determinada teoria poderia ser explicada com base em fatores sociológicos como, por exemplo, os interesses de um grupo em particular. Podemos aplicar esse pensamento à controvérsia entre o criacionismo e o evolucionismo para explicar a origem da vida, e afirmar que a escolha, tanto dos argumentos teológicos quanto científicos, não pode ser feita apenas com base na racionalidade humana. Por isso, temos que considerar os aspectos sociais e econômicos que serviram de pano de fundo para esta controvérsia.

 
OLHANDO UM POUCO MAIS PARA A HISTÓRIA

Por que um governo, como o brasileiro, destina recursos para a pesquisa de microrganismos que realizam fermentação alcoólica? O imediato aproveitamento desses microrganismos para a produção de álcool, economizando divisas com combustível importado, seria uma boa explicação. No entanto, se o micróbio não tiver aplicação econômica imediata, pode parecer que a pesquisa não tem vínculo algum com interesses que permeiam a sociedade; seu único objetivo seria o de ampliar os horizontes do conhecimento humano. Para ilustrar o que acabamos de dizer, tomemos como exemplo um caso ocorrido no século 19 e que foi objeto de consideração por Bizzo.

 
Louis Pasteur
Na mesma época em que Pasteur apresentava seus resultados sobre a geração espontânea na França, na Inglaterra começavam os estudos de um microrganismo que se originaria por geração espontânea a partir do lodo oceânico. Por qual razão aquele país destinava recursos para o estudo desse misterioso microrganismo? Não existiam razões econômicas diretas que justificassem essa iniciativa, pelo menos nos mesmos moldes dos micróbios fermentadores da atualidade. Seria apenas para ampliar os horizontes do conhecimento humano? Na tentativa de reaproximar a Ciência e a História, Bizzo procura compreender esse fato dentro do contexto histórico e social em que ocorreu.

Em meados do século 19, a Inglaterra foi palco de acontecimentos que tiveram repercussão em muitas outras áreas do planeta. No campo da Biologia, o fato mais marcante foi, sem dúvida, o estabelecimento da teoria da evolução. Ela permitiu que um grande número de informações fosse reinterpretado à luz da nova doutrina. Um dos princípios desta teoria dizia que os agentes que atuaram na transformação das espécies no passado ainda estariam atuando no presente. A questão da descendência entre as espécies remetia para um problema fundamental: como teria se originado o primeiro ser vivo do planeta? 

 
Como os evolucionistas descartavam qualquer tipo de intervenção divina nos processos biológicos, supunham que o primeiro ser vivo tivesse aparecido por geração espontânea, através da combinação de compostos químicos elementares. De acordo com aquele princípio, se esse processo de origem de micróbios ocorreu no passado, ele ainda continuaria a ocorrer no presente.
 
Mas Pasteur tinha comprovado experimentalmente que a geração espontânea era um mito. O argumento dos evolucionistas utilizava outro princípio retirado do darwinismo. Era praticamente impossível demonstrar experimentalmente a geração espontânea, porque os micróbios assim formados seriam muito primitivos e estariam sendo constantemente eliminados pelos micróbios já evoluídos, melhor adaptados às condições ambientais atuais. 
 
No entanto, alguns cientistas postulavam a existência desses micróbios gerados espontaneamente em ambientes onde não existisse competição, desde que estivessem intocados durante milhares de anos. Em 1866, Ernest Haeckel apresentava em seu livro Morfologia Geral dos Organismos uma descrição minuciosa do que seriam esses micróbios. Eram um pouco mais simples do que uma ameba, mas não apresentavam a estrutura central, o núcleo, que lhe era característica. Seu protoplasma era gelatinoso e amorfo, possuindo algumas granulações. Haeckel chegou até a designar um novo reino para abrigar esses microrganismos mais simples que a ameba. 
 
Bathybius haeckelii
Era o reino Monera. No ano seguinte, Thomas Huxley, que se notabilizara pela defesa pública de Darwin, teve a ideia de procurar esses micróbios em amostras de lodo oceânico, que tinham sido recolhidas pelo navio Cyclops alguns anos antes. Como elas tinham sido cuidadosamente preservadas em álcool, Huxley presumiu que os seres vivos eventualmente presentes nas amostras poderiam ainda ser encontrados em bom estado. Para seu espanto, muitos micróbios foram encontrados. Mas o que era realmente espantoso era a notável semelhança com os desenhos proféticos de Haeckel. Em sua homenagem, ele os chamou de Bathybius haeckelii.

Nos anos seguintes, muitas pesquisas foram desenvolvidas, comprovando a existência do micróbio numa série de lugares e criando toda uma terminologia para designar as granulações citoplasmáticas. Nos mais importantes encontros científicos da época foram apresentados trabalhos sobre o Bathybius, existindo relatos de sua ocorrência até em rochas do pré-cambriano do Canadá. Assim, além de ser o mais simples dos seres vivos, ele também seria o mais antigo. Em outras palavras, estava comprovada que a evolução tinha começado por esse organismo.

Embora sua ocorrência fosse verificada facilmente em amostras de lodo oceânico conservadas em álcool, ninguém tinha conseguido capturar o Bathybius vivo. Assim, não existiam informações sobre seu modo de vida, alimentação, reprodução, etc. Uma famosa expedição inglesa partiu, em 1872, no navio Challenger, para explorar o Atlântico, o Índico e o Pacífico, percorrendo locais em que já havia sido relatada a ocorrência do Bathybius.

Apesar de todo o esforço, nenhum micróbio foi encontrado no material fresco. No entanto, analisando-o depois de adicionado o álcool, os naturalistas de bordo ficaram simplesmente chocados. Com a adição do álcool, os tais “microrganismos” apareciam. O químico que fazia parte da tripulação analisou a composição do material e constatou que se tratava simplesmente de um composto de cálcio, que assume estado coloidal na presença de álcool. Apesar de ter sido comunicada a descoberta do equívoco, numa reunião científica muito prestigiada, ela não foi aceita por muitos pesquisadores, entre eles Haeckel. Lenta e silenciosamente, o Bathybius foi sendo esquecido. Posteriormente, o termo monera foi reabilitado, designando hoje o grupo das bactérias, seres vivos de estrutura celular mais simples.

O QUE HÁ POR TRÁS DA HISTÓRIA?
 

 
 
Thomas Huxley
Qual a razão de se investirem tantos recursos em pesquisas e até mesmo em expedições marítimas para estudar esse “microrganismo”? A resposta a questão não pode ser procurada fora do contexto do darwinismo e das relações sociais nas quais ele emergiu. Na Inglaterra, o darwinismo teve uma importância muito grande, fornecendo elementos para a consolidação e justificação de práticas sociais particulares. A Igreja Anglicana, por exemplo, detinha todo o sistema educacional do país. Os professores das universidades, como Cambridge, onde Darwin estudou, eram todos ligados ao clero. A teologia era disciplina obrigatória.

O desenvolvimento do capitalismo exigia, no entanto, um novo perfil educacional para o país. Interpretações da natureza de cunho científico, que entrassem em contradição com os ensinamentos religiosos praticados na época, interessavam muito à classe burguesa que estava em ascensão. Para ela era importante convencer os ingleses de que o clero não tinha vocação educacional. Enquanto se discutia à boca pequena se o Bathybius existia mesmo ou não, o parlamento inglês designava uma comissão para apresentar propostas de reformulação do ensino superior. Thomas Huxley fazia parte desta comissão.

O darwinismo oferecia ainda outra vantagem à burguesia além da sua utilidade anticlerical. Os organismos competiam por recursos sempre limitados e, justamente por isso, evoluíam com o passar das gerações. Isso constituía um apelo muito forte: o binômio “escassez-evolução” poderia se transformar em outro mais interessante: “miséria-progresso”. Na sociedade inglesa daquela época, os cidadãos viviam em condições muito precárias, principalmente os trabalhadores. Eles tinham sido atraídos do campo para as cidades. O sofrimento da miséria era anestesiado, em grande parte, pela ideia de progresso futuro. O conceito central do darwinismo, a competição, era muito útil à classe dominante, principalmente quando contraposto à ideia de solidariedade. Com ele era possível enfrentar os movimentos paredistas sem derramamento de sangue.

Pesquisas como a do Bathybius não tinham importância econômica direta, muito menos com a ampliação do conhecimento, mas contribuíam para justificar práticas sociais de um grupo particular. Em outros países como a Itália e Alemanha, naquela mesma época, esses elementos anticlericais burgueses tinham também sua utilidade. Na França, por outro lado, a queda da Bastilha tinha tido um significado de ruptura muito grande em relação ao sistema medieval. Logo no início do século 19, Napoleão tinha tomado para o estado as funções educacionais. 

 
Na época de Pasteur, o problema maior da burguesia francesa era conquistar a estabilidade política. O clero não atrapalhava tanto quanto os anarquistas e os outros combatentes do estado burguês. Não admira, portanto, o fato de Pasteur estar desenvolvendo pesquisas sobre a fermentação do vinho e produção de vacinas, enquanto os ingleses procuravam seu Bathybius.

Ao analisarmos esses fatos, podemos tirar uma lição importante. Devido à complexidade do fenômeno das origens, duas ou mais teorias antagônicas podem explicar os mesmos fatos ocorridos na natureza, e a rejeição de uma ou outra pode estar ligada a interesses que necessariamente não estão preocupados somente com a ampliação dos horizontes do conhecimento ou com alguma aplicação econômica direta. A necessidade da burguesia em conquistar o espaço educacional para a ampliação dos seus interesses foi determinante para dar toda a força ao darwinismo e romper definitivamente com o poder eclesiástico.

NA CONTRAMÃO DO DESENVOLVIMENTO DA CIÊNCIA 

 
A aceitação da teoria da evolução teve um efeito negativo sobre o desenvolvimento de outra teoria biológica, o paradigma mendeliano da herança, cujos princípios não apresentavam certa relevância aos interesses da burguesia naquele momento. Mendel explicou seus resultados experimentais com ervilhas a partir das seguintes premissas: 
  1. As características hereditárias são condicionadas por pares de fatores hereditários (atualmente conhecidos como genes); 
  2. Plantas puras são portadoras de apenas um tipo de fator, enquanto que as híbridas são portadoras de dois tipos (um dominante e outro recessivo); e
  3. Cada gameta é portador de apenas um fator para cada característica.
Esse trabalho, considerado atualmente como um dos mais importantes no desenvolvimento da biologia moderna, ficou relegado ao esquecimento por quase 40 anos entre os naturalistas do século 19, até que Hugo de Vries e Karl Correns, em 1900, se deram conta de que Mendel já havia resolvido o problema que eles estavam investigando. As razões pelas quais não se prestou atenção a um trabalho tão rigoroso e inovador como experimentos sobre vegetais híbridos têm sido objeto de um longo debate entre historiadores e epistemólogos da biologia, gerando grande quantidade de trabalhos. 
 
Gregor Mendel
O trabalho de Mendel foi lido em algumas sessões da Sociedade de História Natural de Brünn, nos meses de fevereiro e março de 1865, e publicado nas atas da sociedade do ano seguinte, e distribuído para 134 instituições científicas, incluindo universidades e duas prestigiosas sociedades inglesas com sede em Londres, a Royal Society e a Linnean Society. Apesar de sua ampla divulgação, o trabalho de Mendel ficou relegado ao esquecimento até o inicio do século 20.

Por que as importantes descobertas de Mendel não foram reconhecidas por um longo período de tempo, após seus estudos estarem completos e publicados? Na segunda metade do século 19, outras áreas da biologia tiveram seu desenvolvimento tais como a citologia, a sistemática e a própria evolução darwiniana. Mas o fenômeno da hereditariedade ainda era interpretado de diversas maneiras.

O livro de Charles Darwin, Origem das Espécies, exerceu grande influência sobre os pesquisadores da época. Darwin deu continuidade a certos aspectos da evolução que não tinham sido tratados adequadamente e dividiu cada capítulo da Origem para formar outras obras. Sobre a origem da variação e sua consequente transmissão, Darwin produziu uma obra em dois volumes, The Variation of Animals and Plants Under Domestication [A Variação dos Animais e Plantas Domesticados], que teve sua primeira edição publicada em 1968. No segundo volume, ele discute as causas da variação e sua herança, apresentando a hipótese da pangênese.

De acordo com essa hipótese, todas as unidades do corpo contribuem para a formação do novo ser, ou seja, todas as partes do corpo produzem minúsculas partículas, as gêmulas, características daquelas partes. Essas gêmulas reúnem-se nos gametas e são transmitidas para as gerações seguintes, sendo que algumas podem ficar dormentes e outras, apresentar certa predominância. Essa ideia fora amplamente difundida até o final do século 19, porém Darwin não foi o primeiro autor a descrevê-la, mas o primeiro a elaborar um mecanismo que explicasse a herança de caracteres adquiridos, baseado na ideia acima.

A hipótese da pangênese só pôde ser descartada, em 1892, quando August Weismann expôs sua teoria do plasma germinativo que, não contemplando a herança dos caracteres adquiridos até então aceita, apresentou fortes argumentos contrários. Após o descobrimento do trabalho de Mendel, o número de pesquisas nessa área cresceu muito e, em 1915, Bateson publicou um livro de 400 páginas, intitulado Princípios Mendelianos da Hereditariedade, no qual ele enumera uma vasta quantidade de pesquisas realizadas desde 1900. 

 
Por outro lado, o evolucionismo darwiniano começou a entrar em declínio até a década de 1930, quando passou por um recrudescimento. A ênfase dada à hipótese da pangênese que explicava parcialmente os fatos, e aceita por aqueles que esposavam a ideia lamarquista da herança dos caracteres adquiridos, entre eles o próprio Darwin, pode ser considerado como um dos fatores que contribuíram para que os pesquisadores da época não reconhecessem o trabalho de Mendel como sendo mais consistente com os fatos observados em relação à variação das espécies.

CONCLUSÃO

A partir das considerações acima, podemos concluir que o surgimento da vida na Terra, devido à sua natureza histórica e não reproduzível, não pode ser explicado por apenas uma narrativa. Durante muito tempo, a cosmovisão bíblica era amplamente aceita, mas a partir de meados do século 19, com o surgimento do darwinismo, esse quadro
mudou drasticamente.

 
A teoria da evolução, apesar de não explicar o surgimento da vida, teve a sua aceitação nos meios acadêmicos, não só pelas ideias errôneas defendidas pela igreja, mas também por servir aos interesses da burguesia que ansiava por espaço nas instituições de ensino. Além disso, a atenção que foi dada à teoria da evolução, na segunda metade do século 19, prejudicou o desenvolvimento da ciência, ao desviar a atenção da maioria dos pesquisadores de uma rota que levaria ao estabelecimento mais rápido do paradigma mendeliano da herança.

A partir de uma compreensão histórica fundamentada no ensino bíblico do grande conflito, podemos compreender esses fatos como uma derivação da luta sobrenatural entre Cristo e Satanás. Cada um exercendo sua influência de maneira imperceptível, procurando atingir seus objetivos na história que caminha para seu clímax escatológico. É importante notar a relação desse período histórico com a pregação da tríplice mensagem angélica de Apocalipse 14, conclamando todos os homens a adorarem o Criador, pois é chegada a hora do seu juízo. Esse período marca também o surgimento do movimento adventista.

 
 
Autor:
Wellington dos Santos Silva, Doutor em Patologia Molecular, Professor de Biologia e Genética Humana na Faculdade Adventista da Bahia e de Ciência e Religião no Seminário Adventista Latino-Americano de Teologia do Nordeste
 
Fonte:
PAROUSIA: Criacionismo, p. 47-55, 1° Semestre, 2010. Disponível em: <http://circle.adventist.org/files/unaspress/parousia2010014709.pdf&gt; Acesso em: 17 fev. 2012.
 
 
 

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