Teoria da Recapitulação Embrionária


(LEI BIOGENÉTICA)

Darwin considerava como uma das melhores evidências de sua teoria evolutiva, a perceptível semelhança entre os embriões vertebrados em suas fases iniciais de desenvolvimento. Em sua obra “A Origem das Espécies”, ele observou que os embriões de mamíferos, pássaros, peixes e répteis são inicialmente semelhantes, mas quando estão totalmente desenvolvidos são extensamente dissimilares, por isto, ele concluiu que estas semelhanças mostravam a condição dos ancestrais de cada espécie quando adultos (pp.338, 345), ou seja, Darwin acreditou que o desenvolvimento embrionário mostrava as etapas da evolução ocorrida na espécie da qual pertencia o embrião, isto foi chamado de “recapitulação”.

Com base em observações no desenvolvimento embrionário, o zoólogo e ateu alemão Ernst Haeckel propôs, em 1868, a “lei biogenética”, também chamada “lei da recapitulação”, que procurava confirmar as observações darwinianas e que se resumia na frase “ontogenia recapitula a filogenia”, isto é, o desenvolvimento do indivíduo (ontogenia) recapitula, ou repete, o da espécie (filogenia).

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Ernst Haeckel

Assim, no caso do embrião humano, por exemplo, o enredo da recapitulação é algo parecido com o que segue:

O ovo fertilizado começa como uma única célula (igual à primeira célula viva que surgiu no planeta);
Com as repetidas divisões da célula-ovo, surge um embrião com um arranjo segmentado (a fase “lombriga”);
Os segmentos desenvolvem-se em vértebras, músculos e algo que se aparenta com brânquias ( a fase do “peixe”);
Surgimento de rudimentos de membros (mãos e pés) que parecem servir para nadar, também aparece um “rabo” (a fase do anfíbio);
Por volta da oitava semana de desenvolvimento, a maioria dos órgãos está quase completa, os membros desenvolvem os dedos e o “rabo” desaparece (a fase humana).

Logo após Haeckel propor sua “lei”, colocando em destaque as semelhanças gerais entre os embriões vertebrados e ignorando completamente suas significativas diferenças, muitos distintos embriólogos, de sua própria época, criticaram seu trabalho, como, por exemplo, Jane Oppenheimer, em “Essays in the History of Embryology and Biology” (MIT Press, 1967 pág. 150), disse que o trabalho de Haeckel “era a culminação do extremo que seguiu Darwi”, lamentado que “as doutrinas de Haeckel eram cega e incriticavelmente aceitadas” e que causavam atraso no curso do progresso de ciência embriológica. O embriólogo Erich Blechschmidt considerava a “lei da biogenética” um dos erros mais sérios da história da biologia. Em seu livro “The Beginnings of Human Life” (Springer-Verlag Inc., 1977, pág. 32), Blechschmidt disse a respeito da “lei” de Haeckel:

“A Lei fundamental denominada biogenética está errada. Nenhum mas ou se pode mitigar este fato. Nem mesmo um minúsculo pedaço está correto ou corrigido em uma forma diferente. Está totalmente errada”.

Apesar da falta de consistência da lei biogenética, e as bem fundamentadas críticas de muitos renomados embriólogos contra esta suposta ‘lei”, ela permaneceu inabalada e se popularizou, pois era muito atraente para os evolucionistas.

Em seu livro “Natürliche Schöpfungs-geschichte” (A história natural da Criação), publicado no idioma alemão em 1868, e em inglês no ano de 1876 com o título “The History of Creation“, Haeckel usou um desenho do 25º dia de um embrião de cachorro que tinha sido anteriormente publicado por T. L. W. Bischoff, em 1845, e um desenho da 4ª semana de um embrião humano, publicado em 1851-59 por A. Ecker. O famoso embriólogo comparativo e professor de anatomia na Universidade de Leipzig, Wilhelm His, descobriu a frade de Haeckel em 1874.

Haeckel havia somado 3,5 mm ao desenho da cabeça do embrião de cachorro, desenhado por Bishoff, e subtraído 2 mm do desenho da cabeça do embrião humano desenhado por Ecker, dobrou a duração do posterior humano  e alterou substancialmente os detalhes do olho humano. Wilhelm demonstrou também que não havia nenhuma desculpa para a inexatidão dos desenhos, deixando claro que tudo não passava de uma fraude descarada, a lei da biogenética não tinha fundamentos.

Os desenhos adulterados de Haeckel: figuras de embrião de cachorro e embrião humano, como eles apareceram em seu livro “Natürliche Schöpfungs-geschichte” (A história natural da Criação).

 

Os desenhos originais feitos por Ecker, de um embrião de cachorro (4ª semana) e um embrião humano (4ª semana). Observe como estes embriões são diferentes nestes desenhos e como são parecidos nos desenhos de Haeckel.

Acusado de fraude por cinco professores e condenado por um tribunal universitário de Jena, Heckel confessou que uma pequena porcentagem de seus desenhos embrionários eram falsificações. Argumentou que estava somente preenchendo e reconstruindo os elos quando a evidência estava magra, ele reivindicou desavergonhadamente que muitos outros dos melhores observadores e biólogos fazem coisas semelhantes.

Em uma carta enviada para Müchener Allegeneine Zeitung, um semanário internacional para Ciência, Arte e Tecnologia, publicada em 09 de janeiro de 1909, Haeckel disse que o número de quadros “falsificados” (termo usado pelo Dr. Brass, um dos seus críticos) eram possivelmente 6 ou 8 em 100 e visavam preencher os buracos da série de desenvolvimento, por hipóteses.

Apesar da lei biogenética ter surgido a partir de fraudes e ter sido desacreditada cientificamente desde os tempos de Haeckel, mostrando-se uma idéia totalmente falsa, ela foi posteriormente ensinada como evidência da evolução em escolas e universidades, e ainda é hoje incluída em muitos livros de biologia e tem alguns adeptos, é um dogma evolutivo profundamente arraigado. Em uma pesquisa realizada em 1980, verificou-se que, dos quinze livros de ensino de biologia adotados pelas escolas secundárias do Estado de Indiana (E.U.A.), nove apresentam a teoria da recapitulação embrionária como evidência da evolução.

Já, em 1962, Willian H. Matthews III, professor de Geologia na Faculdade Estadual de Lamar, defendendo a teoria da evolução em sua obra “Fossils“, Nova Iorque: Barnes and Noble, pág. 158, escreveu:

“Um estudo dos primeiros estágios do desenvolvimento das plantas e animais oferece apoio adicional para a relação evolutiva entre as formas de vida simples e as complexas de vida. É um fato estabelecido que, nos primeiros estágios, os embriões de animais possuem estruturas que se assemelham às de animais adultos menos altamente desenvolvidos”.

Matthews prossegue citando o exemplo de “fendas de brânquias” nos embriões de anfíbios, répteis, pássaros e mamíferos. Dia ele:

Os evolucionistas consideram essas fendas de brânquias como uma relíquia do passado

E continua:

“Essas e outras observações embriológicas deram lugar à lei biogenética ou lei da recapitulação. Essa lei declara que a ontogenia recapitula a filogenia, isto é, o desenvolvimento do indivíduo (ontogenia) recapitula, ou repete, o da raça (filogenia). A Lei biogenética parece concordar com estudos feitos sobre a natureza dos sucessivos graus de crescimento das plantas e animais, dando assim apoio à teoria da evolução orgânica”.

Paul Ehrlich, comentando a respeito destas supostas brânquias, disse:

“…estas negligências foram mostradas quase universalmente por autores modernos, mas a idéia ainda tem um lugar proeminente na mitologia biológica”

(The Process of Evolution, 1963, pág. 66).

Observações que evidenciam que a lei biogenética é falsa já são realizadas desde, pelo menos, 1901. A. P. Pavlov (“Le Cretace inferior de la Russe et as faune“, Nouv. Mem. Soc. Nat, Moscov Novv Serie XVI livr. 3, 1901, pág. 87, citado por Leo Berg, Nomogenesis,trd. Por J. N. Rostovtsov, Cambridge: MIT Press, 1969, pág. 74) descobriu que:

“A prole de certas amonites possui características que desaparecem no estágio adulto, enquanto as mesmas características reaparecem subseqüentemente nos representantes mais altamente organizados do mesmo grupo, pertencentes a espécies que ocorrem em estratos geológicos mais recentes”.

Leo Berg (em Nomogenesis, pp. 108 e 109), comentando acerca da teoria da recapitulação, propagou a idéia de que os embriões não recapitulavam a história evolutiva de suas espécies, mas apenas para onde ela evoluía. Ele demonstrou que o cérebro dos embriões dos pássaros se parecia mais com os cérebro dos mamíferos do que com o dos anfíbios. Esta condição persiste durante um terço da existência do embrião. A face do embrião de galinha de galinha, segundo ele, é bem semelhante à de um ser humano. No primeiro estágio de desenvolvimento, as mandíbulas embrionárias de todos os mamíferos são tão curtas quanto as do homem. Essa semelhança não deveriam existir, se a lei biogenética fosse verdadeira.

A maioria das autoridades descarta a teoria da recapitulação, atualmente. Shumway e Adamstone concluíram:

“Torna-se difícil, se não impossível, desenhar uma árvore genealógica dos vertebrados com base apenas em dados embriológicos. Assim sendo, a teoria da racaptulação não é aceita e aplicada tão livremente como antes

(Introdution to Vertebrate Embriology, Nova Iorque: John Wiley and Sons, 1954, pág. 5).

Robert H. Dott e Roger L. Batten admitem:

“Muita pesquisa tem sido realizada no campo da embriologia desde os dias de Haeckel e sabemos que existe um número excessivo de exceções nesta simples analogia, e que a ontogenia não reflete exatamente o curso da evolução. Por exemplo, sabemos que os dentes se desenvolveram antes da língua nos vertebrados, todavia, no embrião, a língua aparece primeiro”

(Evolution of the Earth, St. Louis: McGraw-Hill Book Co., Inc., 1971, pág 86).

Muitos evolucionistas parecem não ouvir as advertências que diversos embriólogos fizeram e fazem ocasionalmente. Em 1976, o embriólogo William Ballard (que segundo Richard Elinson, cunhou o termo “pharyngula”) lamentou o fato de que tanta energia continua sendo “desviada na atividade do século XIX, essencialmente infrutífera, de dobrar os fatos da natureza para apoiar generalidades de segundo plano. Ballard concluiu que é “só por truques semânticos e seleção subjetiva de evidências” que se pode defender a teoria da recapitulação (Ballard, 1976, pág. 38).

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