No princípio…


 

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Estas palavras lembram o fato de que tudo que é humano tem um princípio. Somente Aquele que está entronizado como Senhor soberano do tempo não tem princípio nem fim. Assim, as palavras iniciais da Bíblia traçam um decidido contraste entre tudo o que é humano, fugaz e finito, e aquilo que é divino, eterno e infinito.
Ao sugerir as limitações humanas, estas palavras apontam para Aquele que é sempre o mesmo e cujos anos não tem fim (Hb 1:10-12; Sl 90:2, 10). A mente humana  finita não pode pensar no “princípio” sem pensar em Deus, pois Ele “é o princípio” (Cl 1:18; Jo 1:1-3). A sabedoria e todas as outras coisas boas têm seu princípio com Ele (Sl 111:10; Tg 1:17). Assim, a vida e todos os planos de quem deseja um dia se assemelhar novamente ao Criador devem ter um novo começo nEle (Gn 1:26, 27; Jo 3:5; 1Jo 3:1-3).
É privilégio do cristão desfrutar a plena certeza de que “Aquele que começou a boa obra” em nós “há de completá-la até ao Dia de Cristo Jesus” (Fp 1:6). Ele é “o Autor e Consumador da fé” (Hb 12:2). Não se pode esquecer o sublime fato implícito nestas palavras: “No princípio […] Deus”.
Esse primeiro verso das Escrituras Sagradas enfoca nitidamente um dos antigos conflitos entre os cristãos que creem na Bíblia, de um lado, e os céticos, ateus e vários tipos de materialistas, do outro. Os últimos, que buscam de diversas formas e em variadas situações explicar um universo sem Deus, defendem que a matéria/energia é eterna. Se isso fosse verdade, que a matéria tivesse o poder de evoluir, primeiro para as formas mais simples de vida, e depois para as mais complexas, até chegar ao ser humano, então Deus na verdade seria desnecessário.
Gênesis 1:1 afirma que Deus é antes de tudo o mais e que Ele é a única causa de toda a criação. Esse verso é o fundamento de todo pensamento correto com respeito ao mundo material. Aqui é representada a impressiva verdade de que na formação de nosso mundo, Deus não dependeu de matérias preexistente.
O panteísmo, a antiga heresia que despoja a Deus de Sua personalidade ao difundí-Lo por todo o universo, tornando-O sinônimo da totalidade da criação, também é negado e refutado por Gênesis 1:1. Não há base para a ideia do panteísmo, quando se crê que Deus vivia impertubável e supremo antes que houvesse uma criação e, assim, é distinto e está acima daquilo que criou.
Nenhuma declaração poderia ser mais apropriada como introdução para as Escrituras Sagradas. Ela apresenta ao leitor um Ser Onipotente, que possui personalidade, vontade e propósito, e que, pelo fato de existir antes de tudo o mais e, portanto, não depender de nada, exerceu Sua vontade divina  e “criou […] os céus e a Terra”.
Não se deve permitir que questões secundárias sobre o mistério da criação divina, seja a respeito do tempo ou do método envolvido, obscureçam o fato de que a linha divisória entre a verdadeira e a falsa crença sobre Deus e a origem da Terra é a aceitação ou rejeição da declaração feita nesse verso.
Uma advertência deve ser feita. Durante longos séculos os teólogos têm especulado sobre a palavra “princípio”, esperando descobrir mais a respeito dos caminhos de Deus do que a sabedoria infinita achou apropriado revelar [devido nossa limitação no entendimento]. Toda especulação é ociosa. Nada se sabe sobre o método da criação além da concisa declaração de Moisés: “Disse Deus”, “e assim se fez”, que é a misteriosa e majestosa nota dominante no hino da criação.
Estabelecer como a base de raciocínio que Deus deve ter feito desta ou daquela forma ao criar o mundo, pois do contrário as leis da natureza teriam sido violadas, é escurecer os desígnios de Deus com palavras sem conhecimento. Além disso, essa atitude abre espaço para o ceticismo que sempre insiste no fato de o registro mosaico não ter credibilidade porque supostamente viola as leias da natureza. Por que colocar a sabedoria humana acima do que está escrito?
Na verdade, pouco se tem a ganhar na especulação sobre quando foi trazida à existência a matéria  que compõe o planeta. Com respeito ao aspecto atemporal da criação da Terra e de tudo o que nela há, o Gênesis faz duas declarações: (1) “No princípio, criou Deus os céus e a Terra” (v.1); e (2) “Havendo Deus terminado no dia sétimo a Sua obra, que fizera” (Gn 2:2). Outras passagens relacionadas ao assunto não acrescentam nada ao que é declarado nesses dois textos com respeito ao tempo envolvido na criação.
Á pergunta: Quando Deus criou “os céus e a Terra”? só se pode responder: “No princípio”. E à pergunta: “Quando Deus completou Sua obra? só há uma resposta: “No dia sétimo” (Gn 2:2), “porque, em seis dias, fez o Senhor os céus e a Terra, o mar e tudo o que neles há e, ao sétimo dia, descansou” (Ex 20:11).
Essas observações quanto ao relato da criação são feitas, não na tentativa de encerrar a discussão, mas como uma confissão de que há pouca possibilidade de se falar de forma segura além daquilo que é claramente revelado. Muitas coisas  estão alicerçadas no relato da criação – na verdade, todo o edifício das Escrituras –, e isso deve levar  o prudente pesquisador da Bíblia a submeter suas declarações às explícitas palavras do Livro Sagrado.
Quando o vasto campo da especulação propicia vaguear por áreas desconhecidas de tempo e espaço, o melhor a fazer é enfrentar a situação com a simples resposta: “Está escrito”. Sempre há segurança dentro dos limites protetores das aspas de uma citação da Escritura.
 
Fonte:
Comentário Bíblico Exegético e Expositivo Adventista do Sétimo Dia, v. 1, p. 187-188, 2011.
 

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